a próxima aldeia

[sex] 6 de julho de 2018

notas da semana.

as professoras de história resolveram falar que estou acabado. olham para mim e dizem… como você está destruído.

e é nesses momentos em que estou realmente acabado, horrível, as pessoas sentem mais suscetíveis para falar de suas dores… e nessa nossa troca de dores, ela me disse que anda mal, angustiada… eu lhe conto de minhas dificuldades em viver. é assim, aparentemente não tem nada errado, tudo parece normal, mas a gente fica assim, com dificuldade para viver… se concentrar, ver sentido na vida.

*

mas ao menos tenho conseguido trabalhar, e do trabalho [meia boca] feito nas turmas… algumas meninas querem organizar um coletivo sobre gênero na escola, querem minha colaboração… e o rapaz, que escreveu na sua redação, me confidenciou, que o caso que ele narrou no texto, era a morte de sua mãe, pelo padrasto. me deu um aperto, um nó.

*

«Meu avô costumava dizer: “A vida é espantosamente curta. Para mim ela agora se contrai tanto na lembrança que eu por exemplo quase não compreendo como um jovem pode resolver ir a cavalo à próxima aldeia sem temer que – totalmente descontados os incidentes desditosos – até o tempo de uma vida comum que transcorre feliz não seja nem de longe suficiente para uma cavalgada como essa’». (Franz Kafka. “A Próxima Aldeia”, 1917.  tradução de Modesto Carone).

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