Archive for abril, 2014

¡cara b, sin demora, sin demora!

2014, abril 30, quarta-feira

Uma parada rápida:

Drexler realmente me acalma. Talvez sua sonoridade, sua temática, sua língua… Talvez tudo isto junto. Minha tempestade interior se amansa… Enquanto há papéis aos montes pelo comodo todo. E meus dedos doem. Minha cabeça dói. Meus pensamentos querem fugir o tempo todo… Penso na tarde fria, solitária e em toda a minha vida de renúncias e fugas, de mergulhos e encontros, de dor e de paixão… E da libertação que só o amor é capaz, e  escrevo-te.

***

O mês acaba. O bimestre acaba. E fico naquela angústia de pensar e repensar, que em momento assim, avaliativos, há enormes buracos, algumas faltas, alguns descuidos… Deveria estar mais presente, ser mais claro, mais explícito… Dizer o que quero e como quero ao outros.

Mas as vezes a gente fica confuso e age na intuição. Meu planejamento escolar tinha um esqueleto pensado, uma ideia, uma intuição que foi construindo-se… O recheio fui estudando, pesquisando, e acrescentando ao poucos… Mas chego no final do bimestre, como quase sempre, meio frustado por ter imaginado algo e agora no final, não ter atingido, nem pessoal, nem coletivamente, o que era pretendido. E fica aquela sensação que “não fui claro o suficiente ou da forma apropriada”.

Mas eu não sou claro. Eu sou o mais confuso dos confusos. Eu sou o mais indecidido dos indecisos. Eu me arrasto como uma lesma neste mundo…

Preciso me acalmar. Há um feriado, quase tudo ok [se eu ignorar o caminhão de coisas que eu já joguei ou estou jogando a toalha…]. O que importa é fechar notas, preparar as provas que faltam, entregar notas e, principalmente, te encontrar neste mundo.

E retorno para os papéis. Amanhã é folga.

pacato cidadão

2014, abril 29, terça-feira

dez minutos para anotar as coisas da manhã:

Acordei determinista. Não sei bem de onde vieram estes pensamentos – e a sensação por eles provocada. Se foi a péssima alimentação noturna, se foi sono rarefeito, curto e de má qualidade. Mas o fato é que acordando, e ainda submergindo do mergulho profundo, entre sonhos/pesadelos e a realidade nua e crua, eu, ali, deitado naquele chão, sobre aquele colchão estreito e finíssimo, tão espartano… Sozinho no mundo. Acordei, e a primeira impressão é que nada muda, as pessoas não mudam, eu não mudo… a utopia, c’est la fini.

MAS ACORDA, RESPIRA FUNDO, E É HORA DE SAIR DO CHÃO E COMEÇAR… VOCÊ NÃO É UM DELES PARA SE DAR O LUXO DE ACHAR QUE NADA MUDA E QUE TODOS ESTÃO PERDIDOS. O MUNDO AINDA É ‘BÃO SEBASTIÃO… E O TRABALHO DE HOJE É GRANDE E PRECISA SER BEM FEITO… POIS A LIBERDADE, NESTA ESTÓRIA TODA, NÃO ESTÁ EM NÃO FAZER O TRABALHO – OU ADIÁ-LO DE FORMA ANGUSTIOSA -, MAS FAZÊ-LO DE FORMA QUE SEJA TÃO PROFUNDO NA SUA SUBVERSÃO QUE AO FAZÊ-LO JÁ SE FAÇA OUTRA COISA… QUE O TRABALHO ALIENADO DE HOJE SEJA A CUNHA DIÁRIA, O MOMENTO REVOLUCIONÁRIO, NESTA ESTRUTURA EM RUÍNAS.

CITAÇÕES:

“a nossa completa ignorância e falta de habilidade em se adequar ao que está posto, o que nos salvou foi a gente ser um ninguém durante um bom tempo de nossas vidas”. Criolo.

“Há um quadro de Klee intitulado Angelus Novus. Representa um anjo que parece preparar-se para se afastar de qualquer coisa que olha fixamente. Tem os olhos esbugalhados, a boca escancarada e as asas abertas. O anjo da história deve ter este aspecto. Voltou o rosto para o passado. A cadeia de factos que aparece diante dos seus olhos é para ele uma catástrofe sem fim, que incessantemente acumula ruínas sobre ruínas e lhas lança aos pés (…)”.
Walter Benjamin, Gesammelte Schriften, I, 2, “Über den Begriff der Geschichte”, p. 697 (tradução de João Barrento, in O Anjo da História, p. 13). 

a paixão dos suicidas que se matam sem explicação

2014, abril 28, segunda-feira

Calma, respira fundo. Esses três dias trancados tentando dar conta do trabalho acumulado ao longo dos meses vai passar. Tua dor de cabeça e teu resfriado também. A ignorância dos outras talvez não passe. E a tua também não. Na sexta e no sábado tudo era triste e dolorido. Andava eu perdido em tanto papéis sem coragem, sem força, para clarear… Para começar ou ver um horizonte… O trabalho era hercúleo. No domingo tudo já estava mais claro… No ritmo de trabalho, sem respirar, sem parar… E na segunda faltou tempo. Coisas ficaram por serem concluídas. Em dias assim eu não deveria encontrar ninguém… Dias assim eu não fico feliz. E meu corpo dói todo. É apenas segunda e estou cansado de ver alunos, professores, trabalhos e provas. Quereria uma semana perdido de paixão, sem papéis, sem horários, sem angústias e expectativas que o de estar aqui e agora, livre. Estes dias trancados tem deixado-me seco e amargo.

O último poema Manuel Bandeira

Assim eu quereria o meu último poema. Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.