escovar a contra pelo…

2014, setembro 19, sexta-feira

alguns contrapontos para a tarde:

#1. o silêncio afetivo de meu pai me é estranho. e tão familiar. onde os gestos de afeto, quando veem, muitas vez por serem provocados, estão misturados ao terror e ao horror. a indiferença é a constante. o familiar, e o que me embrulha o estômago, quando vejo esse terror e horror transportado dele em mim – pelos anos de convívio -; e me angustia o espírito, quando me percebo tão indiferente ao outros, e sobretudo, a mim mesmo. e sou, espelhando, essa disputa entre este homem e este anti-homem. essa busca por um mundo diferente… ali fora, mas sobretudo… aqui dentro, no peito.

#2.  «os vencedores de hoje caminham sobre os corpos dos vencidos de hoje (tese vii)». walter benjamin.

#3. reflexões: objetividade, ciência, ideologia, religião…

#4. vivo as dores de um resfriado.

#5. hqdefault

https://www.youtube.com/watch?v=w4ldfmoMoZk&list=RDw4ldfmoMoZk

Quem Me Leva Os Meus Fantasmas /// Aquele era o tempo / Em que as mãos se fechavam / E nas noites brilhantes as palavras voavam / E eu via que o céu me nascia dos dedos / E a ursa maior eram ferros acesos / Marinheiros perdidos em portos distantes / Em bares escondidos / Em sonhos gigantes / E a cidade vazia / Da cor do asfalto / E alguém me pedia que cantasse mais alto // Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me salva desta espada? Quem me diz onde é a estrada? / Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me salva desta espada? / E me diz onde é a estrada // Aquele era o tempo / Em que as sombras se abriam / Em que homens negavam / O que outros erguiam / E eu bebia da vida em goles pequenos / Tropeçava no riso, abraçava venenos / De costas voltadas não se vê o futuro / Nem o rumo da bala / Nem a falha no muro / E alguém me gritava / Com voz de profeta / Que o caminho se faz / Entre o alvo e a seta // Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me salva desta espada? Quem me diz onde é a estrada? / Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me salva desta espada? / E me diz onde é a estrada // De que serve ter o mapa / Se o fim está traçado / De que serve a terra à vista / Se o barco está parado / De que serve ter a chave / Se a porta está aberta / De que servem as palavras / Se a casa está deserta? // Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me salva desta espada? Quem me diz onde é a estrada? / Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me salva desta espada? / E me diz onde é a estrada /// Composição: Pedro Abrunhosa // Interpretação: Maria Bethânia.

 

%d blogueiros gostam disto: