Archive for setembro, 2015

faca amolada

[qua] 30 de setembro de 2015

agora não pergunto mais aonde vai a estrada. / agora não espero mais aquela madrugada. / vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser, faca amolada. / o brilho cego de paixão e fé, faca amolda. / deixar a sua luz brilhar e ser muito tranqüilo. / deixar o seu amor crescer e ser muito tranquilo. / brilhar, brilhar, acontecer, brilhar, faca amolada. / irmão, irmã, irmã, irmão de fé, faca amolada. / plantar o trigo e refazer o pão de cada dia. / beber o vinho e renascer na luz de todo dia. / a fé, a fé, paixão e fé, a fé, faca amolada. / deixar a luz brilhar no pão de cada dia. / deixar o seu amor crescer na luz de todo dia. / vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser muito tranquilo.  / o brilho cego de paixão e fé, faca amolada. // Composição: Milton Nascimento / Ronaldo Bastos

Na interpretação de:

Milton Nascimento e Beto Guedes

Doces Bárbaros (Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil)

E agora a belíssima versão de Lenine ,que me fez anotar/escrever esta postagem:

***

e sobre o que vai cá dentro… estou exausto hoje… talvez o excesso de preocupações políticas, a sobrecarga de trabalho pedagógico, o dia de ontem com as marias… e eu não queria existir hoje.

talvez essa leve melancolia tenha alguma influência das músicas do angatu, «E encontro meu olhar perdido Sem saber pra onde olhar Procurando no horizonte Um caminho pra te achar»… e as memórias que as canções iluminam na escuridão que é o teu ser. talvez seja essa solidão.

e estou escrevendo um poema sobre o silêncio do homem. até agora nenhum linha dele conseguiu brotar… e honestamente não sei porque…

***

mas sentei e escrevi isto aqui [que está em desenvolvimento… com certeza voltarei a reescreve-lo. mas deixo para outra hora… agora tenho que preparar as minhas aula de hoje.]

exercício sobre o silêncio magmático

o homem quando salta
para dentro do corte
percebe que a leve pele
vermelha e negra envolve
o que à vista desarmada
é todo inteiro…

saca então,
que lá no fundo,
por dentro da carne viva,
o peito é feito
de cristais de vidro.

seus olhos contemplam
a aridez e o amargo
de ser como um rochedo
duro e triste,
que as lágrimas da chuva,
ora finas,
ora desatinadas,
vão lapidando,
dia pós dia…

e há milhares de anos
imóvel e incomunicável
segue ali exposto
memória do magma vivo
que no oxigênio do tempo
arrefeceu e restou monumento
onde se reza em silêncio.

benjamin, e o eclipse da superlua vermelha

[dom] 27 de setembro de 2015

27/9/1940 – Walter Benjamin.benjamin-cardMemorial_Walter_Benjamin_Portbou_002

Memorial em Portbou] 

 

***  a última combinação de um eclipse lunar e uma superlua foi em 1982.

the leafless orchard

[qui] 24 de setembro de 2015

uma tradução para o inglês de um poema de Mehdi Akhavan Saless

My Orchard
The cloud with its cold and damp skin
Has embraced the heaven tightly;

The leafless orchard
Is alone day and night
With his pure and sad silence.

His lyre is rain and his song is wind,
His garment is of nudity cloak,
And if another garment it must wear,
Let his Warf and woof be woven by golden ray.

It can grow or not grow, wherever he wants or doesn’t want;
There is neither a gardener nor a passerby.
The depressed orchard
Expects no spring.

If his eye sheds no warm luster
And on his face no leaf of smile grows,
Who says the leafless orchard is not beautiful?
It relates the tale of fruits raising their heads to the heaven, and now lying in the base coffin in earth.

The leafless orchard,
His laughter is tearful blood,
Mounted for ever on his wild yellow stallion,
It roams in autumn, the king of seasons.

extraído do filme de hoje: a cópia fiel.

hoje tem assembleia na escola… devia estar preparando os slides para apresentar para os pais e estudantes… mas estou aqui… pesquisando sobre um poeta iraniano. este sou eu.

la mato y aparece una mayor

[qua] 23 de setembro de 2015

fui dormir quase duas horas antes da primavera¹ chegar. acordei aproximadamente uma hora e meia depois. revolto num sonho/pesadelo. sonhava com serpentes² sob meus pés. e ai acordei e não consegui dormir mais do que essas três horas e pouco. estou atordoado, mas lotado de tarefas para hoje.

as serpentes, metaforicamente, me esperam na escola… nesse processo de disputa do currículo, que passa pela construção das entidades democráticas, da cultura de participação, do movimentos sociais. mas elas me esperar também no meu cotidiano, nestes medos e nestas dores que me devoram… que me paralisam.

engraçado é que se eu rememorar o que pensei nesta semana que passou… o maracatu, e os elementos de misticidade e religiosidade africanas, mercedes sosa, o processo de articulação para construção da assembleia na escola… toda essa tensão, as disputa com a direção… está tudo ali no roteiro do fragmento do sonho/pesadelo que ficou após ter acordado no meio… e o segredo, que o sonho/pesadelo revelava era… não é matar a cobrar, mas compreender como elas são perigosas e como devemos lutar contra elas.

