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e agora, rose!

2019, abril 4, quinta-feira

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ler mário, seu conto, dialogando com totem/tabu (freud 1913). o banquete totêmico… os dois mortos (o pai cinzento e o peru de natal) sobre a mesa.

mas ir além, além da sensibilidade, sacar a estrutura… o foco/forma narrativa. o conto é curto… e o artíficio temporal… a dobra crítica (a boa narrativa tem a capacidade de comentar a si mesma)… etc… etc… e agora, rose!

e há o amor em clarice… sua iluminação profana (o não-sagrado)… ñ a divina, nem a racional… mas a epifânica… a da ordem do ordinário, onde a chave, se há, é do ordinário extraodinário. e o ponto da angústia é o vazio (a maquinaria exposta)… e diante da liberdade, a declinação… e a onisciência seletiva em ana… o nuance… o narrador (demiurgo – sr. da personagem) x narrador (sendo conduzido na dança da personagem).  importante sacar como é feito o efeito.

A Máquina do Mundo

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,

assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,

a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
“O que procuraste em ti ou fora de

teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,

olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,

essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo

se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste… vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”

As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge

distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos

e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber

no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar
na estranha ordem geométrica de tudo,

e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que tantos
monumentos erguidos à verdade;

e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,

tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.

Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,

a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;

como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face

que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,

passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes

em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,

baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.

A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,

se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.

Carlos Drummond de Andrade
In Claro Enigma
Ed. Record, 1951
© Graña Drummond

 

 

foco narrativo e transcrição fonética

2019, abril 4, quinta-feira

07:52 seis minutos atrás heronides avisou que não vai… pois vai gripado. não haverá aula… ganhei uma hora.

09:59 só para registrar… perdi o busão. perdi mais duas aulas de literatura portuguesa… porra… depois de mais de um mês de aula eu só consegui participar de duas aulas (meio período de uma manhã) com os calouros… as disciplinas da segunda fase, sim… quero passar, mas as da primeira fase sou obrigado. não posso mais faltar.

leituras da manhã: O foco narrativo via textos de Clarice Lispector para Teoria; e para Fonética exercícios sobre consoantes e transcrição fonética.

ps: há dois ou três rascunhos para registrar por cá, mas ainda não tive tempo… ontem, deitei na cama às 19h00 e só acordei hoje, 7h00. doze horas de sono, para ver se o corpo se equilibra, pois as leituras/trabalhos/horários… tudo atrasado.

***

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tempo de serviço efetivo: 05 anos

2019, fevereiro 4, segunda-feira

detuned.gifdesconta aqui greves e outras faltas… e são quatro anos e pouco… acrescentando os anos de act (admitido em caráter temporário)… é bem mais que cinco.

hoje foi dia de retorno à escola… de reencontros.

e do atraso do atraso.

do meu cansaço.