Archive for outubro, 2013

quin dia feia, amics

[qui] 31 de outubro de 2013

ruídos…

“DROGA! DOEU? SIM NÃO SEI TE EXPLICAR MAS VOLTANDO E OUVINDO AQUELA CANÇÃO AH VOCÊ NÃO OUVIU AINDA NÉ MAS ERA ASSIM CADA PASSO BROTAVA UM PENSAMENTO MAS NÃO ERA BEM BROTAR ERA MAIS UM LANÇAR COMO AQUELAS ESTRELAS CADENTES QUE CÊ VÊ E CÊ JÁ NÃO VÊ FOI-SE NASCER E MORRER NUMA FRAÇÃO DE TEMPO CURTÍSSIMO ISSO ENTENDESTE BEM MAS DIZIA ELE OU MELHOR PENSAVA ELE VOCÊ CHEGOU NA HORA ERRADA HÁ ALGUMA HORA CERTA É A PERGUNTA QUE FICA NO AR EU JÁ HAVIA VESTIDO MINHA CASACA SABE?! INFANTIL ISTO É CONCORDO MAS SABE A CASACA É ALGO COMO AQUELA QUE TRANSPORTA PARA O MUNDO DE ERA UMA VEZ SACAS?! COMPLICADO ISTO MAS É ELE NARRANDO OU MELHOR PENSANDO OU SEJA NARRANDO MENTALMENTE PARA SI ESSAS HISTÓRIAS TODAS E ME DIZ O QUE ACHAS DISTO TUDO JÁ DISSE É CONCORDO AH LEMBREI DE OUTRA ELE ESTAVA DEITADO INVERTENDO O TEMPO E UMA VOZ NÃO DELE MESMO MAS DE OUTRA PESSOA MAS DENTRO DA CABEÇA DELE DISSE ESSA BELA SACADA AS PESSOAS QUEREM MUDAR O MUNDO E NÃO A SI PRÓPRIAS ELE NÃO SOUBE PARA QUEM OU O QUE ERA DIRIGIDO A IDEIA CONTRADITÓRIA MAS FICOU MATUTANDO COMO SE APLICA A ELE OU ELE APLICAVA EM SI NUMA AUTO CENSURA MAS VOLTA LÁ ESTAVA INTERESSANTE AQUELA HISTÓRIA DOS DESENCONTROS CADENTES AH NÃO OUTRA HORA TE FALO ESPERAREI CERTO E AGORA SILÊNCIO ESTRANHO NÉ SOBRE O QUE FALAR AH FALAR SOBRE O FALAR NÉ É MAS VOLTANDO AQUELA CANÇÃO QUE EU IA TE FALANDO ERA ASSIM:

Quin dia feia, amics
Quin dia feia, amics
La dolça adela va venir amb el mapa d’un lloc nou per descobrir
Amb les claus d’una moto que ens deixava el seu veí
Quin dia feia, amics
L’adela deia “sóc aquí per rodolar entre la civada
I tocar-nos fort en el molí, contant ocells que emigren, fugint d’un país trist”
Quin dia feia, amics
No n’heu vist molts així
I l’adela volia passar-lo amb mi
I vaig girar-me I li vaig dir que seria divertit
I vaig girar-me I li vaig dir que bucòlic I bonic
I vaig girar-me I li vaig dir “la propera clar que vinc”
I vaig girar-me I li vaig dir, I vaig girar-me I li vaig dir
Ara no, no, no! No m’interrompis
No veus que estava inspiradíssim escrivint-te una cançó?
Ja s’aclarien els contorns d’un gran tema pop folk
Que congelarà per sempre això tan especial que hi ha entre els dos.
Que hi ha entre els dos
Ara no, no, no! No m’interrompis
No veus que estava inspiradíssim escrivint-te una cançó?
Ara que em quedava un vers per rimar amb els teus cabells
Ara que quasi es pot sentir l’olor de la teva pell en el paper
En el paper

É MANEL, UM GRUPO CATALÃO. ÓTIMA.

fim dos ruídos. inicio do sussurros…

um velho mineiro

[qua] 30 de outubro de 2013
http://www.youtube.com/watch?v=Pm3dI6qznms
não nos afastemos, não nos afastemos muito... 
não fugirei para as ilhas...

ou

OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossege
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

princípio da inércia

[ter] 29 de outubro de 2013

perdoem os erros de sintaxe

perdoem os erros de ortografia

perdoem os erros e horrores

perdoem o erro

e errem!

urrem!

*

guardei energia dormindo até o último minuto possível

como se fosse domingo esse último minuto possível

e depois percorri as palavras, as classes, a praia, o sol, as linhas

e cheguei lá, onde descubro que tenho um certo humor que até me surpreende…

esse estar frente a frente com tanta gente e ainda sentir-se contente

*

mas um bicho corrói, mastiga por dentro… prescrutando o porque das coisas, nunca satisfeito…

duvidando se é isto ou aquilo, e porque quedo contente

de estar entre toda essa gente?!

***

estico e afrouxo. dias yin dias yang. dias solitários dias coletivos, mas o dolorido não é um nem outro e sim o passar de um ao outro.

*

um grito em filme mudo (ou o umbigo do universo)

[seg] 28 de outubro de 2013

o mote é o umbigo

o mote é o universo

o mote é nada novo

começo, as vezes, [raramente] sabendo o quero falar, e ai vou cambiando palavra por palavra até tudo ficar inexplicavelmente diferente e nesse jogo há alguns prazeres… a estética, o escondido/codificado, o inexplicável/transcendental… esse ar estranho quando tudo é familiar ou seu inverso… mas até aí nada novo.

e do nada novo [é, cada palavra é uma chave múltipla para multiversos] é o jogo vivente e eu jogo a toalha uma vez… demolido pela brutal impossibilidade de continuar e o jogo continua comigo demolido pela brutal impossibilidade de continuar que nunca acaba.  e jogo a toalha mais uma vez… novidade? nada novo. eu cheguei na perfeição: um filme mudo.

referência um:

o umbigo do universo é o nosso umbigo.

referência dois… essa coisa bonita de caio amaral falcão que não encontrei letra alguma e transcrevi [é, deve haver inúmeros erros]

vez em quando quando meu umbigo dói e eu já nem sei quem foi que fui eu já nem sei de cor porque fui eu o meu algoz que me calei perdi a voz e o r(p)iso e as pare(de)s e me fui sem fé nem fogo sem faca ou foice quem traiu quem pergunto ao mundo e me responde o meu umbigo essa saudade que me encharca qual carranca frente a poa que me cura do sal e a sina me ensina assim que não foi nada e não foi nada e não foi nada fora a fúria do mar calada qual um grito em filme mudo um grito em filme mudo grito em filme mudo em filme mudo em filme mudo

(enfim me mudo)…

referência três: “num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação” (charles chaplin)

nada

[dom] 27 de outubro de 2013

as vezes eu me canso de tanta informação.
não porque informações me cansem, adoro, sou meio obssessivo-compulsivo por informação.
mas é porque elas me deixam exausto, imobilizado diante de tanta perplexidade.

então lá vou eu fazer qualquer coisa aparentemente sem sentido, mas que me aliviem e relaxem. é por isto que eu cavo meus buracos.
pensei coisas profundas neste domingo. conclui a leitura de um livro – a mulher desiludida (era a leitura do banheiro… tenho disto, ler vários livros ao mesmo tempo e cada um num local e horário próprio). planejei os próximos (principalmente agora que pretendo ficar sem tevê).

e agora organizo os documentos para quando chegar o final do ano letivo, ficar tudo zen.

duas frases extraídas de um blogue novo (que já adicionei aos links ai do lado) que encontrei (via o japonês que buscava o nome do zine,  já que “nunca mais vimos o zine”):

