Archive for novembro, 2015

je ne sais quoi

[sáb] 28 de novembro de 2015

eu não sei ao certo… mas…

aprendo algo importante. algo que ser mais gente… ser um tanto, pouquinho ainda, diferente.

há uma pilha de notas para por no sistema. há dias para cumprir tabela… há sábados para repor… mas o que importa é que há sonhos, desejos e gestos. os monstros continuam aqui me habitando, mas aos poucos resisto… insisto. há que se caminhar rumo ao instante em que eu me perceba diferente… há que se caminhar… porque tudo pode cessar, extinguir, terminar…

e para inspirar… um reflexão de silvio pedrosa:

“O COMPROMISSO BÁRBARO

Numa conversa com Michel Foucault em 1972, Deleuze disse: “se as crianças conseguissem que fossem ouvidos seus protestos (…) isso bastaria para ocasionar uma explosão no conjunto do sistema de ensino”. Foi essa a epígrafe do plano de estudos que apresentei recentemente à seleção do mestrado. Meus alunos talvez não saibam (alguns agora saberão), mas todos os dias quando saio de casa, estou mais interessado neles do que em ensinar-lhes ‘história’. Cumpro a função prescrita pelo estado (como eles bem sabem de tanto ler e escrever sobre os assuntos do currículo), sofro do mesmo stress que meus colegas com a ‘indisciplina’ de muitos deles, mas nunca deixo o terreno da pesquisa — de uma certa etnografia, talvez — quando convivo com eles em sala (e talvez por isso seja um recordista de notificações e chamada de responsáveis). Essa co-pesquisa talvez me diga se estou certo, mas desconfio de forma otimista que nessas crianças e jovens (na sua figuração enquanto encarnação de uma alma comum à infância e à juventude) haja uma potência radical capaz de produzir outras formas de viver consigo e em comum.

As escolas em que trabalhamos tantos de nós, com afinco e dedicação, não são compatíveis com essas crianças e jovens e a escuta atenta ao que eles tem a dizer são capazes de explodir o conjunto do sistema de ensino estruturado, pelo menos, nas nossas cabeças. Para toda indisciplina há uma pedagogia professoral. Para todo mau aluno há uma ordem de disciplinas e saberes imposta de cima pra baixo. Para toda sala desorganizada há uma arquitetura educativa do século XVI. Pois para toda barbárie há um espelho civilizador que não se reconhece na sua própria criatura.

Quando vejo as escolas de São Paulo transformarem-se em usinas de produção de outra educação, experiências de (auto-)formação que não são simulacros de autonomia (programada), noto que mais do que um grande evento político, trata-se apenas da superfície quente e brilhante de um magma que corre subterrâneo e que subverte todos os dias uma educação imposta de cima pra baixo seja pelas indisciplinas e mesmo violências com que nos defrontamos – policiais que somos, nós professores -, e resta reforçada em mim a urgência em se recuperar a escola como lugar de tempo livre (a skholé grega) – tal como já o disse Jan Masschelein -, como terreno capaz de fecundar iniciativas de democracia para além da estrita igualdade, construindo autonomia real no trato com os saberes e as práticas do mundo. A escola como lugar de desobediência aos imperativos dos aparelhos de captura que nada produzem.

O trabalho de toupeira, que os teólogos da revolução esperam como os preparativos do juízo final que antecede a entrada no reino dos céus, mudou tanto que mais do que fazê-lo, as esquerdas não sabem sequer mais identificá-lo (e correm a recobrir a organizada rebeldia do estudantes com suas marcas e símbolos). Apenas um ‘compromisso bárbaro’ (como o que propôs Guattari num texto sobre a subjetividade maquínica) com essas crianças e jovens (bem como outras figuras do ‘devir-universal da juventude’) pode sustentar uma oposição real ao abismo que nos cerca. “É claro que nada disso está ganho!”, ressaltou Guattari nesse mesmo texto. Mas o que é que já esteve ganho para nós, os malditos?”

doidos e doídos

[ter] 17 de novembro de 2015

7h19…

uma dor no peito
uma angustia
um sensação de que algo acontecerá
e não se sabe o que é.

nível de estresse e ansiedade: monstro.