¹ O Início da Primavera 2015 começa às 5h20 (sem horário de verão) do dia 23 de setembro de 2015; e termina dia 22 de dezembro de 2015.

² Sueño con serpientes, /con serpientes de mar, /Con cierto mar, /ay, de serpientes sueño yo/Largas, transparentes, y en sus barrigas llevan / Lo que puedan arrebatarle al amor / Oh, la mato y aparece una mayor / Oh, con mucho más infierno en digestión. / No quepo en su boca, me trata de tragar / Pero se atora con un trébol de mi sien. / Creo que está loca; le doy de masticar / Una paloma y la enveneno de mi bien. / Ésta al fin me engulle, y mientras por su esófago / Paseo, voy pensando en qué vendrá. / Pero se destruye cuando llego a su estómago / Y planteo con un verso una verdad. // Oh, la mato y aparece una mayor // Composição: Silvio Rodriguez.

Hay hombres que luchan un día / Y son buenos. /  Hay otros que luchan un año / Y son mejores. / Hay quienes luchan muchos años / Y son muy buenos. / Pero hay los que luchan toda la vida: / Esos son los imprescindibles. / Bertolt brecht //

um homem chora

[ter] 22 de setembro de 2015

título: exercício sobre o trem (ou um homem chora)

um vagão após o outro
de quadro a quadro
como um fotograma
que grava na retina
as lágrimas alheias,
os pássaros em bando,
essa gente amontoada,
esse caminho que se esvai no tempo…

o poeta, co’o corpo espremido,
e o peito apertado entre
tantas gentes e destroços…
imprime verbo a verbo,
em cada gráfico signo,
um sentido nesse movimento
de partidas e chegadas…

extraí o sal de prata,
e o que fica retido,
o que torna a película
ocular sensível…

é o instante em que:
na última hora do sol,
pelo janela,
um bando avoa
borrando o arrebol.

e ao acaso,
deste ocaso,
do outro lado,
no último vagão do trem,
(só, e entre tantos,)
um homem chora.

22/julho – 22/setembro.

a coleira do cão

[sáb] 19 de setembro de 2015

um sábado diferente. um bom café, um papo e um planejamento matutino. um almoço delicioso no parque, com fundo de maracatu… e contatos com a cepagro e chuva para fechar o dia.

o título é do livro do rubem fonseca. emprestado e lendo. e o barato foi que ele me remeteu ao poema que fiz na semana passada…

notas:

“eu vou para luanda… vou quebrar saramuná!”

http://blocodepedra.maracatu.org.br/noticias/vocabulario-de-maracatu/

http://quebrabaque.blogspot.com.br/p/nossas-loas.html

as vezes é preciso sair da zona de conforto e peregrinar. narrar as dores… e ver que o mundo tem mais cores. mas eu me sinto ainda uma criatura muito triste. um ser só, porque a solidão é algo lá do fundo… imensurável.

hushpuppy

[qua] 16 de setembro de 2015

sem palavras.

zona de respiro

[dom] 13 de setembro de 2015

dezoito e vinte e sete… os pensamentos giram, e na rádio toca sérgio britto e rita lee, purabossanova… e nos primeiros acordes me deu uma vontade de chorar, assim… só para vazar isto que vai dentro de você.

e aquela questão: por que as vezes é tão difícil respirar?

 

gaia piá e a canoa de guapuruvu

[sáb] 12 de setembro de 2015

madrugada [1h31]

http://educantes.blogspot.com.br/2005/09/eu-gosto-e-no-gosto-da-minha-escola-so.html

manhã [11h48]

atenção para a lição do dia: não se dobre demais… você pode não conseguir levantar depois.

tangram

[sex] 11 de setembro de 2015

2h01′ vamos jogar? mentira, vou dormir… acordar cedo, para mais um dia de formação. ontem gastei demais… comida, um tangram de madeira (na única banca que tinha sentido na feira do congresso comercial-educacional) e a reprodução do bourdieu e passeron, e currículo, território em disputa, do arroyo (eu e esse vício, essa compulsão por livros).

2h04′ e eu só estou acordado e escrevendo aqui é porque descobri que fecharam o janela de por notas no sistema do professor online, e eu não preenchi as notas bimestrais de três turmas. espero não me incomodar com isto. mas enfim… respirar, relaxar, apagar, porque é preciso acordar cedo logo mais para um longo dia de formação.

6h56′ a secretária irá abrir pela noite. primeira noticia boa da manhã. e tomo meu mate e me organizo… mais um dia longo pela frente…

notas do dia:

[preencher aqui com – transcrever  – as notas, ideias e pontos do dia… fazer quando der]

***

Um Salve ao camarada Salvador Allende! Resistir, Resistir sempre!

Dia também que me faz lembrar de outro ser humano importante nesse cenário histórico… Aniversário de nascimento de Theodor Adorno.

%d blogueiros gostam disto: