depois do futuro, espelhos estranhos, lições imprevistas…

2019, abril 12, sexta-feira

professor pilhado… coração acelerado… desejo de falar tudo e pouco tempo. eu me atropelo… mas só assim eu faço sentido.

a coisa acaba com os conselhos (política de participação social)… nós falamos junto com boaventura sobre democratizar a democracia. as coisas nos definem como inimigos internos, reeditam a doutrina de segurança nacional… querem reescrever a história… obnubilar os fatos… nós ensinamos, ao lado de florestan e faoro, sobre o que é revolução e o sobre os donos do poder, essa elite proto-fascista, pró-imperialista, pseudo-liberal…

falos sobre os autos de resistência, sobre os sequestros e torturas, sobre as valas… definimos terrorismo de estado, denunciamos os mecanimos autoritários… a necropolítica… o genocídio cotidiano… os limites do estado burguês. nos posicionamos ao lado de marcuse… na resistência, contra o fascismo.

***

«o fascismo foi expressão de pertencimento: a mitologia envolvendo sangue e nação era baseada em um verdadeiro senso de comunidade. Agora não mais. Hoje, pessoas brancas votam em partidos nacionalistas não porque acreditam pertencer a uma comunidade, mas porque gostariam de resgatar esse sentimento do passado. Elas cresceram na era do individualismo desenfreado, confiaram nas promessas do egoísmo neoliberal e se descobriram perdedoras. Confiaram nas promessas neoliberais de sucesso individual e terminaram desiludidas.

Agora é tarde demais para abraçar uma nova esperança, uma
nova imaginação: a única coisa que conseguem fazer é compartilhar seu ódio e seu desejo de vingança. Expectativas frustradas, somadas ao individualismo frustrado, não levaram ao ressurgimento da solidariedade, mas só a uma ânsia desesperada e ao desejo enfurecido de aniquilação. Niilismo é o nome da cultura emergente.

Como não há alternativa à racionalidade algorítmica do mundo das finanças, o desejo de aniquilar essa racionalidade tomou a dianteira. Porque a ferocidade matemática da economia penetrou a linguagem e invadiu todos os aspectos da vida social, queremos destruir tudo, incluindo as condições necessárias à nossa própria sobrevivência».

Trecho de Depois do futuro, Franco Berardi, pré-lançamento da Ubu Editora

 

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