Archive for novembro, 2013

alice não me escreva…

[qui] 28 de novembro de 2013

o mar parece calmo… mas é a ilusão da distância. de perto você vê o movimento… os altos e baixos.

eu fico besta como consigo oscilar de comportamento… num dia êxtase noutro um enfadar-se sem tamanho. num dia super-homem noutro o nã0-ser. devo ter um ‘q’ de bipolaridade (em algum grau) não diagnosticado ainda. minha família  paterna é bem problemática neuropsicologicamente falando… vai saber né… quem sabe ai eu encontro uma possível explicação para esse tumulto todo de um vida sem tamanho.

e como diz aquela canção pop dos anos (19)80: “Tudo atrapalha o que eu faço Mas pros outros parece tão fácil“.

e ps: este é o post 1000. pouco para um blogue que existe há anos.

efetivo paquetá!

[ter] 26 de novembro de 2013

ansioso demais. dormi de menos. nem acordei. nem dormi. nestes dias de escolha de vagas ou provas são os momentos de reencontro do povo universitário… outros momentos, velhos momentos… brevíssimos reencontros… depois voltamos para a vida escolar. e só vamos nos encontrar nas manifestações… mas é com um peito contento que encontro, abraço, cumprimento cada camarada. enfim, escolhi a vaga, será que acertei? não sei. só o tempo dirá. efetivo, 20 horas. lá no rio vermelho… e vida será um eterno vai e volta. mas fica aquele gosto… sai dessa toca mané, volta a viver… ¡revolucionate muchacho!

mas são tantas dúvidas… tantos poréns e afins pense bem

estou neste momento nesta transição de explorado temporário para explorado efetivo. que alívio. que sufoco. ganha pão (mais ou menos) ok; dívidas e organização comunitária-familiar (mais ou menos) ok; teto (mais ou menos) ok; relação com filha (mais ou menos) ok; saúde (mais ou menos) ok; e preciso de tantas coisas ainda… um coração para o homem de lata, esse leão medroso… tão espantalho descerebrado.

e há tantas, muitas pacas…

um poema para a posteridade e o exercício transitivo sobre a intransitividade

[dom] 24 de novembro de 2013

uma breve introdução do porque desta postagem hoje caríssimxs leitorxs e três poesias (a que motivou esta postagem, a que saiu no processo e a que encontrei depois de tudo escrito mas ainda não publicado):

*****

#1. no filme sobre Lacan (RENDEZ-VOUS CHEZ LACAN, 2011) terminava com este poema de Queneau, que é genial,

#2 Ce soir, / Si j’écrivais un poème  pour la postérité ? / fichtre / la belle idée // je me sens sûr de moi / j’y vas / et à la postérité / j’y dis merde et remerde / et reremerde / drôlement feintée / la postérité / qui attendait son poème // ah mais /// Raymond Queneau – Poème pour la postérité (1948)
“Esta noite, / e se eu escrevesse um poema para a posteridade? / Droga! / Que grande ideia // Me sinto confiante / Lá vou eu! / E, para a posteridade, eu digo: / Merda! Merda de novo! / Merda 3 vezes! / Sem dúvida, enganei a posteridade, / que esperava seu poema. // Então, acabou”.
[tanto o poema quanto a tradução encontrei aqui: http://devaneiosinconscientes.blogspot.com.br/2013/03/raymond-queneau-poeme-pour-la-posterite.html]
************
#3 e mais um exercício que faço… vou chamá-lo de exercício transitivo sobre a intransitividade

nem lá nem cá nem ali nem amanhã não aqui nenhum e não mais não agora a não hora de ir ou ficar embora emborcar o vazio deste não rio não rio não choro não colo não amolo endureço sem nenhum preço made in nem lá nem cá nem ali o não aqui o cá dentro de dentro todo pra fora em dente tento troco mordo a hora no vento oco morno que se enrola em si sem ser sim ou saber-se não só um tremendo nó que se ata e não se mata se morre num porre vazio

Sambaqui/Florianópolis. 2013.