***
há dias em que me canso deste mundo.
nesta semana… estive cansado.
e é apenas uma terça, pela manhã.
que vontade de chorar… que vontade de desistir de tudo.

deste tudo que é o pouco que me sobrou. mas no fundo é isso. é só isso mesmo. esse pouco… que as vezes basta. que noutras não. que as vezes parece uma corrida cega para lugar nenhum… noutras é a paisagem do momento. no fundo é isso… é só isso mesmo. esse pouco. esse quase nada.

essa porção de solidão que transita por ai, e que não se entrega. o peito vai com defeito.

8h38…

entre um espirro pela alergia dessa vida, o amargo do mate… a lista das coisas por fazer no dia… na vitrola, trocando likes, um cadinho de iorc.

“E só o tempo só
Pra descobrir
Se a liberdade
É só solidão
E só o tempo
Só o tempo”

 ***

20h35 editando…

dor de cabeça, antialérgico… cama.

e na vitrola:

miró: a força da matéria

[sáb] 14 de novembro de 2015

fragmento de uma selfie num mirofragmento de uma selfie num miró.

e a força da matéria.

escrever sobre a impressão que senti ao visitar a exposição do miró no cic neste sábado. sai provocado, instigado e profundamente ‘tocado’ por sua intencionalidade e pela beleza profunda de algumas de suas peças.

ps: tenho dificuldades de sair para eventos culturais [talvez por cultural-economicamente pertencer a classe trabalhadora precarizada, onde a ideia de museu, teatros, cinema e afins não seja muito presente], mas todas as vezes que ousei, meio que sozinho [e eu sempre me sentindo um outsider aos grupos] … senti reavivar uma profunda curiosidade pelo mundo… a arte é foda.

e hoje, sábado de reposição de aula, com três alunos que se interessaram… fomos à sepex. uma vitória [tenho dificuldades com compromissos e responsabilidades… ]… propor algo diferente, assumir a responsa de coordenar, e ir… pena que a galerinha não topou ampliar o passeio e ir até o cic pra ver o miró. mas fui mesmo assim, solito, para não perder a oportunidade… e o saldo de tudo isto foi… me apaixonei pela ousadia de miró.

enfezei.

[qui] 12 de novembro de 2015

enfezei.

hoje não foi um bom dia.

enrolei-me e as coisas parecem que empacaram.

senti-me um bosta. as aulas não funcionaram… eu perdi tempo demais fazendo qualquer coisa sem sentido… estou com num misto de cansaço e chateação raivosa. nada faz sentido… estou um tanto chateado comigo por chegar neste estado. devendo muito, ganhando mal… ministrando umas aulas de bosta… vivendo uma vidinha bem mortalmente entediante.

e acho que daqui a pouco, depois desse estresse… vou chorar um bocadinho porque vai, já estou, chegou… aquela tristeza.

***

enquanto isto na sala de papéis amontoados esperam a hora de virarem código binário uma montanha de rabiscos feitos entre os dias quatro e sete. aliás, dias muito produtivos e significantes, em termos de contatos e desenvolvimento de projetos. pena que é assim, cinco dias de produtividade máxima… e uma mês de cansaço, tristeza… procrastinação.

em processo…

[qua] 11 de novembro de 2015

e de repente o sono se foi e só restou essa confusão de pensamentos.

90% do meu tempo no piloto automático…

e nos dias quatro, cinco, seis e sete fiz uma porção de exercícios de poesia… mas a preguiça de registrá-los aqui é enorme… e talvez eu ainda não sinta vontade de expô-los porque todos estão no calor da hora e estão em processo…

 

 

um haikai sobre a grade e outros poemas…

[dom] 8 de novembro de 2015

o anti abrigo da grade
abriga o pássaro
sem árvore.

santo antônio de lisboa 7.11.2015

***

ps: quando encontrar a folha que pus os outros poemas, transcrevo para cá.

