Archive for março, 2016

contrarrelógio

[seg] 28 de março de 2016

4h20′

e o feriado perdeu-se numa maratona com o mestre marco polo; dublai khan, o khan dos khans; e sifu, o cem olhos…

mas agora, poucas horas antes de voltar para a rotina… 10hs.

  1. plano de ensino
  2. planos de aula (3 – estados socialistas; 1 – augusto comte e o positivismo; durkheim e o método funcionalista; 2 – cultura e antropologia – do evolucionismo social ao estruturalismo; 3 – mulheres invisíveis e o feminismo.
  3. reunião conselho deliberativo
  4. tarefas de casa.

8h22′

“Na experiência do absurdo, o sofrimento é individual. A partir do movimento da revolta, ele ganha a consciência de ser coletivo, é a aventura de todos. O primeiro avanço da mente que se estranha é, portanto, reconhecer que ela compartilha esse sentimento com todos os homens, e que a realidade humana em sua totalidade, sofre com esse distanciamento em relação a si mesma e ao mundo. O mal que apenas um homem sentia torna-se peste coletiva. Na nossa provação diária, a revolta desempenha o mesmo papel que o cogito na ordem do pensamento: ela é a primeira evidência. Mas essa evidência tira o homem da solidão. Ela é um território comum que fundamenta o primeiro valor dos homens. Eu me revolto, logo existimos.”  Albert Camus, O homem revoltado, 1996 [1951], p. 35.

15h28”

 
«Solidão, que poeira leve / Solidão, olha a casa é sua / Na vida, quem perde o telhado / Em troca recebe as estrelas / Pra rimar até se afogar / E de soluço em soluço esperar / O sol que sobe na cama / E acende o lençol / Só lhe chamando / Solicitando / Solidão, que poeira leve / Solidão, olha a casa é sua / O telefone chamou / Foi engano / Solidão, que poeira leve / Solidão, olha a casa é sua / E no meu descompasso o riso dela / Se ela nascesse rainha / Se o mundo pudesse aguentar / Os pobres ela pisaria / E os ricos iria humilhar / Milhares de guerras faria / Pra se deleitar / Por isso eu prefiro cantar sozinho / Solidão, que poeira leve / Solidão, olha a casa é sua / O telefone chamou, foi engano / Solidão, que poeira leve / Solidão, olha a casa é sua / E no meu descompasso passo o riso dela / Solidão…» TOM ZÉ
. ..
a cabeça dói. dormi demais/de menos. não terminei nada. nem comecei direito.  e que mania é essa de querer entrar em desespero…

o homem duplicado

[sáb] 26 de março de 2016

aquela aranha enorme… e «o caos é a ordem ainda indecifrada»

***

«quando esta atividade interna é cortada de repente, e você se encontra sozinho, na escuridão, é como… não esperava por isso. do que se trata? o que farei de agora em diante? eu acredito que nós controlamos nosso ambiente… ahhmm, vejamos, bem… na maioria das vezes, controlamos nosso ambiente, decidimos ir a algum lugar. mas uma vez que nos estabelecemos, eu acho que o nosso meio-ambiente começa a cobrar da nossa personalidade e dos hábitos e da maneira como pensamos no dia a dia. Somos criaturas sociais e precisamos interagir com outras pessoas… é por isso que nossos relacionamentos são tão importantes, tão cruciais para a nossa existência. porque se você não falar com ninguém, não interagir com ninguém, seu próprio senso da realidade fica muito distorcido.» 25’45” – 26’58”  220px-Angels_&_Airwaves_-_Love_film_posterLove (2011) 1h24min Drama, Sci-Fi. Diretor: William Eubank

***

outros filmes visto na maratona… chuva, cama, chocolate…

 

 

 

MoonPoster

Moon (2009) Reino Unido 1h37 min. Drama, Sci-fi.
Diretor: Duncan Jones

 

 

 

 

 

 

downloadThe Imitation Game
(2014)
1h54 min. Drama.
Diretor Morten Tyldum

 

 

 

 

Mission_to_Mars

Mission to Mars (2000) 1h54 min. Drama.
Diretor Brian De Palma

 

 

 

 

 

 

download (1)

The Age of Adaline (2015) Drama/Romance/Fantasia. 1h50min. Diretor Lee Toland Krieger

 

 

 

 

 

098358

 