****************

#4 nota de roda-pé: vale uma visita nisto aqui para ler um poema sobre a intransitividade da vida por renan carletti.

a dobra do mar

[qui] 21 de novembro de 2013

Que contradição, tal qual um nasrudin, sigo morro acima levando minha canoa nas costas… ô sufoco besta.

um mate para acordar

um bule de chá pela tarde

um quilo de café na noite

um pouco de leitura filosófica

algumas partidas de xadrez

um dia inútil e estranho

uma ansiedade silenciosa [eu no meu vasto mundinho sem querer levar um papo com ninguém guardando tudo para mim…]

e…

[para efeito de registro caso eu venha logo a frente esquecer e continue nesta vida besta que tudo melhora, mas também piora] há alguns compromissos ainda até meados de dezembro, mas tecnicamente encerrou-se o ano profissional e me sinto mais esclarecido após dois anos de magistério. estou mais ciente das debilidades (teóricas, pedagógicas, práxis educativa e militante) e dos caminhos possíveis, cresci um bocado este ano… e para ano que vem, porque nas três próximas semanas é momento de delimitar alguns caminhos possíveis (2ª chamada do concurso para magistério estadual, complementação de carga horária, e 1ª chamada pra act) e como passei no concurso, posição 25 para 29 vagas é aguardar até segunda e descobrir o que sobra para mim. há uma penca de escolas em palhoça, algumas poucas na ilha, meia dúzia em são josé e biguaçu e aquelas que são lá na volta do mundo… santo amaro, anitápolis, águas mornas, são pedro, governador. E se me sobrar só uma destas últimas? o que é mais do que provável… e dez horas apenas… porque dez horas é pouco e estou sentindo isto na pele neste final de ano que tenho que contar cada moeda. mas sei lá… tudo vai se encaminhar. mas até lá…

um mate para acordar

um bule de chá pela tarde

um quilo de café na noite

um pouco de leitura filosófica

algumas partidas de xadrez

um dia inútil e estranho

uma ansiedade silenciosa

e… amanhã é outro dia… e “quem bater primeiro a dobra do mar dá de lá bandeira qualquer, aponta pra fé e rema”

trilha sonora neste dia chato de quase chuva: cássia eller, nando reis e los hermanos.

crônicas mínimas dos dias mínimos

[qua] 13 de novembro de 2013

da série:
crônicas mínimas dos dias mínimos:
tarde:

ô calor infernal… não gosto de ti. sinto saudade é do vento sul que chega todo intenso e abraça, encrespa o mar e o cabelo, dando aquela sensação de frio na medida certa… queria tudo meio cinza ressacado, até azul, mas não esse dourado encarnado desidratando tudo e todos. quando eu digo que sou muito quente as pessoas ainda acham que eu estou brincando…

noite:

último dia de conteúdo novo em sala, agora é criar e recriar um pouco sobre ele, se apropriar, mensurar, colorir e resignificar até dezembro. mas saio de todas as turmas com aquele gosto de “bem que podia ter mais umas duas ou três semanas de aula assim… sabe aqueles dias que as coisas fluem, o jogo anda… todos na mesma sincronia.

aleluias

[ter] 12 de novembro de 2013

me acostumo

a dormir

com as janelas e portas

todas abertas

nestas madrugadas

quentes e solitárias

já é noite fechada na janela aberta

já é pancada de chuva na porta repleta

já amanhece na casa cheia

já são os grilos…

e as aleluias  acostumando-se

aladas, pelas portas e janelas,

nestas madrugadas abertas,

a serem tantas.

6h00.

***

agora mudando de assunto completamente… como se perder um celular? é fácil. dá pra mim. perco em dois palitos. mais um para a conta de inúmeros celulares e tralhas perdidas… agora estou um projeto de homem assim: sem tv, quase sem internet, sem telefone, logo mais sem trabalho… é o proto-homem civilizado transformando-se em ermitão… o ermitão de sambaqui.

polaco loco paca…

[seg] 11 de novembro de 2013

DIA 9/11. vem disto aqui…

«Paulo Leminski, Polaco loco paca»

Curta-metragem sobre o poeta paranaense Paulo Leminski em Porto Alegre durante a década de 1980. A direção é de João Knijinik.

que é profundo pacas…

A linguagem dá um barato fundamental no ser humano. Não é preciso justificar isto a luz de nada. Isso ai que é fundamental, as outras coisas é que têm que ser justificadas“.

DIA 11/11 Eu pretendia publicar isto dia 9, mas a internet ‘tá uma bosta (é que agora eu compartilho o wifi e o custo dela, positivo isto, negativo é o modem ficar tão longe, mas é a tática nesta minha luta para sobreviver com menos de um salário mínimo). Mas não faz mal¹… Caminho lentamente para um refazer-me, e me desfaço da tevê, minimizo a vida por cá (no espaço virtual), e sobra mais tempo para leituras (aquela  pilha enorme de livros esperando que eu vá pôr em alguma aleatória ordem… cá em minha cuca), e sobra mais tempo para meus projetos de escavações e empilhamentos de pedras (eta hôme besta! o sol ali fora e tu com a cara metida dentro da terra feito avestruz)… sobra mais tempo para finalizar o preenchimento dos diários de classe e encerrar minhas aulas de 2013² (que tem sido um misto de doce e amargo) e reaprender xadrez (e jogar com izabel… mas ela é toda séria, trágica, dolorosa, e um cadinho triste… não puxou toda de mim, já que peguei ela a meio caminho andado… mas acredito que esse pé na dor é daqueles que compartilham cedo os sofrimentos desta vida) e ouvir música… NO VOLUME MAIS ALTO QUE SE POSSA IMAGINAR (mas calma, moro no mato, e além, as músicas têm qualidades agradáveis…)

