Archive for fevereiro, 2015

as vantagens de ser invisível

[sáb] 28 de fevereiro de 2015

meu caro, somos infinito… um filme. um bom filme. um filme bonito e duro. não escolhemos nosso passado, mas podemos escolher o que faremos no nosso futuro. e quando fazia terapia, minha terapeuta falou isto, também. identifico-me muitas vezes com charlie. e por vezes sinto uma revolta e um nojo tão grande deste mundo… quanta violência sofremos. e sinto-me um sobrevivente diante do abuso sexual que sofri na infância, das constantes e sistemáticas violências psicológicas que aguentei em minha infância e adolescência… dos pensamentos diários suicidas na adolescência e a sensação de deslocamento do mundo… minha introspeção… minhas dificuldades de interação social… este meu despertencimento latente… essa percepção de ser um desajustado. sei que muitos dos meus demônios vem deste buraco gigantesco. sei também que sou um homem que aprendeu a resignificar-se, cresci… e entre uma depressão e outra, ousei viver. eu ainda insisto… mas antes deste filme, e deste texto acima… eu pensava um pouco sobre estes dias – o filme só me fez mergulhar um pouco mais profundo – a respeito de minhas oscilações de humor… aprendi duas coisas importantes nos últimos anos: não dar tantas desculpas por ser quem eu sou – sou o que sou e isto não é um erro; e verbalizar/textualizar o que sinto porque isto torna mais claro para mim mesmo e me permite cumprir o efeito libertador… a coisa mais terrível é sentir e ter que manter em segredo o horror que se sente. mas nem sempre se consegue escapar destas armadilhas: o sentir-se um nada, e medo de comunicar isto. mas não me sinto assim agora. não agora. quando voltava da escola, hoje, mirando a lua âmbar borrada pela noite úmida, pensava nestes mecanismos psíquicos que nos prendem e que demora para nos darmos conta de que entramos no círculo vicioso… sofrer é quase como um narcótico, um droga. cresci dentro de uma família desestruturada emocionalmente… e a pouca luz que tenho sei que venho de minha mãe, essa mulher sofrida nesta sociedade machista, racista, e capitalista. e eu poderia tecer aqui todo um receituário sociológico identificando histórica e socialmente as condições, tão análogas a inúmeras outras famílias brasileiras. hoje, como disse bourdieu sobre a mensagem sociológica, posso me desculpar… meu sofrimento não é minha culpa. há uma estrutura social que nos molda, da forma e deforma… o momento, gatilho desta reflexão, foi, após trocar ideia com uma ex-aluna, por acaso, no terminal. e a reflexão foi esta: «bacana essa camaradagem que vamos construindo com essas pessoas que passam por um momento pela nossa vida nessa relação estudante-professor. um dia estão ali, no outro ano já não… mas não sei quanto ensino. sei o quanto aprendo diariamente. e quero crer que algo fica nessa história toda… se não é a inspiração por um olhar mais crítico e atento sobre o real – tão necessário -, ao menos é um espírito de abertura, de generosidade e respeito. posso ser um professor que fala complicado, mas sou um ser humano que age buscando sempre o diálogo franco e uma empatia genuína… porque eu gosto muito de estar em sala e vivenciar essa sensação que tenho de que quase sempre estou nu, livre… enfrentando medos, assumindo erros, criando diálogos e aprendendo a ser mais humilde. posso não ter sido o melhor professor, mas fiz alguns amigos para a vida». depois que anotei isto acima, fiquei pensando no mal estar que senti desde quarta-feira… e como as conversas nada ida e na volta, e as aulas… e como isto me faz bem porque não me sinto inútil. e acredito que quase todos os seres humanos tem um pouco disto, desta necessidade de ser aceito e bem quisto, e sofre quando sente-se em débito ou não atinge o que esperava-se. pois, eu sou extremamente sensível a isto. queira-me ver iluminado, me permita estar em paz e num ambiente onde eu me sinta um pouco valorizado. por outro lado… meu lado mais obscuro e sombrio vem destes momentos onde sinto que não cumpri aquilo que deveria ter feito, e eu me exijo muito. e fiquei pensando no fato de terça-feira eu ter faltado ao compromisso e como isto me rendeu dois dias de fossa, leve… mas rendeu. e nessas horas eu ainda me sinto aquele garoto que se sente um merda e que quer morrer – mesmo que muitas vezes eu não consiga pensar sobre isto na hora. a sensação está ali. quantas vezes eu quis morrer nessa vida… e quantas vezes me matei em silêncio e sozinho. e fico pensando em paula, izabel, a faculdade, a militância, os projetos… quantos anos passei me sentindo uma merda e querendo morrer, desistindo de tudo. tanto tempo perdido… tantos machucados feitos, em mim e nos que amo e quem me ama… tantas chances perdidas… tanto sofrimento e abandono… tanta solidão. mas hoje não. hoje eu quero dizer que eu amo a vida. eu quero me sentir infinito. nem que seja por um milésimo de tempo… eu quero me sentir infinito. e isto não se sente sozinho.

*** trilha sonora do filme

It Could Be Another Change (The Samples)
Come On Eileen (Dexy's Midnight Runners)
Tugboat (Galaxy 500)
Temptation (New Order)
Evensong (The Innocence Mission)
Asleep (the Smiths)
Low (Cracker)
Teenage Riot (Sonic Youth)
Dear God (XTC)
Pearly Dewdrops' Drops (Cocteau Twins)
Charlie's Last Letter (Michael Brook)
Heroes (David Bowie)

ps: As Vantagens de Ser Invisível (no original, The Perks of Being a Wallflower). Direção: Stephen Chbosky; Produção: Russell Smith; Lianne Halfon e John Malkovich; Roteiro: Stephen Chbosky; Baseado em “As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky; Elenco: Logan LermanEmma WatsonEzra Miller e outros; Música: Michael Brook; Gênero: Drama; 2012 • cor • 102 min.

commedia dell’arte… baticumbum

[sex] 27 de fevereiro de 2015

energia baixa. estou distraído… a mente não se fixa, vai para n direções. se atropela, entedia-se. e bate aquele desejo de «parem o trem, hoje estou cansado e quero ficar admirando a paisagem. quem sabe amanhã ou depois eu siga o comboio, meu irmão.»

**

«a vida é boa, me dê a mão. vamos sair para ver o sol…»

eu vou… / por aí… / eu vou… / vou bater bumbo até cair… // eu vou… / por aí… / eu vou… / vou bater bumbo até cair… // ba ba ba ba ba ba baticumbum… / bum baticumbum baticumbum baticumbum baticum… /  ba ba ba ba ba ba baticumbum… / bum baticumbum baticumbum baticumbum baticum… / (…) /// Compositor: (R. Janotto – E. Cucchi – V. Lo Greco)

**

 

 

 

 

 

 

 

 

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e em mais uma tarde chegou a tempestade, o vento e o cinza. mas, meu irmão, preste atenção e não deixe este estado de hoje te distrair além do possível e necessário… há inúmeros projetos abertos, em varias frentes, esperando o próximo passo. ‘bora, aguentar o trovão, respirar fundo e sigamos logo mais, coisas boas virão.

what’s going on

[qui] 26 de fevereiro de 2015

17h15. hoje estou lento. vontade de coisas práticas. vontade de não pensar. limpei o que podia limpar na casa… e até agora enrolo-me para mexer nos papéis. o único compromisso inadiável são as três entradas em sala para repetir a mesma aula. estou no piloto automático.

ontem, no começo do dia estava animado. no final da noite… meio triste e cansado.

hoje, acordei – ou melhor, para ser preciso, fui acordado – duas vezes bem no meio da parte mais gostosa do sonho. no primeiro momento era meu primo querendo uma mochila emprestada, meio sonolento indiquei onde estava e perguntei que horas eram… 6h30. apenas virei para o lado e me entreguei nos braços de morfeu. as 9h30 era maria izabel… dessa vez não pude voltar. mas o sonho era tão incrível, e talvez por ter acordado no meio dele, ficou comigo bom parte do dia… era mais ou menso assim:

estava eu em berlim (se era não sei ao certo… ), ladeávamos um rio… andando. e era minha segunda visita à cidade. acho que era carnaval ou algo assim… sei que era dia de festa. e havia estado na virada de ano por lá – eu cometei isto com alguém dentro do sonho. e eu não falava nem alemão, nem inglês… falava um português diferente e bonito. e acordei enquanto falava francês ao ouvido de alguém. não era um sonho erótico, mas havia um quê de sedutor na iluminação das ruas à noite e na cena toda… uma rua, um mercado – destes tipo posto de gasolina ou mercadinho de filme… a luz da iluminação da noite/ou amanhecer ou final de tarde/ era um incrível tom de verde hera/abacate com amarelo âmbar. e andava com pessoas agradáveis vestidas de vermelho. senti no sonho a mesma sensação de bem estar que me animou o dia de ontem pela manhã, algo do tipo… uma sensação de clareza e realização. de estar bem. ainda estou com aquela vontade de voltar ao sonho.

17h41. mas agora ‘bora tomar banho e ir para escola. pois ainda há três aulas até as 22h.

mas antes de ir além… duas canções do dia:

e vamos com calma. respeitando o tempo da vida. o que é para ser… faremos e assim será.

rise in the sun…

[qua] 25 de fevereiro de 2015

8h27 ontem não aguentei e dei o cano. não fui lá. não apareci. insolentemente faltei… e fiquei dormindo no sofá. mas isto foi só uma fração do dia. foi só no finalzinho da noite… porque o dia foi longo e exaustivo. foi o dia de dona maria izabel.

canção de fundo: rise in the sun, cantanda por fm laeti

***

8h42 essa semana comecei cheio de dúvidas. as dúvidas continuam aqui. mas vou indo fazendo o que acredito que deve/preciso/quero fazer. resolvendo as questões… me resolvendo. me clareando como um dia de sol… porque eu preciso me alinhar com o universo e observar.

canção de fundo: mona gadelha cantando felicidade pra mim (de álvaro fernando)

***

8h51. era oito e cinco, havia um caminhão buzinando no portão. chegava a matéria prima para um pedaço de minha construção. é, chegou a hora de permitir que os outros possam entrar…

e começo a tocar na rádio essa canção… outro lugar, milton nascimento.

penso em ti.

irresistivelmente acordei pensando tanto em ti. com ganas de estar frente a frente, olho no olho, lábios nos lábios… como se não houvesse mais nada além do que este instante contínuo no universo onde de dois se forjasse um. mas fazer o que, estamos tão longe agora. que é preciso lentamente percorrer o tempo e os quilômetros…

meu plano de carreira é socializar o amor até exterminar a dor

[seg] 23 de fevereiro de 2015

não sei se é a tela minúscula deste netbook [o único que se conecta com o mundo], mas estou me sentindo tão pequeno hoje.

é tanta coisa por fazer. tanta gente por ver. tantos gastos e investimentos. é acordar cedo, é ouvir impropérios do secretário da educação, é cozinhar por uma hora e meia num busão em pleno sol do dia, é saber que não te sobram nem meia hora… saber que há uma noite cheia de aulas pela frente, e de reuniões de pessoas desorganizadas, de coisas por fazer… e sentir-se tão só. mas vamos, porque não há lugar hoje no mundo para preguiça. vamos, vamos senhor vagner… vamos nos organizar e tocar em frente.

ps: ontem foi dia de assistir 12 anos de escravidão. e foi um filme que me fez chorar.

abaixo um poema de brecht [porque paulo andré esteve me visitando e devolveu um de meus livros – o de brecht, que nem lembrava onde estava].

De que Serve a Bondade
(Brecht)

De que serve a bondade
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos
Aqueles para quem foram bondosos?

De que serve a liberdade
Quando os livres têm que viver entre os não-livres?

De que serve a razão
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?

Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor;
A faça supérflua!

Em vez de serdes só livres, esforçai-vos
Por criar uma situação que a todos liberte
E também o amor da liberdade
Faça supérfluo!

Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos
Um mau negócio!

Bertold Brecht

 

hoje eu não quero voltar sozinho

[sáb] 21 de fevereiro de 2015

estou exausto – hoje foi um dia longo e pesado.

trabalho solidário pela manhã.

e tarefas pela tarde.

e enfim, instalei [novamente] o cabo da net e tenho internet cabeada [ou supunha ter… já que o notebook não reconhece o cabo], segura e rápida. as chuvas de quinta/sexta [de carnaval] danificaram os cabos que ligam o modem [que instalei na casa de meu irmão] ao meu computador [na minha casa].

