não é cair: é voar com estilo

[sex] 16 de novembro de 2018

«I was going to write you a poem, but then I didn’t. A week ago I wrote you a tiny telegram e dizia “I’ll be home soon. Do not cry, Princess.” Foi dura pra caramba essa distância, mas é bom saber que você se fez rainha e que o afastamento de dois corpos em muito contribuiu para isso. Doeu, mas foi. E os santos padroeiros ajudaram: Sebastião, António, Jorge e as multidões revolucionárias que andam às cabeçadas com a crise económica. Às vezes penso na fazenda do meu pai. É como aquela imagem do rosto do tigre que me vem às barbas, mas depois passa. Também escuto as canções do Tim Maia mas nada resolve muito bem. Só sei da fazenda do pai, da fronha do tigre, do choro do mendigo e… vá lá, vai… já é do caraças. Fiz-me poeta para dizeres “Ok, don’t you understand?”, como dizia o rapaz à chuva. “Don’t you?” Isto não é um videoclipe, esquece. Alguns monges andam procurando mirra nas extremidades dos grãos da terra, mas já sabemos que isso é um valente estado de ilusão. Ou então é fé, sabe-se lá. Tu deves saber. Tu sabes muito sobre escavação e oração. Esta noite escrevi o terceiro pedido de casamento, mas acho que já não vais na conversa. Faz tripas, coração mas sei muito bem que me amas pelos olhinhos e nunca pelas coisas que um dia morrem de podres, zonas internas e tal. Poemas… bah! Andas aí empenhada em saber por que raio é que escrevo em inglês mas… nem eu sei. Deve ser tão mais fácil mentir em estrangeiro, disse que isto de poesia era tudo verdade mas, não sei não. Também achei que o amor tinha muito menos mutação que um plátano, e agora fico aqui sentada na fazenda assistindo à transição das estações. Alguém fez disto uma enorme ilusão, e olha que nem sei o que é a morte. My bad, or my luck. Os olhos da avó ainda são azuis. Está tudo igual naquela sala, só puxaram os sofás um pouco mais pra frente. É da crise, sei lá. A Europa não parece querer ter outra palavra. Vi que na cidade um homem se suspende a troco de dinheiro e que fica na praça por horas e horas. Faz um cento e tal de euros por mês. Saudade do Real, my friend… Saudade de tudo aquilo que a gente foi um dia mas agora só existem os poemas, a mentira dos poemas e a tradução dos poemas feita por heróis que julgam…sei lá, amar a história que já morreu. Guarda o número sessenta mil. Pode ser que te dê sorte.» Matilde Campilho

***

3h27 calor dos infernos. mosquitos de toda a ordem e grau… zuuuuuneeeemmm… não consigo dormir. algo me engasga…

bandoli me apresenta essa pérola, matilde.

***

P_20181115_152215

Texturas.

Um dia foi semente,
um dia foi árvore.
Um dia foi parede,
noutro foi caixaria.
Hoje seus cortes suportam
a casa em construção…
guardam as marcas
do artífice e da arte.

***

tomar nota:

«(…) Uma coisa que me ajudou muito foi entender a diferença que Djamila Ribeiro faz entre opressão e sofrimento. Outra foi um entrevista de Talíria Petrone em que ela fala de territórios e representatividade na esquerda. Estou lendo o que a Bell Hooks fala sobre classe e etnia no feminismo. Existe uma dialética não tão óbvia quanto se deveria sobre o lugar de fala e o lugar de escuta. Na verdade a dificuldade em relação ao lugar de fala elucida uma dificuldade nos espaços de escuta. Eu creio que estes espaços são moldados por um sistema estrutural histórico fudido e cada vez mais desenvolvido tecnologicamente de opressão. Aqui tivemos o projeto de miscigenação que produz um mito de democracia racial perigoso e uma cultura de estupro latente. Lélia Gonzalez creio que trabalha bem a relação do racismo com o sexismo ao mesmo tempo que constrói o conceito de amerfricanidade. Então nós, mulheres brancas brasileiras, sobretudo as que, como eu, são dos estratos mais pobres da classe trabalhadora, provavelmente somos muito mais resultado da Redenção de Cam do que da descendência WASP. O colorismo é um debate super complexo, ainda mais numa sociedade em que a PM é racista e a miscigenação é pautada na cultura de estupro. A Angela Davis tem uma reflexão sobre a história dos direitos civis nas Américas bem bacana também em que faz uma revisão da questão de gênero, étnica e de classe e como foram tratadas na história moderna das Américas esses temas e nos movimentos sociais, como foram reprimidos, a importância da construção coletiva de solução em oposição aos acentuados conflitos nos níveis das experiências e reconhecimentos individuais. (…)» D. A.

***

4h17 upload… 297 de 779. é abril de 2011 ainda…

***

9h57 já tomei café, mas ainda continuo com sono. roberta respondeu meu email cinco minutos atrás, parece que tirei 7,25. ufa (respondi 9/10…).

mas meu peito está pesado ainda, talvez a poeira de ontem… ou da dúvida de sempre.

mentalizar… pensar positivo, aproveitar o dia de sol.

***

23h43 dia longo. vasos, pias, portas e janelas… aos poucos a casa nova vai ganhando seu contorno. e nessa que habito provisoriamente… um ninho de formigas em mudança resolveu se alojar ao meu lado, no quarto… assim não vai dar, vou cortar relações.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: