verdades pobres

[dom] 18 de março de 2018

lista de compra para segunda-feira #um litro de cachaça e uma sandália de couro. talvez uma tiára. e fio dental.

e agora um pouco de whisky, para distrair os cães que habitam o meu estômago.

tomo notas

p. 13 «Inicialmente o objectivo proposto era a realização de um estudo sobre o joco-sério, a poesia satírica, de carácter realista e burlesco, que era praticada nos séculos XVII e XVIII em Portugal. Segundo Vítor Manuel de Aguiar e Silva, essa poesia desenvolveu-se paralelamente e foi exercitada pelos mesmos autores que se dedicavam aos temas, considerados mais nobres, da poesia culta:

(…) são também os prolíficos autores de poemas satíricos em que os costumes, os vícios e os defeitos da sociedade contemporânea são censurados e caricaturados,  numa linguagem agudamente maliciosa ou brutalmente plebeia, ora num tom chistoso, ora num tom de pilhéria grosseira e até, muitas vezes, obscena.”¹» [Aguiar e Silva, 1971, pág . 441.]

«Com um tom popular e coloquial, o joco-sério buscava o riso fácil, sem a preocupação de evitar o sórdido ou repulsivo – pelo contrário, era em torno destes elementos que se centrava na busca do riso. Trata-se de um processo simétrico, porém em direção (pág 14) contrária ao da poesia culta, de acumulação de metáforas, de hipérboles e de jogos com duplos sentidos.
Era esta poesia, que utilizava um léxico “provocadoramente correntio e banal, feita de coisas feitas, frases, máximas, provérbios”, na avaliação de Heitor Gomes Teixeira², [Teixeira, Heitor Gomes (1988), Pág. 2.] o objecto inicial de estudo».
[Pág. 21] «Em 1693, o almotacé-mor Antônio Luiz Gonçalves da Câmara Coutinho, na altura Governador Geral e Capitão-General da capitania da Bahia, mandou-o prender. Segundo a biografia apensa ao Pinto Renascido, edição de 1753, os motivos teriam sido as ‘travessuras muy naturaes em hũa idade, que costuma fazer timbre dos excessos’.
Numa das suas poesias, Tomás Pinto Brandão refere-se aos motivos que o teriam levado pela primeira vez à prisão e que [pág. 22] envolveriam uma disputa com um frade pelos favores de uma mulher casada:
[Pág. 25] «(…) Se me beijares no cú, / Não no digas a ninguém / que não quero que se saiba / o gosto que meu cú tem. // Gloza // Á Torto, á Frade, á Ladrão, / já sey que este mote he teu, / e queres, glozando-o eu, / ter comigo introdução: / falemos claro, Simão, / eu sou pobre como tu; / e pois que me apanhas nú, / e eu a ti descalço, digo / que sô serey teu amigo / se me beijares no cú. // (…) Já parece que te vejo / por suprir de hum olho a mingoa / vir, somitigo de lingoa, / pregarme no cú hum beijo: / porque esse he o meu tão bem; / e assim ficaremos bem, / pois bem a vontade cabe / no mal que o teu olho sabe, / o gosto que o meu cú tem. ¹⁰» [Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Casa Fronteira, n2 47, pág. 163/165.]

[Pág. 28] «”Ao enterro de Tomaz Pinto Brandam em dia de todos os Santos sahiu a seguinte Decima.
Aqui vay com pouco aballo / Hum poeta dos mais distincto: / Ja sabem, he Tomaz Pinto, / Que a morte lhe fez hum gallo: / Eu de pasmo ja nam fallo / (Entre os funebres espantos) / Mas digo o que dizem tantos, / Que fica o mundo admirado, / De que hum Poeta endiabrado / Fosse com todos os Santos

[pág. 38] «Tomando como base o cotejo efectuado para a edição do Verdades Pobres – encontram-se no Pinto Renascido 41 das 132 poesias existentes no Verdades Pobres -, a maioria das alterações entre a edição de 1732 e a de 1733 é de natureza ortográfica, mantendo-se inclusive a distribuição do texto por página. Há, no entanto, algumas diferenças substantivas entre a edição de 1732 e a de 1733 que são também observadas no Verdades Pobres e no Pinto Renascido, o que permite concluir que estas edições foram feitas a partir dos originais.»
[Pág. 85] «Esta edição baseia-se num manuscrito de fácil legibilidade, com uma grafia acessível a um público não especializado. Dadas as características do texto e o facto de a obra de Tomás Pinto Brandão não ter sido objecto de uma edição condinga, optou-se aqui por manter a ortografia e a acentuação, resumindo-se a intervenção do editor apenas aos casos em que se torna necessário desfazer ambiguidades ou facilitar, a um leitor moderno, a identificação de formas de algum modo bizarras. Exemplos: cercelhehá > ter-se-lhe-á; hed-ir > hei-de ir;»

[Pág. 96] II «[/] semeihantes atrevimentos : vem a ser a coiza, ou he o cazo; dedicar eu a V. Magestade esta primeira parte, do parto primeiro, com que sayo a luz; que não poder sustentalo, o meto nessa Real Roda, que será para elle, a da milhor fortuna, como verdadeiro filho da folha; Baptizeio em Verdades Pobres, por nú, e sem fabula; que são duas razôes de aborrecido, para muitos que tem a pobreza por enfadonha, e por azeda a verdade; mas como eu não vou a fazer dessas, com elles, grangiaria; não se me dá, que muitos as aborregão; bastame que V. Magestade as goste, [III] como amante dos pobres, e das verdades : Advirtindo, que está V. Magestade obrigado a defendellas de hum popular furmigueiro, que debaixo dos pés da nobreza, se tem levantado contra ellas, e contra mim; dizendo, que me não podem crer poeta verdadeiro; por mais que os admoesto, não menos que com as palavras do texto si veritatem etc. e mordem me nos versos tirana mente: Mas que a prepozito vinha aqui, aquella empreza de Saavedra, em que pinta dous cachorros mordendo a massa, ou clava de Hercules, tanto à custa do sangue das suas boucas que tambem lá vem pintado; e [/] [Pág. 98] V «Ao leitor, de telhas abaixo. Lente, Loiro, Leigo, Longo, Longuinho, ou outro qualquer que comesses por, L, Se tú és quem eu cuido (aqui ninguem nos ouve) não sabes quanto estimo o encontrarte! Hasde saber, que fiz este livro, não mais que para dezencataratar a algũas pessoas, que por si, me julgão; e a outras tambem, que pello sintir destas, me avalião (povo em fim, que de opiniôes se sustenta) ; nelle acharás algũas couzas boas, e outras más, mas todas minhas, que he o pior que tem; que se o livrinho fora de [/] Se és Loiro, que he o mesmo que poeta, lê este livro todo a ver se achas nelle alguns furtos; e se os não achares, dize lá contigo; este magano, se estudara, havia de encovarme; que he o que dizem muitos: Se es Leigo, que he o mesmo que pobre, consolate comigo; que eu contigo farey o mesmo: Se és Longo, que he o mesmo que fidalgo, lê hum bocado [/] a horas de palito; dandome aquelle costumado louvor, de valhate o Diabo: Se és Longuinho, que he o mesmo que, já me entendes, tens pouco que ver, e menos que cegar; mas podes dizer o que quizeres; que não vay a criar postema: E se final mente fores mediocre, que he, nem Lente, nem tú; nem poeta, nem eu; nem fidalgo, nem nôz; nem pobre, nem tolo; e nem Cocles, nem jus; os Diabos te levem, senão diseres a verdade; e se a disseres, Deos te guarde. Proximo [/]

selecionando os poemas… 20, para fazer comentários e enviar.

e no fundo…
uma trilha aleatória no youtube>>

Gal Costa – Quando Você Olha Pra ElaVanguart – E o Meu Peito Mais Aberto Que o Mar da BahiaCéu – Perfume do InvisívelNovos Baianos – Preta pretinhaCaetano Veloso – TigresaMoska – Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor” (Lô Borges/Marcio Borges)Pitty e Paralamas – Tendo a LuaJorge Ben – A Tábua de Esmeralda (1974) >> 01 – 00:00 “Os Alquimistas Estão Chegando Os Alquimistas” >> 02 – 03:14 “O Homem da Gravata Florida (A Gravata Florida de Paracelso)” >> 03 – 06:20 “Errare Humanum Est” >> 04 – 11:11 “Menina Mulher da Pele Preta” >> 05 – 14:08 “Eu Vou Torcer” >> 06 – 17:24 “Magnólia” >> 07 – 20:38 “Minha Teimosia, Uma Arma pra te Conquistar” >> 08 – 23:19 “Zumbi” >> 09 – 26:50 “Brother” >> 10 – 29:44 “O Namorado da Viúva” >> 11 – 31:47 “Hermes Trismegisto e sua Celeste Tábua de Esmeralda (Tratado Hermético Escrito pelo Faraó Egípicio Hermes Trimegisto e Traduzido por Fulcanelli)” >> 12 – 37:17 “Cinco Minutos (5 minutos)”; Jorge Ben – Força Bruta – 1970 >> 1 Oba lá Vem Ela 0:00 >> 2 Zé Canjica 4:13 >> 3 Domênica Domingava Num Domingo Toda de Branco 8:05 >> 4 Charles Junior 11:53 >> 5 Pulo, Pulo 18:00 >> 6 Apareceu Aparecida 20:48 >> 7 O Telefone Tocou Novamente 24:03 >> 8 Mulher Brasileira 27:53 >> 9 Terezinha 32:18 >> 10 Força Bruta 35:30 >> 11. Carolina Carol Bela (Jorge Ben & Toquinho) * Bônus 12. Zana (Jorge Ben & Toquinho) * Bônus;

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