“Era como se tivesse chegado ao momento, à idade talvez, em que se sabe muito bem o que se perde a cada hora que passa. Mas ainda não se adquiriu a força e a sabedoria necessárias para se parar de vez na estrada do tempo e além do mais em primeiro lugar se parássemos não saberíamos tampouco o que fazer sem essa loucura de avançar que nos domina e que admiramos desde nossa juventude.” – louis-ferdinad céline

“Depois de algum tempo, começo a pensar aonde vou. Quero um emprego? Não. Começo a vida novamente? Não. Quero tirar férias? Não. Não quero nada. Então o que você quer? Pergunto de mim para mim. A resposta é sempre a mesma: Nada.
Bom, pois é exatamente o que você tem: Nada.” – henry miller, sexus

 

amanhecendo no feitiço

[qua] 23 de outubro de 2013

SEGUNDO ATO

Torre de controle, bom dia, Victor Bravo Três Um solicita permissão para se desmanchar no ar. Me escreve, pede poesia, mas ela, a poesia, não presta, e eu tão pouco presto pra ela. não presto-me. estou cindido, oscilo entre um tímido-terno-tênue humor e um desumor, uma brutal impotência imobilizadora, tão vã, tão feia, tão imodesta…  tão perigosa ao ponto de todos os camundongos tornarem-se hipopótamos. não é fácil levantar… e a madrugada passa depressa demais… e eu tento dar um fim, embora o corpo peça pra ficar, eu vou… 

poesia incidental: http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/ultima-elegia-v

PRIMEIRO ATO

AMANHECENDO, Bruna Caram

Composição: Caê Rolfsen, Leo Bianchini e Pedro Viáfora

Atrasei ponteiros pra ficar
Eu perdi a hora de andar
Dá pra ver o sol lá fora
Vem minha voz dizer: “Não olha”
No entanto a espanto bem

Conto pra mim que o fim tem hora
Ponto pra mim!
E eu: “Não, não chora”
Enquanto o pranto vem

Embora o corpo peça assim pra ficar, eu vou
Embora
E eu tento dar um fim
Pronto, acabou

dor elegante

[ter] 22 de outubro de 2013

ou o próprio

Tenho Sede /// Intérpretes Bruna Caram e Marcelo Jeneci // Compositorxs Dominguinhos e Anastácia // Traga-me um copo d’água, tenho sede / E essa sede pode me matar / Minha garganta pede um pouco d’água / E os meus olhos pedem / O teu olhar / A planta pede chuva quando/ Quer brotar / O céu logo escurece quando / Vai chover / Meu coração só pede o teu amor / Se não me deres posso até morrer

O pato /// Intérprete João Gilberto // Compositorxs  Jayme Silva e Neuza Teixeira // O pato vinha cantando alegremente, quém, quém / Quando um marreco sorridente pediu / Pra entrar também no samba, no samba, no samba / O ganso gostou da dupla e fez também quém, quém / Olhou pro cisne e disse assim “vem, vem” / Que o quarteto ficará bem, muito bom, muito bem / Na beira da lagoa foram ensaiar / Para começar o tico-tico no fubá / A voz do pato era mesmo um desacato / Jogo de cena com o ganso era mato / Mas eu gostei do final quando caíram n’água / E ensaiando o vocal //Quém, quém, quém, quém / Quém, quém, quém, quém

Dor Elegante /// Intérprete e Compositor Itamar Assumpção // Poema Paulo Leminski // Um homem com uma dor / É muito mais elegante / Caminha assim de lado / Com se chegando atrasado / Andasse mais adiante // Carrega o peso da dor / Como se portasse medalhas / Uma coroa, um milhão de dólares / Ou coisa que os valha // Ópios, edens, analgésicos / Não me toquem nesse dor / Ela é tudo o que me sobra / Sofrer vai ser a minha última obra.

