Archive for janeiro, 2015

devemos tomar consciência do processo…

[sáb] 31 de janeiro de 2015

ei rapaz, ouça: eu sou você. e eu achei que tivesse um plano. eu não tenho um plano. eu estou completamente perdido. todos os planos até agora apenas tentam camuflar essa minha cronica falta de planos. e se tivesse que começar do zero hoje, eu começava. sinto tremores no meu estômago, daqueles quando estamos profundamente nervosos de ansiedade diante de algo novo e grande. eu tenho pensado em não fugir de ninguém mais… as vezes você se afasta, física e/ou emocionalmente, de todo mundo pensando que assim será mais fácil… que controlando e/ou catatonicamente levando a vida é possível viver. aí você acorda e percebe, que o seus medos sempre vão estar ali, que as feridas só aumentam, que a distância borra os sonhos e o real… que tuas palavras não fazem sentido, que só te sobra o vazio da insignificância. e o mais perigoso é quando você não significa nada para você – é como olhar no espelho e não haver ninguém. não há como escrever poemas de amor ou sobre a dor. as palavras calam. você seca por dentro, e só te sobre aquela aparência plástica por fora. você se torna um manneken.

e voltar é difícil. reatar ou cicatrizar feridas não é algo que se faz por decreto… você precisa aprender a se reconhecer e como uma criança que começa a andar… corre o risco de cair. mas você precisa levantar agora, secar esse pranto e ir-se… e, mesmo que as vezes a gente acha que sabe o mapa, quando se coloca a ir… o caminho vai se refazendo e nada é como a um instante antes. a vida cambia. e ficar preso na terra pode nos fazer apodrecer. é preciso ir. pois dias desses você faz trinta e três e mirando tudo podes ver que você aprendeu tanto… você viu, viveu e fez coisas tão bonitas. e você teve medo demais e fugiu tanto sem saber para onde e porque. você caiu aqui, neste ponto, neste monólogo. você precisa reaprender a não ser mais só… você precisa aprender a vomitar todas essas dores e esses medos engasgados e reatar vínculos… buscar amigos, coisas novas, aquecer seu coração e sentir tremores no estômago e os pelos arrepiarem-se e aquela sensação de transbordar o peito de forma incontida e descontrolada… você precisa abrir uma fresta, a janela, a porta, as paredes e teto todo para a vida… você não pode ter medo de ter medo… e mesmo com medo, se jogue… você precisa permitir-se…

permita-se rapaz.

***

trilha de fundo: drexler e seu álbum: amar la trama.

upside down

[sex] 30 de janeiro de 2015

trecho de upside down.

«who’s to say what’s impossible? well they forgot this world keeps spinning and with each new day… i can feel a change in everything and as the surface breaks reflections fade, but in some ways they remain the same and as my mind begins to spread its wings… there’s no stopping in curiosity. i wanna turn the whole thing upside down. i‘ll find the things they say just can’t be found. i‘ll share this love i find with everyone. we’ll sing and dance to mother nature’s songs. i don’t want this feeling to go away… who’s to say i can’t do everything? well i can try, and as i roll along I begin to find things aren’t always just what they seem… »

jack johnson

**

Jogo / 
Eu, sabendo que te amo,
e como as coisas do amor são difíceis,
preparo em silêncio a mesa
do jogo, estendo as peças
sobre o tabuleiro, disponho os lugares
necessários para que tudo
comece: as cadeiras
uma em frente da outra, embora saiba
que as mãos não se podem tocar,
e que para além das dificuldades,
hesitações, recuos
ou avanços possíveis, só os olhos
transportam, talvez, uma hipótese
de entendimento. É então que chegas,
e como se um vento do norte
entrasse por uma janela aberta,
o jogo inteiro voa pelos ares,
o frio enche-te os olhos de lágrimas,
e empurras-me para dentro, onde
o fogo consome o que resta
do nosso quebra-cabeças. // 
Nuno Júdice

via [ p o e d i a ] um poema por dia.

***

após ler, acordei, e anotei no papel isto aqui:

quando estou lutando – contra todas as minhas forças – para morrer lentamente… ouvir teu canto me anima a viver, me orienta neste breu de sentimentos que é meu presente…

 

 

 

 

mi viejo

[seg] 26 de janeiro de 2015

enquanto che anima-me… vai rapaz, acorda e levanta-te. brote vivo desta tua vida semi-morta de agora, e lute com e por todo o amor deste mundo contra o que faz este mundo doer.

