estruturas móveis

2019, abril 2, terça-feira

We shall not cease from exploration / And the end of all our exploring / Will be to arrive / Where we started / And know the place for the first timeT. S. Eliot − Little Gidding

Ainda sobre Butor… o controle total, as estruturas móveis… a metáfóra arquitetônica/cartográfica/fotográfica/escultural…  a responsabilidade de prever a planta. mas não a arrogância racionalista prometéica, da meta, indo daqui prá lá… e sim, oxalá, a obra narrativa tenha a riqueza disse que denominamos realidade.

1530634653quando se dedica tanto cuidado à ordem na qual são apresentadas as matérias, coloca-se inevitavelmente a questão de saber se essa ordem é a única possível, se o problema não admite várias soluções, se não se pode e deve prever no interior do edíficio romanesco diferentes trajetos de leitura, como numa catedral ou numa cidade, o escritor deve então controlar a obra em todas as suas diferentes versões, assumir como escultor responsável por todos os ângulos, sob os quais se poderá fotografar sua estátua, e pelo movimento que liga todas essas vistas. 

a comédia humana já dá o exemplo de uma obra concebida em blocos distintos que cada leitor, de fato, aborda numa ordem diferente. nesse caso o conjunto dos acontecimentos contados permanece constante. qualquer que seja a porta pela qual entramos, é a mesma coisa que aconteceu. mas podemos ter ideia de uma mobilidade superior, igualmente precisa e bem definida, tornando-se o leitor responsável por aquilo que acontece no microcosmo da obra, espelho da nossa humana condição, em grande parte sem que ele saiba, está claro, como na realidade, cada um de seus passos, de suas escolhas, adquirindo e dando sentido, esclarecendo-o a cerca de sua liberdade. um dia, sem dúvida, lá chegaremos. p. 83 pesquisas sobre a técnica romanesca. in: repertório, de michel butor.

prometer -> prometeu  (em gregoΠρομηθεύςtransl.Promēthéus, “antevisão”).

chegamos em machado… entre o tempo narrativo, o tempo cronológico e o tempo crono-a-lógico. o conto é breve, mas é abismático, denso… ébrio. captar o sensível, a sensação temporal, mas sacar as marcas do texto, captar analitcamente/tecnicamente… a dinâmica das personagens, os advérbios… o artíficio temporal.

Havia também umas pausas. Duas outras vezes, pareceu-me que a via dormir; mas os olhos, cerrados por um instante, abriam-se logo sem sono nem fadiga, como se ela os houvesse fechado para ver rnelhor. Uma dessas vezes creio que deu por mim embebido na sua pessoa, e lembra-me que os tornou a fechar, não sei se apressada ou vagarosamente. Há impressões dessa noite, que me aparecem truncadas ou confusas. Contradigo-me, atrapalhome. Uma das que ainda tenho frescas é que em certa ocasião, ela, que era apenas simpática, ficou linda, ficou lindíssima. Missa do Galo – Machado de Assis

ver khrónos, kairós e aíôn.

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