e tanta coisa aconteceu desde a última postagem… um resumo – se for possível resumir – poderia ser assim: estou mais desperto e buscando clarear meus caminhos. o oráculo diz que mercúrio está em harmonia com minha lua… e racional e intuitivamente estou mais perceptivo… e que esta é uma fase de insights e de esclarecimentos. será? sei não… o fato é que já venho há algum tempo amadurecendo alguns pensamentos e sentimentos e de um momento para outro senti uma profunda necessidade de externá-los, manifestá-los, realizá-los. fatos que vão desde o âmbito do meu espaço físico, passando pela relação com minha filha, minha relação profissional e de militância na escola até ao que vai no meu coração. e tudo isto não são coisas que se excluem ou que devo negar. é preciso encarar a vida no seu lado político, econômico e afetivo, e ver que as “partes” que compõe a vida não podem ser lidas e tratadas como coisas estanques e/ou isoladas. para se viver é preciso buscar-se em todos estes rincões, que se interpenetram… é preciso viver, mesmo que precariamente, mas sempre em busca de uma plenitude hoje e além… isto hoje me parece tão claro… mas há sei que um ano atrás ou dois ou cinco ou dez isto não me era possível. não havia amadurecido para aceitar-me desta forma… tão imperfeito, tão precário, tão provisório… tão inacabado. talvez alguns fatores tenham contribuído… a idade que se avança; a profissão/renda permitindo sobreviver; a profunda solidão e o tempo de maturação de tantas revoltas e medos que carrego em meu peito…

mas os medos não evaporaram… caminham aqui ao meu lado. o desejo e a intenção é que cambiou – é hora de enfrentá-los com menos sombra. é hora de tentar fotografar a vida menos em low-key.

p.s. (22/02): no meio da postagem a rede caiu e… fui lavar louça e liguei a tv. e assisti este filme bonito: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho.

p.s. 2 – e escrever aqui está ficando difícil pelo acúmulo de tarefas que tenho que cumprir as dessa semana que se vai e as da semana que se acerca… tudo vem se avolumando. e o negócio é respirar fundo e ter claro a hora precisa de levantar cada vela apropriada para cada vendo… afim de ter um rumo claro. eu aponto para fé e remo…

 

 

o nosso bloco é desse jeito

[ter] 17 de fevereiro de 2015

não sei.
deu erro.
eu desandei.
como se isto fosse novidade…
ando a desandar nesta vida.

e nos três quilometros –
a volta para casa…
na rua quase deserta,
de janelas ao léu…
eu, como um cão sem dono,
que tenta morder seu próprio rabo,
mantenho um pensamento latente,
que vai latindo… solitário.

e não senti inveja da garrafa de vinho sobre a mesa,
e duma taça, na vazia sala,
que a janela aberta mostrava pelo caminho.

sua solidão não me faria companhia.

senti, sim, um cadinho,
das mãos de namorados
que seguiram entrelaçadas…
por todo o caminho,
enquanto eu voltava, sozinho.

***

mas vamos pensar positivo:

#1. você é um cara bacana – mesmo que você esqueça e/ou não acredite nisto quase o tempo todo. preste atenção nas pessoas que diariamente insistem em dizer isto. deve ter um quê de verdade… se o que marca nos outros é algo positivo, e todos (ou quase todos) te guardam em boa estima… como alguém querido, é porque deves ser um pouco disto.

#2. você é um cara bonito – mesmo que você não repare e/ou ingenuamente não se dê conta dos olhares.

#3. o carnaval foi bom… já houve melhores, mas também já houveram piores. o corpo está exausto e fechou mais um dia.

#4. você pulou? cantou alto? encharcou a camisa de suor de tanta folia? seus pés e pernas estão cansados? você está rouco de tanto cantar? decorou um bom pedaço do samba? sim… sim… sim para tudo. ou quase tudo.

#5. você é um cara torto. mas desejar que as coisas se desentortem do dia para noite é ilusão e trás sofrimento. aprenda a lidar com tua tortuosidade… se ela é teu lado feio? tua feiura é parte fundamental de tua beleza. aprenda a lidar com tua ingenuidade, com tua timidez, com teus engasgos… com tuas atravessadas no samba… com tuas demoras, com teus silêncios… com tua falta de gingado… com teus desencontros… com teus amores, desamores, malamores desta vida… e com o teu caminhar sozinho. humildemente aprenda… porque deve ter algum sentido… e mesmo se não houver sentido algum. isto é parte de ti… esse processo torto forjado neste mundo caduco.

#6. e todos tem medo. e a gente se enrola tanto por ter medo. e por isto mesmo não façamos pouco caso dos medos dos outros… os medos estão ai para conhecermos e aprendermos a lidar com eles, porque eles continuam nos marcando mesmo quando vamos tentando superá-los. cada um tem seu medo, e cada medo sua história. e é no tempo que forjaremos a chave da porta que abre o peito, e manda embora um medo… e assim um e outro de cada vez. e não se esqueças.. não tome o medo do outro por ti. medos são impares, e cada qual há de encontrar a sua chave.

#7. amanhã é outro dia? não é?

#8. e se você está pensando em vomitar… você já está em casa e é só fazer um chá.

#9. e se você está pensando em chorar… vai fundo. não há ninguém aqui para te segurar.

 

ps: letra do samba de hoje:

Compositores: Álvaro Guimarães, Denilson Machado, Jackson Cardoso, Júlio Black, Reizinho Silva, Marco Antônio Mello, Nestor Habkost, Severo Cruz.   / Baiacu anunciou: é Carnaval  / Com liberdade, vem sambar  / Com liberdade, vem sambar / Com gente daqui de todo lugar / Que vem por terra e d´além mar / Acende / Acende as luzes dessa passarela / Hoje o Baiacu vai desfilar / Pode vir, / Vem sambar   / A ordem é não discriminar / Diversidade, Di – ver – si – da – de / E felicidade pra brincar / Em Santo Antônio / Vem que vamos todos te abraçar / Desfilando nessa aquarela todas as cores da nação / O nosso bloco é desse jeito / Tira da tua vida o preconceito / Sou brasileiro e estamos juntos / Não tenho desprezo por ninguém / “ Pópará ! ” / “ Pópará ! ” / Sou manezinho / Sou do mundo / Sou BAIACU DE ALGUÉM!

notas offline de um carnaval ilhado

[seg] 16 de fevereiro de 2015

nota do dia:

16/2 segunda-feira de carnaval… o acesso à internet voltou. e preciso por em dia coisas atrasadas – professor.online… fazer almoço para as marias e lavar a minha roupa. e tentar ser um adulto responsável. e ir ao carnaval em santo antônio.

notas no papel

15/2 domingo, sem internet ainda. ir ao mercado fazer compras. ir ao carnaval com as marias e dona ica, minha mãe. notas mentais durante o carnaval: a falta de animo folião de marias reflete um pouco a criação familiar… essa gente meio gente do mato; minha família não tem o hábito do festivo – somos todos um tanto tristes e arredios. e elas vieram cedo. e eu até tentei ficar um pouco mais. mas carnaval sozinho é triste demais. e fiquei pensando há quanto anos eu não vinha no carnaval daqui… e lá se vai quase meia década; constato que vai tudo menor, sem cor. e o mais estranho é que revi pessoas estranhas que deveriam ser conhecidas – ao menos ela me conheciam, me chamaram pelo nome. cumprimentei-as, mas até agora não me recorde de onde e de quando as conheço. eu e essa minha mania de circular pelo mundo sem me prender…

14/2 sábado. dia de chuva. dia enfiado na terra cavando e arrumando estragos. carnaval com chuva não vai rolar.

13/2 sexta-feira de carnaval. sem internet. telefone não funciona… e a NET me deu o cano. dia de escola, e me preparo para quando voltar ficar no carnaval… coloco a camisa mais bonita… e… mas então começa a chover o céu inteiro…. e chove tanto, como não chovia há anos. e falta luz… e entra água na casa, alaga… e viver em área de risco é meio estressante. uma madrugada acordado monitorando…

12/2 quinta-feira… a primeira semana de aula me deixa um pouco estressado… conhecer as turmas, definir horários, entrar no ritmo… organizar as aulas, ver se funcionam… até esquentar demora alguns dias. passo um dia focado na organizar didática. e amanhã minha mãe faz aniversário. e ontem não fui enterrar a tristeza. preciso encontrar paula.

todavía

[ter] 10 de fevereiro de 2015

hoje.

Uma pausa do trabalho diário. Hoje, distante dos alunos… Com a cabeça submersa em ideias e planos. Amarrando as pontas soltas… Calculando os desdobramentos e imaginando avaliações. Lembrei de Deleuze – para cinco minutos de inspiração… horas e horas, dias… de preparação.

Foi um bom dia offline. Fiz almoço e almocei com Izabel. Luiza foi embora pela manhã. E os parte do planos do dia… Ir ao mercado, e seus desdobramentos, não se realizou. Farei compras em pleno sábado de carnaval – é o que anotei na lista de tarefas.

Agora retrocedo as anotações… Porque os dois últimos dias foram de uma intensidade tremenda. Pero, antes… para ti:

Todavía – Mario Benedetti

No lo creo todavía
estás llegando a mi lado
y la noche es un puñado
de estrellas y de alegría.

Palpo, gusto, escucho y veo
tu rostro, tu paso largo,
tus manos y sin embargo
todavía no lo creo.

Tu regreso tiene tanto
que ver contigo y conmigo
que por cábala lo digo
y por las dudas lo canto.

Nadie nunca te reemplaza
y las cosas más triviales
se vuelven fundamentales
porque estás llegando a casa.

Sin embargo todavía
dudo de esta buena suerte
porque el cielo de tenerte
me parece fantasía.

Pero venís y es seguro
y venís con tu mirada
y por eso tu llegada
hace mágico el futuro

y aunque no siempre he entendido
mis culpas y mis fracasos
en cambio sé que en tus brazos
el mundo tiene sentido

y si beso la osadía
y el misterio de tus labios
no habrá dudas ni resabios
te querré más
todavía.

**

dia 8/2.

«o sabor dos teus lábios ainda está em mim… teu olhar nos meus olhos eu não esqueci. teu sorriso iluminava o meu caminho e ao falar eu sentia todo o teu carinho… ».

ela é coloninha,
eu mais duro que uma pedra.
ela é livre…
eu sou algum tipo de hera.

ela é uma nau
em busca da felicidade…
eu sou um porto
quase sempre no mesmo posto.

ela sonha e age,
transforma-se em liberdade…
eu atravesso todos os sambas,
surdo
à
rítmica
marcação.

ela é poesia, revolução
eu,
um verbo, um fragmento.
ela é um samba de bloco cheia de ardor…
eu sou algo como uma quarta-feira de cinzas.

*
e desde a infância ela adora jambolão…
e eu, tão velho, ainda subo em árvores –
é dela este dom:
eu ainda tenho
um coração de criança.
e ela tem os dedos pequeninhos
assim como eu…
e quando entrelaça-os aos meus…
o mundo torna-se
um lugar bonito.
e ela,
só ela, com seu amor,
ilumina minha escuridão…
e tudo que eu era…
era meta, metade…
um ontem perdido na vastidão.
com ela… verso ao avesso
busco no fundo do peito
esse sentimento do mundo
essas mãos dadas,
aceito o que me é imperfeito,
e rumo, aceso por dentro,
nessa humana
e mágica jornada que somos:
eu e ela em construção.

pi

 

 

 

 

 

 

 

 

Exercícios em construção sobre eu e ela .

**

dia 9/2.

primeiro dia de aula. síntese: longo, intenso e exaustivo. positivo foi o reencontro. e os contras são: como é longe a escola, tão fora de mão… tantas horas de busão. e como ainda é verão… tudo é tão quente. que quase derreti, e antes de entrar em sala já estava encharcado. como já conheço a escola… o sentimento é diferente dos anos anteriores: no lugar da apreensão sobre as gentes e a casa… vou o sentimento bom de rever velhos amigos. e fora minhas mancadas, esquecer dos nomes e das não muito preparadas aulas… foi bom. e ainda bem que terça há um brecha para realinhar a direção e clarear o mapa de navegação.

 

 

 

 

cidade imaginária

[sáb] 7 de fevereiro de 2015

cheguei em casa ontem e as crianças brincavam de organizar o bloco de carnaval.

convidei-as para pular a catraca, ir ao bloco, talvez depois um cinema. elas não quiseram. minha ida ao bloco miou.

novamente fico cuidando de luiza até as duas horas da manhã.

então, cedo… o adulto que ficará responsável por elas sou eu… vamos tentar aproveitar o melhor do dia. fizemos, eu e luiza [porque izabel não quis] uma caminhada com as cadelas pela rua… e aqui até a gata nos acompanha. fui tomando meu mate e fomos proseando.

e pela tarde, estudando, montando planos de aula… porque todo ano resolvo modificar conteúdos. e entre um momento e outros… alguns trabalhos manuais.

agora, noite. continuo o estudos e encontro isto: cidade imaginária, que me leva ao o que eu andei, que me leva ao porte folio de viajante curioso, todos blogs, muito bons por sinal, de João Bonifácio Serra.

e sugestão de paulo fukuta: https://www.facebook.com/escolabasicadaponte?fref=ts

***

e você está aqui.

 

 

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