«y si se nos dijera que somos casi unos románticos, que somos unos idealistas inveterados, que estamos pensando en cosas imposibles y que no se puede lograr de la masa de un pueblo el que sea casi un arquetipo humano, nosotros tenemos que le contestar, una y mil veces que sí, que sí se puede y tiene que ser así y debe ser así y será así, compañeros.» che guevara. extraído do documentário Che, um homem novo (Che, un hombre nuevo), de Tristán Bauer.

e de fundo, alfredo zitarrosa, com seu adagio em mí pais

en mi país, que tristeza, la pobreza y el rencor. / dice mi padre que ya llegará desde el fondo del tiempo otro tiempo / y me dice que el sol brillará sobre un pueblo que él sueña / labrando su verde solar. / En mi país que tristeza, la pobreza y el rencor. / tú no pediste la guerra, madre tierra, yo lo sé. / dice mi padre que un solo traidor puede con mil valientes; / él siente que el pueblo, en su inmenso dolor, / hoy se niega a beber en la fuente clara del honor. / tú no pediste la guerra, madre tierra, yo lo sé. / en mi país somos duros: el futuro lo dirá. / canta mi pueblo una canción de paz. / detrás de cada puerta está alerta mi pueblo; / y ya nadie podrá silenciar su canción / y mañana también cantará. / en mi país somos duros: el futuro lo dirá. / en mi país, que tibieza, cuando empieza a amanecer. / dice mi pueblo que puede leer en su mano de obrero el destino / y que no hay adivino ni rey que le pueda marcar el camino / que va a recorrer. / en mi país, que tibieza, cuando empieza a amanecer. / en mi país somos miles y miles de lágrimas y de fusiles, / un puño y un canto vibrante, / una llama encendida, un gigante / que grita: ¡adelante… adelante!

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minhas notas soltas pelo papéis na casa:

#1

eu espero pelo amanhã.
mas então eu nunca chego.

#2

anteontem e ontem, dois dias inúteis.
cheirando a tédio profundo.

#3

e todo projeto é um anti-projeto. é uma desculpa para não começar o que não se sabe.

#4 [NOTA ADICIONAL – FEITA 11/4/2018 – MOTIVO: EXCLUSÃO DA PÁGINA BONIGARAPUVUPOESIAS – REGISTRO DOS COMENTÁRIOS/MENSAGENS AFETIVAMENTE RELEVANTES:  21:04 {pi} Boni garapuvu / Que saudade de tu. 

 

entre o sonho e a realidade

[dom] 25 de janeiro de 2015

os fatos do dia: invertendo horários. dormindo pela manhã e acordando pela tarde. e antes de levantar fui acordado duas vez:

#1 uma foi com izabel me acordando para perguntar sobre alguns brinquedos seus… e eu não sei se arbitrariamente os joguei fora ou se estão encaixotados na acumulação de trecos da mãe dela [lembrete: importante recordar que os adultos não são superpoderosos que podem mandar isto ou aquilo ou dar fim as coisas dos outros. é necessário respeitar o tempo alheio…]

#2 a outra é que a gata deu de dormir nos meus pés para ter certeza que a primeira coisa que eu faça quando acordar é dar ração nova para ela… já que a mesma anda a escolher qual parte da ração vai comer. ela até desenvolveu uma técnica terrível… começa com um chamego nos meus pés até o ponto que inavisadamente crava suas unhas. lembrete: não chutá-la.

***

e foi um dia de ócio. ler jornal, ver tevê e comer. eis um dia ganho.

dois programas vistos

black in latin america, cuba: the next revolutionno canal futura;

che, um hombre nuevo, no canal brasil;

e um texto lido, de braulio tavares, e extraído do jornal brasil de fato:

medo de errar

«Zé de Cazuza conta no livro Poetas Encantadores que encontrou com Pinto do Monteiro e na conversa Pinto falou que tinha feito uma cantoria dias atrás com Dimas Batista. Zé de Cazuza perguntou como tinha sido, e Pinto respondeu: “Uma merda. O homem tá com medo de errar”. E Zé de Cazuza: “Ah, sim. Ele formou-se em Direito.”

Dimas foi um dos primeiros cantadores de viola a ter curso superior. O episódio narrado por Zé mostra a falta de cerimônia entre esses grandes poetas, que conviveram durante a vida inteira, e mostra essa fase de transição entre os cantadores totalmente intuitivos, como Pinto, e os que começaram a se valer de estudo, erudição, educação formal. É a velha oposição entre Romano do Teixeira e Inácio da Catingueira: o desafio estava empatado até que Romano puxou o assunto de Mitologia Grega, coisa que o ex-escravo Inácio não tinha leitura para acompanhar.

É engraçado, mas isso me lembra Vanderlei Luxemburgo, o polêmico técnico atualmente no Flamengo. Ele diz: “O medo de perder tira a vontade de ganhar”. Vanderlei tem uma porção de defeitos, mas ele usa para o futebol um raciocínio bastante correto. Diz ele que se um time empata 5 jogos ganha 5 pontos, sem ter perdido nenhum jogo; mas se ganha 2 jogos e perde 3, ganha 6 pontos. Melhor, portanto, partir pra cima sem medo de perder. Aliás, foi para incentivar essa busca pela vitória que a Fifa decidiu atribuir 3 pontos por vitória, fato relativamente recente, de 1994. (Até uns 20 anos atrás, em competições oficiais, uma vitória dava apenas 2 pontos.)

Voltando à história inicial. Eu não diria que Dimas (a acreditar na versão de Pinto) estava com medo de errar porque se formou em Direito. Acho mais possível que ele tenha se formado em Direito porque tinha medo de errar, e aí não falo daquela cantoria específica, mas do estilo de cada cantador. Existem cantadores reflexivos, que gostam de pensar as coisas bem direitinho, o que em princípio parece ser o contrário da cantoria. Dimas, pelo que já ouvi em gravações, era um daqueles poetas de cantoria lenta, cadenciada, mantendo sempre o embalo sob controle, escandindo as palavras com precisão. O contrário daqueles repentistas que pensam e cantam com tal rapidez que chegam a atropelar as palavras. São dois modos de pensar, dois perfis mentais diferentes, que se refletem no estilo do improviso. Perfeccionismo e cantoria não combinam. Gosto do jeitão de Dimas, que é o de Oliveira de Panelas, de Diniz Vitorino; e gosto de cantador arrojado, acelerado, que parece estar cantando sem pensar, como Louro Branco. Mas são estilos pessoais. Um não conseguiria cantar como o outro, mesmo que quisesse.»

 

o ornitorrinco e a frau holle

[sáb] 24 de janeiro de 2015

o txt:

fiz uma lista de coisa inúteis. ou pouco úteis. ou aquelas coisas necessárias do cotidiano… ler jornal, estudar, cortar grama, lavar louça, roupa… enfim, fiz uma lista para não me esquecer que estou aqui e que algo precisa ser feito. estou aqui observando as crianças e árvores crescerem, mas a cabeça está em outro lugar. que é no fundo um não lugar. é como se ali atrás, antes do lance de hoje, eu tivesse jogado um lance errado e agora é assim: esse sufoco, esse tédio morno… esse arrastar lento, esses dias de espera… a espera de eu chegar. será que um dia chego lá?

e lá é o destino que só se atinge quando se chega aqui, dentro.

lá é aqui.

e eu sou este paradoxo.

*

joguei a lista fora – a dialética da vida cambia tudo. quem sabe um dia muda esse meu jeito torto de ser. ia ser eu outro ser ia.

**

e anoto duas coisas interessantes vistas por estes dias: frau holle, conto dos irmãos grimm. pensei em izabel. mas também pensei em mim.

e de gabriel pardal o vídeo-poema carta de amor enviada num canhão

***

e durante esta postagem: um plus – o ornitorrinco. não, espera… é este ornitorrinco;

e este: criolo: a certeza na quebrada é que você vai ser nada;

e de fundo: caetano veloso: menino deus.

 

the computer is thinking…

[seg] 19 de janeiro de 2015

diário da manhã:

11:07′ e está infernalmente quente como todos os dias. e bebo meu mate, solito, pela manhã como faço quase todos os dias. mas por hoje não parece aqueles dias todos de férias… onde posso aleatoriamente fazer o que quiser ou não fazer nada útil ou obrigatório. hoje duas coisas me preocupam… #1. entregar dois textos que sejam minimamente aceitáveis (um a partir da leitura de ontem… e o outro da leitura do mês passado) até as 23:59′ de hoje, e #2 ir ao dentista.

e enquanto as demandas vão se avolumando no horizonte como uma catástrofe… eu busco pontos de fuga. mas vamos lá encarar este paquiderme antes que ele se transforme num godzilla.

ps: o título vem do passatempo destes dias… pentobi: um jogo linux baseado no jogo de tabuleiro blokus.

diário da tarde:

