indivíduo: uma proparoxítona aparente

2015, julho 30, quinta-feira

Não irei para Joinville. Fukuta veio de visita. Não consigo ter saco para corrigir trabalhos de alunos… Estou no piloto automático. Abaixo dois recortes: daquelas dúvidas que sempre tenho de onde por o acento… mas que torna-se mais dúvida quando parte de outro para ti… porque o acento vai ali? e a outra questão é de anarco ramon sobre o que ando a compartilhar… mando-lhe em resposta, uma não resposta poetizada.

e no mais… estou a atrasar-me na vida. entre o não ir e o não poder ficar.

in·di·vi·du·ar (indivíduo + -ar)
verbo transitivo
1. Especificar, discriminar.
2. Narrar ou expor com individuação.

in·di·vi·du·a·ção
substantivo feminino
1. Particularização, especificação.
2. Singularidade individual.

in·di·ví·du·o(latim individuus, -a, -um, indivisível)
substantivo masculino
1. Qualquer ser.
2. Sujeito, pessoa (ex.: ele é um indivíduo pouco falador).
3. Ser humano.
4. Homem indeterminado (ex.: o crime foi cometido por um indivíduo com cerca de 30 anos).
5. Organismo único pertencente a um grupo.
6. Exemplar.

adjetivo
7. Que não se divide ou não se pode dividir (ex.: natureza indivídua, propriedade indivídua, património indivíduo). = INDIVISÍVEL, INDIVISO

***
e o poema para o ramon:

O poema essa estranha máscara mais verdadeira do que a própria face. Mario Quintana

ao branquinho pela inspiração

Ordem
ordem
ordem
ordem no recinto
é preciso esclarecer
ao mundo
que de tempos
em tempos
há tempos
infelizes neste mundo
e do poeta,
ou qualquer coisa
que o valha,
não há verbo
feito navalha
para cortar a carne
sobre a mesa…

O poeta despoetizado,
é só mais um na massa amorfa,
na mansa boiada que marcha,
Ele é um presente pedaço de carne
que alimenta esses aliens
da moral alienante
que sorvem seu sangue
que mastigam seus músculos
que trituram seus óssos
que devoram sua língua…

e que o devolvem despolitizado,
com as bandeiras da ordem
(ou da contra-ordem)

mas é preciso
ordem,
ordem,
ordem,
ordem no recinto…
é preciso iluminar,
é preciso esclarecer,
que a moral e os bons costumes
que a hipocrisia e o estrume
que demogogia e seu perfume
ainda vão nos convencer
que ser marginal é qualquer coisa
como padecer no limbo do paraíso…

e o texto triste
e o intelecto infeliz
e o panfleto de ordem
(ou contra-ordem)
pelo amanhecer
rememoram que o ser poeta
é só mais uma coisa incerta,
contraditória, precária, e amiúde,
que ora avança em sua juventude
ora recua na senilidade
e entre o lá e o cá, ora cala-se,
pendular num mundo caduco.

mas ao poeta não é dada a preferência
por essa ou aquela palavra
ao poeta só cabe sua condição
de não caber
de ser um anti-estado
diante do estado
e só pode, paradoxalmente,
quando não está amoldado

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