Archive for novembro, 2018

olhos de azeviche…

[sex] 30 de novembro de 2018

duas e cinquenta. tenho os relatórios por fazer e ainda definir que tipo de avaliação farei… e estou aqui brincando de fazer isto:  «rato de biblioteca»

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Olhos de Azeviche – Clementina de Jesus

Olhos de azeviche: «A coletânea Olhos de azeviche traz dez escritoras que estão renovando a literatura brasileira, cuja escrita apresentamos mobilizados por reduzir o abismo que ainda há entre a quantidade e a diversidade das escritoras negras brasileiras contemporâneas e os espaços de divulgação e circulação dos seus textos. A obra representa mais um movimento da Editora Malê para incrementar a visibilidade das escritoras e dos escritores da literatura negra (negro-brasileira/afro-brasileira), propondo que a literatura se enriqueça em diversidade cultural. »

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«É difícil ser consciente com os olhos através dos quais olhamos» (Benedict, 2002)

«O Crisântemo e a Espada – Padrões da Cultura Japonesa» de Ruth Benedict

o umbigo da lua (e narciso)

[qui] 29 de novembro de 2018

perdi-me neste labirinto. percebi uma certa conexão entre as três imagens aleatórias: um exoesqueleto alado de borboleta… uma folha seca do cafeeiro… um esqueleto de laboratório.

o quão tóxico sou?

acordei mal. sentindo-me mal. faltei pela manhã. não queria encontrar as pessoas… não queria ver gente.

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o eu como reconhecimento… a imagem simboliza o próprio eu.

o eu é uma estrutura dual («pois eu é um outro»… um duplo de si mesmo, parceiro, simbólico).

subprodutos:

o eu ideal, aquilo que está por trás de todas as nossas máscaras? a solução imaginária.

o ideal de eu, instância simbólica… ser como x para desejar y.. ideais que nos regulam

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«O déficit habitacional é a medida oficial utilizada para medir o problema da moradia no país. O Brasil em 2007 tinha 5,8 milhões de domicílios em déficit. Depois do maior crescimento da indústria imobiliária do país, o déficit aumentou para 6,3 milhões. O Chile não é diferente. Divulgado como o mercado imobiliário mais potente da América Latina o déficit habitacional no país se mantém em 2017 igual ao de 20 anos atrás. De outro lado, o Brasil possuía 7,9 milhões de imóveis desocupados e o Chile também apresenta duas vezes mais imóveis desocupados que o déficit. O problema, portanto, não é de déficit, de incapacidade produtiva ou de falta de moradias, mas de exclusão. O que temos é uma superprodução imobiliária excludente e que a maior parte das políticas apenas aprofunda. Em síntese: muita gente sem casa e muita casa sem gente». Vitor Hugo Tonin

Carrano – O bicho que nasceu para a eternidade (Direção Willian Ceará)

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Qual a origem dos nomes dos países da América Latina?

mētztli é lua, xictli é centro e co é lugar.

e sobre a pareidolia:

«é melhor acender uma vela do que praguejar contra a escuridão». Adágio

«Os humanos, como outros primatas, são um bando gregário. Gostamos da companhia uns dos outros. Somos mamíferos, e o cuidado dos pais com o filho é essencial para a continuação das linhas hereditárias. Os pais sorriem para a criança, a criança retribui o sorriso, e com isso se forja ou se fortalece um laço. Assim que o bebê consegue ver, ele reconhece faces, e sabemos agora que essa habilidade está instalada permanentemente em nossos cérebros. Os bebês que há 1 milhão de anos eram incapazes de reconhecer um rosto retribuíam menos sorrisos, eram menos inclinados a conquistar o coração dos pais e tinham menos chance de sobreviver. Nos dias de hoje, quase todos os bebês identificam rapidamente uma face humana e respondem com um sorriso bobo.

Como um efeito colateral inadvertido, o mecanismo de reconhecimento de padrões em nossos cérebros é tão eficiente em descobrir uma face em meio a muitos outros pormenores que às vezes vemos faces onde elas não existem. Reunimos pedaços desconectados de luz e sombra, e inconscientemente tentamos ver uma face.» Sagan, Carl (1995). The Demon-Haunted World – Science as a Candle in the Dark (O Mundo Assombrado pelos Demônios). New York: Random House

mito da democracia racial, raça e classe

[qua] 28 de novembro de 2018

“Temos que deixar de descrever sempre os efeitos do poder em termos negativos: ‘ele exclui’, ele ‘reprime’ ele ‘recalca’, ele ‘censura’, ele ‘abstrai’, ele ‘mascara’, ele ‘esconde’. Na verdade o poder produz; ele produz realidade; produz campos de objetos e rituais da verdade. O indivíduo e o conhecimento que dele se pode ter se originam nessa produção”.
Michel Foucault em “Vigiar e punir”, p. 161.

