Archive for março, 2015

war…

[seg] 30 de março de 2015

há um grande risco de as coisas logo mais não darem certo. e entre os acertos e os erros desta semana fica o seguinte ponto: tentei.

 

e agora, teimando com o sono que não chega, sabendo que logo, em menos de quatro horas, haverão tantas tarefas… até mais dos que as que me tomaram nestes últimos dias. abro uma janela cá e tomo nota… e mesmo que eu não consiga sistematizar de forma clara sobre o momento, vou tentar algumas palavras… talvez me ajude tentar uma analogia, algo visual, como um polígono inscrito numa circunferência.

no primeiro plano – o polígono com seus ângulos e retas inscrito à circunferência – há uma emergente e urgente necessidade visceral de ir, sem pensar. e aqui há um dose exagerada de generosidade, uma quantidade significativa de medos, e outras cositas buenas y otras no mucho buenas…  é o tempo da ação… e há os riscos. eu sei que em alguns momentos vacilei, noutros tremi, até enjoei, me atropelei, emudeci, me acovardei, briguei ou falei demais… mas eu estava ali com minha boniteza e minha fragilidade, nu, como um criança que aprende a caminhar ou um homem duro.

e no segundo plano – a circunferência que circunscreve o polígono – a posição abrangente… onde localizo essa intuitiva e racional capacidade dialética de relativizar… é como se no primeiro plano eu desembestasse a agir sem pensar de forma quase pulsional para lá e para cá… para logo ali na frente, parar e ponderar, avaliar de forma lúcida e serena os vacilos e os acertos. sem culpabilizar ninguém, apenas entendendo o movimento complexo. e mantendo a calma.

pois, afinal… como diz a canção: «não sei onde estou indo, apenas sei que não estou perdido… »

ps: algumas anotações ficarão para outro momento. poemas de augusto de campos, citações de mauro iasi e essa correria toda… greve, assembleias, comando. as canções de perotá chingó, onda vaga, e di melo; ps2: jogar war é muito massa. pi me ensinou. e curti o sábado… ps3: timidez excessiva embrutece. lembre-se disso antes de retrair-se, por favor… lembre-se e flua mais, se jogue do penhasco…

agitpop!

[sáb] 28 de março de 2015

uma nota breve para refletir e ponderar, um respiro no meio desta ansiedade danada que estou a sentir agora.

a vontade é sair corrente e ir até paula… desenrolar-me, soltar-me… aprender a ser par… e acalmar meu peito. e não pensar nestas tarefas todas, mas vamos lá… mais algumas horas e termino por hoje:

nestes últimos dias tem sido bem intensos… de mobilização, agitação e organização. é greve.

ontem… ao final da minha fala na assembleia regional senti que minhas mãos tremiam – como falar diante de um grande público ainda me deixa nervoso. e não era o frio por estar com os pés molhados.

mas voltamos a ativa! e como organizar uma assembleia de pais é algo tenso e complicado… carro de som ok, contato com professores do diurno ok.

e entre as filas e horas no busão para sambaqui-centro-trindade-rio vermelho… ando a ler e reler ensaios sobre a consciência e emancipação, mauro iasi.

greve!

[qua] 25 de março de 2015

nota síntese destes últimos dias.

«Dividir a casa com outras pessoas pode nos dar certas alegrias, um conforto pelo calor de rebanho. Mas é também uma perturbação contí­nua. Nada mais explosivo do que ter um ser humano por perto com suas emanações, seus medos, e desejos que nem sempre entendemos.» do filme, como esquecer.

*

e eu estou em greve.

e isto é grave.

eu grito!

VAMOS POR AREIA NA ENGRENAGEM!

vagabundo não é fácil

[qua] 18 de março de 2015

Música: Vagabundo Não é Fácil
Composição: Galvão – Moraes Moreira
Banda: Novos Baianos

***

fui na sorte. demorei quase duas horas entre esperas [em] terminais. você dormia, a janela não atendia e/ou eu batia na parede errada… e entre latidos e zunidos, adormeci na rede, sob a vigília de tieta e das estrelas. me senti numa roubada, mas por dentro estava tudo tão bem… feliz por teres me aceito, feliz por ter me jogado… e amanheci nos teus braços – ou quase, já que foi tieta que veio me lamber a fuça, abraçar com suas patas enormes e querer jogar bola, seu olhar pedia parceria. e você acordou… e pude em silêncio dizer que te amava. e ao sair, para trabalhar… pensei… adoraria passar uma tarde, um dia inteiro… uma vida contigo. sei que há arestas para apararmos… que o tempo dá suas voltas… que o passado nos marca… e de tudo que dividimos e compartilhamos… do prazer e da dor… estar contigo, pensar em ti, mirar teus olhos, velar teu sono, abraçar teu corpo… confesso que me dá um frio na barriga danado pois há uma imensidão e uma inexplicabilidade nesse encanto que provocas… te quero tanto. tu me arde. e vamos mansamente, sem o apego cego e seus medos… quero nutrir o que há de bom em nós e na vida, morena.

 

***

e enquanto bebo meu mate… entre um texto e outro… lembrei disto aqui: Guimarães Rosa: O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.

 

 

passo essa canção pra te acalmar

[ter] 17 de março de 2015

2:54

eu tinha um plano.
quinta eu tinha – eu iria…
sexta tbm – eu ficava.
sábado ok – fui
domingo mudou tudo… – fiquei
segunda não deu. não fui…
e terça… inesperar.
pois são quase três…
e as seis tem que levantar…

e será que vai dar?
o jeito é listar
e ver o quê o corpo
tem a dizer:

da fila para marcar dentista,
do ato/vigília na assembleia,
de passar no armazém de secos e molhados…
de fechar aulas/notas…

e estar aberto ao inesperado…

e, todo acabado, ir numa reunião à noite
com mães e pais.
e de uma terça de folga, eu me lotei.
mas será que vai dar?

esperando o sono chegar
vou ouvir camelo e acalmar…

«Paper clips and crayons in my bed Everybody thinks that I’m sad I take my ride in melodies And bees and birds Will hear my words Will be both us and you and them together I can forget about myself trying to be everybody else I feel allright that we can go away And please my day I’ll let you stay with me if you surrender»

**

e para dormir bem, meu bem:

socorro nobre

[dom] 15 de março de 2015

domingo. dia longo e exaustivo. o compromisso, assinalado numa folha colada na tela do computador… organizar todas as aulas, sistematizar avaliações aplicadas, em aplicação e por aplicar. resumo para estagiária… é, uma senhora fará observação e depois intervirá em algumas aulas… a conversa meio atropelada da sexta-feira não me permitiu definir claramente como faremos, mas é sempre bacana compartilhar a sala de aula. mas voltando da digressão… eu não fiz nada disso. não mexi em nenhuma folha e nem no pc até agora. e exceto o almoço que dei uma zapeada na tv e acessei isto aqui:

Curta: Socorro Nobre, de 1995. Walter Salles. «Uma das influências de Central do Brasil, realizado em 1998, seria um curta sobre o relacionamento por cartas entre uma presidiária e um artesão polonês dirigido pelo próprio Walter Salles, três anos antes. Socorro Nobre, de 1995, leva o nome da ex-presidiária Maria do Socorro Nobre que, emocionada com uma matéria sobre o artesão Franz Krajcberg, envia uma carta ao escultor, dando início a uma bela história de amizade. Premiado em vários países, o curta documental apresenta Franz Krajcberg, um escultor que lutou contra o nazismo pelo exército polonês e vive há décadas isolado em uma praia deserta em Nova Viçosa, na Bahia. Krajcberg já rodou o mundo expondo suas esculturas, feitas em madeira queimada e material calcinado. Paralelamente, a baiana Maria do Socorro, reclusada no presídio de Salvador, sonha em voltar a viver com seus filhos.» texto acima extraído do canal cultube.

o restante do dia foi de trabalho braçal… por a mini-reforma da casa em movimento… enquanto meu primo terminava o quarto, fazendo o reboco, a pintura das paredes e colocava o piso que faltava… eu pintei a cozinha. acredito que mais um dia e ele passará para o novo quarto. e mais uns 3 ou 4 dias, algumas caixas de piso, uns dois sacos de cimento… e eu passarei para o quarto que ele ocupa agora. e só falta o estrado/deck de entrada e enfim poderei limpar a casa… porque essa condição de casa em obra é muito chata.

 

pela base

[sáb] 14 de março de 2015

 

 

hoje, como narrar o dia de hoje… essa inflamação na garganta, essa dor de cabeça, ouvidos que doem… essa sensação que vou ficar muito doente. talvez seja a chuva de terça-feira… esses dias todos que foram bem corridos e de péssima alimentação… muito tempo sem comer e concentrando tudo as 23h30 ou meia noite. esse estresse… esses choques térmicos… e posso dizer que com exceção de quinta-feira durante a tarde, todos os dias foram assim chatos, doloridos… nervosos… irritadiços. sexta-feira, por exemplo, foi um dia tão tenso… daqueles que nem você aguenta você mesmo… como se cada verbo que saísse de sua boca fosse um lamina afiada pronta para cortar tudo e todos. até o silêncio corta nestes dias.

mas hoje… apesar deste meu humor difícil… depois de alguns anos e eu volto a participar de uma reunião (para além daquelas profissionais e/ou educacionais)… para pensar o movimento… expor minhas posições, debater e me centralizar num coletivo. isto é algo importante… aquela fragilidade, aquela melancolia, aquele luto… adormeceram… e agora é luta. eu sou lento… mas estou andando.

*

ixcanul… fiquei curioso para ver este filme.

*

algumas passagens de leituras do dia, ou que estavam na fila de espera para serem digitas e arquivadas aqui:

#1. «diante de situações assim a gente percebe que o mundo se divide em o mundo e o meu mundo. há uma área imensa do mundo que ignora a nossa existência, que vai ficar para sempre invulnerável às nossas ações. como se fosse outro planeta, e não o planeta onde vivemos. mas há outro, o meu mundo, onde a nossa vida conta, nossas ações produzem resultados, nossa presença chama a atenção, nossa ausência deixará um vazio. quando somos jovens cheios de sonhos, de atrevimento, de esperança, achamos que um dia o meu mundo se confundirá totalmente com o outro. quando estamos na porta, nos preparamos para ir embora, é hora de esquecer o que está fora do nosso alcance, e de reconhecer que o meu mundo é pequeno, mas é tudo o que a gente tem» excerto de cronica de braulio tavares, citando indiretamente o pensamento de oliver sacks.

#2. «segundo schopenhauer, a felicidade nunca é atingida em sua totalidade, tendo os seres humanos apenas acesso a pequenos instantes de felicidade. uma vez que o filósofo alemão postula que, diante de todo o sofrimento, cada indivíduo deve tentar se aproximar da felicidade em meio a toda dor. mas ele nos lembra sempre que o esforço de alcançar a felicidade não é algo natural, na verdade é apenas ético. o que existe é apenas um esforço ético, porque não existe uma lei natural de que o mundo proporciona felicidade, tal como a lei de que, para sobrevivermos, temos que respirar. assim, ser feliz não é natural, mas depende da nossa vontade.» excerto do texto ‘sobre a doença de existir’ de mateus ramos cardoso

#3. «um índio dizia que um guerreiro a gente planta para que dê novas sementes. quem tomba na batalha a gente não deveria chorar, mas festejar. afinal, o exemplo de alguém que se doa totalmente é semente de uma multidão de militantes. é preciso ter orgulho de pessoas que oferecem sua vida para que o povo viva com dignidade. mas, com o mesmo ardor, é necessário recordar a memória de tanta gente anônima que sustenta o cotidiano da luta e garante o enraizamento do trabalho. cada militante, no seu território, deve comprometer-se em mobilizar um time de trabalhadores. estes, por sua vez, devem repartir os esclarecimentos com outras pessoas, em seus espaços de luta, de vida e de trabalho. sua missão é despertar a autoestima silenciada, estimular o protagonismo e convocar para a tarefa de ser capaz e ser feliz, coletivamente. assim, tece uma rede de resistência, pois a importância da árvore se mede pelo número de folhas que renova, e a importância da pessoa, pelo número de gente que reúne.» excerto de texto produzido pelo cepis, organizados por ranulfo peloso.