Mas eu pretendia publicar… e não é por nada disto acima que não publiquei… é que fiquei matutando um poema, e das 20 folhas rabiscas saiu nada definitivo… tudo ainda é um rascunho, apenas isto aqui é certo:

Calo este silêncio todo

Que estronda meu oco

Calo este silêncio todo

E te ouço, polaco loco!

notas de rodapé:

¹ link para canção> Hey Babe – Nando Reis

² hoje, passei umas duas aulas num ótimo bate-papo tete à tete com um estudante (que estava matando aula de outros dois professores), e quando chego em casa, recebo recado de um outro estudante, aluno de 2012, um dos mais críticos e engajado que já conheci, dizendo que sente saudades de minhas nossas aulas críticas e sensatas (agora a professora de sociologia parece ser conservadora). E são momentos assim, porque prefiro mais o papo com os estudantes (aqueles poucos que a gente consegue sensibilizar, tocar com o argumento sociológico) do que com os professores, quase todos cheios de seus moralismos. eu acho a escola tão chata, tão absurdamente sufocante, que os poucos momentos de lucidez em sala que conseguimos ter são tão intensos, e isto é o doce, mas são tão raros, e isto é o amargo… como a juventude pode sonhar se todos os adultos referenciais vão zumbizando. E também, muitas vezes me sinto como se estivesse falseando, me sinto capenga nos meus desenvolvimentos… como abordar coerentemente e criticamente conteúdos, temas, tópicos, conceitos se me distancio deles, se na minha prática política me distancio do movimento real? como posso desarticular tanto assim teoria e prática? isto me leva a questionamentos se o que estou fazendo tem algum sentido, e são nessas conversas ou alguns momentos em algumas aulas ou recados e mensagens como esta do gui, que me dizem que há algum sentido, que não está tudo perdido… que a minha existência e meu ofício faz uma mínima diferença… mas o ponto correto, e sei disto, não é questionar a docência e sim a ausência de militância. mas minha cabeça é tão torta… preciso bater mais um pouquinho ela no chão para ver se os parafusos de acertam. animo meu rapaz, animo. lembra do mantra: paciência e coragem, paciência e coragem. Levanta essa bunda e vai lá…

aos alecrins

[qui] 7 de novembro de 2013

TEXTOS DO FIM. Garimpados e Fabricados lá pelas 6h30 do dia.

texto incidental o guardador de rebanhos (parte ix) / sou um guardador de rebanhos / o rebanho é os meus pensamentos / e os meus pensamentos são todos sensações. / penso com os olhos e com os ouvidos / E com as mãos e os pés / e com o nariz e a boca. // pensar uma flor é vê-la e cheirá-la / e comer um fruto é saber-lhe o sentido. / por isso quando num dia de calor / me sinto triste de gozá-lo tanto. / e me deito ao comprido na erva, / e fecho os olhos quentes, / sinto todo o meu corpo deitado na realidade, / sei a verdade e sou feliz. / alberto caeiro – heterônimo de fernando pessoa.

