fazer sala

2014, março 2, domingo

hoje, cedo. sete e trinta e sete. bebo mate. enquanto penso se leio o livro didático (para recortar o que for interessante e encaixar no meu planejamento) ou esquematizo meus planos de aulas ou finalizo meu plano de ensino ou arrumo a bagunça do meu quarto ou se após o mate vou mexer no jardim em construção enquanto o sol não chega e o clima vai agradavelmente frio. o certo é que neste instante ligo a máquina e me coloco neste diálogo interno-externalizado enquanto bebo meu mate (hecho con la yerba taragui).
meu estômago reclama os embutidos industrializados ingeridos ontem – descobri a fórmula de acordar mais cedo: receber visita em casa – que acorda cedo – e comer porcaria no final da noite. recusei um convite matutino para uma manhã na joaca para ficar aqui, poderia dizer que é para ficar cuidando da minha filha ou da minha vó… mas no fundo é para fugir dos exercícios sociais extra rotina.

não que eles não sejam interessantes se estivermos dispostos, como foi ontem à noite no giro pelo carnaval de rua de santo antônio de lisboa, que começou assim assim, eu apenas “fazendo sala” e depois de encontros e reencontros com ex-alunos, pais de ex-alunos, velhos amigos e ex-colegas de faculdade e, além de sair de casa sem nenhum tostão no bolso e voltar semi-alcoolizado para casa, fiquei satisfeito e tranquilo. é como mergulhar o olhar num caleidoscópio… ser outro ser, diverso do cotidiano solitário, pelo contato com o outro,  reinventar-se… estar no meio das pessoas e socializar é um barato. mas eu fico tão exausto.

esses exercícios sociais, principalmente os que envolvem gente e deslocamentos exigem uma mobilização espiritual tremenda… e eu me agito tanto, que eu começo a acelerar, o que por si só não é ruim e, as vezes, é tão bom… mas eu preciso respirar um bocado. afinal o carnaval passa rápido e tenho um tanto de coisas para colocar em dia – o que seria tranquilo se eu não fosse tão lento e não me distraísse tanto nas coisas vãs… e agora já são oito e dezessete.

poema do dia:

Toda vez que encontro uma parede
ela me entrega às suas lesmas.
Não sei se isso é uma repetição de mim ou das
lesmas.
Não sei se isso é uma repetição das paredes ou
de mim.
Estarei incluído nas lesmas ou nas paredes?
Parece que lesma só é uma divulgação de mim.
Penso que dentro de minha casca
não tem um bicho:
Tem um silêncio feroz.
Estico a timidez da minha lesma até gozar na pedra.

manoel de barros

e agora oito e quarenta e oito.

2 Respostas to “fazer sala”

  1. meiri Says:

    vim te ver e curti o poema 🙂

    Curtir


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