*

e pela manhã… o alpendre ganhou forma, com a telha de policarbonato ondulada translucida. a casa e seus contornos segue.

pela tarde… aula dada, um ponte articulando… (silvio de almeida, jesse souza, pierre bourdieu, florestan fernandes...

e pela noite… um breja com o velho, um ronco no sofá… e um cansaço, ainda sem ter claro o que farei amanhã cedo… pensando em mudar os planos, adaptar…

nota: para ler depois -> rompendo barreiras: relações entre capital cultural e consciência racial, de maria rita py dutra

i will not make any more boring art

[ter] 27 de novembro de 2018

poucos minutos depois da meia noite… sono pesado. corpo desistindo. mas antes…

John Baldessari, I Will Not Make Any More Boring Art

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19h07. um nove [que roberta publica no moodle]. que eu vou saber uma três horas depois, mas causará a sensação que sinto agora… de aceitação, de validação. de estar num ambiente familiar, de carinho e respeito, onde não preciso estar alerta, na retaguarda. tomo mate com meus pais, que privilégio, pode estar com meus pais – e saber que a seu modo e com suas limitações, eles me amam -, e minha filha, que admiro – e que nos amamos e, apesar de nossas loucuras, nos aceitamos todos. e com dora, chip e sorvete, mateamos… admirando e sonhando com a casa nova que vai em obras… um feito coletivo, que só existe pelo esforço de todos. ser humilde e agradecer diariamente pelo que tenho… foi esse sentimento/insight que senti ontem… não sentir-me ferido e magoado por não ser muitas vezes aquilo que eu gostaria ou acho que deveria ser… aceitar minha pequenez, minhas imperfeições, meus medos… sentir-me válido, possível… não paralisar demais.

13h08 tomo nota… no terminal…

exercício sobre olhar-se dentro do mundo
 
sobre ontem:
na despedida
o reencontro
comigo,
com essa coisa
meio silêncio, meio ruído
 
transbordando poesia…
 
e sobre a resiliência…
a forma de olhar,
o meu olhar sobre o mundo.
 
e sobre a gratidão,
ao meu velho pai,
por estarmos juntos
nessa irmã jornada
 
e sobre raízes…
minha mãe, que na aridez
da terra arrasada,
brotou floresta.
 
e sobre identificação…
o ser humano que nunca vi
e que passa agora por mim
lendo Heleieth Saffioti…
e me faz senti-la como se fosse
uma camarada de longa data…
uma irmã, que reencontro nessa luta
contra o patriarcado
e toda a estupidez humana.
 
e sobre a saudade…
o gosto da saliva
de um beijo na boca
como o desses jovens namorados
ao meu lado…
 
e sobre a tarde…
essa necessidade de grafar
meu estranho pertencimento
ao mundo…
poesia e resistência…
 
e sobre meus pelos, pele e nervos
minha camiseta vermelha –
meu peito-armadura,
meu grito ao amor
contra o medo do mundo:
 
tisan/santo antônio de lisboa/floripa. 27/11/2018

 

jubiabá

[seg] 26 de novembro de 2018

3h59 notas para ler/ver

Jubiabá / Jorge Amado; posfácio de Antônio Dimas. — São Paulo : Companhia
das Letras, 2008.

Jubiabá / Direção: Nelson Pereira dos Santos / 1986 ‧ Drama/Romance ‧ 1h 40m

***

19h27. hora de ir… depois de um dia inteiro de trabalho pesado, não dei tempo para pensar em nada, apenas desembestei e fiquei mexendo nas coisas… encanamentos, aterros, deck…

Los Ángeles Azules – Nunca Es Suficiente ft. Natalia Lafourcade

***

 

21h00 – tomando nota – última aula do semestre de 2018/2.
«O sistema pós-industrial tem-se mostrado resistente aos mecanismos de luta modernos — sindicato, partido. Ao mesmo tempo gigantesco e diferençado, ele não forma um todo e não possui centro. Tendo pulverizado a massa numa nebulosa de consumidores isolados, com interesses diferentes, ele absorve qualquer costume, qualquer ideia, revolucionários ou alternativos. Pois é flexível e variado o suficiente para nele conviverem os comportamentos e as idéias mais disparatadas. Para vingar, mesmo as idéias anti-sistema deveriam entrar pelos meios de massa, serem consumidas em grande escala de modo personalizado, mas isto significaria tornarem-se mais uma mercadoria do sistema. O próprio Estado, que poderia ser um centro mortal, é antes um investidor na economia e na pesquisa, um administrador de serviços, um encarregado da defesa externa, em vez de ser, fundamentalmente, um aparelho de repressão política.
Desse modo, o circuito informação-estetização-erotização-personalização realiza o controle social, agora na forma soft (branda, discursiva), em oposição à forma moderna hard (dura, policial). O consumo e atuação no cotidiano são os únicos horizontes oferecidos pelo sistema. Nesse contexto, surge o neo-individualismo pós-moderno, no qual o sujeito vive sem projetos, sem ideais, a não ser cultuar sua auto-imagem e buscar a satisfação aqui e agora. Narcisista e vazio, desenvolto e apático, ele está no centro da crise de valores pós-moderna. (pp 30-31)» SANTOS, Jair Ferreira dos. O que é Pós-Moderno. São Paulo: Brasiliense, 2004. – Coleção primeiros passos; 165) 22ª reimpr. da 1ª ed. de 1986.

kosuth

Ficha Técnica – Relógio (um e cinco):
Autor: Joseph Kosuth 
Coleção: Tate 
Ano: 1965 Técnica: Relógio, Impresso e Fotografia em prata coloidal

47271

1979/82)

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Jenny Holzer. Untitled (Don’t Talk Down to Me), from Inflammatory Essays (Jenny Holzer #1998.914.10) prints, offset lithograph.

 

Marilyndiptych

Andy Warhol. Marilyn Diptych (1962). Acrylic paint on canvas

Marilyn 1974 by James Rosenquist born 1933

James Rosenquist Marilyn 1974
Not on view [Lithograph. composition]

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Barbara Kruger Untitled (we will no longer be seen and not heard), 1985. Nine framed lithographs

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John Baldessari. Heel, 1986

UYbXUM-LL8Ax

Sherrie Levine, After Walker Evans, 1981 [photograph,
gelatin silver print]

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Barbara Kruger. Untitled (We won’t play nature to your culture). 1983. [photograph,
gelatin silver print]

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Cindy Sherman. Untitled Film Still #62, 1980.

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Mary Kelly. Detail – Post-Partum Document, 1973-79 (Post-Partum Document is a six-year exploration of the mother-child relationship)
[Perpsex units, white card, sugar paper, crayon]

wang-guangyi-coca-cola (1)

Lithograph printed in colors on wove paper]


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21h29 um espera, um demora, um erro, uma espera maior ainda, mas registro os musgos crescendo entre a fresta que separa o céu e o chão. registro o letreiro luminoso… e abestalhado, que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado, mas estou aqui, experienciado o que muitas pessoas não terão oportunidade… e dou-me conta que: eu faço letras.

22h05 faço poesia

[registro delas]

I. exercício sobre primeira e segunda natureza

nada morre na praia
nada é
nada e morre
desfôlego
nada na praia
nada e nada
na beira
no limite
quase do outro lado
quase nada, nada salvo
nada para o nado da volta.

foi assim (o fôlego),

que consegui.

II. como se fosse
fosse não ser
não fosse
o mesmo corpo
dolorido/violado
e o riso que insisto
triste ainda trago
é descabido
não te habita
não fosse
o mesmo corpo
sofrido/destratado
moído/triturado
nosso mito
o ser que não
não este corpo
é o mito
que habita
nosso ser
como se fosse
a gente não fosse
o mesmo corpo familiar
triste e doce,
habitando a hora
de abandonar-se
como se fosse
fosse não ser
um não fosse hipotético
um não fosse espectro
um corpo patético

III

ha um corpo podre
no caminho encarniça
a carne putrefa encarde o peito
a carne vísceras arde e expele
quem não mais há.

nota de rodapé:

DA ARTE COMO CONCEITO E DO CONCEITO DE ARTE: ready-made, espaço, tempo, significação, por Patrícia Maia

weapons of math destruction… é que o urubu tá querendo comer mas o boi não quer morrer

[seg] 26 de novembro de 2018

desde sábado estou assim… mas nesse domingo foi além… o que será que me dá… porque eu ando tão à flor da pele… talvez essa dificuldade de lidar com a ansiedade gerada pelas expectativas irreais… minha expectativas sobre esse eu que nunca será /a/tingido. ando a sentir-me como um bicho ferido… que facilmente ataca, que facilmente embarga… parece que choveu tristeza imensa dentro do meu peito e alagou tudo… na há cais de porto… nem lanterna dos afogados.

