Archive for fevereiro, 2015

as vantagens de ser invisível

2015, fevereiro 28, sábado

meu caro, somos infinito… um filme. um bom filme. um filme bonito e duro. não escolhemos nosso passado, mas podemos escolher o que faremos no nosso futuro. e quando fazia terapia, minha terapeuta falou isto, também. identifico-me muitas vezes com charlie. e por vezes sinto uma revolta e um nojo tão grande deste mundo… quanta violência sofremos. e sinto-me um sobrevivente diante do abuso sexual que sofri na infância, das constantes e sistemáticas violências psicológicas que aguentei em minha infância e adolescência… dos pensamentos diários suicidas na adolescência e a sensação de deslocamento do mundo… minha introspeção… minhas dificuldades de interação social… este meu despertencimento latente… essa percepção de ser um desajustado. sei que muitos dos meus demônios vem deste buraco gigantesco. sei também que sou um homem que aprendeu a resignificar-se, cresci… e entre uma depressão e outra, ousei viver. eu ainda insisto… mas antes deste filme, e deste texto acima… eu pensava um pouco sobre estes dias – o filme só me fez mergulhar um pouco mais profundo – a respeito de minhas oscilações de humor… aprendi duas coisas importantes nos últimos anos: não dar tantas desculpas por ser quem eu sou – sou o que sou e isto não é um erro; e verbalizar/textualizar o que sinto porque isto torna mais claro para mim mesmo e me permite cumprir o efeito libertador… a coisa mais terrível é sentir e ter que manter em segredo o horror que se sente. mas nem sempre se consegue escapar destas armadilhas: o sentir-se um nada, e medo de comunicar isto. mas não me sinto assim agora. não agora. quando voltava da escola, hoje, mirando a lua âmbar borrada pela noite úmida, pensava nestes mecanismos psíquicos que nos prendem e que demora para nos darmos conta de que entramos no círculo vicioso… sofrer é quase como um narcótico, um droga. cresci dentro de uma família desestruturada emocionalmente… e a pouca luz que tenho sei que venho de minha mãe, essa mulher sofrida nesta sociedade machista, racista, e capitalista. e eu poderia tecer aqui todo um receituário sociológico identificando histórica e socialmente as condições, tão análogas a inúmeras outras famílias brasileiras. hoje, como disse bourdieu sobre a mensagem sociológica, posso me desculpar… meu sofrimento não é minha culpa. há uma estrutura social que nos molda, da forma e deforma… o momento, gatilho desta reflexão, foi, após trocar ideia com uma ex-aluna, por acaso, no terminal. e a reflexão foi esta: «bacana essa camaradagem que vamos construindo com essas pessoas que passam por um momento pela nossa vida nessa relação estudante-professor. um dia estão ali, no outro ano já não… mas não sei quanto ensino. sei o quanto aprendo diariamente. e quero crer que algo fica nessa história toda… se não é a inspiração por um olhar mais crítico e atento sobre o real – tão necessário -, ao menos é um espírito de abertura, de generosidade e respeito. posso ser um professor que fala complicado, mas sou um ser humano que age buscando sempre o diálogo franco e uma empatia genuína… porque eu gosto muito de estar em sala e vivenciar essa sensação que tenho de que quase sempre estou nu, livre… enfrentando medos, assumindo erros, criando diálogos e aprendendo a ser mais humilde. posso não ter sido o melhor professor, mas fiz alguns amigos para a vida». depois que anotei isto acima, fiquei pensando no mal estar que senti desde quarta-feira… e como as conversas nada ida e na volta, e as aulas… e como isto me faz bem porque não me sinto inútil. e acredito que quase todos os seres humanos tem um pouco disto, desta necessidade de ser aceito e bem quisto, e sofre quando sente-se em débito ou não atinge o que esperava-se. pois, eu sou extremamente sensível a isto. queira-me ver iluminado, me permita estar em paz e num ambiente onde eu me sinta um pouco valorizado. por outro lado… meu lado mais obscuro e sombrio vem destes momentos onde sinto que não cumpri aquilo que deveria ter feito, e eu me exijo muito. e fiquei pensando no fato de terça-feira eu ter faltado ao compromisso e como isto me rendeu dois dias de fossa, leve… mas rendeu. e nessas horas eu ainda me sinto aquele garoto que se sente um merda e que quer morrer – mesmo que muitas vezes eu não consiga pensar sobre isto na hora. a sensação está ali. quantas vezes eu quis morrer nessa vida… e quantas vezes me matei em silêncio e sozinho. e fico pensando em paula, izabel, a faculdade, a militância, os projetos… quantos anos passei me sentindo uma merda e querendo morrer, desistindo de tudo. tanto tempo perdido… tantos machucados feitos, em mim e nos que amo e quem me ama… tantas chances perdidas… tanto sofrimento e abandono… tanta solidão. mas hoje não. hoje eu quero dizer que eu amo a vida. eu quero me sentir infinito. nem que seja por um milésimo de tempo… eu quero me sentir infinito. e isto não se sente sozinho.