como quem aquece a água sem deixar ferver…

[sáb] 7 de novembro de 2015

5h55. Como quem aquece a água sem deixar ferver…

Ilex Paraguariensis – Humberto Gessinger

a linha fria do horizonte

[qua] 4 de novembro de 2015

2h44 depois de três dias sem fazer absolutamente nada. deixando o tempo se amontoar pelos papeis no chão, sobre a mesa, na pilha de roupa suja, no desarrumar da cama, na solidão diária das madrugadas sem dormir e dos dias dormidos que passam diretos… eu não fiz nada, nem sequer cogitei pensar – vegetei, da cama para tv para o pc para cama. e agora, ouvindo victor ramil e marcos suzano, e diante de mais uma madrugada acordado… já pressentindo aquela pressão que amanhã chegara com aquela angustia de sentir que falta tempo para fazer tudo que é preciso… eu anoto qualquer coisa aqui… porque do silêncio, em que vivi, e vivo, é necessário fazer um tempo e logo mais será preciso falar qualquer coisas que faça sentido… mas sabe, disso tudo… a constatação que oscilo, assustadoramente, entre crer na possibilidade de mudar o mundo, e, sobretudo, a mim mesmo… amar, lutar, resistir… e estes dias assim… que não creio em nada… e a gente pergunta: por que se vive? para quê? nestes dias o mundo é pesado demais que nem consigo respirar. meu silêncio vem dessa impotência.

e a poesia minha dessa era glacial, congela(-me)-se.

ouço victor ramil.

01 – Livro Aberto (00:00)
02 – Invento (04:58)
03 – Viajei (08:15)
04 – Que Horas Não São? (12:43)
05 – O Copo e a Tempestade (16:33)
06 – A Zero por Hora (18:41)
07 – 12 Segundos de Oscuridad (22:25)
08 – A Ilusão da Casa (25:43)
09 – Café da Manhã (29:58)
10 – A Word Is Dead (34:52)
11 – Astronauta Lírico (36:23)

14h36 Acordei as 10h… Não levantei. Esperei Izabel aparecer, levantei, fiz almoço… Almoçamos, eu e minha filha. Ela foi para escola e voltei para cama. As duas tomei coragem e levantei… Fiz meu mate e agora, relutante, tomo coragem para começar a preparar as aulas e materiais de hoje. Paulo falou que vem de visita, talvez hoje… Preciso limpar isto aqui… E essa chuva… E esses dias. E, veio um pensamento positivo… Em vários momentos, depois de dias assim de tédio, a escola me anima… É só sair, movimentar, andar, encontrar pessoas, trocar ideias… As coisas melhoram. E esse cinza não fica tão cinza assim. E agora um canção de Lenine para refletir sobre a vida:

Do alto da arrogância qualquer homem
Se imagina muito mais do que consegue ser
É que vendo lá de cima, ilusão que lhe domina
Diz que pode muito antes de querer
Querer não é questão, não justifica o fim
Pra quê complicação, é simples assim

Focado no seu mundo qualquer homem
Imagina muito menos do que pode ver
No escuro do seu quarto ignoro o céu lá fora
E fica claro que ele não quer perceber
Viver é uma questão de inicio, meio e fim
Pra quê a solidão, é simples assim

É, eu ando em busca dessa tal simplicidade
É, não deve ser tão complicado assim
É, se eu acredito, é minha verdade
É simples assim
E a vida continua surpreendentemente bela
Mesmo quando nada nos sorri
E a gente ainda insiste em ter alguma confiança
Num futuro que ainda está por vir
Viver é uma paixão do inicio, meio ao fim

Pra quê complicação, é simples assim
É, eu ando em busca dessa tal simplicidade
É, não deve ser tão complicado assim
É, se eu acredito, é minha verdade
Eu vivo essa paixão do inicio, meio ao fim
Pra quê a solidão, é simples assim
Eu vivo essa paixão do inicio, meio ao fim
Pra quê complicação, é simples assim

Compositor: Lenine, Dudu Falcão

16h05 … a vida bruxólica…

cul-de-sac

[ter] 3 de novembro de 2015

um estalo.

é hora de voltar… estou há dez dias… e principalmente nestes últimos três dias e meio indo em direção a lugar nenhum… apenas um corpo em movimento¹, no ponto-morto, ladeira abaixo… mas ali na frente há um cul-de-sac e há de ser fazer um balão, engrenar qualquer marcha, e voltar..

mas voltar pra onde meu bem?!

¹  e isto de movimento depende de onde você está olhando.

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