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«é necessário tecnologizar as ciências humanas, para ela não morrer socialmente, e é necessário humanizar as ciências exatas par a gente não morrer.»  via rodrigo mineiro.

«Não é preciso ter formação matemática para entender que uma decisão tomada por um algoritmo é injusta» Weapons of Math Destruction, de Cathy O’Neil

«Cathy O’Neil (Cambridge, 1972), doutora em matemática pela Universidade Harvard, trocou o mundo acadêmico pela análise de risco de investimento dos bancos. Achava que esses recursos eram neutros do ponto de vista ético, mas sua ideia não tardou a desmoronar. Percebeu como a matemática poderia ser “destrutiva” e empreendeu uma mudança radical: somou-se ao grupo de finanças alternativas do movimento Occupy Wall Street, que nasceu em 2011 em Nova York para protestar contra os abusos do poder financeiro, e começou sua luta para conscientizar sobre como o big data “aumenta” a desigualdade e “ameaça” a democracia. (…) A autora do livro Weapons of Math Destruction (“armas de destruição matemática”, um trocadilho com a expressão “armas de destruição em massa”, inédito no Brasil)».

“Os privilegiados são analisados por pessoas; as massas, por máquinas”

entrevista para El País/Ana Torres Menárguez

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e por sugestão/apresentação de gyo, baiano & novos caetanos (Chico Anysio, Arnaud Rodrigues e Renato Piau)

1. Vô batê pá tu 00:00 2. Nega 03:31 3. Cidadão da Mata 06:05 4. Urubu tá com raiva do Boi 09:45 5. Aldeia 12:52 6. Ciranda 15:17 7. Folia de Rei 17:47 8. Véio Zuza 21:36 9. Selva de feras 24:20 10. Tributo ao Regional 27:02 11. Dendalei 30:25

URUBU TÁ COM RAIVA DO BOI

“Legal… me amarro nesse som, tá sabendo?
O medo, a angústia, o sufoco, a neurose, a poluição
Os juros, o fim… nada de novo.
A gente de novo só tem os sete pecados industriais.
Diga Paulinho, diga…
Eu vou contigo Paulinho, diga”
Urubu tá com raiva do boi
E eu já sei que ele tem razão
É que o urubu tá querendo comer
Mas o boi não quer morrer
Não tem alimentação
Urubu tá com raiva do boi
E eu já sei que ele tem razão
É que o urubu tá querendo comer
Mas o boi não quer morrer
Não tem alimentação
O mosquito é engolido pelo sapo
O sapo a cobra lhe devora
Mas o urubu não pode devorar o boi:
Todo dia chora, todo dia chora.
Mas o urubu não pode devorar o boi:
Todo dia chora, todo dia chora.
“O norte, a morte, a falta de sorte…
Eu tô vivo, tá sabendo?
Vivo sem norte, vivo sem sorte, eu vivo…
Eu vivo, Paulinho.
Aí a gente encontra um cabra na rua e pergunta: ‘Tudo bem?’
E ele diz pá gente: ‘Tudo bem!’
Não é um barato, Paulinho?
É um barato…”
Urubu tá com raiva do boi
E eu já sei que ele tem razão
É que o urubu tá querendo comer
Mas o boi não quer morrer
Não tem alimentação
Urubu tá com raiva do boi
E eu já sei que ele tem razão
É que o urubu tá querendo comer
Mas o boi não quer morrer
Não tem alimentação
Gavião quer engolir a socó
Socó pega o peixe e dá o fora
Mas o urubu não pode devorar o boi
Todo dia chora, todo dia chora
Mas o urubu não pode devorar o boi
Todo dia chora, todo dia chora
“Nada a dizer… nada… ou quase nada…
O que tem é a fazer: tudo… ou quase tudo…
O homem, a obra divina…
Na rua, a obra do homem…
Cheiro de gás, o asfalto fervendo, o suor batendo
O suor batendo (4x)

Composição: Geraldo Nunes / Venâncio

 

***

«O fotógrafo canadense Edward Burtynsky é um mestre do sublime pós-industrial. Seu ponto de vista abrangente é, no mínimo, ambivalente. Seus tiros, mais recentemente tirados do ponto de vista mais legal possível de um helicóptero e às vezes de um satélite, são à primeira vista surrealistas e gloriosos, mas eles têm uma sinistra ressaca documental .(…) “Os cientistas fazem um trabalho muito terrível de contar histórias, enquanto os artistas têm a capacidade de levar o mundo e torná-lo acessível para todos“, argumenta Burtynsky . De acordo com seu novo livro Antropoceno , estima-se que atualmente sejam necessários 60 bilhões de toneladas de material anualmente (biomassa, combustíveis fósseis, minérios metálicos, minerais industriais e de construção) para alimentar o metabolismo global da humanidade. As imagens de Burtynsky oferecem uma visão perturbadora de como estamos consumindo a Terra em um ritmo alarmante – além de dar uma ideia da escala em que estamos despejando tudo de volta, em pilhas gigantescas, córregos e lagoas» por Cameron Laux/BBC

leia mais e veja as imagens em: http://www.bbc.com

***

 

acorda , humanidade! abaixo a gravidade… superoutro

[dom] 25 de novembro de 2018

Superoutro – Edgar Navarro (1989)

Direção/ Roteiro/ Produção/ Edição: Edgard Navarro
Fotografia: Lázaro Faria
Trilha original: Celso Aguiar
Duração: 48 min
Ano: 1989
Formato: 35mm
País: Brasil
Cor: Colorido

Nada é sagrado!
Superoutro, o libelo seminal de Edgard Navarro
por Juliano Gomes

Conexão Cinema – Superoutro, com Edgard Navarro

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algo errado. estou nervoso. quase tive uma crise de choro…  respirar fundo.

constato. enfezado. eu não me aguento. não ficar bruto. às vezes o buraco interior é tão vasto que eu não consigo não desabar precipício abaixo.

eu e minhas doses diárias de micro suicídios.

go, blvesman, go…

[sáb] 24 de novembro de 2018

meia madrugada (três). o bairro enfim dorme (alguém acabou de desligar o som). devia estar dormindo (estou cafeinado).

estou sentindo aquele gosto amargo de quem não entendeu nada.

«Durante toda a sua vida, estudara o universo, mas desprezara sua mais clara mensagem: para criaturas pequenas como nós, a vastidão só é suportável através do amor.» Carl Sagan – No livro Contato, de 1985

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entenda…

“BLUESMAN”
Baco Exu do Blues

1903.

A primeira vez que um homem branco observou um homem negro, não como um um “animal” agressivo ou força braçal desprovida de inteligência. Desta vez percebe-se o talento, a criatividade, a MÚSICA! O mundo branco nunca havia sentido algo como o “blues”.
Um negro, um violão e um canivete. Nasce na luta pela vida, nasce forte, nasce pungente. Pela real necessidade de existir!

O que é ser “Bluesman”?

É ser o inverso do que os “outros” pensam. É ser contra corrente, ser a própria força, a sua própria raiz. É saber que nunca fomos uma reprodução automática da imagem submissa que foi criada por eles.

Foda-se a imagem que vocês criaram.

Não sou legível. Não sou entendível.

Sou meu próprio deus.
Sou meu próprio santo. Meu próprio poeta.

Me olhe como uma tela preta, de um único pintor.
Só eu posso fazer minha arte. Só eu posso me descrever.

Vocês não têm esse direito.

Não sou obrigado a ser o que vocês esperam! Somos muito mais!

Se você não se enquadra ao que esperam…
Você é um “Bluesman”.

Diretor: Douglas Ratzlaff Bernardt Roteiro: Baco Exu do Blues, Douglas Ratzlaff Bernardt, Christiano Vellutini, Lucas Andrade, Hugo Veiga, Diego Machado, Renato Zandoná, Paula Santana, Beatriz Durlo Diretor de Fotografia: Lucas Oliveira

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Chuck Berry – Johnny B. Goode (Live 1958)

Deep down in Louisiana, close to New Orleans / Way back up in the woods among the evergreens / There stood a log cabin made of earth and wood / Where lived a country boy named Johnny B. Goode / Who never ever learned to read or write so well / But he could play a guitar just like a-ringin’ a bell / Go, go, go, Johnny, go, go / Go, Johnny, go, go / Go, Johnny, go, go / Go, Johnny, go, go / Johnny B. Goode // He used to carry his guitar in a gunny sack / Go sit beneath the tree by the railroad track / Oh, the engineers would see him sittin’ in the shade / Strummin’ with the rhythm that the drivers made / People passing by they would stop and say / Oh my, but that little country boy can play / Go, go, go, Johnny, go, go / Go, Johnny, go, go / Go, Johnny, go, go / Go, Johnny, go, go / Johnny B. Goode // His mother told him: Some day you will be a man / And you will be the leader of a big old band / Many people comin’ from miles around / To hear you play your music ‘till the sun go down / Maybe someday your name will be in lights / Sayin’: Johnny B. Goode tonight // Go, go, go, Johnny, go / Go, go, go, Johnny, go / Go, go, go, Johnny, go / Go, go, go, Johnny, go / Go, Johnny B. Goode

besta é tú

[sex] 23 de novembro de 2018

00:17 chegou a chuva. calor infernal.

o vizinho de bairro, lá do outro lado… no outro morro… resolveu discotecar para o bairro inteiro… durma-se com uma empolgação dessa… besta é tu… besta é tu¹

você está caindo pelas tabelas, olheiras monstro, quase 21 horas acordado (exceto pelos 3 ou 4 cochilos de 5 minutos no trânsito…), depois de passar 2 madrugas virado, e ter dormido só umas 4 horas nas últimas 48 horas… e de ter consumido uns 3 litros de café… você que quase não toma café.

exausto, mas vem aquela euforia de ter concluído uma disciplina… é, enviei o trabalho. é, ficou uma merda, uma grande merda… se vou passar? não sei. mas acabou… pronto. chega. deu.

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texto de mabel fricke

«para tornar-se pedra é preciso acrescentar. ganhar peso. se cobrir da quantidade exata em tons de cinza. aparentar solidez. camada por camada. pode se tornar se pedra sem nenhuma necessidade de ser sólido. para tornar-se pedra é preciso aceitar»

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Da estátua à pedra: percursos figurativos de José Saramago

«Saramago não foge ao que deveria ser, segundo Bourdieu (2001, p.78)², compromisso de cada ser pensante:

Se eu lembrar agora que as chances de parar essa máquina infernal repousam em todos aqueles que, detendo algum poder sobre as coisas da cultura, da arte e da literatura, podem, cada um em seu lugar e à sua maneira e, de sua parte, por mínima que seja, jogar seu grão de areia na engrenagem bem lubrificada das cumplicidades resignadas […], dirão talvez, de uma vez por todas, que sou desesperadamente otimista»

FERREIRA, S. Da estátua à pedra: percursos figurativos de José Saramago [online]. São Paulo: Editora UNESP, 2015, 233 p. ISBN 978-85-68334-49-2. Available from SciELO Books <http://books.scielo.org&gt;

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¹ Besta é tu, besta é tu, besta é tu, besta é tu, besta é tu, besta é tu. / Não viver nesse mundo, se não há outro mundo. / (Por que não viver?) / Não viver nesse mundo. / (Porque não viver?) / Se não há outro mundo. / (Por que não viver?) / Não viver outro mundo. / Besta é tu, besta é tu, besta é tu, besta é tu, besta é tu, besta é tu. / Não viver nesse mundo, se não há outro mundo. / (Por que não viver?) / Não viver nesse mundo. / (Porque não viver?) / Se não há outro mundo. / (Por que não viver?) / Não viver outro mundo. / E pra ter outro mundo, é preci-necessário viver. Viver contanto em qualquer coisa. / Olha só, olha o sol. O maraca domingo. O perigo na rua. / O brinquedo menino. A morena do Rio, pela morena eu passo o ano olhando o Rio. / Eu não posso com um simples requebro. Eu me passo, me quebro, entrego o ouro. / Mas isso é só porque ela se derrete toda só porque eu sou baiano. Mas isso é só porque ela se derrete toda só porque eu sou baiano. / Besta é tu, besta é tu, besta é tu, besta é tu, besta é tu, besta é tu… // Composição: Galvão / Moraes Moreira / Pepeu Gomes
² BOURDIEU, P. Contrafogos: táticas para enfrentar a invasão neoliberal. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

habitus… corpus… o que quer, o que pode essa língua?