***

texto dois que deveria ser o um. pensei em tanta coisa, mas uns goles de vinho me tiraram a certeza da palavra escrita, e sobrou apenas um pensamento passado, uma madruga perdida e um amanhecer mais inspirado. já escrevi aqui inúmeras vezes avaliações sobre este momento que vivo – os dilemas, as limitações, as contradições, as referências, os desencontros, as dores, a certeza sobre estar certo e ao mesmo tempo a profunda angústia de estar errado, da imobilidade em que me encontro. momento que  manifesta uma necessidade de auto-proteção, mesmo que seja em relação à projeções superdimensionadas, fruto de minhas neuroses e carências, enfim, desta dificuldade de lidar com afetividade – e irônico nisto tudo é que trato disto numa boa no plano da análise, tenho consciência de como se processa, quais suas origens e seus desdobramentos… mas –  contraditoriamente, este mesmo momento manifesta-se como uma certa prisão, como um viciado melodramático não consigo romper o ciclo vicioso do cotidiano que me leva à um exílio, um auto-exílio, que só não é total porque conservadoramente e comunalmente nesta família, onde todos moram sozinhos em suas casas, mas no mesmo pedaço de terra. O fato de ter izabel vivendo tão perto e passar quase todos os dias algumas horas com ela, e ter me vestido desta «paternidade», que me ensina bastante, e me dá, de certa forma, um chão, já que por ela tenho feito algumas concessões… é por ela, mas também é por mim, já que projeto nessa relação, o outro modelo concreto de relação parental pai-filho que vivi, a minha própria com meu velho, e percebo que apesar de ser tão idêntico nas limitações, eu consigo romper este profundos grilhões repressivos, e  mesmo não sendo o super-homem, e ainda causando dores por minhas faltas, sou um «pai» mais aberto e franco, talvez não o pai que eu gostaria de ter, mas o que consigo ser neste meu mar de neuroses… eu não deveria editar todo este texto, como estou fazendo agora, e quem já 0 leu, se um dia voltar a ler, perceberá, mas quem é que lê isto por cá? mas em síntese: por não saber lidar com certas situações e sentimentos, ou mesmo por não conseguir lidar com eles e com a projeção que eles trazem, é que nestes últimos três anos recuei, estabeleci um projeto mínimo, sobreviver, acompanhar izabel crescer, concluir meu teto… e recuando politicamente, socialmente, afetivamente de todas as possibilidades de enfrentamento, transformação e superação destas minhas velhas debilidades, destas minhas amputações ‘invisíveis’. e talvez não seja o melhor caminho a seguir, mas quase tudo vai conspirando para esse recuo, o salário baixo, a incerteza de trabalho, as contas, a falta de vontade de trabalhar ou de voltar a estudar ou militar social e politicamente… quase tudo ao meu redor parece incerto.

no peito há gentes e a dor e a dor pela dor do peito causar dor no peito destas gentes. mas nesta semana deu uma vontade de subir para respirar, sair do silêncio, mexer os músculos, olhar para toda essa quantidade de dor e começar a desfaze-la… e tomará que eu consiga avançar para além desta semana, avante, contra os moinhos de vento…

***

texto um que é o dois. perguntas aos alecrins. alecrim, alecrim, tu és uma planta bela e cheirosa. e aqui em casa és já dois pés. e sendo dois, vocês hão de crescer e me alimentar em chás e pratos diversos. alecrins… o que cês me dizem quando tudo parece estar à deriva, desde minha aparente profissão à república francesa, alastrando-se pelas águas radio-atômicas de fucuxima. seriam muitos derivados e derivativos para toda essa estória? a sociologia explica, interpreta, compreende como todo o sistema funciona, mas não me anima… é carlitos, falta ação. tu me diria: e esse cara aí sobre o muro, o que mira? o que sente? qual o gosto que leva na boca? que vermelho é este entre estes dentes carcomidos e ausentes? e nos olhos? e na cabeça? e esse doce-amargo das raras aulas semanais? do civilizatório mínimo trabalho alienado? do produtivo máximo não-trabalho? do esperar as vidas passarem?

