Archive for dezembro, 2018

enamoramento artístico na rua da amargura e a gaveta desfiada

2018, dezembro 29, sábado

crônicas da madrugada… são quatro e meia… eu sei. ok… eu confesso… não dormi ainda e editava coisas, peguei mania de por foto nas coisas que não tem foto. e lá no fundo registrar alguns dias que vivi, dias de um passado remoto… e vai que resolvo fazer disto aqui qualquer coisa como uma obra… ou não. mas ao menos alimenta minha compulsão por tomar notas, nestes dias, nesta vida.

e na busca por pessoa, o cancioneiro, achei isto aqui: gaveta desfiada. já meio abandonado, pelo tempo, mas de uma beleza… e me pus a clicar até este ponto… e tive a desfaçatez de copiar isto abaixo, pois é tudo bonito… o sotaque, a palavreado, as expressões… o som…

Rua da Amargura – Celina da Piedade & Samuel Úria

Deste-me a tua morada
Rua da Amargura
Miserável estrada
Dizes que o Tejo te enfada
Eu na margem certa
… Tu na porta errada
Partes a telefonia
Se a rádio hoje em dia passa B Fachada
Tudo te põe mal disposto
Mas se de ti gosto
Não te digo nada
Dizem que o amor é cego
Este é meio mouco não ouve o que digo
Mesmo surdo não te nego
Falo pr’ó boneco
Vou ficar contigo
Dizem-me que és errado
és meio atrasado
Tens um grande ego
Digo que estou no direito
de te achar perfeito
Viro o bico ao prego
Tudo te põe doente
Eu gosto por seres diferente
Tudo me põe feliz
Basta empinares o nariz
Fazes frete
Eu faço frente
Ao teu ar de doente acamado
Franzes o sobrolho
Eu digo que te escolho aqui ao meu lado

Deste-me a morada certa
Rua da Amargura
Mas com a porta aberta
Foste ao Tejo à descoberta
Nós na mesma margem
Tu em parte incerta
Vais mudar a meu pedido
Estás comprometido
E eu já estou deserta
Dizem que a pose indolente
É defeito recente e sou eu quem conserta
Tudo te põe doente
Eu gosto por seres diferente
Tudo me põe feliz
Basta empinares o nariz
Fazes frete
Eu faço frente
Ao teu ar de doente acamado
Franzes o sobrolho
Eu digo que te escolho aqui ao meu lado

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ps: eu ia dormir… mas enquanto escova a dentadura… pela janela aberta do quarto ouvi vozes… e alguém discutia a relação num carro estacionado… faz quase uma hora e as pessoas continuam conversando. por que as pessoas entram em relações assim, pra ficar se aporrinhando?

talvez para me manterem acordado… e mexendo cá,  encontrar isto e deixar registrado. acasos…

stop #article13

2018, dezembro 28, sexta-feira

70 nomes influentes que criticaram a proposta em carta aberta (PDF)

«Article 13 of the EU Copyright Directive Threatens the Internet»

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***

«Destruir o passado é o programa de nossa era: apagar a capacidade humana de ser um animal consciente. Isso é muito sério. Não devemos lembrar, só lucrar, trabalhar demais para comprar demais. Nesse processo de erosão da memória coletiva perdemos a consciência. Vi pichado em um muro outro dia: “Nascemos para comprar (…)

Sou pessimista, mas vivo essa condição como ‘ironista’, e essa é seguramente uma tradição judaica. Sou cético em relação à natureza humana, devemos tomar cuidado com ela, mas não podemos simplesmente desistir. Apesar da natureza humana, devemos buscar progresso nas sociedades.»

Amos Oz

(4 de maio de 1939 – 28 de dezembro de 2018)

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a carta de um desconhecido

2018, dezembro 27, quinta-feira

é hora de acordar rapaz…

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hoje foi dia de sol. de conversar com izabel, de rolar na grama com dora¹, de mexer no quintal, de plantar ora-pro-nóbis, de matear com meu pai e minha mãe no final do dia, de almoçar lá pelas 20h30. de cortar grama e caçar caracois… de mexer o esqueleto, para ver se essa minha alergia diminui… e há alguma alegria.

e espiritualmente me preparar… porque amanhã será dia de sair… para comprar yerba y remedios… talvez eu convide izabel para uma trilha… talvez eu compre um ukelele (é, eu sei… o governo não depositou o salário do mês, salário esse que já está todo comprometido… ‘tá tenso ficar no aperto.)

ou talvez eu só pode alguns galhos de árvores (isso eu decidi hoje), talvez eu faça uma lista de inventário (do bom e do ruim) do último ano e uma lista de compromissos para comigo…

tenho pensado nisso… nessa coisa de sonhar e querer ser mais livre. chega de só ficar sofrendo (why is he death-dealing?).

um inventário tipo:

  • registro da filha avançou
  • já paguei um ano do financiamento
  • na escola nova tenho garantido no mínimo 30 horas.
  • reforma da casa avançando (com direito a quarto pra filha…
  • 2019 minha filha terá duas casas… e pela primeira vez na vida poderei dividir o mesmo teto com ela… pela primeira vez na vida a minha casa será a casa de minha filha e vice-versa… minha filha nasceu adolescente.
  • porque depois de 8 anos… meu pai pediu a casa de volta para o primeiro trimeste de 2019. é, não precisarei mais dividir o terreno com a mãe de minha filha. confesso que isto sempre foi uma zona de desconforto pra mim (pela situações que a presença dela provocava no ambiente familiar, já que somos uma comunidade, a dificuldade e o aprendizado em lidar com ela, as cobranças e, sobretudo, por depender dos meus pais – a casa cedida por eles para minha filha morar com a mãe dela)… mas era a única forma de ter o contato com minha filha cotidianamente… para no conhecermos, para aprendermos essa coisa de ser pai e filha.
  • eu voltei pra universidade, surtei, desisti, mas voltei… e já vou para a terceira fase (validei algumas da graduação anterior).
  • não arrumei a bike… adiei a revisão o ano inteiro e pedalei quase nada, apenas alguns quilometros dentro de casa…
  • desenvolvi uma alergia crônica em torno do nariz…
  • surtei algumas vezes por estar morando na casa de minha mãe… por não dar conta do trabalho+faculdade, por não ganhar o suficiente, por depender do auxílio de meu pai… por viver toda essa situação… mas estou sobrevivendo…

(algo do tipo, pra lista de metas)

  • criar momentos saudáveis e menos estressantes pra mim e pra ela..
  • sair mais (cinema, praia, trilha)
  • colocar a bike para funcionar…
  • ler mais
  • me organizar para pagar aula de dança pra izabel
  • viajar?!
  • parar de ter medo e
  • não querer mais morrer…

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o dia foi longo…

mas ainda sobrou tempo para escrever e ver algumas coisas

revi, ao acaso, isto aqui: O Que São Rimas Visuais?² e a trilha de fundo dessa postagem é

Chico César – Estado de Poesia (2015)

 

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¹dora, a cã. que hoje eu encasquetei de ficar chamando de dora milaje, só pelo som, sem fazer ligação com as personagens do pantera negra, que na hora, eu confesso, eu não lembrei de onde eu tinha tirado aquele som… o som saiu…e pela beleza, fiquei a repetir o dia inteiro… era dora milaje pra cá, dora milaje pra lá… e não sei porque, mas dora, hoje foi dora milaje. e me faz bem esse cão, como eu gosto dessa cã.)

² http://www.focorevistadecinema.com.br/FOCO1/benard-carta.htm