barbarismo

[ter] 22 de julho de 2014

barbarismo
«um ganesh na coxa…
um habitué»
um esquife negro
uma pá de pensamentos tristes

e não há ordem às palavras,
imagens sobrepõem-se
pelos dias, horas, semanas
tudo é incerto
exceto a dor derivada
do incomunicado
do nó emaranhado
dessa estranha película impermeável
dos substantivos prefixados

onde o nome já não é o que era
e o amor é algo primitivo…
eu sou apenas um prefixo mudo e distante.
escrevo palavras erradas,
realizo a impossibilidade,
o não poema duma epopeia,
toda palavra desconexa,
o vil verme, o val enlevado,
a vã espera, o homem subnegado,

o doce e o amargo na língua
e dos vícios desta linguagem – isso das coisas que significam, eu, ente, coisa consciente, reifico…
coisifico, essa história, esses meus dias secos e sigo a sina, o fado, a fuga de toda e qualquer possibilidade de amar e desamar
habito esta terra morta, pertenço a este povo triste.

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