habitus… corpus… o que quer, o que pode essa língua?

[sex] 23 de novembro de 2018

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«What is a corpus?»

relatos de uma sexta on the edge

três e alguma coisa. fazendo a gramática de um pequeno corpus [36BrasíliaM]. ‘to perdido na morfologia… ou ao menos no que deveria ser uma análise morfológica… por agora. ponto pra mim, pois ao menos terminei os ajustes nas aulas de logo mais…

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«O habitus são princípios geradores de práticas distintas e distintivas — o que o operário come, e sobretudo sua maneira de comer, o esporte que pratica e sua maneira de praticá-lo, suas opiniões políticas e sua maneira de expressá-las diferente sistematicamente do consumo ou das atividades correspondentes do empresário industrial; mas são também esquemas classificatórios, princípios de classificação, princípios de visão e de divisão e gostos diferentes. Eles estabelecem as diferenças entre o que é bom e mau, entre o bem e o mal, entre o que é distinto e o que é vulgar etc., mas elas não são as mesmas. Assim, por exemplo, o mesmo comportamento ou o mesmo bem pode parecer distinto para um, pretensioso ou ostentatório para outro e vulgar para um terceiro». Bourdieu, Pierre (1996). Razões Práticas: Sobre a Teoria Da Ação [S.l.]: Papirus. ISBN 9788530803933

sou compulsivo. coleciono livros e pdf de artigos. [eu e meu caos]

«A novidade na sociedade brasileira, no entanto, é o aumento do número de jovens que se encontram nos inúmeros cursinhos espalhados pelo Brasil, para negros e carentes, que resolveram, mesmo em condições sabidamente adversas, tentar uma vaga em alguma instituição de ensino superior. Nesse movimento social crescente, diferentemente de qualquer benefício particularista, o que essa
juventude espera é apenas que lhe sejam asseguradas condições mínimas de continuidade de seus estudos para disputar com igualdade de condições as escassas oportunidades de uma sociedade que tem se orientado por conceder privilégios aos de cima. Nessa luta da juventude negra encontra-se, ao meu ver, a contradição que poderá possibilitar mudanças fundamentais no comportamento, na ação e na participação política da população afrodescendente. Mesmo sendo um movimento social dentro da ordem, ele, certamente, a coloca em xeque ao exigir políticas públicas efetivas para promoção do acesso no âmbito do ensino superior brasileiro, especialmente o público, que como se sabe, tem formado historicamente os quadros dirigentes do país. Desconhecer a importância e a legitimidade desse movimento social é tentar manter a farsa para não atingir a meta de construção de uma sociedade multicultural, democrática e desracializada». Valter Roberto Silvério. Ação Afirmativa: Percepções da “Casa Grande” e da “Senzala”. Perspectivas, São Paulo, 26: 57-79, 2003

Fonética e fonologia do português brasileiro: 2º período / Izabel Christine Seara, Vanessa Gonzaga Nunes, Cristiane Lazzarotto-Volcão – Florianópolis: LLV/CCE/UFSC, 2011. 119 p. : il., grafs., tabs. ISBN: 978-85-61482-38-1

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cinco e nove da manhã. alguém resolveu acordar o bairro com seu super aparelho de som… não sou eu. meu pseudo-planejamento era: as seis finalizar sua parte e enviar para o colega de trabalho fazer as modificações que achasse necessário. na prática… não fiz quase, quase nada.

«Um semanticista é um estrangeiro da própria língua» Pires de Oliveira, 2001.
Roberta Pires de Oliveira – Semântica Formal – Uma breve introdução (2001)

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«O problema da linguística é sua opção por operar numa espécie de modo maior, desprezando o cromatismo das línguas:

A linguística ainda não abandonou uma espécie de modo maior, um tipo de escala diatônica, um estranho gosto pelas dominantes, constantes e universais. Durante este período, todas as línguas estão em variação contínua imanente: nem sincronia nem diacronia, mas assincronia, cromatismo como estado variável e contínuo da língua. Por uma linguística cromática, que dê ao pragmatismo suas intensidades e valores. (DELEUZE; GUATTARI, 1995, p. 41).

Contra este modo maior da linguística, Deleuze e Guattari investem na possibilidade de um uso menor da língua, um uso de resistência e revolucionário, que faça a língua falar de outra maneira. Fazer a língua gaguejar é produzir variações infinitas, que fazem com que ela escape do modo maior que a aprisiona. Esta perspectiva fica ainda mais clara em um ensaio solo de Deleuze (Gaguejou…), escrito algum tempo depois e publicado em Crítica e clínica. Acompanhemos seu raciocínio:

Não se trata de uma situação de bilinguismo ou multilinguismo. Pode-se conceber que duas línguas se misturem, com passagens incessantes de uma a outra; cada uma continua sendo um sistema homogêneo em equilíbrio, e a mistura se faz em falas. Mas não é desse modo que os grandes escritores procedem, embora Kafka seja um tcheco escrevendo em alemão e Beckett um irlandês escrevendo (com freqüência) em francês, etc. eles não misturam duas línguas, nem sequer uma língua menor e uma língua maior, embora muitos
deles sejam ligados a minorias como ao signo de sua vocação. O que fazem é antes inventar um uso menor da língua maior na qual se expressam inteiramente; eles minoram essa língua, como em música, onde o modo menor designa combinações dinâmicas em perpétuo desequilíbrio. São grandes à força de minorar: eles fazem a língua fugir, fazem na deslizar numa linha de feitiçaria e não param de desequilibrá-la, de fazê-la bifurcar e variar em cada um de seus termos, segundo uma incessante modulação […] É um estrangeiro em sua própria língua: não mistura outra língua à sua, e sim talha na sua língua uma língua estrangeira que não preexiste. (DELEUZE, 1997, p. 124-125).

ENTRE MAIORIDADES E MINORIDADES: LÍNGUA, CULTURA E POLÍTICA NO PLURAL
Regina Maria de Souza e  Silvio Gallo. Políticas Educativas, Campinas, v.1, n.1, p. 124-140, out. 2007

DELEUZE, G. Crítica e clínica. São Paulo: Ed. 34, 1997

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Postulados da Lingüística. In: DELEUZE, G.; GUATTARI, F. . Mil platôs, Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995. v. 2.

cinco e dezenove… lutando com palavras…

O LUTADOR
Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
Algumas, tão fortes
como um javali.
Não me julgo louco.
Se o fosse, teria
poder de encantá-las.
Mas lúcido e frio,
apareço e tento
apanhar algumas
para meu sustento
num dia de vida.
Deixam-se enlaçar,
tontas à carícia
e súbito fogem
e não há ameaça
e nem há sevícia
que as traga de novo
ao centro da praça (…)
Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue…
Entretanto, luto.
Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate.
Quisera possuir-te
neste descampado,
sem roteiro de unha
ou marca de dente
nessa pele clara.
Preferes o amor
de uma posse impura
e que venha o gozo
da maior tortura (…)
Carlos Drummond de Andrade

17h55 eu desisto de mim… vou faltar ao trabalho (e coloca mais meia falta para a conta…) e ficar pelas próximas cinco horas fazendo esse trabalho que é para hoje e eu deveria ter começado dois meses atrás… e que ‘tá uma bosta agora.

19h20 meu corpo durante o dia inteiro está a dar tilt¹ [UK  /tɪlt/]… é sono, é cansaço… é exaustão. mas ouve… não desliga… respira, relaxa… p’ra que esse desespero… essa sangria desatada… esse atrapalhar todo. se der deu, se não der… não deu e ponto. logo mais é amanhã e a gente volta ao mesmo ponto na montanha russa…

vai terminar o interminável, bicho!

21h55 aqui passa um rio…

Português/Fonema/Classificação das consoantes

LínguaPortuguesa: ma unidade, uma variação e suas representações. André Conforte e Flávio Barbosa (orgs.) Rio de Janeiro : Dialogarts Publicações, 2014. 18 Kb; PDF

Língua Portuguesa I: fonética e fonologia. Adelaide Hercília Pescatori Silva. — Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2007.

22h05 As desinências de Cartola

«Quando cantamos “As rosas não falam” observamos que o núcleo do sujeito (rosas) está no plural e obriga os elementos que a ele se associam (As, falam) também aparecerem no plural. O (-s), então é desinência nominal de número plural.» As desinências de Cartola. André Oliveira. In: Morforyou: Uma conversa sobre a morfologia.

nota de rodapé

  1. «Uma das primeiras coisas que uma subcultura desenvolve é um dialeto próprio. (…) Tilt significa inclinação em inglês; era uma forma de dizer ao jogador ‘ei, você tá inclinando muito a máquina, pega leve!‘. Pra nós, no entanto, o termo virou sinônimo de quebrou — afinal, tudo que sabíamos é que o termo acompanhava a desativação dos flippers. De forma pavloviana fomos condicionados a compreender o termo como “ih, deu pau!”Gamer também tem suas próprias gírias. 

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