Ai Ioiô  (Linda flor) // Intérprete Aracy Cortes // Compositores Henrique Vogeler e Luiz Peixoto /// Ai, ioiô! / Eu nasci pra sofrer. / Fui oiá pra você, / Meus zoinho fechô. / E, quando os zóio eu abri, / Quis gritar, quis fugir… / Mas você, / Não sei por que, / Você me chamou… // Ai, ioiô! / Tenha pena de mim. / Meu Senhor do Bonfim / Pode inté se zangá… / Se Ele um dia souber / Que você é que é / O ioiô de iaiá… // Chorei toda noite, pensei  / Nos beijos de amor que eu te dei. / Ioiô, meu benzinho do meu coração, / Me leva pra casa, me deixa mais não! // Chorei toda noite, pensei  / Nos beijos de amor que eu te dei. / Ioiô, meu benzinho do meu coração, / Me leva pra casa, me deixa mais não! // Ai, ioiô! // Se ele um dia souber / Que você é que é / O ioiô de iaiá… // Chorei toda noite, pensei  / Nos beijos de amor que eu te dei. / Ioiô, meu benzinho do meu coração, / Me leva pra casa, me deixa mais não! // Chorei toda noite, pensei  / Nos beijos de amor que eu te dei. / Ioiô, meu benzinho do meu coração, / Me leva pra casa, me deixa mais não! // Ai, ioiô!

Nunca /// Intérprete Dona Jandira // Compositor Lupicínio Rodrigues // Nunca / Nem que o mundo caia sobre mim / Nem se Deus mandar / Nem mesmo assim / As pazes contigo eu farei / Nunca / Quando a gente perde a ilusão / Deve sepultar o coração / Como eu sepultei / Saudade / Diga a esse moço por favor / Como foi sincero o meu amor  / Quanto eu te adorei / Tempos atrás / Saudade / Não se esqueça também de dizer / Que é você quem me faz adormecer / Pra que eu viva em paz ///

Aves daninha /// Intérprete Dalva de Oliveira // Compositor Lupicínio Rodrigues // Eu não quero falar com ninguém / Eu prefiro ir pra casa dormir / Se eu vou conversar com alguém / As perguntas se vão repetir / Quando eu estou em paz com meu bem / Ninguém por ele vem perguntar / Mas sabendo que andamos brigados / Esses malvados querem me torturar // Se eu vou a uma festa sozinha / Procurando esquecer o meu bem / Nunca falta uma engraçadinha / Perguntando ele hoje não vem / Já não chegam essas mágoas tão minhas / A chorar nossa separação / Ainda vem essas aves daninhas / Beliscando o meu coração.

Flor de Lis /// Compositor Djavan // Valei-me, Deus! / É o fim do nosso amor / Perdoa, por favor / Eu sei que o erro aconteceu / Mas não sei o que fez / Tudo mudar de vez / Onde foi que eu errei? / Eu só sei que amei, / Que amei, que amei, que amei // Será talvez / Que minha ilusão / Foi dar meu coração / Com toda força / Pra essa moça / Me fazer feliz / E o destino não quis / Me ver como raiz / De uma flor de lis // E foi assim que eu vi / Nosso amor na poeira, / Poeira / Morto na beleza fria de Maria // E o meu jardim da vida / Ressecou, morreu / Do pé que brotou Maria / Nem margarida nasceu. // E o meu jardim da vida / Ressecou, morreu / Do pé que brotou Maria / Nem margarida nasceu.

