negligência

[qui] 5 de setembro de 2013

alguma
dúvida?¹

sabe quando você fica escondidinho torcendo para que todo mundo passe e não perceba que estás ali? você mesmo faz de conta que não está ali, você ignora tudo e todos, e até o seus pensamentos. e tudo vai passando, as pessoas que amam, as pessoas que se ligam, as pessoas que estão ali, a pessoa que há em você, as pessoas em geral, todos e tudo vai passando… mas enfim, na esquina tu tropeça, tu se (des)liga, e “dá uma merda muito grande“, destas que podem botar o mínimo do mínimo a perder, e tu percebe que de ti não podes sumir, que ao menos para ti (o que não queres) tu ainda existe, tu ainda sente, tu ainda convive com aquele velho medo. o mínimo do mínimo  ainda não é seguro. e ai é a porta fechada te dizendo: sem saída. senta e aguarda a bronca, as consequências da “cagada” que tu fez.

constatações diante do ocorrido:

#1) o que aconteceu comigo? porque fui tão indiferente diante da situação? porque tanta negligência? há quanto tempo faço isto e vinha passando despercebido?

#2) posso transferir este “caso” para outros “campos” da minha rotina existencial? abandono, indiferença, negligência com pessoas e situações próximas?

#3) acho que é mais ou menos assim, “o tempo todo estou tentado me defender” desta possibilidade inevitável de sofrer, resultando disto um tom apático, distante, indiferente, negligente diante das situações e das gentes. não tomar atitude já é a própria atitude. a percepção de existência, concreta e dolorosa, advém do choque/trombadas provocados por fatores externos (pessoas, casos), são os outros que provocam as ondas “na superfície do meu lago parado”, e somente aí é que ouso olhar para além da superfície que tenta espelhar o mundo ao seu redor… somente neste ponto dou-me conta que há uma profundidade, onde a gravidade é maior, a densidade é maior. ah, um dia eu chego no fundo de mim. ah, cresce bicho! wake-up dead man! bosta! vou rir para não chorar, porque seria tudo patético demais. é muito foda sentir essa angustia no peito, é nessa hora que eu lembro porque me escondo tanto. tudo dói demais, amar, socializar, militar, viver. porque é mexer com coisas que não sabemos fazer, e nessa hora eu vejo que sou absurdamente hipócrita por falar da ação, do exercício… e na coisa básica eu não faço. as contradições do se faz e do que se diz. mas talvez reduzir essa contradição pela via do não fazer nada afim de não ser contraditório não seja uma boa. mas é a escolha agora. e também não posso generalizar… não sou um zumbi o tempo todo, faço umas coisinhas bacanas às vezes. chega… dormir é preciso.

fragmentos poéticos

[…]

o homem não tem uma perna
o poeta tinha pedras no coração
[…]
e falta sono sobra sono
e é um tempo de medo
e é um tempo de exaustão
e falta pulsofirmelimite sobra solidão
[…]
não se sabe se se sofre
não se sabe se dorme
não sabe.
[…]
a falta, a indiferença, a negligência
o nó, o frustado, o improvável
a dor de todo mundo.
[…]
enquanto circula por ai,
olhando para a dor,
como se ela fosse alheia,
e o poeta fosse imune,
imune e alheio a ela,
a dor dela, a dor dele,
a dor de todo mundo.
[…]

*********

nota de rodapé

¹ Leia na integra o poema Recapitulando de  Jefferson Vasques

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