[sex] 23 de novembro de 2018

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«What is a corpus?»

relatos de uma sexta on the edge

três e alguma coisa. fazendo a gramática de um pequeno corpus [36BrasíliaM]. ‘to perdido na morfologia… ou ao menos no que deveria ser uma análise morfológica… por agora. ponto pra mim, pois ao menos terminei os ajustes nas aulas de logo mais…

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«O habitus são princípios geradores de práticas distintas e distintivas — o que o operário come, e sobretudo sua maneira de comer, o esporte que pratica e sua maneira de praticá-lo, suas opiniões políticas e sua maneira de expressá-las diferente sistematicamente do consumo ou das atividades correspondentes do empresário industrial; mas são também esquemas classificatórios, princípios de classificação, princípios de visão e de divisão e gostos diferentes. Eles estabelecem as diferenças entre o que é bom e mau, entre o bem e o mal, entre o que é distinto e o que é vulgar etc., mas elas não são as mesmas. Assim, por exemplo, o mesmo comportamento ou o mesmo bem pode parecer distinto para um, pretensioso ou ostentatório para outro e vulgar para um terceiro». Bourdieu, Pierre (1996). Razões Práticas: Sobre a Teoria Da Ação [S.l.]: Papirus. ISBN 9788530803933

sou compulsivo. coleciono livros e pdf de artigos. [eu e meu caos]

«A novidade na sociedade brasileira, no entanto, é o aumento do número de jovens que se encontram nos inúmeros cursinhos espalhados pelo Brasil, para negros e carentes, que resolveram, mesmo em condições sabidamente adversas, tentar uma vaga em alguma instituição de ensino superior. Nesse movimento social crescente, diferentemente de qualquer benefício particularista, o que essa
juventude espera é apenas que lhe sejam asseguradas condições mínimas de continuidade de seus estudos para disputar com igualdade de condições as escassas oportunidades de uma sociedade que tem se orientado por conceder privilégios aos de cima. Nessa luta da juventude negra encontra-se, ao meu ver, a contradição que poderá possibilitar mudanças fundamentais no comportamento, na ação e na participação política da população afrodescendente. Mesmo sendo um movimento social dentro da ordem, ele, certamente, a coloca em xeque ao exigir políticas públicas efetivas para promoção do acesso no âmbito do ensino superior brasileiro, especialmente o público, que como se sabe, tem formado historicamente os quadros dirigentes do país. Desconhecer a importância e a legitimidade desse movimento social é tentar manter a farsa para não atingir a meta de construção de uma sociedade multicultural, democrática e desracializada». Valter Roberto Silvério. Ação Afirmativa: Percepções da “Casa Grande” e da “Senzala”. Perspectivas, São Paulo, 26: 57-79, 2003

Fonética e fonologia do português brasileiro: 2º período / Izabel Christine Seara, Vanessa Gonzaga Nunes, Cristiane Lazzarotto-Volcão – Florianópolis: LLV/CCE/UFSC, 2011. 119 p. : il., grafs., tabs. ISBN: 978-85-61482-38-1

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cinco e nove da manhã. alguém resolveu acordar o bairro com seu super aparelho de som… não sou eu. meu pseudo-planejamento era: as seis finalizar sua parte e enviar para o colega de trabalho fazer as modificações que achasse necessário. na prática… não fiz quase, quase nada.

«Um semanticista é um estrangeiro da própria língua» Pires de Oliveira, 2001.
Roberta Pires de Oliveira – Semântica Formal – Uma breve introdução (2001)

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«O problema da linguística é sua opção por operar numa espécie de modo maior, desprezando o cromatismo das línguas:

A linguística ainda não abandonou uma espécie de modo maior, um tipo de escala diatônica, um estranho gosto pelas dominantes, constantes e universais. Durante este período, todas as línguas estão em variação contínua imanente: nem sincronia nem diacronia, mas assincronia, cromatismo como estado variável e contínuo da língua. Por uma linguística cromática, que dê ao pragmatismo suas intensidades e valores. (DELEUZE; GUATTARI, 1995, p. 41).

