Archive for fevereiro, 2017

o carnaval acabou. fevereiro acabou

[ter] 28 de fevereiro de 2017

o carnaval acabou. fevereiro acabou.

e eu cansei…

agora é dormir, descansar os pés.

que a quarta-feira de cinzas… será longa e terá trabalho docente.

mas antes que o mundo ali na frente chegue…

fiz o meu último (e único) poema desse carnaval

eu sou o homem que passou no tempo
a pés ligeiros me demorei anos
errei tantas vezes e mais vezes
e noutras apenas fui versos ao avesso, de improviso.

eu sou o homem que passou no tempo
em alguns momentos parei basbaque, sem rima
e mirei o mundo como um velho monumento
noutras flanei desmotando-me das dez mil coisas necessárias…

eu sou o homem que passou no tempo
das gravatas floridas, das casas amarelas,
das flores vermelhas, das pequenas grandes coisas da vida
e inesquecíveis – uma lágrima negra, um amor não vivido.

eu sou o homem que passou no tempo
entre mergulhos em amores agridoces,
e ressacas que dilaceram as víceras
e desnorteam qualquer cabeça, um bobo dessa corte.

eu sou o homem que passou no tempo
e as vezes grito pra não esquecer a minha loucura
noutras emudeço a tormenta que sou por dentro
e sendo assim, sou o que passou, um passista do carnaval que acabou.

há grilos no carnaval

[seg] 27 de fevereiro de 2017

há grilos no carnaval…

e eles cricrilam demais.

é quase ensurdecedor.

da rotina: pequenas melhorias na cozinha ok. faxina no quarto de visita, nope – tarefa de hoje à tarde. organização dos livros – nope. montar o rolo para bike… nope. por diário online em dia e montar o planejamento para entregar… não. e o que fiz até agora?

sábado e domingo, quarta temporada de vikings, listo.

máscara negra

[sáb] 25 de fevereiro de 2017

«Quanto riso, oh, quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da Colombina
No meio da multidão» Zé Keti.

bloco dos sujos. não fui. relaxei a tarde inteira. sem aquele frissom de cair na folia. aproveitei para contempar, caminhar… tomar meu mate em paz. fazer as coisas sem pressa, sem pressão. lavar roupa amanhã. comida, só mais tarde. peladar, quem sabe. escrever ou planear as aulas… pra outro dia. olhei pra casa e pensei, comprar nada mais, apenas guardar um graninha para terminá-la.

uma lista qualquer e aleatória

[sex] 24 de fevereiro de 2017

lista aleatória de (ou a intenção de) futuras compras. assim que as contas do mês forem pagas.

para comer: grão de bico, para o hummus / beringela, para o babaganoush / limões. tô animadão de redescobrir a minha cozinha… e a casa vai ganhando vida e sabores.

para casa: um processador / um liquidificador / pratos novos / e alguns potes e travessas.

para biblioteca: zelota – a vida e a época de jesus de nazaré / sobre o sacrifício da ubu editora / o mundo assombrado pelos demônios / NÉBULA

para o corpo: um remo seco… porque o rolo indoor já está em casa. (sábado será o primeiro pedal).

para momentos extremos: um óculos de sol, uma bota impermeável, um tênis de corrida.

para o quintal: duas bergamoteiras, um laranjeira, e muitas flores.

para o carnaval: ler o diário de anne frank (apostei com um aluno e uma aluna… quem terminava primeiro, e que comentaríamos nossas leituras… e a proposta foi algo tão natural e impulsivo… gostei das turmas noturnas do jovem, ou ao menos da duzia de alunos (de mais de quarenta por sala) que apareceram nas primeiras aulas.

ps: interessante… todo inicio de ano, nas aulas de introdução à sociologia, vem a tona a questão da religião… é quase como um choque cultural, e me admiro do número de alunos evangélicos que há…

 

trilha de fundo: Polo Pony (Jobim Jazz ao Vivo)

ps> ficou nos rascunhos até o dia 17 outubro.

mamihlapinatapai

[qua] 22 de fevereiro de 2017

o2h24 notas para um poema. nosso diálogo sem palavras. nossos gostos por indicação. você me aponta um poema. eu sinalizo minha fascinação… pelos versos escritos nos desnudamos. sem uma única palavra. con-versamos.

02h27 acordar cedo. ir na escola ver ampliação da carga horária. 8 turmas/16 aulas = 2 tardes. se fechar está ótimo. por enquanto seguem 3t/3a=1manhã e 12t/22a=5noites.

2h45 mamihlapinatapai… «Una mirada entre dos personas, cada una de las cuales espera que la otra comience una acción que ambas desean pero que ninguna se anima a iniciar»

3h48 devia estar dormindo. estou fritando aqui. vem sono… chega perto e me leva para bem longe daqui. que amanhã cedim… a vida urge.

8h22 acorda, levanta… nada de soneca/cochilo

9h03 mate pronto. cabeça zonza. olhos pesados.

10h45 ok. +8, começo dia 24, sexta.

13h00 canais ok. microcirurgia necessária agendada. depois do carnaval serão pontos e repouso, até domingo 5/2. espero que dê tudo certo.

13h53 tahine ok, agora é só fazer o babaghanoush. comprei um quilo de esmeralda, para provar; parece ser mais suave que a canarias. e alguns saches de earl grey para provar.

15h55 rolo pra treino indoor em mãos.

23h45. morrendo de sono, quase dormindo no busão, no terminal… por dois minutos perdi o busão das 22h25. lembrar de soltar a galerinha 22h15 no máximo. calcular melhor a distância/tempo entre sala de aula – sala dos professores – ponto de ônibus. mofei 40 minutos no terminal. é desproporcional 40/2.

 

andar pelado em casa

[ter] 21 de fevereiro de 2017

nota 1. é hoje. ou vai ou racha.

nota 2. nota mental, sair em menos de 30 minutos de casa, porra… se mexe (11h50)

nota 3: desenvolver aquela ideia para o poema. imagens: decupagem excessiva/ausência de espaço pra manobrar/respirar/criação/liberdade do improviso.

nota 4. melhor coisa de morar sozinho: andar pelado em casa.

nota 5. menos like. vai arrumar a casa/aulas/o que fazer bicho.

nota 6. o mate anda muito amargo. cuidado com a mistura das ervas.

nota 7. esquecer suas próprias memórias é tornar-se um tanto oco.  rememorar-se é mergulhar em sua profundidade. rir-se de si, como um rio que se refaz continuamente, revoltando o que há de fundo, acalmando o que há de superfície…

nota 8. urgem. comprar shorts e bermudas.

nota 9. vitamina d é importante. mas sol só antes da nove e de sair de casa. depois é o inferno.

nota 10. sobre o papo de ontem, sobre sentir-se nu em sala, como professor. não é tanto pela performace, mas por estar envolto em algo que é familiar. não as pessoas, pelas quais vamos criando laços com o passar do tempo e em alguma medida vão tornando-se familiares também, mas acredito que é pelos assuntos que giram em uma aula de sociologia

nota 11. repetir infinitamente susana félix e jorge drexler. enquanto os outros ansiosamente caminham ou esperam… o universo seguem em queda livre até o instante da calma.

sem-titulo

nota poética avulsa – entre a crueldade do sol e escuridão, o corpo busca os fios de sombra.

entre a crueldade do sol,
esse deus implacável,
e o abraço sombrio da escuridão,
o corpo, como um deserto,
busca os fios de sombra
para aliviar a dor
de arder por inteiro
as três da tarde

nota 13. nem sempre as coisas dão certo. nem ao menos do jeito que imaginávamos. as coisas apenas seguem seu roteiro caoticamente aleatório, apesar de todos os nossos esforços. as coisas conspiram… me aguarde. um dia eu chego.

 

as camadas da poesia

[sáb] 18 de fevereiro de 2017

«Talvez não fosse melhor nem pior, mas tinha uma coisa atrás daquilo, uma autoridade na voz do Vinicius de Moraes, por exemplo, que me dava uma sensação: “Ele sabe uma coisa que eu não sei e está aqui numa generosidade, partilhando isso”. Tudo isto era uma sensação. E enfim, ficava ali grudada.

(…)

Não, nunca houve um lado estritamente musical. É uma pena, porque eu não me dediquei assim ao acabamento musical. Não tinha paciência, eu queria veicular o texto. Eu queria transmitir aquela sensação. Achava que se uma pessoa sentisse aquilo que eu senti, a minha vida teria sentido, teria sido útil. » Adriana Calcanhotto

trecho extraído daqui: http://www.dn.pt/

***

Adriana Calcanchotto – Parangolé Pamplona

EXPERIÊNCIA N. 01 PARANGOLÉ OITICICA

Hélio Oiticica – Porta Curtas 1979

 

calor calor calor… um inferno

[qui] 16 de fevereiro de 2017

14h48 tem coisas na fila de espera para serem registradas, anotei em alguma folha solta, no celular, no caderno… ou apenas mentalmente. na hora oportuna virá. mas agora, quase quatro, quase hora de sair, hora de revisar… ou de começar?!

na dieta de faça sua própria comida de forma balanceada e nutritiva, hoje almoçamos e filosofamos, eu e izabel. é uma boa parceira intelectual, um amiga honesta. e minha filha.

mas sobre ontem… foi o primeiro dia na escola nova. gostei, mais leve estava eu depois da estreia de terça. tinha esquecido que além de toda aquela angústia e ansiedade das estréias… elas no fundo são boas, pessoas novas e a oportunidade de me apresentar. é o primeiro encontro, e eu gosto de ser o professor no primeiro encontro.

***

18h30 calor calor calor… um inferno. sensação de 50 graus. olho para os lados as pessoas mais ou menos apresentáveis. e eu encharcado. ensopado.

eu gosto do sol, mas entre calor e frio, que saudade do inverno.

 

 

exercício de aproximação e distanciamentos

[ter] 14 de fevereiro de 2017

primeiro dia de aula, enfim. eu quase sem voz. mas contente por voltar.

e das palavras amontoadas por alguns dias… lembra, eu comecei dias atrás… hoje saiu assim… pera, eu sei, antes preciso dizer que vai sofrer algumas modificações aqui e ali, mas por enquanto é isso:

 

exercício de aproximação e distanciamentos
eu sempre estava lá,
só não sabia eu,
que eu quase nunca estava,
salvo em raras exceções,
quando emergia do âmago
a mais profunda das criaturas
e no mais a mais
era um corpo vazio à deriva
um espírito alheio,
um espiral, um redominho
desses dias quentes de janeiro
no mais a mais
era eu habitante,
o próprio mundo estrangeiro.
eu não estava pronto,
nunca estiverá
pra ser o porto da chegada
para ser o porto de partida.
mas quem está?
eu me ignorava ilha
era um continente deserto
um emaranhado de sinapses
uma porção de medos,
destes que todos os seres adultos
tem, por detrás dos olhos.
eu era um mapa perdido,
e não chegaríamos a lugar algum,
nos perderíamos pelo peso da noite,
dessas submersas em nevoeiro.
mas pelo acaso dos passos em falso
deu-se o fato, ela diante
de minhas ruínas.
e há certa beleza em destroços
de outra era,
artefatos desconhecidos…
feridas abertas
de povos adormecidos
eu sempre estiverá lá,
só não sabia eu,
narrar na língua dela,
as geografias da paz
e as estórias doutrora…
dos tempos de guerra.
nu, em terra neutra,
naufragava em silêncios,
escrevia no escuro,
enrodilhava-me, caracol,
nos próprios músculos ininteligíveis.
eu estava lá,
só não sabia eu,
que nunca estava
por inteiro,
parte de mim escapava
andarilho,
pedregulho
erro…
a sede que em nenhuma gota há
de encontrar cura.

cama

[seg] 13 de fevereiro de 2017

oficialmente: doente.

auto-orientação: cama, medicamentos e cama.

ps: primeira falta do ano.

%d blogueiros gostam disto: