[alt(crtl del)-right]

2018, dezembro 25, terça-feira

compulsivamente vou iniciando as coisas sem terminar as anteriores, deixando um punhado de pontas soltas e nós pelo caminho. depois do almoço de natal, estou a brincar de organizar meus ficheiros… renomeando arquivos, pastas, organizando, (re)lendo coisas…

criei uma pasta chamada [alt(crtl del)-right] para colocar um pouco da mitomania da imbecialidade coletiva e as refutações necessárias disponíveis pela resistência, que estavam no meu pc. será que o nome ficou óbvio?

Ctrl+Alt+Del é uma combinação especial de teclas na maioria dos sistemas operacionais e consiste no pressionamento sequencial (porém mantendo-se as teclas pressionadas): Ctrl (Control), depois Alt (Alternative) e finalmente Del (Delete). E alt-right… nem precisa mencionar.

Ctrl-Alt-Right-Delete-Facebook-Meta-455x285

ok, fui pesquisar para ver o que dava… e olha que interessante:

https://ctrlaltrightdelete.com

Ctrl Alt-Right Delete -> é um boletim informativo dedicado a entender como a direita opera online e desenvolvendo estratégias e táticas para lutar.

 

The Briggs – Control Alt​-​Right Delete

***

e já que estou a escrever, aproveito e colo um pedacinho do texto que acabei de ler:

porque a a utopia é um processo… e se faz no cotidiano, na resistência, na práxis coletiva… no caminhar… é o inédito-viável… é o inédito-possível… é algo vivo.

«A utopia marxiana “é algo vivo” e continuará a viver “enquanto existirem homens que se reconheçam nela” (HELLER, 1983, p. 148). Numa época em que as relações entre o capital e a estrutura da sociedade eram consideradas parte indissociável da vida, que o valor do trabalho não era visto como o fator de igualdade entre os homens, que a política representativa alçava-se sobre a política ativa, de mobilização de grandes massas, Marx associou o tema candente da emancipação humana a uma sociedade igualitária, superando as distinções de classe. Uma nova civilização em que o homem não seria “um animal que se identifica com sua animalidade”, como na Idade Média, sem o isolamento da Idade Moderna (MARX, 2005a, p. 962). Uma nova dimensão do homem e do humanismo em oposição ao humanismo da fraternidade burguesa.

Esse foi o magnetismo da teoria e do método marxiano: a identificação de grandes massas com o seu pensamento. A sua própria vida foi um exemplo da autenticidade da sua utopia. Não há descompasso entre as palavras e a práxis marxiana⁸⁶. O rigor na análise e a racionalidade da fundamentação é que fazem de Marx não um utopista, no sentido de um vir a ser abstrato, mas um utopista racional, no sentido de uma utopia construída, uma utopia racional.
Em Marx, o “reino da liberdade” é a superação do “reino da necessidade”. Livre da necessidade material do trabalho, o homem civilizado, ao contrário do homem primitivo, não precisaria continuar a confrontar-se com a natureza para atender a suas necessidades exteriores e poderia dominar as “forças cegas” das relações de troca, dedicando ao trabalho esforços menores, em condições dignas, em conformidade com a sua “natureza humana”. É o que Marx escreve nas linhas finais de O capital (MARX, 1968, p. 1.488). Reduzida a jornada de trabalho, condição fundamental para a sua emancipação, o homem socializado estaria livre para conhecer a si mesmo e concretizar todo o potencial da vida humana. Esse é o ponto culminante da filosofia marxiana. O comunismo não é o fim do vir a ser, mas o começo da utopia.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

La philosophie veut savoir ce qui est vrais et non ce qui est autorisé; elle damande ce qui est vrai pour tous les hommes, non ce qui est vrai pour quelques-uns; ses vérités metáphysiques ignorent les frontières de la geographie politique; ses verités politiques savent trop bien où
commencent les “frontières” pour confondre l’horizont illusiore de telle conception du monde et de telle opinion populaire avec le véritabele horizon de l’espirit humanis.
Karl Marx, Liberté de presse⁸⁷

En regardant les peuples en masse dans le passé, il nos verra luttant entre eux à main armée; en les considérant dans l’avenir, il les verra rivalisant entre eux sous les trois grandes rapport5s de la morale, de la science et de l’industrie.
Saint-Simon, De L’organization sociale⁸⁸