Contra este modo maior da linguística, Deleuze e Guattari investem na possibilidade de um uso menor da língua, um uso de resistência e revolucionário, que faça a língua falar de outra maneira. Fazer a língua gaguejar é produzir variações infinitas, que fazem com que ela escape do modo maior que a aprisiona. Esta perspectiva fica ainda mais clara em um ensaio solo de Deleuze (Gaguejou…), escrito algum tempo depois e publicado em Crítica e clínica. Acompanhemos seu raciocínio:

Não se trata de uma situação de bilinguismo ou multilinguismo. Pode-se conceber que duas línguas se misturem, com passagens incessantes de uma a outra; cada uma continua sendo um sistema homogêneo em equilíbrio, e a mistura se faz em falas. Mas não é desse modo que os grandes escritores procedem, embora Kafka seja um tcheco escrevendo em alemão e Beckett um irlandês escrevendo (com freqüência) em francês, etc. eles não misturam duas línguas, nem sequer uma língua menor e uma língua maior, embora muitos
deles sejam ligados a minorias como ao signo de sua vocação. O que fazem é antes inventar um uso menor da língua maior na qual se expressam inteiramente; eles minoram essa língua, como em música, onde o modo menor designa combinações dinâmicas em perpétuo desequilíbrio. São grandes à força de minorar: eles fazem a língua fugir, fazem na deslizar numa linha de feitiçaria e não param de desequilibrá-la, de fazê-la bifurcar e variar em cada um de seus termos, segundo uma incessante modulação […] É um estrangeiro em sua própria língua: não mistura outra língua à sua, e sim talha na sua língua uma língua estrangeira que não preexiste. (DELEUZE, 1997, p. 124-125).

ENTRE MAIORIDADES E MINORIDADES: LÍNGUA, CULTURA E POLÍTICA NO PLURAL
Regina Maria de Souza e  Silvio Gallo. Políticas Educativas, Campinas, v.1, n.1, p. 124-140, out. 2007

DELEUZE, G. Crítica e clínica. São Paulo: Ed. 34, 1997

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Postulados da Lingüística. In: DELEUZE, G.; GUATTARI, F. . Mil platôs, Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995. v. 2.

cinco e dezenove… lutando com palavras…

O LUTADOR
Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
Algumas, tão fortes
como um javali.
Não me julgo louco.
Se o fosse, teria
poder de encantá-las.
Mas lúcido e frio,
apareço e tento
apanhar algumas
para meu sustento
num dia de vida.
Deixam-se enlaçar,
tontas à carícia
e súbito fogem
e não há ameaça
e nem há sevícia
que as traga de novo
ao centro da praça (…)
Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue…
Entretanto, luto.
Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate.
Quisera possuir-te
neste descampado,
sem roteiro de unha
ou marca de dente
nessa pele clara.
Preferes o amor
de uma posse impura
e que venha o gozo
da maior tortura (…)
Carlos Drummond de Andrade

17h55 eu desisto de mim… vou faltar ao trabalho (e coloca mais meia falta para a conta…) e ficar pelas próximas cinco horas fazendo esse trabalho que é para hoje e eu deveria ter começado dois meses atrás… e que ‘tá uma bosta agora.

19h20 meu corpo durante o dia inteiro está a dar tilt¹ [UK  /tɪlt/]… é sono, é cansaço… é exaustão. mas ouve… não desliga… respira, relaxa… p’ra que esse desespero… essa sangria desatada… esse atrapalhar todo. se der deu, se não der… não deu e ponto. logo mais é amanhã e a gente volta ao mesmo ponto na montanha russa…

vai terminar o interminável, bicho!

21h55 aqui passa um rio…

Português/Fonema/Classificação das consoantes

LínguaPortuguesa: ma unidade, uma variação e suas representações. André Conforte e Flávio Barbosa (orgs.) Rio de Janeiro : Dialogarts Publicações, 2014. 18 Kb; PDF

Língua Portuguesa I: fonética e fonologia. Adelaide Hercília Pescatori Silva. — Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2007.

22h05 As desinências de Cartola

«Quando cantamos “As rosas não falam” observamos que o núcleo do sujeito (rosas) está no plural e obriga os elementos que a ele se associam (As, falam) também aparecerem no plural. O (-s), então é desinência nominal de número plural.» As desinências de Cartola. André Oliveira. In: Morforyou: Uma conversa sobre a morfologia.

nota de rodapé

  1. «Uma das primeiras coisas que uma subcultura desenvolve é um dialeto próprio. (…) Tilt significa inclinação em inglês; era uma forma de dizer ao jogador ‘ei, você tá inclinando muito a máquina, pega leve!‘. Pra nós, no entanto, o termo virou sinônimo de quebrou — afinal, tudo que sabíamos é que o termo acompanhava a desativação dos flippers. De forma pavloviana fomos condicionados a compreender o termo como “ih, deu pau!”Gamer também tem suas próprias gírias. 
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