Archive for maio, 2015

para amanhã logo mais…

[dom] 31 de maio de 2015

resoluções para depois de acordar:

#lembrar de não ordená-las.

#não entrar em contato contigo. mesmo que eu pense nisto todos os dias. eu sempre em algum momento importante terei medo e vacilarei, com ciúmes ou descrença da força que o amor tem de iluminar os caminhos escuros.

#realizar trabalhos manuais e domésticos. desimpregnar este cheiro de abandono e habitar-me mais nesta casa. traduzindo… podar plantas, limpar terreno e a casa… e lavar roupas.

#não viajar para campos novos, para não perder o horário e o ônibus e ficar sentido-me mal por não cumprir aquilo que eu acho que deveria ter cumprido. pois eu furo compromissos… eu sempre me muito sinto mal por isto. e isto é muito mais constante do que eu gostaria… não ir e não estar, e deixar isto de forma resoluta, ainda é o melhor antídoto para a dor de querer ir e não ter ido.

#ter/fazer um dia bonito.

#terminar a leitura do livro do valter hugo mãe.

ps: e a pessoa bonita, disse que curtiu minha página de poemas. e fui rele-los… meus poemas são tristes.eu me sinto triste, mesmo quando estou feliz. e lembrei de marcello, que me presenteou com um livro de poemas… e receberá o meu primeiro livro, quando eu publicar em papel e tinta… ainda este ano.

 

desocupar territórios… ocupar a memória… estranhar-me no outro, no manifesto, no ser coletivo…

[sex] 29 de maio de 2015

vamos ao poema:

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…

Preságio – Fernando Pessoa.

****

E pensei cá, quando voltava para casa, depois do Ato [ATO CONTRA O PL 4330 e MPS 664 e 665], e da desocupação da ALESC, anotar o poema que surgia na minha mente durante… mas os versos, em si, se perderam no caminho do ônibus e na caneta que não encontrei na mochila. eles tocavam neste sentimento que era algo sobre ser estranho ao outro. desta coisa de uma dia ser estranho, no outro dia ser familiar, e no outro dia voltar a ser estranho – como se nossas vidas se entrecruzassem e fossemos um itinerário de memórias destes entrecruzar… sei que com alguns a vida segue em paralelas… mas com boa parte da gente humana, que temos contato íntimo, seguem apenas como um pouco ou alguns pontos de interconexão.

tudo isto porque hoje foi um dia atípico… dentro da própria atipicidade do momento vivido, uma ocupação de espaço público que durou 35 dias dentro de uma greve de quase 70 dias. mas hoje, foi mais atípico, talvez pelo momento de encerramento, de algo que já se tinha estabelecido, enraizado laços…  diferente dos outros dias de ocupação, pelo ato nacional, houve uma concentração de muita gente do estado que já esteve em algum momento como ocupante na ocupa alesc… é como se estivessem tod@s lá ao mesmo tempo… causando algo como o reencontrar “velh@s” nov@s companheir@s de luta e despedir-me, de boa parte deles, da minha vida cotidiana… reencontrar e dizer um adeus, ao mesmo tempo. éramos estranhos ontem, hoje somos familiares, amanhã apenas memória…

anoto isto, e o poema – que surgiu depois e ao acaso, e casou com temática do pensamento do dia – diz disto também, porque procurei, no ato, com meus olhos alguém e não encontrei-a entre as gentes. e no caminhar pelas ruas do centro, ao acaso, reencontrei velh@s companheir@s, que anteontem éramos tão familiares… e ontem memória…. e hoje, apenas acenos ao ar… tudo isto me causou este estranhamento.

somos essa eterna despedida… de mergulhos em seres e momentos, e no outro somos apenas superfície.

e a vida segue, com olhares, gestos, risos, gozos, angústias, lágrimas, sorrisos… acenos.

*

e pensei outra coisa… tentar reconstruir, simbolicamente uma imagem textual de cada companheir@ de ocupa.

ps#1: e depois do primeiro nome, da primeira tentativa… desisto… é tarde e a empreitada virará a madrugada e ainda será sempre fragmentada e incompleta. e que a nossa jornada coletiva neste mundo se faça de encontros, desencontros, extrañamentos, e reencontros… em outros atos, greves, reuniões, movimentos, festas, bares, manifestações…

amanhã tem ato, e por agora:

a greve continua!