*** trilha sonora do filme

It Could Be Another Change (The Samples)
Come On Eileen (Dexy's Midnight Runners)
Tugboat (Galaxy 500)
Temptation (New Order)
Evensong (The Innocence Mission)
Asleep (the Smiths)
Low (Cracker)
Teenage Riot (Sonic Youth)
Dear God (XTC)
Pearly Dewdrops' Drops (Cocteau Twins)
Charlie's Last Letter (Michael Brook)
Heroes (David Bowie)

ps: As Vantagens de Ser Invisível (no original, The Perks of Being a Wallflower). Direção: Stephen Chbosky; Produção: Russell Smith; Lianne Halfon e John Malkovich; Roteiro: Stephen Chbosky; Baseado em “As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky; Elenco: Logan LermanEmma WatsonEzra Miller e outros; Música: Michael Brook; Gênero: Drama; 2012 • cor • 102 min.

commedia dell’arte… baticumbum

2015, fevereiro 27, sexta-feira

energia baixa. estou distraído… a mente não se fixa, vai para n direções. se atropela, entedia-se. e bate aquele desejo de «parem o trem, hoje estou cansado e quero ficar admirando a paisagem. quem sabe amanhã ou depois eu siga o comboio, meu irmão.»

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«a vida é boa, me dê a mão. vamos sair para ver o sol…»

eu vou… / por aí… / eu vou… / vou bater bumbo até cair… // eu vou… / por aí… / eu vou… / vou bater bumbo até cair… // ba ba ba ba ba ba baticumbum… / bum baticumbum baticumbum baticumbum baticum… /  ba ba ba ba ba ba baticumbum… / bum baticumbum baticumbum baticumbum baticum… / (…) /// Compositor: (R. Janotto – E. Cucchi – V. Lo Greco)

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e em mais uma tarde chegou a tempestade, o vento e o cinza. mas, meu irmão, preste atenção e não deixe este estado de hoje te distrair além do possível e necessário… há inúmeros projetos abertos, em varias frentes, esperando o próximo passo. ‘bora, aguentar o trovão, respirar fundo e sigamos logo mais, coisas boas virão.

what’s going on

2015, fevereiro 26, quinta-feira

17h15. hoje estou lento. vontade de coisas práticas. vontade de não pensar. limpei o que podia limpar na casa… e até agora enrolo-me para mexer nos papéis. o único compromisso inadiável são as três entradas em sala para repetir a mesma aula. estou no piloto automático.

ontem, no começo do dia estava animado. no final da noite… meio triste e cansado.

hoje, acordei – ou melhor, para ser preciso, fui acordado – duas vezes bem no meio da parte mais gostosa do sonho. no primeiro momento era meu primo querendo uma mochila emprestada, meio sonolento indiquei onde estava e perguntei que horas eram… 6h30. apenas virei para o lado e me entreguei nos braços de morfeu. as 9h30 era maria izabel… dessa vez não pude voltar. mas o sonho era tão incrível, e talvez por ter acordado no meio dele, ficou comigo bom parte do dia… era mais ou menso assim:

estava eu em berlim (se era não sei ao certo… ), ladeávamos um rio… andando. e era minha segunda visita à cidade. acho que era carnaval ou algo assim… sei que era dia de festa. e havia estado na virada de ano por lá – eu cometei isto com alguém dentro do sonho. e eu não falava nem alemão, nem inglês… falava um português diferente e bonito. e acordei enquanto falava francês ao ouvido de alguém. não era um sonho erótico, mas havia um quê de sedutor na iluminação das ruas à noite e na cena toda… uma rua, um mercado – destes tipo posto de gasolina ou mercadinho de filme… a luz da iluminação da noite/ou amanhecer ou final de tarde/ era um incrível tom de verde hera/abacate com amarelo âmbar. e andava com pessoas agradáveis vestidas de vermelho. senti no sonho a mesma sensação de bem estar que me animou o dia de ontem pela manhã, algo do tipo… uma sensação de clareza e realização. de estar bem. ainda estou com aquela vontade de voltar ao sonho.

17h41. mas agora ‘bora tomar banho e ir para escola. pois ainda há três aulas até as 22h.

mas antes de ir além… duas canções do dia:

e vamos com calma. respeitando o tempo da vida. o que é para ser… faremos e assim será.