Archive for julho, 2015

concierto de aranjuez, segundo movimento.

2015, julho 31, sexta-feira

Concierto de Aranjuez (1939) – Joaquín Rodrigo – DRSO – Pepe Romero – Rafael Frühbeck de Burgos
1 Allegro con spirito
2 Adagio
3 Allegro gentile

***

no wikipédia diz-se sobre um adágio o seguinte:

Adágio (do italiano Adagio) é um andamento musical lento, por consequência composições musicais com esse tempo são conhecidas como adágios. O termo deriva de “ad agio” (comodamente). Costuma situar-se entre 66 e 76 batidas por minuto em um metrônomo tradicional, sendo, portanto, mais rápido que o Lento e mais lento que o Adagietto e o Andante. São comumente adágios o segundo movimento de um concerto e o segundo ou terceiro movimento de uma sinfonia.

Para saber mais do Concierto de Aranjuez e de Joaquín Rodrigo acessar seu sítio.

 

 

 

indivíduo: uma proparoxítona aparente

2015, julho 30, quinta-feira

Não irei para Joinville. Fukuta veio de visita. Não consigo ter saco para corrigir trabalhos de alunos… Estou no piloto automático. Abaixo dois recortes: daquelas dúvidas que sempre tenho de onde por o acento… mas que torna-se mais dúvida quando parte de outro para ti… porque o acento vai ali? e a outra questão é de anarco ramon sobre o que ando a compartilhar… mando-lhe em resposta, uma não resposta poetizada.

e no mais… estou a atrasar-me na vida. entre o não ir e o não poder ficar.

in·di·vi·du·ar (indivíduo + -ar)
verbo transitivo
1. Especificar, discriminar.
2. Narrar ou expor com individuação.

in·di·vi·du·a·ção
substantivo feminino
1. Particularização, especificação.
2. Singularidade individual.

in·di·ví·du·o(latim individuus, -a, -um, indivisível)
substantivo masculino
1. Qualquer ser.
2. Sujeito, pessoa (ex.: ele é um indivíduo pouco falador).
3. Ser humano.
4. Homem indeterminado (ex.: o crime foi cometido por um indivíduo com cerca de 30 anos).
5. Organismo único pertencente a um grupo.
6. Exemplar.

adjetivo
7. Que não se divide ou não se pode dividir (ex.: natureza indivídua, propriedade indivídua, património indivíduo). = INDIVISÍVEL, INDIVISO

***
e o poema para o ramon:

O poema essa estranha máscara mais verdadeira do que a própria face. Mario Quintana

ao branquinho pela inspiração

Ordem
ordem
ordem
ordem no recinto
é preciso esclarecer
ao mundo
que de tempos
em tempos
há tempos
infelizes neste mundo
e do poeta,
ou qualquer coisa
que o valha,
não há verbo
feito navalha
para cortar a carne
sobre a mesa…

O poeta despoetizado,
é só mais um na massa amorfa,
na mansa boiada que marcha,
Ele é um presente pedaço de carne
que alimenta esses aliens
da moral alienante
que sorvem seu sangue
que mastigam seus músculos
que trituram seus óssos
que devoram sua língua…

e que o devolvem despolitizado,
com as bandeiras da ordem
(ou da contra-ordem)

mas é preciso
ordem,
ordem,
ordem,
ordem no recinto…
é preciso iluminar,
é preciso esclarecer,
que a moral e os bons costumes
que a hipocrisia e o estrume
que demogogia e seu perfume
ainda vão nos convencer
que ser marginal é qualquer coisa
como padecer no limbo do paraíso…

e o texto triste
e o intelecto infeliz
e o panfleto de ordem
(ou contra-ordem)
pelo amanhecer
rememoram que o ser poeta
é só mais uma coisa incerta,
contraditória, precária, e amiúde,
que ora avança em sua juventude
ora recua na senilidade
e entre o lá e o cá, ora cala-se,
pendular num mundo caduco.

mas ao poeta não é dada a preferência
por essa ou aquela palavra
ao poeta só cabe sua condição
de não caber
de ser um anti-estado
diante do estado
e só pode, paradoxalmente,
quando não está amoldado

palavras frias, sem nenhum valor

2015, julho 27, segunda-feira

dos sábados fica o sono e o bate-papo. isto não é reposição… é outra coisa. não sei ainda…

dos dias de semana… fica a exaustão pelo trabalho acumulado, e das pessoas… fica o distanciamento.

e das contradições deste mundo… uma certa perplexidade pelo aceitação do abandono de uma ética humanizadora tão fácil por quase todos ao meu redor. o mundo é um lugar muito estúpido e violento.

sou, sinto-me, um marginal por lutar diariamente contra a opressão internalizada, em mim, e externalizada, pelos outros, nas relações cotidianas. eu luto para sobreviver em meio aos meus buracos, escombros, amputações. eu luto para sobreviver…

e estou num momento de muitas dúvidas.

bike? joinville? pagar contas? estudar?

e o tempo voa.

*

*

*

*

de tudo ficou nada.

apenas dois versos de Lupicínio, extraídos de uma fala de adriana calcanhotto.

«Eu comecei a cantar verso triste
O mesmo verso que até hoje existe
Na boca triste de algum sofredor
Como é que existe alguém
Que ainda tem coragem de dizer
Que os meus versos não contêm mensagem
São palavras frias, sem nenhum valor»

***

 «Ela disse-me assim:
‘Tenha pena de mim. Vá embora!’
E eu não tinha motivo nenhum
Para me recusar,
Mas, aos beijos, caí em seus braços
E pedi para ficar.
(…) E agora
Ela sofre somente por que
Fui fazer o que eu quis
E o remorso está me torturando
Por ter feito a loucura que fiz:
Por um simples prazer
Fui fazer meu amor infeliz.»