doubles en nous mesmes: ficções e experimentos…

2018, dezembro 9, domingo

pelas discussões dos últimos dias (sobre religião, humanidade, racionalidade, consciência, condição humana)…

começamos por aqui:

O PODER DA FICÇÃO NA SOCIEDADE

texto do vídeo abaixo disponível no excelente canal Casa do Saber

“Ficção: Poderosa Arma dos Homens” escrito por Claudia Feitosa-Santana baseado na seção sobre ficção do livro “Sapiens” de Yuval Noah Harari. Resumo: Quando o ponto de vista é compartilhado por todos nós, geralmente estamos falando de uma realidade objetiva como: água, floresta, baleia. Quando o ponto de vista é dificilmente compartilhado por todos, geralmente estamos falando de uma realidade subjetiva também conhecida como ficção. Quando uma realidade subjetiva é compartilhada por quase todo mundo, ela se parece com uma realidade objetiva. Dois exemplos: Deus e dinheiro, ficções aceitas pela maioria. Quanto mais gente acreditar numa realidade subjetiva, menos ela se parece com uma ficção. As ficções são extremamente necessárias para nossa organização em sociedade e nenhum outro animal no planeta tem a imaginação que nós temos: É difícil respeitar o direito alheio? Criamos a Lei. A vida nem sempre parece ter sentido? Criamos Deus. É difícil amar ao próximo como a si mesmo? Criamos a Religião. A vida é muito curta? Criamos a Vida Eterna e a Reencarnação. É difícil ter apenas um parceiro? Criamos o Casamento. As ficções partilhadas facilitam a cooperação. Dois evangélicos que não se conhecem podem juntos protestar contra o aborto e o casamento gay. Dois norte-americanos que nunca se viram vão para a guerra como irmãos em nome de sua nação. Dois funcionários de uma mesma corporação que não se conhecem são capazes de trabalhar num projeto juntos por meses e terminarem sem conhecer nada da vida pessoal um do outro. Realidade objetivas, fonte esgotável. Realidades subjetivas, fonte inesgotável de ficções. Nossas realidades subjetivas são muito mais poderosas que as objetivas e até mesmo a sobrevivência da água das florestas e das baleias depende da graça concedida por deuses, estados e corporações.

C

e pelo acaso, encontrar «experimenter» ou «o experimento de milgram», filme dirigido por Michael Almereyda (2015).

não peguei o começo e nem o final do filme, mas os poucos minutos que vi, despertou o desejo de vê-lo todo, e pesquisar mais sobre…

«Stanley Milgram (1933 – 1984) foi um psicólogo norte-americano  graduado da Universidade de Yale que conduziu a experiência dos pequemos mundos (a fonte do conceito dos seis graus de separação) e a Experiência de Milgram sobre a obediência à autoridade».

abaixo, uma citação do filme [01:06:04,059 –> 01:07:12,794]:

«Mas a obediência, a submissão, era mais comum. Eles dizem: “Não farei isso. Não farei mais isso.” Mas então, o que Montaigne dizia? “Somos duplos em nós mesmos. Não acreditamos no que acreditamos, e não podemos nos livrar do que condenamos.” Outro de meus experimentos. Hank, um estudante da graduação, era o chamado “cristal de massa”, olhando para um ponto fixo no espaço, olhando para “algo” não inexistente. Quando você aumenta as pessoas que olham para o alto, o número de pessoas que param e olham aumenta exponencialmente. Enquanto isso, Obediência à Autoridade foi traduzido para oito idiomas e indicado para um prêmio nacional.»

«Mais nous sommes, je ne sçay comment, doubles en nous mesmes, qui faict que ce que nous croyons, nous ne le croyons pas, et ne nous pouvons deffaire de ce que nous condammons.»  Idem, p. 619.

«Somos duplos em nós mesmos. Não acreditamos no que acreditamos, e não podemos nos livrar do que condenamos».

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chaoscontrol

Einige Kreise [several circles] / Schwarze Linien I [Black Lines]

Kandinsky – Chaos/Control

Da obediência ao consentimento: reflexões sobre o experimento de Milgram à luz das instituições modernas, por Sandra Leal de Melo Dahia

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A vida só pode ser compreendida para trás, mas tem que ser vivida para a frente.” Søren Kierkegaard

 

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