#grevesemmedo. #grevederesistencia #grevehistorica.

ps#2: porque nessa volta para casa eu pensava também no partido… e por acaso me caiu na mão essa carta de Ho Chi Minh. trecho: «a nossa juventude em geral são bons, estão sempre preparados para se oferecer, sem temer as dificuldades, ansiosos pelo progresso. O Partido deve fomentar as suas virtudes revolucionárias e prepará-los para que sejam os nossos sucessores, tanto “vermelhos” como “experientes”, na construção do socialismo. A preparação e a educação das futuras gerações de revolucionários são de grande importância e necessidade.»

ps#3: numa quarta-feira, 29 de abril, eu chega na ocupação para somar com o movimento. hoje, numa sexta-feira, 29 de maio, o movimento desocupa a alesc, e eu já sou outra pessoa. foram 30 dias intensos que deixaram marcas profundas.

 

 

 

 

metá metá… sozinho.

[qui] 28 de maio de 2015

hoje é dia de voltar ao movimento.

***

na madrugada transcrevi do novo ep do metá metá – me passado pelo juniores – a letra da canção sozinho [composição: Douglas Germano].

sozinho eu chego bem mais tarde
sozinho eu nunca fui covarde
sozinho eu leio o meu jornal
sozinho eu pulo na geral
sozinho eu não vou sofrer

sozinho meu café é forte
sozinho se eu temesse a morte
sozinho eu faço a minha paz
sozinho todo amor é mais
sozinho eu nunca vou sofrer

eu nunca pedi nem um pouco a mais do que já mereço
e eu quis demais
eu não escolhi o que essa vida faz
mas sempre vivi do que se desfaz

sozinho, minha trilha é Blanc*

sozinho não tem quem me arranque
sozinho eu paro onde eu quiser
sozinho, chopp, gim, fernet
sozinho para não mais sofrer
sozinho acordo bem mais cedo
sozinho sem pensar em medo
sozinho, eu nunca estive só
sozinho todo mal é pó
sozinho, eu sei bem mais viver

eu nunca pedi nem um pouco a mais do que já mereço
e eu quis demais
eu não escolhi o que essa vida faz
mas sempre vivi do que se desfaz

sozinho eu leio o meu jornal
sozinho eu pulo na geral
sozinho eu não vou sofrer

sozinho eu faço a minha paz
sozinho todo amor é mais
sozinho eu nunca vou sofrer

sozinho eu paro onde eu quiser
sozinho, chopp, gim, fernet
sozinho para não mais sofrer

sozinho eu nunca estive só
sozinho eu todo mal é pó
sozinho eu sei bem mais viver

*Correção feita. “O verso correto é: ‘Sozinho, minha trilha é Blanc’ Se trata de uma reverência direta ao compositor Aldir Blanc”.

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PS: OUÇA: Luiz Tatit, “Rodopio” (2007)

 

off [on war]

[qua] 27 de maio de 2015

não para de chover lá fora.

dia 27 já – como voa o tempo…

rotina: dormir na maior parte do tempo. para o corpo recuperar o desgaste.

e madrugadas alienando-me no war online

estou sem nenhuma coragem para sair do lugar. morro um bocado por dia, cada dia que passo por casa.

sem vontade de responder ninguém.

off.

qual é o seu signo?

[ter] 26 de maio de 2015

meus horários estão ao avesso… é nas madrugadas que fico acordado.

domingo para segunda passei a madrugada acordado na ocupação… jogando war e depois conversando – de onde sai o título acima – e para finalizar a manhã, escrevi por aqui, desde lá. hoje, em casa… chovendo… com dificuldade de me resolver…

sai de lá pensando em te ligar ou deixar um recado. porque falei de você para algumas pessoas… porque entranhadamente você vai sempre estar bem profunda em mim. mas, como tenho sentido dificuldade de dar um passo… foi assim naquele última dia que estive ai, em sua casa, quando aprendi a jogar war… e tu me leu poemas de drummond… e tocou aquela melodia triste de mercedes sosa… e ai eu travei. sai pensando em só voltar quando tu me chamasse… mas dai pensei que tu esperava mais de mim e que tu também estava cheia de outras coisas acontecendo ao mesmo tempo… e ai pensei e pensei… e o tempo foi passando… e entrei em greve, e ai me isolei do mundo… e ai mergulhei na ocupação… e ai… que o tempo voa. e tenho pensando tanto tem ti nos últimos dias… mas me pergunto porque sou desta forma tão assim cheio de dificuldades de avançar e desencanar e ser mais aberto e carinhoso…

mas sou este homem instável. que mais machuca do que acarinha…

abaixo imagens do dia.