Flor do Medo ///  Intérprete Bruna Caram // Compositor Djavan // Venha me beijar de uma vez / Você pensa demais pra decidir  / Venha a mim de corpo e alma / Libera e deixa o que for nos unir / Não vá fugir mais uma vez  / Vença a falta de ar que a flor do medo traz / Tente pensar /  Pode até ser mal e tal / Mas pode até ser que seja demais // Tudo vai mudar / Posso pressentir / Você vai lembrar e rir  / Alguma dor que não vai matar ninguém / Pode ser vista, nos rondar / Não precisa se assustar / Isso é clamor /  De amor // Venha me beijar de uma vez  / Feito nuvem no ar sem aflição / Vem a mim de corpo e alma  / Libera a paz do meu coração / Não vá se perder outra vez / Nesse mesmo lugar por onde já passou / Tente pensar / Pode até ser sonho e tal / É, mas pode até ser que seja o amor // Tudo vai mudar / Posso pressentir  / Você vai lembrar e rir  / Alguma dor que não vai matar ninguém  / Pode ser vista, nos rondar / Não precisa se assustar / Isso é clamor  / De amor // Venha me beijar de uma vez  / Feito nuvem no ar sem aflição  / Vem a mim de corpo e alma  / Libera a paz do meu coração / Não vá se perder outra vez / Nesse mesmo lugar por onde já passou / Tente pensar / Pode até ser sonho e tal / É, mas pode até ser que seja o amor.

Eu fiz uma viagem /// Compositor Dorival Caymmi // Eu fiz uma viagem / A qual foi pequenininha / Eu sai dos Olhos d’Água / Fui até Alagoinha // Agora colega veja / Como carregado eu vinha / Trazia a minha nega / E também minha filhinha // Trazia o meu tatu-bola / Filho do tatu-bolinha / Trazia o meu facão / Com todo aço que tinha // Vinte couros de boi manso / Só no bocal da bainha / Trazia uma capoeira / Com quatrocentas galinhas // Vinte sacos de feijão / E trinta sacos de farinha / Mas a sorte desandou / Quando eu cheguei em Alagoinha // Bexiga deu na nega / Catapora na filhinha / Morreu meu tatu-bola / Filho do tatu-bolinha // Roubaram o meu facão / Com todo aço que tinha / Vinte couros de boi manso / Só no bocal da bainha // Morreu minha capoeira / Das quatrocentas galinhas / Gorgulho deu no feijão, colega / E mofo deu na farinha.

Meditação /// Intérprete Alaíde Costa // Compositores Tom Jobim e Newton Mendonça // Quem acreditou / No amor, no sorriso, na flor / Então sonhou, sonhou / E perdeu a paz / O amor, o sorriso e à flor / Se transformam depressa demais // Quem no coração / Abrigou a tristeza de ver / Tudo isso se perder / E na solidão  / Procurou um caminho a seguir  / Já descrente de um dia feliz // Quem chorou, chorou / E tanto que seu pranto já secou // Quem depois voltou / Ao amor, ao sorriso e à flor / Então tudo encontrou / Pois a própria dor / Revelou o caminho do amor e a tristeza acabou

[seg] 21 de outubro de 2013

questões essenciais… ou quase isso ai sabe.

o moodle não carrega… ferrou (desta vez eu vou furar a entrega da atividade). e toda sexta-feira pela manhã eu durmo – e falto aos cursos em que me inscrevi… e a última foi que perdi a data de entrega dos documentos e não passei para a segunda fase da seleção… como eu disse, espera ai, que vou logo ali, arremessar minha cabeça contra a parede. [É POSSÍVEL TANTOS DESAJUSTES NUM ÚNICO INDIVÍDUO?]

quinta, sexta e segunda (hoje) foram dias dedicados aos outros. dias de boas ações. sábado dediquei a mim [NÃO SOU TUDO ISTO QUE PINTO… NÃO BOTO TODO ESSE CARTAZ]

estou no meu segundo ano de magistério e ainda me pergunto o que estou fazendo e por que estou fazendo e a cada pensada a conclusão é mais ou menos óbvia enquanto apenas tangenciar a vida isto que estou a fazer e o porque disto ainda suscitarão estranhamentos… e todas as respostas que possa formular ainda serão apenas superficiais.
e quando estou na superfície… não há tesão.

É SÓ MIRAR ESTE MONOTEMA TÃO MONÓTONO E  MONOLOGAL.

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como se resgata um violão?

três mil dias e o centenário do poetinha

[sáb] 19 de outubro de 2013

O centenário do Poeta. De todas e todos, foste o primeiro. Aquele que me cruzou o caminho, perpassou este peito que sangra(va) enquanto amava e desamava e amava mais e desamava mais e sofria. Sofria tanto, porque amar não é algo assim tão simples… Principalmente quando és iniciante nesta arte… Sofres bocados. Mas entre a apatia e o sofrimento lá estavas tu, dizendo-me: “soframos… (…) posto que é chama”… O poeta repleto de desencontros e encontros ensinava ao rapaz estes novos caminhos. O poeta e o rapaz, e ainda faltavam 15 anos para este centenário, o primeiro poeta. Foi mergulhando em tua poesia que meus versos infantes nasceram qual um fluxo incontrolável ou uma fenda por onde desaguava no exterior as águas de um oceano profundo e interior todos os sonhos e toda a solidão emergiam, brotavam, sangravam, ganhavam sons, tornavam-se imensos… Era eu-poeta gente posto que sentia e soltava ao mundo meu mundo e cada palavra toscamente grafada era uma barra a menos na prisão do poeta nascente… Na poesia eu encontrava-me no mundo… Sem ela, o mundo me era estranho e violento por demais. Desde então, sem perceber o ponto de transição transmutei-me neste, nem sempre, doloroso verso.

Depois de ti poeta, tantas e tantos, e todos estas e estes me marcaram a carne profundamente, apreendi um tanto com cada – e de cada verso-poesia-poetas eu irmanava.

Mas hoje, poeta, vagando, e pensando, que talvez seja a secura ou uma terra maltratada, mas tenho abandonado a lição que compartilhaste… E não escrevo mais, desaprendo a poesia, mudo o poema…

Sei, apesar de tudo, sabemos: só a poesia é a brecha, a fenda… A forma mais próxima do encontro, neste oceano de desencontros. Sem poesia, tudo é [  vazio  ] demais.

***

Ontem, pela tarde, enquanto reencontrava, nas leituras semanais, outro poeta e pensava sobre a situação que me enfiei, nestes velhos e sujos hábitos, emaranhado-me em nós que imobilizam, sufocam, asfixiam o poeta-poema-poesia e só me sobra o inverso de ti, primeiro poetinha, de tua lição… pelo amor (mas acho que isto não é bem amor) ao medo e pelo medo do amor (e de toda o sofrimento que vem no seu bojo) desamo tudo em mim e a poesia torna-se impossível… não posso (ainda, quem sabe…).

Anotei as palavras sobre o poeta comfus… “Esse ‘quartinho-barquinho’ num apartamento comunal, onde residiam mais cinco famílias e no qual o poeta ‘navegou’ três mil dias’, seria seu último abrigo antes do fatídico tiro no coração.” p. 251

E por agora conto meus pequenos e enfadonhos contos, aguardo a poesia que me libertará… mas dia desse, quando não houverem mais crianças nem cachorros, quem sabe me saco disto tudo, e num tiro tudo desmancharia-se no ar… assim será – mais cedo ou mais tarde.

papel paraná

[sex] 18 de outubro de 2013

ando numa de ficar mirando a ponta do dedo mindinho do pé e a cabeça gira… vejo nada, tudo me é um saco, ou para ser mais preciso… tudo é impreciso, vago, sem sabor, monótono… mais do mesmo, o mesmo dedo, a mesma dor, o mesmo distraído, a mesma dolor… tão minha, tão minima.

é preciso mudar de ideias
é preciso mudar as mudas/ideias
é preciso mudar
preciso mudar

porque esse negócio de ficar cavando buraco no chão é meio sem pé nem cabeça, mas como fazer outra coisa se tudo ao redor parece enorme demais, chato demais, monstruoso demais, entediante demais, cruel demais, estúpido demais, doloroso demais… e mais a mais, creio eu que é tudo questão de fase, como diz aquela canção… «And I don’t know where I’m going, I guess it’s just a phase» Mariane, composição de Renato Russo.

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