Archive for agosto, 2014

algumas doses

2014, agosto 31, domingo

algumas doses de solidão.

TRADUZIR-SE de Ferreira Gullar

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
– que é uma questão
de vida ou morte –
será arte?

***

If you hold a stone, hold it in your hand
If you feel the weight, you’ll never be late
To understand
But if you hold the stone, hold it in your hand
If you feel the weight, you’ll never be late
To understand

If you hold a stone, marinheiro só
Hold it in your hand, marinheiro só
If you feel the weight, marinheiro só
you’ll never be late, marinheiro só
To understand…

Ô, marinheiro marinheiro
Marinheiro só
Ô, quem te ensinou a nadar
Marinheiro só
Ou foi o tombo do navio
Marinheiro só
Ou foi o balanço do mar
Marinheiro só

Caetano Veloso/Domínio Público

***

Aqui me tenho
Como não me conheço
nem me quis

sem começo
nem fim

          aqui me tenho
sem mim

nada lembro
nem sei

à luz presente
sou apenas um bicho
transparente

Ferreira Gullar

***

palavras-chaves: autonomia (e escola da ponte… ) e insonia.

o frio contraste

2014, agosto 28, quinta-feira

um dia frio e idiota.

ontem a marreta era simbólica, alegórica… criativa… um sonho/diálogo/ por um mundo diferente, feito por sujeitos conscientes.  ontem, valeu muito.

hoje, é a fúria do desespero… a bruta fundura da mágoa… a incapacidade de pensar de forma consciente, e apenas esmurrar até espatifar qualquer coisa… porque não se pode ainda por as mãos lá por dentro e arrancar o coração arrebentado. hoje não valeu nada, só deixou esse gosto de querer sumir deste povo daqui. é necessário qualquer distância para não deixar-se apodrecer.

é preciso romper as cercas da ignorância que produz a intolerância

2014, agosto 27, quarta-feira

uma canção e apontamentos>>

http://www.pedromunhoz.mus.br/discografia.html

Música: Canção da Terra
CD: Cantigas de Andar Só
Autor: Pedro Munhoz
Tudo aconteceu num certo dia
Hora de Ave Maria
O Universo viu gerar
No princípio, o verbo se fez fogo
Nem Atlas tinha o Globo
Mas tinha nome o lugar
Era Terra, Terra, Terra,Terra
E fez o criador a Natureza
Fez os campos e florestas
Fez os bichos, fez o mar
Fez por fim, então, a rebeldia
Que nos dá a garantia
Que nos leva a lutar
Pela Terra, Terra, Terra, Terra
Madre Terra, nossa esperança
Onde a vida dá seus frutos
O teu filho vem cantar
Ser e ter o sonho por inteiro
Sou Sem Terra, sou guerreiro
Co’a missão de semear
A Terra, Terra, Terra, Terra
Mas, apesar de tudo isso
O latifúndio é feito um inço
Que precisa acabar
Romper as cercas da ignorância
Que produz a intolerância
Terra é de quem plantar
A Terra, Terra, Terra, Terra

___________________________________________

27 ago, 2014 às 10:02 >> mil vezes bosta

certas famílias são como crack. te destroem emocionalmente, mas ‘cê ainda precisa delas. que bosta. mil vezes bosta.

é uma merda quando o dia não começa bem. e ainda está lotado o dia inteiro.

ó santa clara…

>>>

#1. porque as pessoas se armam contra o que lhes é diferente? cadê o olhar antropológico deste mundo de bosta?

#2. porque as pessoas são guiadas pela força de sua estupidez e esquecem a razão crítica?

o quanto desta estupidez alheia me pertence?

 

UM ANTÍDOTO POSSÍVEL PARA A DOR DO MUNDO É O QUE DIZIA A CANÇÃO QUE HOUVIA ONTEM PELA TARDE… E AGORA, CEDO… «Pois amar é um ato revolucionário E só faz a Revolução quem Souber amar».

EU NÃO SEI AMAR, UM POUCO PORQUE OS DO MEU ENTORNO TAMBÉM NÃO SABEM… NÃO APRENDI COM ELES O QUE É AMAR… ESSE AMOR QUE LIBERTA… ELES, E EU, ESTAMOS TODOS PRESOS EM RELAÇÕES QUE AMORDAÇAM, QUE NOS PRENDEM, QUE NOS CEGAM… QUE NOS ALIENAM E NOS VIOLENTAM COTIDIANAMENTE…

E PARA APRENDER A AMAR É PRECISO REINVENTAR-ME… NÃO SEI O QUANDO DESTE PROCESSO PODERÁ TRANSBORDAR E VOLTAR AOS MEUS, MAS NÃO POSSO FICAR ESPERANDO OUTROS… É PRECISO ME DESTRUIR, ME RECONSTRUIR… ME DESAMARRAR DESTA VIDA BESTA E OCUPAR-ME… OCUPAR A TERRA DO MEU PEITO, HOJE TÃO PRESA NESTES ARAMES FARPADOS DA ESTUPIDEZ LATIFUNDIÁRIA…

PRECISO COLETIVIZAR O PEITO.