14:51′ escrever e reescrever e enviar. agora é ir lá pintar… o quarto de izabel está quase pronto.

diário da noite:

18:00 na itapema toca agora… zélia duncan: «se você vai por muito tempo… você nunca volta (…) a estrada te sopra pro alto pra outro lado enquanto aquele tempo vai mudando… aí, de quando em quando você lembra aquele beijo, aquele medo (…) e você não volta (…) não existe pretexto, o dia mudou, o carteiro não veio (…)»

e pintura segue, a tempestade chega e cai… é tanta chuva. e lá pelas dez e meia mais um texto devo finalizar… e mesmo tendo mais uns dez dias de férias, algo me diz que as férias se foram e o novo ano começou.

e o dentista ficou para amanhã, muito cedo.

agora preciso tirar toda esta tinta verde sobre a pele que não me deixa amadurecer e me esconde, como camaleão, nesta mata distante.

está tudo ácido… ou «o encargo da compreensão»

[dom] 18 de janeiro de 2015

e o sábado com um final de tarde e noite sem energia elétrica pelas bandas de cá passou e o saldo ficou assim:

14h20′ domingo cedo enrolando e pela tarde, enfim o dia da tarefa – primeiro e último dia (espero). é ler 55 páginas e desenvolver um texto-resposta… – é essa mania deixar tudo para ultima hora. e não é que me apareceu também um inflamação na gengiva – no dente que tratei quarta-feira –  que terei que resolver amanhã… enfim, tudo isto já deixa minha tarde super animada. e na piscina as crianças [porque na sala brincam minha filha izabel e os filhos de meu primo hospedado cá em casa] não podem ir porque não filtrei o suficiente (faltou energia) e está cheia de folhas (pelo vendaval) e o ph baixo (pelo excesso de chuva).

e estudar está difícil…

14h22′ LDB : Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional : lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional

15h27′ Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica

15h38′ “Para ela:

Se as humanidades têm um futuro, […], será um futuro que envolve retornar ao passado e habitar esse momento interdisciplinar pré-disciplinário. Não para se afastar da história, do contexto e da cultura; mas para, ao contrário disso, fazer justamente o oposto: concluir que Freud estava mais certo do que ele próprio poderia supor quando imaginou a mente humana como sendo uma cidade tal como Roma, camada sobre camada, não substituindo umas às outras, mas coabitando com o passado.[…] Neste momento, enquanto estudiosos, nossa tarefa é reimaginar as fronteiras do que chegamos a acreditar serem as disciplinas e ter a coragem para repensá-las (GARBER, 2001, p. 95-96).”

 16h13′ Da seção Saiba Mais de alguma página do caderno 2 da etapa 2 do pnem:

http://bancodeteses.capes.gov.br/ – Destaquem temas e títulos que mais lhes interessarem. Se for o caso, selecionem trabalhos que possam ser alvo de um grupo de estudo.”

16h33′ “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova de 1932 e do Manifesto dos Educadores de 1959. Disponível na Coleção Educadores do MEC”: Domínio Público.

17h08′ “Visite a comunidade Espaços que Ensinam do Portal Ensino Médio EMdiálogo e se inscreva.” (…) Esta comunidade hospeda os conteúdos produzidos e disponibilizados pelo Portal, dentre os quais destacamos as questões de interesse dos jovens como a violência nas proximidades e nos ambientes escolares, a ausência de novas tecnologias em sala de aula, atos preconceituosos, tensões nos relacionamentos sociais e o distanciamento entre professores e estudantes. Acesse a comunidade, compartilhe os conteúdos com seus colegas da escola e participe das discussões. p. 23

17h16′ “Mas como reconhecer e aceitar a diversidade e a realidade concreta dos sujeitos do processo educativo se, em várias ocasiões, não estabelecemos diálogos abertos e democráticos com os sujeitos desse processo? Antes de reinventarmos a escola na companhia dos nossos jovens estudantes, propomos algumas perguntas aos professores e professoras que são chamados a participar desse processo educativo:
1. Podemos afirmar que, efetivamente, conhecemos nossos jovens estudantes do Ensino Médio?
2. Quando e onde eles nasceram? Com quem vivem? Como gostariam de viver? Qual é o valor da família e dos amigos para esses jovens?” p. 20

17h19′ e na itapema tocando agora… Lady Linn And Her Magnificent Seven – I Don’t Wanna Dance.