Não se trata de mudar a criança, mas sim a ordem social.
Fourier, A infância emancipada⁸⁹

No princípio foi a utopia da emancipação humana, no final o espanto.
A utopia, primeiro. O vir a ser marxiano é a emancipação humana. O que Marx procurou foi superar o fetichismo da mercadoria e o poder do capital como mediadores das relações humanas, em escala universal. Partiu da realidade das relações de produção para a consciência. Nos corredores da história, pesquisou não o novo, mas a verdade, não se ateve somente na busca do resultado, mas considerou o caminho a seguir. Vislumbrou na revolução proletária do século XIX verdadeira Idade de Ouro da humanidade que iria romper com a Idade de Ferro da dominação burguesa.
Recusou o dogma, a verdade enfeixada na mão de alguns poucos eleitos, as concepções idealistas apoiadas na religião e no direito natural. Suas raízes não eram sociais e gnosiológicas, mas a limalha da separação entre o trabalho intelectual e o trabalho físico. Estavam na base do conhecimento parcial que caracteriza a sociedade de classe. A vida da maioria dos homens está acondicionada a uma mentira. Na falta de justificativa para a vida parasitária, que era considerada normal e desejável, seus senhores forjaram valores, leis, costumes vitais, enfim, tudo o que Marx chama de ideologia e que está camuflada na economia política.
Marx não encontrava sentido em esferas espirituais que escapassem às necessidades materiais, históricas e sociais. Considera todas as concepções (jurídicas, políticas, religiosas, filosóficas e artísticas) e todos os travestimentos filosóficos, como Espírito Objetivo, Espírito Absoluto, as Ideias, a Razão Genérica, a Consciência em geral e todas as categorias filosóficas e científicas, incluindo as mais universais, como formas passageiras de consciência social. Nada além do amálgama de atributos de épocas históricas determinadas e de formações sócio-históricas particulares que se traduziam na ruína da visão cumulativa dos fatos.
A crise de identidade da filosofia tinha suas raízes no distanciamento das células vivas da história, a luta de classes, e para superá-la o filósofo necessitava inverter o papel que desempenhava. Em lugar de intérprete da realidade, metamorfosear-se, pelo caminho da práxis revolucionária, em construtor do mundo. O conteúdo da ética e da razão marxiana, a ética e a razão proletária, foi inferido do seu conceito de emancipação. Educar as massas para o cumprimento do seu papel histórico era o dever inexorável do filósofo. O materialismo revolucionário explicava o que de fato estava ocorrendo na sociedade vigente, porém não poderia precisamente dar respostas a problemas morais, isto é, o que deve ser. A história só aconteceria no movimento de grandes massas e quando a construção do socialismo e do comunismo se tornasse final e irrevogável.

Esse horizonte fez com que Marx e os utopistas estivessem muito próximos e muito distantes no labirinto da questão social no século XIX…

_____________________________________________________

⁸⁶ “A filosofia não vivida não é autêntica, não cumpre a função da filosofia. Todo filósofo, portanto, deve fazer da própria filosofia sua atitude. Para Sócrates, a vontade da pólis era um valor inderrogável; fugir teria sido privar a sua filosofias de credibilidade. Aristóteles punha a vida contemplativa acima da atividade prática; por isso, pôde tranquilamente fugir, quando sua vida corria perigo na pátria que escolhera, sem por isso privar sua filosofia de autenticidade. Não se pode reprovar o Kant filósofo por não ter conhecido o amor; faltava amor em sua filosofia; por isso, essa carência do filósofo não o faz perder nada da sua força de persuasão. A Hobbes – um fanático da ideia do Estado – não se pode condenar, enquanto filósofo, o fato de ter tomado partido pelo Estado, que, em cada oportunidade, revelava-se mais forte: tratava-se de uma consequência de sua filosofia, do mesmo modo que a solidão dedicada ao amor dei intellectualis pela filosofias de Spinoza. (…) A filosofia é sempre uma forma de vida (HELLER, 1983, p. 26).

⁸⁷ MARX, 1982, p. 208
⁸⁸ SAINT-SIMON, 1966, v. 5, p. 115.
⁸⁹ FOURIER, 2007.

Viana, Francisco AM – Marx e o labirinto da utopia (dissertação) pp-112-115»

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