dia 10/matilde campilho

2018, dezembro 15, sábado

Dia 10 – Matilde Campilho

https://www.youtube.com/watch?v=TJ1QMvAlzr0

É que por você eu dirigia meu automóvel de uma forma muito estapafúrdia. Meus pais sempre discutiam comigo porquê não chegava à hora de jantar. O garoto da loja de sorvete piscava-me o olho quando eu chegava sozinha no balcão, ele já sabia que você dobraria a próxima esquina.

Por você eu ficava sempre brigando com os pássaros, queria assobiar muito mais alto do que eles e, isso, não é nada esperto. Quem briga com bicho, perde!

Por você, eu também fui descobrir aquele projeto de mamífero emadeirado que ficava no ponto mais alto da aldeia e por causa disso eu soube que a luz incide de uma forma muito maravilhosa no rosto de Dona Manu. É que Dona Manu ficava lá sentada comigo todas as tardes do lado da estrutura. Era eu, Dona Manu e a Baleia. Todas as tardes de verão em Lisboa.

Não sei se te disse, mas durante nossos dias fez sempre Verão em Lisboa. Não sei se você reparou, mas sei que todos os marinheiros da vila ao lado repararam. Lembra quando subimos no barco para comer churrasco? Acho que esse foi o fim de tarde mais lindo do mundo. Como quase todos os dias do mundo, foram os mais maravilhosos com você.

As vezes ainda acho que vivo num filme, que é tudo uma cinematografia um pouco estapafúrdia. Um filme. Um filme em que não disseste sim. Um filme que escolheste outro tipo de disparos. Um filme em que julgaste que minha velocidade era a coisa mais idiota da galáxia. Sim, eu pegaria um avião só pra te beijar no dia dos seus anos. Sim, eu já te tinha dito. Era capaz de atravessar a cidade em bicicleta só para te ver dançar.

E não se iluda, nunca mais se iluda. Eu não sou herói, nada de campeonatos. Nunca atravessei nenhuma das chuvas pra te provar coisa alguma. Tudo que atravessei, toda aquela rapidez que te levava do claro ao escuro em quarenta e três segundos era só porque… desculpa, mas eu sempre achei que eras a pessoa mais bonita do mundo.

Sempre achei que a tua presença ao meu lado era quase imersiva. Não acho que sejas a Gisele Bündchen, não acho que sejas o Brad Pitt, não acho que sejas o menino Arthur Rambault, não acho que tu sejas os quantos quilômetros de um Austin Martin em uma estrada de Katimandu. Acho que tu és o teu nome. Teus olhos castanhos. Teu cabelo claro. Tua voz as vezes grave, as vezes doce. Tua incrível  mirada sobre o mundo dos negócios. E, tua bendita sensibilidade para a natureza, una, espiritual, familiar, de todas as coisas.

Desculpa gostar tanto de ti. Desculpa já nem sequer te inventar. Eu sei que teu rosto é o teu rosto. E isso ainda é muito equiparável a estabilidade de uma girafa sobre os trinta pratos numa fazenda. Acho que foi por ti que Santo Anselmo cuspiu flores.

Tu, o teu nome, a alegria no mundo. Acho que teu amor, que nasce e morre e nasce e morre e ressucita e assim alastra, é a maior de todas as bençãos possíveis no peito de um anjo roxo.

Perdoa este excesso de paixão. Talvez para ti seja mais difícil, mas eu prometi sempre dizer a verdade, toda gente sabe quem tu és para mim. Você. E, para você, meus parabéns pelos trinta anos de terra, pela parte que me toca, obrigada pelos vinte, foi, ainda é, uma aventura tremenda.

Um abraço forte

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