17h27′ “As práticas de ensino alheias à realidade social da comunidade, o incentivo à competitividade entre os estudantes, a ausência de debates, de espaços de negociação e de participação democrática na gestão escolar apenas concorrem para o desencantamento com a instituição escolar.” p. 21

17h34′ “Em outras palavras: É importante lembrar que as Ciências Humanas, conforme dissemos na unidade 2, precisa realizar, para todos os conteúdos trabalhados, os processos investigativos ou as perspectivas que levem à desnaturalização, ao estranhamento e à sensibilização. Um exemplo disso pode ser dado quando se desnaturaliza a desigualdade social, contextualizando-a no processo de formação da sociedade brasileira, comparando-a com a realidade de países com baixas desigualdades e causando, dessa forma, o estranhamento. O debate sobre as formas de reverter a desigualdade pode levar à sensibilização para a atuação cidadã.” p. 22

18h12′ “Vejamos cada uma delas. A desnaturalização significa, justamente, o oposto daquela atitude de achar que tudo na vida é “natural”, como se a “realidade” correspondesse exatamente às representações que fazemos dela. Ou seja, o procedimento da desnaturalização consiste em interpretar e reinterpretar o mundo, construir novas explicações para além daquelas mais recorrentes, usuais, rotineiras, banais ou simplistas, existentes em nossas vivências cotidianas e no que chamamos de “senso comum”. Não se trata simples ou exclusivamente de desprezar explicações consideradas “simplistas”, mas concebê-las como explicações e representações que foram construídas em algum momento, num passado remoto ou mesmo no presente, e difundidas a tal ponto que, para muitos, se tornam explicações naturalizadas de como “as coisas realmente funcionam”. Romper com a atitude de achar tudo “natural” implica, portanto, em estranhar esse próprio mundo, nosso cotidiano, nossas rotinas mais usuais. Assim, a perspectiva do estranhamento requer certo reencantamento do mundo, isto é, uma atitude de voltar a admirá-lo e de não achá-lo “normal”. Implica também em não nos deixarmos levar por aquilo que usualmente conhecemos como “conformismo” e “resignação”. Ou seja, sentir-se insatisfeito ou incomodado com a “vida como ela é” nos conduz a formular perguntas, sugerir hipóteses, questionar portanto os próprios “fatos”, tais como eles se nos apresentam. Por fim, a sensibilização pode ser entendida como a possibilidade de percepção atenta das vivências e experiências individuais e coletivas, rompendo-se assim com atitudes de indiferença e incompreensão na relação com o outro e com os problemas que afetam comunidades, povos e sociedades.” p. 22-23

18h17′ “Como afirma Theodor Adorno (2003), “a educação tem sentido unicamente como educação dirigida a uma auto-reflexão crítica” (ADORNO, 2003, p. 121), reflexão essa que busque superar aquilo que o autor designa como “tabus”. Isto é, representações inconscientes ou pré-conscientes, preconceitos psicológicos e sociais que se conservam no discurso do senso comum e que, a despeito de em grande parte perderem sua base real, sedimentam-se de forma coletiva e se convertem em “forças reais” que moldam a forma como enxergamos o mundo. Theodor Adorno (2003), ao posicionar-se publicamente ao longo dos anos 1960 em torno de temas relacionados à educação, a partir da crítica que fazia aos meios de comunicação de massa e, de modo geral, à “indústria cultural”, estava convicto de que a educação não era, necessariamente, um fator de emancipação. Ao contrário, englobada como estava – e ainda está –, em processos de desumanização e reificação típicos da contemporaneidade capitalista (o que implica na naturalização do mundo, das relações sociais e da própria humanidade a partir da mercantilização da vida), poderia reproduzir o horror e a barbárie em nome da Razão ou da Modernidade. Nesse sentido, o objetivo da escola deveria ser a “desbarbarização da humanidade”, por mais restritos que pudessem ser o alcance e as possibilidades atribuídas à escola.” p. 23

18h19′ “O sentido da escola deixa de ser dado de antemão para ser, ao contrário, construído pelos atores, pelos sujeitos, por suas experiências individuais e coletivas. Em outras palavras, a escola fabrica ou contribui para fabricar, atores e sujeitos de naturezas diferentes. As reflexões de Charlot e Dubet nos conduzem a pensar melhor a principal questão que norteia esta unidade, qual seja, os sujeitos da aprendizagem: “a experiência escolar”, afirma Charlot, “é a de um sujeito e uma sociologia da experiência escolar deve ser uma sociologia do sujeito”. (CHARLOT, 2000, p. 38)” p. 23-24

18h24′ “Por outro lado, os conceitos de que tais ciências se utilizam, muitas vezes confundem-se com a linguagem cotidiana, expressão deste mesmo mundo que as Ciências Humanas investigam. Então, como poderíamos romper com o “senso comum”? Desnaturalizar, estranhar e sensibilizar implicam, em termos práticos, em um exercício de pôr em relação aquilo que conhecemos como evidências empíricas, inquestionáveis, existentes por si sós. Uma atitude cara à Sociologia, mas não exclusiva dela, consiste em, nas palavras de Pierre Bourdieu, “tomar para objeto o trabalho social de construção do objeto pré-construído: é aí que está o verdadeiro ponto de ruptura”. (BOURDIEU, 1998, p. 28).” p. 25

18h50′ e pinta mais uma tempestade de verão…. tudo escuro e o céu começou a rufar…

viajo porque preciso…

[sex] 16 de janeiro de 2015

de repente em frente ao espelho raspei o bigode, e no mesmo movimento arranquei parte do cabelo, fiz um moicano. e a bateria do aparelho acabou. parei… deixa o moicano estar… vamos ver até que dia dura. e bem na verdade, é uma vontade, muda, de mudar…

e li jornal pela tarde inteira, ou quase. pois foi dia de lavar roupa, arrumar o cabo da internet… limpar o quintal e assistir ao filme de karim ainouz e marcelo gomes. ver aqui: viajo porque preciso, volto porque te amo.

e no mais… enquanto testava o cabo encontrei isto que trás referências a isto.

meu querido diário

[qui] 15 de janeiro de 2015

meu querido diário,

hoje, quinta-feira, dia quinze, é dia de ressaca. e há a tarde inteira pela frente… e pela noite estudar e estudar e estudar. três dias para ler, pensar, escrever e entregar a tarefa de janeiro.

ontem. quarta-feira, dia catorze, foi o dia das tempestades de raios e relâmpagos… uma das coisas mais lindas que eu já vi na vida…

ontem, também foi dia de acordar mais cedo e ir ao dentista… e voltar meio dolorido, mas sorrindo.

anteontem… comecei a ler o romance “os prêmios” de julio cortázar. anteontem… izabel ganhou três livros – meu querido diário otário – e não tem parado de ler… e é o algo novo neste verão, uma certa introspecção por parte dela… enquanto luiza (a maria sobrinha) segue brincando, izabel (a maria filha) já oscila mais entre coisas de crianças e a uma pré-pré-adolescência.

anteontem também meu irmão fez trinta anos.

e neste verão, algo importante de se registrar, tenho ficado cuidando de luiza quase todas as noites, entre 22:00 e 1:00, até sua vó (que é minha mãe) ou seu pai (que é meu irmão) chegarem do trabalho. luiza, às vezes é tão chata, noutras é tão encantadora… e sentirei falta deste “bichinho grilo” quando for morar com sua mãe. ela já tem nove anos.

**

mas tenho sentido falta de um tempo só para mim… sem esse povo todo.

**

trilha de fundo: zélia duncan cantando «um homem com uma dor / é muito mais elegante / caminha assim de lado / como se chegando atrasado / andasse mais adiante…»

sugar cane fields forever

[ter] 13 de janeiro de 2015

nota #1 bebi mais cervejas em dois dias [ontem e hoje] do que o ano passado inteiro.

nota #2 nestes últimos dias tem aumentado seriamente o número de aporrinhações com izabel [pré-adolescência já, bah].

nota #3 hoje é o aniversário do meu irmão. ajudando a montar durante o dia e na noite há o evento, com festa e bandinha tocando no quintal. dou uma passada, revejo o povo, troco uma ideia e ‘bora para cama…

nota #4 música de fundo [aquelas frases que ficam grudadas na cabeça… excerto abaixo]

«Vem
Comigo no trem da Leste
Peste, vem no trem
pra buranhém, pra buranhém, Pra Buranhém-nhém-nhém
pra buranhém, pra buranhém, Pra Buranhém-nhém-nhém,
pra buranhém, pra buranhém, Pra Buranhém-nhém-nhém,
pra buranhém, pra buranhém, Pra Buranhém-nhém-nhém»

nota #5 o reggae ali de fundo canta… liberdade para dentro da cabeça… 

nota # 6 e, ás vezes, me falta alguma liberdade de ser… enquanto o mundo todo parte, eu ancoro por cá, neste sem saber ir e sem saber ficar.

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