o cano furado vaza

[ter] 8 de julho de 2014

hoje (8/7) na derrota da seleção brasileira de futebol… fiquei pensando… preciso escrever. é que, as vezes, quando não jogamos bem, não realizamos o que poderíamos realizar, a realidade trágica vem e cobra o seu preço. fique pensado no primeiro bimestre e as palavras duras que ouvi… naquela vontade que senti de morrer – porque foi injusto… eu não merecia – ninguém merece sofrer. mas no fim a avaliação foi trágica… e como isto conduziu a esse distanciamento… essa apatia… essa vontade de voltar para um lugar mais ou menos seguro – solitário e sufocante por inúmeras vezes, mas aparentemente seguro – ou nem seguro seria, mas apenas o que aprendi a fazer a vida inteira… me recolher e calar a dor, até ela fazer de conta que some, mas ela nunca some – eu sei. e este segundo bimestre que vai terminando com uma sensação amarga, como se estes três meses tivessem sido vazios – e foram… distante dos alunos, dos demais professores, da escola, do estudo, das leituras.. de tudo. e fico buscando as palavras para escrever aqui, algo tentando justificar ou explicar porque dessa rotina processual… quando voltava da escola na sexta-feira passada, pensava em algo como preciso caminhar, fazer atividade física e ser mais rigoroso com meus horários, ser disciplinado, para não ficar nessa angustia depressivo-ansiosa… nesse desconforto por não ver sentido em nada do que faço ou sentido aquela sensação de o que faço é tudo falso, fingido… como se fosse outro e não eu que estivesse ali vivendo… mas olho para o lado e está tudo uma bagunça, olha para dentro e está tudo uma bagunça… olha para trás e para frente e só vejo bagunça – colecionando dores e desamores. e como aqueles acumuladores que diante de tanta tralha emocional juntada nesta vida não conseguem força suficiente para romper a inércia, dar o primeiro passo… romper com o maldito vicio de anular-se. as vezes penso que é medo, as vezes não sei… as vezes carregamos aquela nuvem escura e pesada dentro do peito que encobre toda a possibilidade de luz.. há tanto sofrimento no entorno, e somos submetidos tanto a isto, que se aprende a sofrer e reproduzir sofrimentos. e aprender a amar a vida é tão difícil – amar é sentir-se um alienígena. para mim é como se tivesse que virar a minha pele do avesso, é ficar exposto em carne crua… dói que é um inferno… não sei fazer isto, não aprendi… e lembro-me todos os minúsculos passos que dei em direção ao sol e como queimei-me… sei como é sublime e mágico tentar amar-se, amar a vida, amar alguém, mas ao mesmo tempo sei que carrego aquela dúvida existencial… aquela música do lenine, aquela música dos los hermanos… ah, eu resmungo. da minha exaustão só brota mágoa. e da mágoa só exaustão.

mas eu sei, eu preciso voltar a envolver-me neste mundo. e se hoje foi bom… atenção ao pai, à mãe e a filha. mas essa ilha, que as vezes me acalma, não me realiza. sinto como se cotidianamente abandonasse oportunidades… aqueles ventos que chegam e podem nos levar ao imaginado, além do imaginado. e resmungo sem parar… essas palavras, ou meu silêncio cotidiano, são resmungos. argh. não quero perder todas as partidas de minha vida… mas para isto preciso descer deste mundo imaginário, onde simulo para mim mesmo que não estou jogando, e voltar a jogar na vida.

ps: cinco horas depois, de um texto todo feito e refeito, mas nada apagado neste post, anoto uma última nota, um fragmento de outro dia em que me espantei comigo mesmo: o contexto era relação pai-filha, e quando em dificuldades de fazer izabel entender algumas coisas que são necessárias e, internamente fiquei naquele dilema de como explicar e convencer aquele indivíduo da necessidade de tal procedimento… sofrendo por um possível confronto… como um arroto ou uma ânsia senti o quanto sou triste por dentro, e como existe uma montanha de dor e vontade de morte cá dentro… como essa minha superfície “calma”, desde a adolescência, esconde aquela fúria/revolta constante lá da infância… enfim, senti uma vontade tão grande de cessar toda dor, de sumir, de não enfrentar nada… e fiquei tão espantado como naquele momento, como caminho nessa borda tão rente do precipício… flertando com uma morte trágica, mas morrendo diariamente na solidão mais absurda e profunda – solidão de si. mas enfim, ela entendeu o que expliquei, e depois do meu autoespanto senti uma gratidão por ela estar ali… por devolver aquele gesto amigo… senti como ando desproporcional… lembrei da ultima frase deste texto : «a própria dor deve ter a sua medida: É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor»

chega de fazer de conta que estou morto, ainda respiro. e que mal há em não saber andar? só haverá se eu não quiser andar…

mas falar – ou escrever, porque quem iria me ouvir se insisto em viver ilhado em mim mesmo? – sobre tudo isto me deixa desconfortável, envergonhado… por sentir tanto medo cá e não conseguir encontrar força em lugar algum para modificar coisas tão pequenas… e falar para quê? falar não muda quase nada. talvez, e apenas talvez, ajude a vazar… nessa espécie de autoespantar-se, e assim, acredito, evitar, que eu me exploda… neste meu vício de sofrer calado.

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