eu continuo em greve. e quando acho que estou melhor, vem um anjo triste perto de mim…

nos últimos dias da ocupação, talvez pela conjuntura política, eu senti uma baixa na auto-estima… foi uma semana muito desgastante… de vitórias e de derrotas. eu amadureci muito em poucos dias, mas ainda tenho minhas dificuldades… queria ser diferente… queria avançar e não recuar tanto em tão pouco tempo. preciso de uns dias só.

 

 

greve

ocupa

poltergeist

[seg] 25 de maio de 2015

do resto de domingo: dormi pela tarde inteira e lavei roupa pela noite.

da segunda-feira: não acordei com o despertador às quatro horas e perdi o primeiro ônibus. acordei as sete e me dei conta que não iria para lages. resolvi dormir mais. e pela tarde sai com izabel… fomos ao centro, comprei-lhe um tênis e visitamos a ocupação… apresentei ela ao professores e professoras que lá estão ocupando. depois fomos ao cinema. foi um dia bonito… matamos a saudade de nós.

e eu que não gosto de filme de terror…

amanheço na cidade….

[dom] 24 de maio de 2015

virando a madrugada na vigília… agora 7h04. escrevo desde alesc – assembleia legislativa do estado de santa catarina, na ocupa alesc pelos professores em greve. essa foi uma semana onde ocupei direto – dando apenas dois pulos em casa bem rápidos. foi uma semana bem intensa. desde as visitas nas escolas pelo comando de greve, pela febre que tive, passando por uma assembleia, num dia, e ato, noutro, na escola… e tantas reuniões, algumas lúdicas, outras tensas. e lá fora os carros passam… lá fora os pássaros cantam… lá fora, desta caverna, o dia começa.

e a greve continua.

ps: não venci uma partida de war na ocupa. mas de catan e castels já. sinto uma gratidão e uma prazer imenso por conhecer tantos lutadores… cada dia é uma nova pessoa… os dias são intensos. eu cresço. aberto as organizações e ao movimento. é bonito ver o amadurecimento dos sujeitos… é complexo observar o processo de luta.

ps: voltando para casa, pela tarde, pensei… nas pessoas e relações cá fora… vou dormir um pouco e quem sabe seja a hora de reatar contatos.

porecatu

[sáb] 16 de maio de 2015

Faz uma semana que estou doente. Partes podres de mim saem em quantidade absurda diariamente. Ainda estou ocupando a ALESC (Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina) como professor grevista. Não estou dormindo todos os dias por lá, pela minha condição física. Mas a cada dia por lá posso dizer que me aproximo e conheço um pessoa nova, um professor ou professora, que está em luta. E isto tudo… Tem me tornado um pessoa melhor. Mais corajosa. O poder do coletivo.

Houveram vários eventos importantes: uma assembleia estadual, que vencemos. E ontem, na escola, uma reunião com os professores… que perdemos. Onde a maioria dos professores, na escola, por omissão ou por convicção se posicionaram por ignorar a greve e voltar a sala, como se não houvesse greve ou problema alguma com a escola. Mas isto não desanima… Só dá mais convicção de que é necessário lutar. É necessário se organizar e lutar!

Abaixo, o poema, da contracapa do livro “Porecatu, a guerrilha que os comunistas esqueceram“, de Marcelo Oikawa. Presente que ganhei do Jornal Brasil de Fato.

«Quem se lembrará dos vencidos
que perderam a razão
e para quem a memória
não amima, nem distrai
ou consola?
E para quem as palavras só acodem
quando tudo é morto
ou mente.
Quem erguerá sua voz por eles,
quando nada mais é promessa:
tudo é urgência?

Poema intitulado “natal”, o livro “A Estrela Fria” de José Almino, poeta pernambucano.»

dialética da ocupação…

[qui] 7 de maio de 2015

 

Desocupei. Depois de uma semana mergulhado na ocupação, tirei um dia para repor as minhas forças. E cumprir alguns compromissos. Amanhã é retornar para ocupação e ver como vai tudo lá…

e além da solidariedade, das camaradagens, do trabalho pesado, da articulação política e das tarefas práticas… foi uma semana de profundo amadurecimento pessoal e político. algumas facetas adormecidas acordaram… E posso dizer que só me sinto vivo quando me movimento… e no exercício de análise diário da conjuntura, do movimento, tenho percebido vários furos, erros, mas algumas intuições e parte da análise tem se mostrada muito correta. vamos nos ferrar muito, enquanto categoria, mas há um acúmulo de força interessante, enquanto professores em luta, no cenário.

*

hoje também foi dia de ir ao emaj e dar inicio ao processo de inclusão no meu nome no registro civil de nascimento de maria izabel. de conversar com o adriano e de apaziguar certas coisas passadas. e me sinto como fechando um ciclo…

que foi de recuo, iniciado em 2009. de isolamento, de solidão… e que chega a um momento novo. voltar a militar de forma centralizada, registar minha filha… e me abrir a casa para o que vier.

*

colo abaixo, o texto que está aqui na prancheta perto do computador… que fala sobre  «as características do movimento matéria, ou seja, da dialética materialista. Por Wilham Reich.

1) “O princípio materialista trata da relação de determinação, a dialética é a essência do método, trata do movimento, da lógica sobre a qual o pensamento se estrutura para buscar compreender um fenômeno. O que interessa é captar o movimento: era, é… tende, a ser. Analisar objetivamente este movimento, suas passagens, como uma forma foi superada por outra que já anuncia a nova que virá de seu desenvolvimento. O importante desta analise objetiva é que a dialética não deve ser imposta ao fenômeno dialético, não é o pensador dialético que torna o fenômeno dialético, devemos buscar como o movimento próprio da coisa estudada evidencia a dialética.

2) “Toda forma traz em si mesma uma contradição, é uma união de contrários, amadurecem dentro desta forma até que o conflito entre os pólos da contradição não possa mais ser resolvido dentro dela”. A contradição interna destrói a forma antiga e gera uma nova.

3) “A nova forma não elimina a contradição, gera uma nova”. Tudo que nasce já traz em si o germe de sua própria superação. Por isso nada é eterno, só o movimento, tudo que nasce tende a desaparecer. O novo já traz em si o novíssimo, o “é” já traz o “tende a ser”.

4) “As contradições não são absolutas”. Dois pólos que se opõem como contrários estão numa relação de identidade. Um aspecto é ao mesmo tempo também o outro (causa/efeito, ação/reação, alto/baixo, qualidade/quantidade, etc.). Por este motivo num determinado ponto do processo uma coisa pode transforma-se no seu contrario.

5) “A forma como se resolve uma contradição, destruindo uma velha forma e gerando uma nova, não é boa nem má, mas sim necessária”. Como uma contradição era composta e como esta contradição se desenvolveu necessariamente até a superação evidencia, deve ser vista além de juízos valorativos. Mesmo porque aquilo que possibilitou o movimento pode vir a paralisá-lo.

6) O amadurecimento interno da contradição se dá progressivamente, mas se resolve por uma ruptura, um salto de qualidade. A contradição germina silenciosa e imperceptível e aflora abruptamente numa quebra de continuidade.

7) “Todo movimento, sucessão de formas, evidencia uma dupla negação, uma negação da negação. A primeira forma é negada pela segunda que é negada pela terceira gerando assim a aparente volta a primeira. No entanto nada retorna ao que era. A terceira forma reapresenta traços da primeira, mas traz em si também traços da segunda forma superada. Já não é mais nem uma, nem outra. O novo traz traços do velho, o velho já anuncia elementos do novo. A impressão de circularidade é apenas aparente, pois a última forma sempre reapresenta a primeira num patamar “ superior”. O movimento não é circular, mas em espiral”.»

ocupa alesc

[dom] 3 de maio de 2015

desde dia 29 estou ocupado na #ocupaalesc

e que saudade danada andava eu destes momentos intensos de luta e resistência coletiva. me sinto outro. um ser coletivo.

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