scoop

[sex] 1 de dezembro de 2017

Enquanto o texto de ontem, fica na aba dos rascunhos, por eu não ter conseguido terminar a pesquisa iniciada e por ontem e hoje, estar exausto… das leituras da manhã anoto cá

CITAÇÕES QUASE ALEATÓRIAS

“No nível social, às revoluções e rebeliões recorrentes seguiram-se contra-revoluções e restaurações. Das revoltas de escravos no mundo antigo à revolução social do nosso tempo, a luta dos oprimidos terminou no estabelecimento de um novo e melhor sistema de dominação; o progresso teve lugar através do aperfeiçoamento da cadeia de controle. Cada revolução foi o esforço consciente para substituir um grupo dominante por outro, mas cada revolução desencadeou também forças que ‘ultrapassaram a meta’ (…) em todas as revoluções parece ter havido um momento histórico em que a luta contra a dominação poderia ter sido vitoriosa… mas o momento passou. Nesse sentido, todas as revoluções foram revoluções traídas” (MARCUSE, Herbert. Eros e Civilização. R. de Janeiro: Zahar Editores, 1981, p.92).

«A semântica dos tempos históricos parece, então, ter sido substituída pela ubiquidade da vida em rede, a epistemologia histórica parece ter perdido a sua eficácia explicativa sobre o tempo presente uma vez que este tornou-se identificável com o timeless time. A cultura suportada digitalmente é, todavia, a nova e necessária condição de apropriação simbólica e política da história na qual estamos mergulhados (a nossa história). O mundo inteiro é um hotspot, razão pela qual nos podemos mergulhar nele e interessarmo-nos à sua concretude, complexidade e opacidade, sem a preocupação de ficarmos desconectados. Se qualquer vetor temporal parece remeter para o presente, então podemos afirmar que também o futuro é agora, resgatando assim aquela dimensão antropológica da presença analisada por Émile Benveniste: a etimologia de praesens refere-se a “o que está em frente de mim”, e portanto o significado da preposição prae remeteria para o “iminente”, o “urgente”, o “imediato”.²⁶
Isso não significa cair no frenesim da antecipação constante dos acontecimentos futuros (sondagens, scoops jornalísticos ou científicos, projeções de ranking ou guerras preventivas…), mas cair na realidade para recuperar o sentido da prudência. É esta (a possibilidade de cair), de fato, uma outra raiz conceitual do termo presente, que remete diretamente para a condição corpórea e para o andamento físico do ser humano, como sintetizada na dialética entre o estar e o proceder: pôr em prática uma determinada ação ou tarefa, principiar a fazer alguma coisa e continuar, mas também comportar-se ou conduzir-se. Caminhar, dar passos, vem de pro-cedere (evitar a caída, precaver e reequilibrar uma tendência natural em cair pela frente), atitude psicomotora que Hans Blumenberg aponta como ética necessária para não se deixar andar levianamente e não precipitar (càdere). ²⁷» (BALDI, Vania. Humanidade Aumentada? Os desafios da hipercultura na era da sua enfática desintermediação. In book: Estudos Culturais e Interfaces. Objetos, Metodologia e Desenhos de Investigação, Edition: UFSM, Publisher: Universidade Federal de Santa Maria – Universidade de Aveiro, Editors: Flavi Ferreira Lisboa Filho, Maria Manuel Baptista, p.133)

²⁶ Problèmes de linguistique générale, Paris, Gallimard, 1966.
²⁷ Hans Blumenberg, Die Sorge geht uber den Fluss, Berlin, Suhrkamp, 1987.

E UMA LISTA DE DESEJO, DE LEITURAS E RELEITURAS:

O Pêndulo de Foucault, Umberto Eco / Todos do Marcuse / Todos de Adorno / Antropologia do Cinema: do Mito à Indústria Cultural, por Massimo Canevacci
***
E MESMO QUE NÃO SEJA UM DIA LINDO… QUE SEJA BOM. HASTA.

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