Enemy – O Homem Duplicado (2013) Suspense. 1h30 min. Diretor: Denis Villeneuve

***

e parece que a chuva vai passar…

ato, atalho e vento…

[qua] 23 de março de 2016

coisas para ver…
Baraka [Ron Fricke, 1992]
e
http://atoatalhoevento.com/

exercício aos vestígios do prazer na memória

[seg] 21 de março de 2016

madrugada, 2h52

porque nossa memória é tão seletiva? vi um fragmento de vídeo e brotou em minha mente algumas memórias tão intensas de coisas já vividas e outras coisas tão simples e delicadas percebi que esqueci…

e desse estranhamento percorri duas horas fabricando um poema. poemas são produtos que nascem de algum estranhamento… este vem dos vestígios de prazer contidos na memória. ou da fragmentação e esquecimento…

exercício aos vestígios do prazer na memória

entre teu nome
e tua face de mulher,
a memória trai o ser insaciável.
e o tempo seca
o corpo sedento
do homem qualquer e ordinário.
mas na saliva e na saudade
o poema narra-se
em vestígios de um prazer
profundamente sentido
no teu sexo quente e úmido
deslizando vertiginosamente
sob meus dedos ásperos
que vão e voltam,
em flashbacks,
de um tresantontem,
noturno encontro juvenil,
ou numa manhã, de casamento real,
estirado sob um colchão surrado,
num frenético gozo casual.
mas amnésico e nu,
há tempos percebi
que tua boca
havia sido borrada
e que meus pelos
já não recordavam
a eletricidade de tua pele
deslizando voluptuosamente
sobre os poros meus…
como posso esquecer
a textura do teu sexo
e o gosto ácido e salgado
nos músculos intrínsecos
de minha língua?
como posso olvidar
o encontro de nossas curvas,
os gemidos pela rua
ou ao pé do ouvido,
e o interpenetrar tenso
que engolia meu corpo dentro do seu?
como posso desgravar
o tumulto devastador
que o mergulho nos olhos,
corpo sobre corpo,
podiam produzir,
devorando até o âmago?
e o arrepio desvairado quando
dos dentes encravados
por toda a carne?
como posso destramar
a tecitude de tua pele
sob minhas mãos suaves em sua face
ou seguras em teu corpo
descontroladamente extasiado
enquanto tragavas-me?
como teu nome, teu corpo
e tua face extinguiram-se,
assim mansamente?
e de nossos encontros
restaram apenas esses vestígios,
ruínas de um tesão
e de uma delusão?

exercício sobre uma palavra-ônibus (ou sobre o abraço de despedida que não te dei)

[sex] 18 de março de 2016

exercício sobre uma palavra-ônibus (ou sobre o abraço de despedida que não te dei)

bacana
me transportas para outro lugar

me chamas.
irás partir.
te despedes deste ser
que não sabe se despir
dessa formalidade –
armadura de resistir ao existir.
que dos laços ao deslaço…
prende-se em nó
um ser sem abraços
que não sabe dizer
que tua partida,
fara-me sentir
uma falta desmedida…

***

apenas te digo
és uma pessoa bacana
e me despeço
te desejando sucesso

***

mas guardo um poema
que narrará, absorto, entre os sentidos metafóricos
da lunfarda palavra-ônibus: bacana
e o abraço de despedida que em ti
não dei
e extrañarei.

fragmentar essas sessões de elefante

[qui] 17 de março de 2016

1h48

madrugada. cabeça doendo… garganta inflamada… e aquela vontade de não ir trabalhar amanhã. o tico e o teco estão confabulando e, fora a ressaca moral que virá no pós falta, está quase decidido que não me submeterei a essa privação de sono que é ir dormir as 2h, se tudo der certo, e acordar as 4h30, para finalizar todas as aulas de amanhã… e ir para uma jornada de 15 aulas, das 7h50 até 22h05. e retornando para casa quase sexta-feira lá pelas bandas da meia noite e pouco.

o que me ferra é esse improviso. nada fica do jeito que deve ser e fico me achando uma fraude… mas é preciso tempo para organizar… e, sobretudo, tempo para respirar.

pontos para ponderação: ontem, quando ia para escola, o sentimento era uma alternância frenética de frustração, raiva, apatia, exaustão – uma vontade de não ir. e pela noite, quando voltava, após a reunião… havia uma certa luz no fim do túnel… mas no pisca a sinalização que para as coisas fazerem sentido é preciso organizar, e para organizar é preciso tempo… tempo de agir e tempo de relaxar.

 

2h19 relendo o texto acima… e aquela conclusão: minha vida virou isto? trabalho-rotina. a escola-prisão e pequenas fugas sem sentido? cadê o amor? a paixão? os sonhos? sim… há projetos e para atingir esses projetos é necessário certos sacrifícios… mas será só sacrifício essa vida? porque esse auto-exílio? essa autoflagelação?

2h39 pensei em você, e tive medo de mim. melhor ir dormir…

 

sentimento do mundo

[qua] 16 de março de 2016

há um cansaço indizível.

uma vontade de fuga…

nem as janelas da semana me libertam. nem os planos traçados… pois isto que sinto é de outra ordem… mistura a dor do corpo inflamado e doente ao sonho dilacerado e impotente. estou quase triste, meio morto: exausto.

apenas colo um poema do camarada drummond,

de carlos drummond de andrade, sentimento do mundo, poema homônimo ao seu livro de 1940.

«Sentimento do mundo Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo, mas estou cheio de escravos, minhas lembranças escorrem e o corpo transige na confluência do amor. Quando me levantar, o céu estará morto e saqueado, eu mesmo estarei morto, morto meu desejo, morto o pântano sem acordes. Os camaradas não disseram que havia uma guerra e era necessário trazer fogo e alimento. Sinto-me disperso, anterior a fronteiras, humildemente vos peço que me perdoeis. Quando os corpos passarem, eu ficarei sozinho desafiando a recordação do sineiro, da viúva e do microscopista que habitavam a barraca e não foram encontrados ao amanhecer esse amanhecer mais que a noite.»

 

mais um coelho da cartola?

[seg] 14 de março de 2016

por um triz pra achar tudo uma bosta… mas aí vem a consciência e diz: “não se desacredite… segure a onda, as coisas hão de clarear depois que as nuvens imensas e essa garoa persistente… passarem. e o que fazes é o que podes neste instante -nada menos nada mais. não invente a roda. nem tenha a pretensão de supor que podes inventá-la neste instante. acredite na mágica… pois ainda há cartolas”.

**

e do papo da sala da/os prof: esses suicidas aparentes escandalizam mais do que os suicidas iminentes? e sociologicamente ponderando… como esse tabu é presente. e como são todos estranhos… os suicidas e os normatizados. ou sou eu que não sei bem ainda qual é meu lado?

**

e desses dias que me ronda a vontade de poesia… penso em poemas eróticos e alguns pornográficos. sinto falta de foder… trocava toda língua escrita pelo gosto do seu sexo em minha língua, e o peso do seu corpo sobre o meu… nu em pelo, grudando como sal, suor e porra. gozando essa sede infinita.

**

mas toda sorte de poemas se esvaem, fracassam ante a ausência da inspiração vital… da existência da musa!? do olho no olho, do desejo da boca, do abraço apegado… o que fazer? quando se nega o tesão do amor tenso e desvairado, e pulsar da dor latente pelos desencontros… físicos e ideais… e neste instante falta-me o encantamento, a saudade, a perda… um fim. e apenas sinto que não é justo falar sobre malamor/doramor… que a nós o tempo reate e desate os nós… neste mar de baia me restam apenas poemas da paisagem e/ou desta brutalidade cotidiana e estacionada.

maratona donwton abbey

[sáb] 12 de março de 2016

para não pensar. apenas vegetar…

comte, spencer, tylor, boas, malinowski e cia

[qui] 10 de março de 2016

antes

1h30 sambaqui. mesmo sem ter posto em dia as aulas de amanhã é hora de dormir.

4h20. despertador tocou. levanta… mateia e organiza alguma coisa pra hoje.

5h50… corre pra não perder a lotação.

na ida

7h19. palhoça. mais dez minutos e chego no local de trabalho – para 15 aulas ate as 22h. mais calmo agora, depois de quase desistir de ir à escola. e esse negócio de improvisar aula é angustiante e frustrante.
e quando o mundo me pesa… sinto vontade de poesia.

na volta

23h28 trindade, fpolis. regressando… mais 20 minutos e chego em casa. cansado… mas com aquela sensação de dever cumprido, e que tudo fez sentido. ou quase tudo.

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