Archive for janeiro, 2018

x cara do espelho

[qua] 31 de janeiro de 2018

não sei dizer exatamente o quê… mas há uma certa beleza em você. talvez sejam teus olhos vermelhos. e o calor na tua pele. esse teu corpo ardendo… e tua mente sempre em chamas. queimando tudo. e essas tuas mãos largas e de dedos curtos, ásperas pelo lavouro, cheia de cortes, calejadas… doídas, e que insistem em acrescentar linhas e parágrafos na arquitetura do tempo. é, há algo realmente de estupidez e de ingenuidade na humanidade tua. há um certo medo e há desejos. e tu é tão animal quanto os outros, que passam a vida dando nomes as regiões inóspitas de tétis, io e europa. e não devia haver espaço para a prosa, tampouco essas páginas e nem esses pensamentos. às vezes é nesse não sentido, nessa completa aleatoriedade cheia de significados e signos caóticos, nesse estar aqui, diante de ti, nessa montoeira de restos e ruínas, que a beleza se mostra… desproporcional, imensurável… como a consciência do animal sobre sua própria consciência, vã, vermelha, selvagem… espelhar.

 

***

ps: tenho trabalhado muito nesses dois últimos dias. tem sido duro e intenso. meu pai tem ajudado. desmontamos a última parte do telhado que restava e agora só falta receber a laje dia primeiro, e concretar em uma janela próxima… talvez no carnaval… carnaval e concreto, é um belo bloco…

there’s a bad moon on the rise

[dom] 28 de janeiro de 2018

enquanto a tarde escorre… sigo jogando twilight struggle online. tentei, mas não consigo escrever nenhum poema. nesses últimos dias me enchi de dúvidas… . izabel está de mal comigo… deixei ela de castigo…

Johnny Cash - Hurt 
Creedence Clearwater Revival - Bad Moon Rising
  • lembrar de não deixar as questões alheias me tomarem
  • lembrar que tudo vai dar certo
  • lembrar que essa vontade de sumir e mandar todos para a lua… vai passar.

the blues have run the game

[sáb] 27 de janeiro de 2018

Blues Run The Game // Composição Jackson C. Frank // Catch a boat to England, baby / Maybe to spain / Wherever I have gone / Wherever I’ve been and gone / Wherever I have gone / The blues are all the same // Send out for whisky, baby / Send out for gin / Me and room service, honey / Me and room service, babe / Me and room service / Well, we’re living a life of sin // When I’m not drinking, baby / You are on my mind / When I’m not sleeping, honey / When I ain’t sleeping, mama / When I’m not sleeping / Well you know you’ll find me crying // Try another city, baby / Another town / Wherever I have gone / Wherever I’ve been and gone / Wherever I have gone / The blues come following down // Living is a gamble, baby / Loving’s much the same / Wherever I have played / Wherever I throw them dice / Wherever I have played / The blues have run the game // Maybe tomorrow, honey / Someplace down the line / I’ll wake up older / So much older, mama / Wake up older / And I’ll just stop all my trying // Catch a boat to england, baby / Maybe to spain / Wherever I have gone / Wherever I’ve been and gone / Wherever I have gone / The blues are all the same

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acordei hoje ainda imerso num sonho. sentia o aconchego de um abraço e era tudo tão calmo e bonito. mas aqui fora arrefeço e sinto a dureza mineral. fiquei calado o dia inteiro. e de noite chorei incontroladamente…

[sex] 26 de janeiro de 2018

disciplina e silêncio.

e um estresse danado.

lonely shadow’s following me

[qui] 25 de janeiro de 2018

written by Barnaby George ” Barns ” Courtney

Lonely shadow’s following me / Lonely ghost come crawling / Lonely voices talking to me / Now I’m gone now I’m gone now I’m gone // And my mother told me / Son let it be / Sold my soul to the calling / Sold my soul to sweet melody / Now I’m gone now I’m gone now I’m gone // Now give me that fire / Now give me that fire / Now give me that fire / Burn burn burn // Thousand faces staring at me / Thousand time I’ve fallen / Thousand voices dead at my feet / Now I’m gone now I’m gone now I’m gone // And my mother told me / Son let it be / Sold my soul to the calling / Sold my soul to sweet melody / Now I’m gone now I’m gone now I’m gone // Now give me that fire / Now give me that fire / Now give me that fire / Burn burn burn // Ghosts and devils come crawling / Crawling my name out / Lost in the fire / Sweet virgin blood is calling / Calling my name out / Lost in the fire // Now give me that fire / Now give me that fire / Now give me that fire / Burn burn burn

congresso internacional do medo

[qua] 24 de janeiro de 2018

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte, depois morreremos
de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade, no livro “Sentimento do Mundo”. Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti, 1940.

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this is us

[dom] 21 de janeiro de 2018

editei. apaguei algumas coisas. que já nem lembro mais o que era…

e ficou apenas isto:

this is us. lágrimas irromperam na minha face áspera diante dos episódios vistos. ô série danada para nos embargar…

caminho da gurita

[sex] 19 de janeiro de 2018

a memória enganava… a ultima vez que estive lá foi em dezembro de 2007. P_20180119_122704_PN pouco mais de dez anos depois volto… a trilha é leve-moderada, bonita e pelas chuvas em demasia das ultimas semanas… muita lama havia. mas valeu a tarde com a filha, com a sobrinha e com os colegas e amiga sabrina. 26814936_10156033036047354_2538898356258334410_n

 

zona do crepúsculo e outras pesquisas…

[sex] 12 de janeiro de 2018

«… Burn down the disco
Hang the blessed DJ
Because the music that they constantly play
It says nothing to me about my life
Hang the blessed DJ
Because the music they constantly play

On the Leeds side-streets that you slip down
On the provincial towns that you jog’round
Hang the DJ…» Composição: Johnny Marr / Morrissey

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***

e no mundo real… paredes são como labirintos, os gatos pretos são bichos selvagens que derrubam tudo de madrugada, o sono é pesado demais para a leveza do despertador… e o jejum vai até meados da tarde. as coisas seguem no seu ritmo lento ou rápido, depende de quem é o observador.

virando sapo já…

[qua] 10 de janeiro de 2018

chuva.
chuva intensa
muita chuva
chuva o dia inteiro
chuva que não acaba
chuva que alaga
que nos ilha

***

anotações soltas que outras pessoas publicaram…

«Liberdade – essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda!» Cecília Meireles

«Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será e virá a ser
E ao mesmo tempo esse desejo de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não têm ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante.
E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.» Vinícius de Moraes. Excerto do poema «O Haver»

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