a passagem das horas – “trago dentro do meu coração, / como num cofre que se não pode fechar de cheio, / todos os lugares onde estive, / todos os portos a que cheguei, / todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias, / ou de tombadilhos, sonhando, / e tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero. // (…) // viajei por mais terras do que aquelas em que toquei… / vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos… / experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti, / porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir / e a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz. // a certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me, / penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge, / desta estrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso, / desta turbulência tranquila de sensações desencontradas, / desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada, / deste desassossego no fundo de todos os cálices, / desta angústia no fundo de todos os prazeres, / desta saciedade antecipada na asa de todas as chávenas, / (…). // não sei se a vida é pouco ou demais para mim. / não sei se sinto de mais ou de menos, não sei / se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência, / consanguinidade com o mistério das coisas, choque / aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos, / ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz. // seja o que for, era melhor não ter nascido, / porque, de tão interessante que é a todos os momentos, / a vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger, / a dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair / para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas, / e ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos, / entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs, / e tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso, / com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida. // cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços, / é preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas… / por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro, / tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca… / que há de ser de mim? que há de ser de mim? // correram o bobo a chicote do palácio, sem razão, / fizeram o mendigo levantar-se do degrau onde caíra. / bateram na criança abandonada e tiraram-lhe o pão das mãos. / oh mágoa imensa do mundo, o que falta é agir… / tão decadente, tão decadente, tão decadente… / só estou bem quando ouço música, e nem então. (…) // como um bálsamo que não consola senão pela ideia de que é um bálsamo, / a tarde de hoje e de todos os dias pouco a pouco, monótona, cai. // (…) assim fico, fico… eu sou o que sempre quer partir, / e fica sempre, fica sempre, fica sempre, / até à morte fica, mesmo que parta, fica, fica, fica… / torna-me humano, ó noite, torna-me fraterno e solícito. / só humanitariamente é que se pode viver. / só amando os homens, as ações, a banalidade dos trabalhos, / só assim – ai de mim! -, só assim se pode viver. / só assim, o noite, e eu nunca poderei ser assim! // vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo, / mas tudo ou sobrou ou foi pouco – não sei qual – e eu sofri. / vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos, / e fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse. / amei e odiei como toda gente, / mas para toda a gente isso foi normal e instintivo, / e para mim foi sempre a exceção, o choque, a válvula, o espasmo. // (…) sinto na minha cabeça a velocidade de giro da terra, / e todos os países e todas as pessoas giram dentro de mim, / centrífuga ânsia, raiva de ir por os ares até aos astros / bate pancadas de encontro ao interior do meu crânio, / põe-me alfinetes vendados por toda a consciência do meu corpo, / faz-me levantar-me mil vezes e dirigir-me para Abstrato, / para inencontrável, Ali sem restrições nenhumas, / a Meta invisível — todos os pontos onde eu não estou — e ao mesmo tempo… // (…) // (…) eu, sinto que ficou fora do que imaginei tudo o que quis, / que embora eu quisesse tudo, tudo me faltou. // (…) // meu ser elástico, mola, agulha, trepidação /// álvaro de campos, in “poemas”. heterônimo de fernando pessoa.

________________________________________ //————————-

TEXTOS DO MEIO. Garimpados e fabricados lá pelas 18h30 do dia.

Lista do dia.

Fiz um texto e não consegui publicar. tendo passado doze horas fico pensado se devo publica-lo (e que se publique) já que  “a medida em que havíamos atingido nosso fim principal: ver claro em nós mesmos.

Ouço sem parar Secos & Molhados. Por que? Porque Izabel insiste em ouvi-lo. Porque troquei uma Tevê um aparelho de som. Porque assim posso desafinar e mexer o corpo desorganizadamente. As tardes são assim…

Coisas pesquisadas por agora: http://www.protecto.com.br/artigos/reparo3.htm ; http://www.unama.br/novoportal/ensino/graduacao/cursos/engenhariacivil/attachments/article/125/corrosao_concreto_armado.pdf ; http://www.texsa.com.br/Livro%2007.htm ;

______

TEXTOS DE DEPOIS DO FIM… Lá pelas 22h00. Tanto mar, porque o alecrim além do gosto e do cheiro é sonoro e pode ser trabalhado num contexto histórico-sociológico, pá.  “(…) // Sei que há léguas a nos separar / Tanto mar, tanto mar / Sei também quanto é preciso, pá / Navegar, navegar //(…)”

don’t worry

[sex] 1 de novembro de 2013

sonhava e acordei imerso em tantos delírios, fragmentos de sonhos, tentando me desvencilhar do que era fantasia e do que era real – mas a conclusão deste momento é que tanto o mais real da lucidez quanto o mais fantástico de nossos sonhos são conexões aleatórias, fragmentos deste delírio de estar vivo e [aparentemente] consciente.

hoje é dia de mudança – alguns dias sem internet e longos dias sem tv. anoto e listo todas as tarefas pra logo mais deixa-las listas, prontas. faço inscrições, planejo, e surpreendentemente sinto-me aberto para dar um passo fora da dança monótona – mas sempre provocado pelo outro. pondero, e pondero, e sinto que devo agir, mas esse sentir não tem o peso de um sentir imperativo e heroico, apenas sinto, consciente da contradição entre o sentir e agir, mas talvez a contradição seja o imperativo trágico. alienado.

sei lá… não vejo profundidade nesta filosofia e decupando a cena, toda e qualquer posição que tome dentro de qualquer projeto ainda e sempre será apenas uma variável aleatória dentro do plano maior do qual me escapa.

enquanto isto…

«rise up this mornin’, smiled with the risin’ sun, three little birds pitch by my doorstep singin’ sweet songs»… «everybody’s got a thing but some don’t know how to handle it always reachin’ out in vain just taking the things not worth havin’»… «when you’re worried your face will frown, and that will bring everybody down. don’t worry, be happy»… «don’t worry about a thing ‘cause nothing’s gonna be alright… nothing’s gonna be alright»

 

%d blogueiros gostam disto: