Archive for dezembro, 2018

mas de qualquer jeito, nunca fomos de muita conversa… então não pense duas vezes, está tudo bem

2018, dezembro 31, segunda-feira
  • vai terminar o ano e não terminei de ler o livro. mas colo coisas:

Case sabia que em algum momento, havia começado a jogar um jogo consigo mesmo, um jogo muito antigo que não tinha nome, uma espécie de paciência final. (…) uma parte dele sabia que o arco de sua autodestruição estava ululantemente óbvio para seus clientes, que iam rareando, mas essa mesma parte se comprazia no conhecimento de que era apenas uma questão de tempo. e essa era a sua parte, que encarava a expectativa da morte com desprezo, que mais odiava pensar em Linda Lee.
Ele a conhecera numa noite de chuva num fliperama. (pág. 28) (…) a expressão no rosto dela, (…) o lábio superior igual àquela linha que as crianças desenham para representar um pássaro em movimento. (pág. 29)
(…) agora havia uma coisa nos olhos cinzentos dela que ele não conseguia ler, uma coisa que nunca vira ali antes. (pág. 31)

e há cabeça a cabeça, a corrida chino-yanque, pela tal computação quântica – e o cara da geografia pergunta/afirma:

  • Prolongamento das inovações e a administração dos ciclos longos?!!! e a teoria leninista da crise?!

procuro o poema, acho uma confeitaria… e priscilla campos me diz como degustar um bocado de matilde… vale a leitura, excelente publicação independente, vale a leitura integral do texto. tomo notas:

  • Linguagem oral e oscilação como impulso da escrita
  • Sándor Márai: “En la literatura, así como en la vida, sólo el silencio es sincero”
  • Poems e Today, de Frank O’Hara como o marco zero literário de Matilde?

Well it ain’t no use to sit and wonder why, babe
Ifin’ you don’t know by now
An’ it ain’t no use to sit and wonder why, babe
It’ll never do some how
When your rooster crows at the break a dawn
Look out your window and I’ll be gone
You’re the reason I’m trav’lin’ on
Don’t think twice, it’s all right
And it ain’t no use in a-turnin’ on your light, babe
The light I never knowed
An’ it ain’t no use in turnin’ on your light, babe
I’m on the dark side of the road
But I wish there was somethin’ you would do or say
To try and make me change my mind and stay
We never did too much talkin’ anyway
But don’t think twice, it’s all right
No it ain’t no use in callin’ out my name, gal
Like you never done before
And it ain’t no use in callin’ out my name, gal
I can’t hear ya any more
I’m a-thinkin’ and a-wond’rin’ wallkin’ way down the road
I once loved a woman, a child I am told
I give her my heart but she wanted my soul
But don’t think twice, it’s all right
So long honey babe
Where I’m bound, I can’t tell
Goodbye is too good a word, babe
So I just say fare thee well
I ain’t sayin’ you treated me unkind
You could have done better but I don’t mind
You just kinda wasted my precious time
But don’t think twice, it’s all right
e vou repetir essa canção até o sono chegar e eu conseguir dormir. pra acordar só ano que vem… ou não, pois é cedo e já tomei muito café.

(dois covardes e uma parede branca no meio)

2018, dezembro 31, segunda-feira

vou fazer coisas assim, um dia.

lista de videopoemas de cassiana maranha:

two cowards and a white wall between
the New Man and the Whale
a melhor pessoa que eu conheço
mais bicho que fruta
o tigre de Matilde (Matilde's tiger)
things we don't understand e que abraçaremos
o dorso da baleia solitaria (the back of the lonely whale)

e finalizo cá, com esta maravilha:

Matilde Campilho empresta sua voz a Alexandre O´Neill

UM ADEUS PORTUGUÊS

Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz de ombros puros e a sombra
de uma angústia já purificada

Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor

Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver

Não podias ficar nesta cama comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual

Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal

Não tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser

Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal 

*

Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.

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Alexandre O’Neill, No Reino da Dinamarca, 1958

extraído daqui ó: http://folhadepoesia.blogspot.com/2013/08/um-adeus-portugues-alexandre-oneill.html

vê se ti liga; táish pensandu u que da vida, ólha pra frente, caminhas que chegas lá.. tú sabes né?!

2018, dezembro 30, domingo

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1/5 da montanha que me cerca…

*

o ruim de não estar na sua casa, é que você, de certa forma tem que confraternizar com as visitas do anfitrião. e colaborar na limpeza da casa… se o papo ainda fosse bom ou útil… mas dessa gente que vê silvio santos e vai no culto… não tenho saco nem pra familia, quanto mais pra visita alheia… vou me esconder no meu quarto.

*

ontem, visitei o passado, ando nostálgico… confesso que é uma forma de não ficar no futuro… e nem viver o presente (duro e mal pago). passatempo que trás coisas boas… mas por vezes te leva pra lugares dificeis. tentei reconstruir 2006, para além dos fragmentos contidos aqui, e vi como foi um ano intenso – e profundo, por muito do que sou hoje, vem gravado desses dias…

mas foi sobretudo, um ano muito dolorido. acho que foi o ano que mais chorei em toda a minha vida… há cortes muito profundos, que ainda sagram até hoje.

*

e batata… acordei hoje com uma sensação estranha… sabe quando a gente acorda depois de sonhos dificeis, os tais nightmare, pesado, daqueles onde a gente corteja de forma aberta e declarada a morte, e que nos deixam um gosto amargo e estranho na memória e no peito… voltei a dormir… minha vontade de ver pessoas sumiu. dormi quase o dia inteiro.

*

a ainda essa gente estranha na casa… tenho voltande nenhuma de socializar. vontade de ver ninguém.

*

agorinha… só agora, ouvi a mensagem que me enviaram pelo zap no natal: e ela dizia mais ou menos assim…

ô boca mole, vê se te cuida. continua assim guri bom ishtudiosu… trabalhado tu chegash lá.. para di sê tolô, segue reto toda vida, seu boca mole, ishtepô, arrombado, vê se ti liga… Táish pensandu u que da vida, olha pra frente, caminhas que chegas lá.. tú sabes né?!

*

coisas que descobri hoje:

«exumando a dissensão» e o «exocet»

nightmare…

dia 28 fez 45 anos do strike on skylab 4

o adeus de fellini