#4 «Não voltamos, contudo, à tese vulgar (aliás admissível, na perspectiva estreita em que se coloca), segundo a qual a magia seria uma modalidade tímida e balbuciante da ciência: pois nos privaríamos de todos os meios de compreender o pensamento mágico se pretendêssemos reduzi-lo a um momento ou a uma etapa da evolução técnica e científica. Mais como uma sombra que antecipa a seu corpo, ela é, num sentido, completa como ele, tão acabada e coerente em sua imaterialidade, quanto o ser sólido por ela simplesmente precedido. O pensamento mágico não é uma estréia, um começo, um esboço, parte de um todo ainda não realizado; forma um sistema bem articulado; independente, neste ponto, desse outro sistema que constituirá a ciência, exceto quanto à analogia formal que os aproxima; e que faz do primeiro uma espécie de expressão metafórica do segundo. Em lugar, pois, de opor magia e ciência, melhor seria colocá-las em paralelo, como duas formas de conhecimento, desiguais quanto aos resultados teóricos e práticos (pois sob este ponto de vista, é verdade que a ciência se sai melhor que a magia, se bem que a magia preforme a ciência no sentido de que triunfa também algumas vezes ), mas não pelo gênero de operações mentais, que ambas supõe, e que diferem menos em natureza que em função dos tipos de fenômenos a que se aplicam. Estas relações decorrem, com efeito, das condições objetivas em que surgiram o conhecimento mágico e o conhecimento científico. A história deste último é bastante curta para que estejamos bem informados a seu respeito; mas o fato de a origem da ciência moderna montar apenas há alguns séculos cria um problema, sobre o qual os etnólogos ainda não refletiram suficientemente; o nome paradoxo neolítico caber-lhe-ia perfeitamente.» excerto de ciência do concreto, capítulo um do livro o pensamento selvagem, do antropólogo claude lévi-strauss

#5 «Defeito 6. Esteticar (Estética do Plágio) // Composição: Tom Zé / Vicente Barreto / Carlos Rennó // interpretação de Tom Zé // Pense que eu sou um caboclo tolo boboca / Um tipo de mico cabeça-oca / Raquítico típico jeca-tatu / Um mero número zero um zé à esquerda / Pateta patético lesma lerda / Autômato pato panaca jacu / Penso dispenso a mula da sua ótica / Ora vá me lamber tradução inter-semiótica / Se segura milord aí que o mulato baião / (tá se blacktaiando) / Smoka-se todo na estética do arrastão / Ca esteti ca estetu / Ca esteti ca estetu / Ca esteti ca estetu / Ca esteti ca estetu / Ca estética do plágio-iê / Pensa que eu sou um andróide candango doido / Algum mamulengo molenga mongo / Mero mameluco da cuca lelé / Trapo de tripa da tribo dos pele-e-osso / Fiapo de carne farrapo grosso / Da trupe da reles e rala ralé» e «Ficha Técnica / O Terceiro Mundo tem uma crescente população. A maioria se transforma em uma espécie de “androides”, quase sempre analfabetos e com escassa especialização para o trabalho. Isso acontece aqui nas favelas do Rio, São Paulo e do Nordeste do país.E em toda a periferia da civilização. Esses androides são mais baratos que o robô operário fabricado em Alemanha e Japão. Mas revelam alguns “defeitos” inatos, como criar, pensar, dançar, sonhar; são defeitos muito perigoso para o Patrão Primeiro Mundo. Aos olhos dele, nós, quando praticamos essas coisas por aqui, somos “androides” COM DEFEITO DE FABRICAÇÃO. Pensar sempre será uma afronta. Ter idéias, compor, por exemplo, é ousar. No umbral da História, o projeto de juntar fibras vegetais e criar a arte de tecer foi uma grande ousadia. Pensar sempre será .” Tom Zé».

e para fechar…

#6. «nunca sei ao certo
se sou um menino de dúvidas
ou um homem de fé
certezas o vento leva
só dúvidas continuam de pé»

Paulo Leminski. do livro O ex-estranho.

*

ps: outro títulos possíveis e pensados para esta postagem são “ciência do concreto”; “paradoxo neolítico”; “defeito de fabricação”; “ex-estranho”; “dia da poesia”.

 

 

faz escuro mas eu canto

[sex] 13 de março de 2015

o título é de um poema/livro de thiago de mello.

os movimentos:

#1) da reforma da casa… estou já um pouco cansado dessa sujeira de casa em obra de final de semana… quase um mês e tudo está uma poeira só. espero que lá no final do mês tudo esteja melhor e mais limpo. agora é passar mais uns sábados e domingos no trabalho braçal para finalizar essa coisa toda.

#2) do movimento sindical… chegou a hora de voltar a militar, sem vacilar.

#3 e #4) do reencontro do povo e da acadêmia… nas últimas semanas, num claro movimento de abertura, tenho reencontrado várias pessoas queridas… e isto faz tão bem. ontem estive na ufsc, para um dar um entrevista à uma colega do mestrado que está trabalhando/investigando o currículo de sociologia nas escolas… e revi várias pessoas queridas, amigos e ex-colegas; e senti aumentar a vontade de voltar a estudar na acadêmica. agora é preciso sistematizar um planejamento e estudar para voltar. só faltou encontrar paula.

#5) do registro de maria izabel… ida ao emaj/ccj feita… agora é esperar maio, e conversar antes com adriano (o outro pai… o pai legal) para chegarmos num consenso.

#6) da greve. 30 minutos e formação na escola. e tentar organizar alguns professores.

 

quase rocky balboa

[ter] 10 de março de 2015

e a greve não veio.

ela precisa, ainda, e sempre, ser construída… a gente apanha, e apanha, e apanha mais um bom bocado… e ai… vem, nos minutos finais a virada extraordinária…

pois, as falas da base até animaram… mas não viraram o que já estava perdido. a assembleia estadual de hoje foi uma das piores assembleias em que já participei na minha vida. quando a direção tira para tirar com a nossa cara… tem que ter estômago.

***

antes e depois do chopp na travessa ratcliff sinto aquela vontade de fazer alguma coisa importante. dizer um basta a essa mediocridade cotidiana que nos cerca, enquanto sujeitos alheios… mas cuidado para não surtar novamente e querer explodir todo mundo como se seu coração/estômago/tu fosse um homem-bomba. é preciso discernir quando resilientemente devemos aceitar o que está posto e quando com unhas e dentes, mesmo que tortos como os meus, deve-se lutar.

é preciso discernir… sobre as ferramentas, as táticas e sobretudo… a estratégia.

***

13h46min.

o olho do ciclone deixou a paisagem tão nítida. deixou também o vento rebelde e o mar crespo. deixou-me assim, sentindo me em casa neste vento frio, nesta paisagem arredia, nesse olhar que vê distante.

todos os caminhos e a visão lateral

[qui] 5 de março de 2015

tantas coisas nestes dias…

e ao mesmo tempo que o tempo passa tão veloz pelos encontros e diálogos vivenciados nestes dias… sinto cá dentro uma vontade de ficar em silêncio observando todos esses sentimentos… mensurando, ponderando e/ou apenas sentindo-os.

sentindo como viver faz bem… como bom é nadar no meio desta multidão… me sinto mais bonito e vivo sendo povo. mas eu sou destes que precisa de, tempos em tempos, mergulhar fundo na imensidão azul e ficar sozinho, um respiro, por lá…

e as vezes temos planos, mas a vida gira, e nestes momentos é necessário apenas deixar o caminho nos mostrar para onde e como ir, ir meio que a deriva ao sabor do vento… e nestes dias não importa tanto o destino… e sim o navegar.

e eu não vou falar da assembleia do professores (3/3) que foi importante, nem da greve que virá (10/3), nem da lua crescente ou cheia que tem me deixado como um lobo solitário e uivante… nem da saudade de alguém, tampouco dos projetos, e da bagunça da casa em construção… e dos medos, e das vontades… e deste mundo misturado. não vou falar nada, apenas sentir tudo isto acontecendo ao mesmo tempo.

e abaixo um canção… como não encontrei a letra, transcrevi aqui o que entendi: «o que se esconde? o que não vi? em que planeta? em que país? em um instante felicidade pode seguir… pela cidade, uma paisagem atrás daquela outra por vir, perto da pele, alguém chegando da para sentir… e quando sol se poe… pela janela se vê além do meu jardim… deixa que o céu se demore para te receber. fico daqui, vejo passar você. devo 

5.mar.15h40m

%d blogueiros gostam disto: