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brutti, sporchi e cattivi

[qua] 5 de dezembro de 2018

Acordei pensando nisto: de onde vem essa necessidade/mania de autossabotagem. Quando as coisas vão bem, ou mesmo não tão ruim assim… vem esse desejo de morte e de dor.

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Feios, sujos e malvados. É um puta filme… provavelmente vi em 2006/2007. Não me recordo se foi recomendação de sander (videobeta) ou de rafa (cineparedao). Mas desde então é um referência presente no meu imaginário. Assim como várias outras lições aprendidas com Rafaela e Sander.

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Hoje preciso ir trabalhar, porque se faltar mais um dia, tudo, além da implosão, explodira na cara de todos e a aparente normalidade desabara e serei descaradamente só destroços  e ruínas. Essa coisa disforme, retorcida e quebrada, sem nenhum véu.

Coleto questões para o jogo sociológico:

Leia o que disse João Cabral de Melo Neto, poeta pernambucano, sobre a função de seus textos:

Falo somente com o que falo: a linguagem enxuta, contato denso; falo somente do que falo: a vida seca, áspera e clara do sertão; falo somente por quem falo: o homem sertanejo sobrevivendo na adversidade e na míngua. Falo somente para quem falo: para os que precisam ser alertados para a situação da miséria no Nordeste.”

A sociologia brasileira surgiu no nordeste como forma de analisar os principais problemas que afligiam brasileiros a partir da chamada Herança colonial

Para João Cabral de Melo Neto, no texto literário entrando no campo da sociologia,

  1. a linguagem do texto deve refletir o tema, e a fala do autor deve denunciar o fato social para determinados leitores.

  2. a linguagem do texto não deve ter relação com o tema, e o autor deve ser imparcial para que seu texto seja lido.

  3. o escritor deve saber separar a linguagem do tema e a perspectiva pessoal da perspectiva do leitor.

  4. a linguagem pode ser separada do tema, e o escritor deve ser o delator do fato social para todos os leitores.

  5. a linguagem está além do tema, e o fato social deve ser a proposta do escritor para convencer o leitor

E colo um TRECHO DO POEMA DE FERREIRA GULLAR.

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19h08. tenho mais cinquenta minutos para responder algo… eu literalmente travei, não consigo sair do lugar. parte de mim diz: desiste, não vai dar… parte ainda diz… tenta, qualquer coisa é melhor que não tentar, você só precisa de duas… mas você não terminou de ler os textos…

19h12. joguei os dados. e nem essa trilha de fundo para manter foco, concentração e memória vai ajudar. desisto.

agora preciso segurar meu humor… não me devorar por dentro.

19h47 eu aqui projetando o futuro sem conseguir dar conta das coisas do cotidiano. um perdido.

Devo vários pedidos de desculpas.

o poema da página 186 e algumas notas alheias de uma aula de 2006/2

[seg] 5 de novembro de 2018

«Que terra de comer,
Mas não coma já.

Ainda se mova,
para o ofício e a posse.

E veja alguns sítios
antigos, outros inéditos.

Sinta frio, calor, cansaço:
para um momento; continue.

Descubra em seu movimento as
forças não sabidas, contatos.

O prazer de estender-se; o de
enrolar-se, ficar inerte.

Prazer de balanço, prazer de voo.

Prazer de ouvir música;
Sobre o papel para que uma mão deslize.

Irredutível prazer dos olhos;
certas cores: como se desfazem, como aderem;
alguns objetos, diferentes a nova luz.

Que ainda sinta cheiro de fruta,
de terra na chuva, que pegue,
que imagine e grave, que lembre.

O tempo de conhecer mais algumas pessoas,
de aprender como viver, de ajudá-las.

De ver passar este conto: o vento
balançando a folha; a sombra
da árvore, parada um instante
alongando-se com o sol, e desfazendo-se
numa sombra maior, de estrada sem trânsito.

E de olhar esta folha, se cai.
Na queda retê-la. Tão seca, tão morna.

Tem um certo cheiro, particular entre mil.
Um desenho, que se produzirá ao infinito,
e cada folha é uma diferente.

E cada instante é diferente, e cada
homem é diferente, e somos todos iguais.
No mesmo ventre o escuro inicial, na mesma terra
o silêncio global, mas não seja logo.

Antes dele outros silêncios penetrem,
outras solidões derrubem ou acalentem
meu peito; ficar parado em frente desta estatua: é um torso
de mil anos, recebe minha visita, prolonga
para trás meu sopro, igual a mim
na calma, não importa o mármore, completa-me.

O tempo de saber que alguns erros caíram, e a raiz
da vida ficou mais forte e os naufrágios
não cortaram essa ligação subterrânea entre homens e coisas:
que os objetos continuam, e a trepidação incessante
não desfigurou o rosto dos homens;
que somos todos irmãos, insisto.

Em minha falta de recursos para dominar o fim,
entretanto me sinta grande, tamanho de criança, tamanho de torre,
tamanho da hora, que se vai acumulando século após século e causa vertigem,
tamanho de qualquer João, pois somos todos irmãos.

E a tristeza de deixar os irmãos me faça desejar
partida menos imediata. Ah, podeis rir também,
não da dissolução, mas do fato de alguém resistir-lhe,
de outros virem depois, de todos sermos irmãos,
no ódio, no amor, na incompreensão e no sublime
cotidiano, tudo, mas tudo é nosso irmão.

O tempo de despedir-me e contar
que não espero outra luz além da que nos envolveu
dia após dia, noite em seguida a noite, fraco pavio,
pequena ampola fulgurante, facho, lanterna, faísca,
estrelas reunidas, fogo na mata, sol no mar,
mas que essa luz basta, a vida é bastante, que o tempo
é boa medida, irmãos, vivamos o tempo.

A doença não me intimide, que ela não possa
chegar até aquele ponto do homem onde tudo se explica.
Uma parte de mim sofre, outra pede amor,
outra viaja, outra discute, uma última trabalha,
sou todas as comunicações, como posso ser triste?

A tristeza não me liquide, mas venha também
na noite de chuva, na estrada lamacenta, no bar fechando-se,
que lute lealmente com sua presa,
e reconheça o dia entrando em explosões de confiança, esquecimento, amor,
ao fim da batalha perdida.

Este tempo, e não outro, sature a sala, banhe os livros,
nos bolsos, nos pratos se insinue: com sórdido ou potente clarão.
E todo o mel dos domingos se tire;
o diamante dos sábados, a rosa
de terça, a luz de quinta, a mágica
de horas matinais, que nós mesmos elegemos
para nossa pessoal despesa, essa parte secreta
de cada um de nós, no tempo.

E que a hora esperada não seja vil, manchada de medo,
submissão ou cálculo. Bem sei, um elemento de dor
rói sua base. Será rígida, sinistra, deserta,
mas não a quero negando as outras horas nem as palavras
ditas antes com voz firme, os pensamentos
maduramente pensados, os atos
que atrás de si deixaram situações.
Que o riso sem boca não a aterrorize
e a sombra da cama calcária não a encha de súplicas,
dedos torcidos, lívido
suor de remorso.

E a matéria se veja acabar: adeus composição
que um dia se chamou Carlos Drummond de Andrade.
Adeus, minha presença, meu olhar e minas veias grossas,
meus sulcos no travesseiro, minha sombra no muro,
sinal meu no rosto, olhos míopes, objetos de uso pessoal, ideia de justiça, revolta e sono, adeus,
vida aos outros legada.

drummond - assina

Os últimos dias. In: ANDRADE, Carlos Drummond de. A rosa do povo. 5a ed. Rio de Janeiro: Record, 1988. p. 186-190.

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[madrugada]

Fui reler o poema da página 186. Descubro que ele foi arrancado. O único que falta, mas eis que encontra essa anotação no meio do livro. De uma aula de 2006. Ps: a letra não é minha. Será q o ser humano que deixou essa folha levou o poema?

[tarde]

gripado. febre ainda. dor pelo corpo inteiro. vontade de nada. enrolando… tem tarefa para hoje. oito horas ainda. ops… é para dia sete, ou seja, tempo restante: 2 dias 6 horas.

[noite]

matar aula. não tem aula, nem da cláudia, nem da roberta. fiquei em casa. chá de avenca, com assa-peixe e e folha de ameixa amarela (nêspera), para aliviar.

para lá de bagdad

[sex] 5 de outubro de 2018

acordei, na sexta-feira, antes do horário combinado com o meu despertador…

e num insight… troquei o plano do dia. e lembrei do filme pro dia nascer feliz, de joão jardim…

AUSÊNCIA – Vinicius de Moraes

Rio de Janeiro , 1935

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

hoje foi dia de reencontrar clécia, valéria e deivison no filme pro dia nascer feliz.

***

falar sobre …

pensar nessa onda fascistoide… e nesse momento da política brasileira tem me deixado meio na fossa. e oscilo entre a luta por resistir cá e agir por um mundo melhor, mais humano… ou sumir do mapa, desistir dessa imbecilidade coletiva… desse fascismo cotidiano. sinto-me um outsider nessa loucura toda…

prontos, listos , ya

[qui] 5 de julho de 2018

só para registrar que li um livro nessa semana… um feito, já que todos os livros que comecei estão na fila para serem finalizados/continuados… e para dizer que me perco por cá… há uma pilha de tarefas para serem executas e eu me postergo. há também o fim do semestre na faculdade, e a necessidade de fazer a rematrícula… o tempo que me dei, jogando o semestre para o alto, está terminando… é hora de voltar.

e pensar sobre tudo isto me deixa ansioso…

não quero estar ansioso. não estou nada pronto ainda. vou continuar respirando fundo e mentalizando coisas boas. a vida segue. me faltam palavras.

o livro é “Prontos, listos, ya” de Inés Bortagaray, na tradução de Miguel Del Castillo [um, dois e já. Cosac Naify, 2014]

dia da língua portuguesa e da cultura da cplp

[sáb] 5 de maio de 2018

«Cada manhã recebemos notícias de todo o mundo. E, no entanto, somos pobres em histórias surpreendentes.» W. Benjamin (In: Obras Escolhidas, v. I − Magia e Técnica, Arte e Política. São Paulo: Brasiliense, 1985, p. 203)

Notas

lp

O dia 5 de maio foi instituído como o “Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP”, a 20 de julho de 2009, por resolução da XIV Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP, decorrida na cidade da Praia, Cabo Verde. https://www.cplp.org/

ou língua galaico-portuguesa?

***

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Artigo para ler: A pulsão de morte contra a pulsão de morte: a negatividade necessária, de Marianna T. de Oliveira; Monah Winograd e Isabel Fortes

RESUMO / Tradicionalmente definida como traumática, como o que esgarça a rede representacional e alimenta a compulsão à repetição, levando o psiquismo ao esgotamento e à dissolução, a pulsão de morte apresenta, mais profundamente, uma outra face que é preciso sublinhar e que constitui o objeto central deste artigo. Se ela realiza um trabalho do negativo, a negatividade que ela expressa impulsiona a subjetivação, pois sua atividade e seus efeitos são absolutamente necessários, entre outros, para a construção do duplo limite psíquico (Green) e para a realização do primeiro trabalho psíquico verdadeiro (Rosenberg). Eis o paradoxo que pretendemos investigar: somente através dos desligamentos, dos vazios, das divisões e das separações gerados pela pulsão de morte os processos de simbolização podem proliferar, se enriquecer e o psiquismo pode se complexificar. Iniciamos analisando a pulsão de morte como força disruptiva para, em seguida, nos determos nas noções de ligação e de desligamento. Finalmente, demonstramos a necessidade de pensar a negatividade como necessária e fundamental para os processos de subjetivação.

Música para ouvir: Brancas e pretas / Paulinho da Viola

Num jogo de vida e de morte / As brancas e as pretas / Sobre o tabuleiro / Ali não há golpes de sorte / Se pensam jogadas / Destino certeiro / O quadro é um mar quadriculado / Sem ondas, parado / Porém de marés / Às vezes um passo mal dado / Um lance apressado / Resulta em revés / Os reis, as rainhas e os bispos / Dominam a cena / Com seu poderio / Da torre se avista o tablado / Peões trabalhando / Por horas a fio / O meu coração anda aos saltos / Parece um cavalo / No seu movimento / Selvagem e até traiçoeiro / Vai sem cavaleiro / Tabuleiro adentro / Parceiros / Duelam paciência / Por vezes se estranham / O amor e a ciência / As pedras ali não têm limo / E mudam de rumo / Por conveniência / Ou por não acharem saída / Não rolam, se deitam / No fim da partida / Composição: Paulinho da Viola e Sergio Natureza

me caigo y me levanto

[qui] 5 de abril de 2018

«No te rindas,
aún estás a tiempo de
alcanzar y comenzar de nuevo,
aceptar tus sombras, enterrar tus miedos,
liberar el lastre, retomar el vuelo.

No te rindas
que la vida es eso,
continuar el viaje,
perseguir tus sueños,
destrabar el tiempo,
correr los escombros
y destapar el cielo.

No te rindas,
por favor no cedas,
Aunque el frío queme,
aunque el miedo muerda,
aunque el sol se esconda,
y se calle el viento,
aún hay fuego en tu alma
aún hay vida en tus sueños.

Porque la vida es tuya
y tuyo también el deseo
porque lo has querido
y porque te quiero.

Porque existe el vino
y el amor, es cierto.

Porque no hay heridas
que no cure el tiempo.

Abrir las puertas,
quitar los cerrojos,
abandonar las murallas
que te protegieron.

vivir la vida y aceptar el reto,
recuperar la risa,
ensayar el canto,
bajar la guardia y
extender las manos,
desplegar las alas e
intentar de nuevo,
celebrar la vida y
retomar los cielos.

No te rindas,
por favor no cedas,
aunque el frío queme,
aunque el miedo muerda,
aunque el sol se ponga y
se calle el viento,
aún hay fuego en tu alma,
aún hay vida en tus sueños
Porque cada día es un comienzo nuevo.

Porque ésta es la hora y
el mejor momento.

Porque no estás sola.

Porque yo te quiero.»

Mario BenedettiNOTERINDAS

***

Me caigo y me levanto, Julio Cortázar

«Nadie puede dudar de que las cosas recaen,
un señor se enferma y de golpe un miércoles recae
un lápiz en la mesa recae seguido
las mujeres, cómo recaen
teóricamente a nada o a nadie se le ocurriría recaer
pero lo mismo está sujeto
sobre todo porque recae sin conciencia
recae como si nunca antes
un jazmín para dar un ejemplo perfumado
a esa blancura
¿de dónde le viene su penosa amistad con el amarillo?
el mero permanecer ya es recaída
es jazmín entonces
y no hablemos de las palabras
esas recayentes deplorables
y de los buñuelos fríos que son la recaída clavada
contra lo que pasa, se impone pacientemente la rehabilitación
en lo más recaído hay algo que siempre pugna por rehabilitarse
en el hongo pisoteado, en el reloj sin cuerda
en los poemas de Pérez, en Pérez
todo recayente tiene ya en sí un rehabilitante
pero el problema, para nosotros lo que pensamos nuestra vida
es confuso y casi infinito
un caracol segrega y una nube aspira
seguramente recaerán
pero una compensación ajena a ellos los rehabilita
los hace treparse poco a poco a lo mejor de si mismos
antes de la recaída inevitable
pero nosotros tía ¿cómo haremos?
¿cómo nos daremos cuenta de que hemos recaído
si por la mañana estamos tan bien
tan café con leche
y no podemos medir hasta donde hemos recaído en el sueño
o en la ducha
y si sospechamos lo recadente de nuestro estado
¿cómo nos rehabilitaremos?
hay quienes recaen al llegar a la cima de una montaña
al terminar su obra maestra
al afeitarse sin un solo tajito
no toda recaída va de arriba abajo
porque arriba y abajo no quieren decir gran cosa
cuando ya no se sabe donde se está
probablemente Icaro creía tocar el cielo
cuando se hundió en el mar …. y
dios te libre de una zambullida tan mal preparada
tía ¿cómo nos rehabilitaremos?
hay quien ha sostenido que la rehabilitación
sólo es posible alterándose
pero olvidó que toda recaída es una desalteración
una vuelta al barro de la culpa
perfecto!
somos lo más que somos porque nos alteramos
salimos del barro en busca de la felicidad
y la conciencia y los pies limpios
un recayente es entonces un desalterante
de donde se sigue que
nadie se rehabilita sin alterarse
pretender la rehabilitación alterandose es una triste redundancia
nuestra condición es la recaída y la desalteración
y a mi me parece que un recayente debería rehabilitarse de otra manera
que por lo demás ignoro
No solamente ignoro eso
sino que jamás he sabido en qué momento
mi tía o yo recaemos
¿cómo rehabilitarnos entonces si a lo mejor no hemos recaído todavía?
y la rehabilitación nos encuentra ya rehabilitados
Tía, no será esa la respuesta ahora que lo pienso…
Hagamos una cosa:
Usted se rehabilita y yo la observo
varios días seguidos
digamos, una rehabilitación continua
usted está todo el tiempo rehabilitándose y yo la observo
o al revés si prefiere
pero a mí me gustaría que empezara usted
porque soy modesto y buen observador
de esa manera si yo recaigo en los intervalos de mi rehabilitación
mientras usted no le da tiempo a la recaída
y se rehabilita como en un cine continuado
al cabo poco nuestra diferencia será enorme
Usted estará tan por encima que dará gusto
entonces yo sabré que el sistema ha funcionado
y empezaré a rehabilitarme furiosamente
pondré el despertador a las tres de la mañana
suspenderé mi vida conyugal
y las demás recaídas que conozco
para que, sólo queden las que no conozco
y a lo mejor poco a poco un día estaremos otra vez juntos tía
y será tan hermoso decir…
ahora nos vamos al centro y nos compramos un helado
el mío todo de frutilla
y el de usted con chocolate y un bizcochito.»
***

Y un pequeño fragmento de una entrevista al escritor y poeta argentino Julio Cortázar, en donde trata temas como la soledad y la amistad.

ou a entrevista completa

Federico García Lorca: Poema doble del lago Eden, 1930Nuestro ganado pace, el viento espiraGarcilaso

Era mi voz antigua
ignorante de los densos jugos amargos.
La adivino lamiendo mis pies
bajo los frágiles helechos mojados.

¡Ay voz antigua de mi amor,
ay voz de mi verdad,
ay voz de mi abierto costado,
cuando todas las rosas manaban de mi lengua
y el césped no conocía la impasible dentadura del caballo!

Estás aquí bebiendo mi sangre,
bebiendo mi humor de niño pesado,
mientras mis ojos se quiebran en el viento
con el aluminio y las voces de los borrachos.

Déjame pasar la puerta
donde Eva come hormigas
y Adán fecunda peces deslumbrados.
Déjame pasar, hombrecillo de los cuernos,
al bosque de los desperezos
y los alegrísimos saltos.

Yo sé el uso más secreto
que tiene un viejo alfiler oxidado
y sé del horror de unos ojos despiertos
sobre la superficie concreta del plato.

Pero no quiero mundo ni sueño, voz divina,
quiero mi libertad, mi amor humano
en el rincón más oscuro de la brisa que nadie quiera.
¡Mi amor humano!

Esos perros marinos se persiguen
y el viento acecha troncos descuidados.
¡Oh voz antigua, quema con tu lengua
esta voz de hojalata y de talco!

Quiero llorar porque me da la gana
como lloran los niños del último banco,
porque yo no soy un hombre, ni un poeta, ni una hoja,
pero sí un pulso herido que sonda las cosas del otro lado.

Quiero llorar diciendo mi nombre,
rosa, niño y abeto a la orilla de este lago,
para decir mi verdad de hombre de sangre
matando en mí la burla y la sugestión del vocablo.

No, no, yo no pregunto, yo deseo,
voz mía libertada que me lames las manos.
En el laberinto de biombos es mi desnudo el que recibe
la luna de castigo y el reloj encenizado.

Así hablaba yo.
Así hablaba yo cuando Saturno detuvo los trenes
y la bruma y el Sueño y la Muerte me estaban buscando.
Me estaban buscando
allí donde mugen las vacas que tienen patitas de paje
y allí donde flota mi cuerpo entre los equilibrios contrarios.

En Poeta en Nueva York (1929-30)

where to invade next

[seg] 5 de março de 2018

«Segundo o pesquisador (FRANCHI et al, 2006, p. 24), a linguagem não é algo que se aprende ou algo que se faz: é algo que desabrocha e se desenvolve como uma flor (na bonita metáfora de Noam Chomsky), que amadurece no curso dos anos… »

«gramática descritiva, trata-se de construir um sistema de noções e uma metalinguagem que permitam falar da linguagem e descrever (ou explicar) os seus princípios de construção. Isto é, trata-se de um trabalho analítico e reflexivo sobre a linguagem e da construção teórica de um ‘modelo’, de uma representação da estrutura da linguagem e de seu funcionamento. Uma atividade metalinguística».

«Qualquer criança, tendo acesso à linguagem, domina rapidamente, logo nos primeiros anos de vida, todo um sistema de princípios e regras que lhe permitem ativar ou construir inteiramente a gramática de sua língua. (…) No caso da gramática interna, trata-se de um sistema de princípios e regras que correspondem ao próprio saber linguístico do falante: ele se constrói na atividade linguística e na atividade linguística se desenvolve».

e não teve aula de literatura portuguesa.


Bárbara Eugenia e Karina Buhr - Meu Lamento;
Karina Buhr - Pra Ser Romantica
Karina Buhr - Nao Me Ame Tanto;
Karina Buhr - Eu Menti Pra Você;
Karina Buhr - Cadáver;

***

eu insisto em perder, em dar voltas sem sentido, mas há as coincidências.

Lay - Solitaria;

***

«Saí de D. Matilde porque marmanjo não podia continuar na classe com meninas.
Matricularam-me na escola modelo das tiras de quadros nas paredes alvas escadarias e um cheiro de limpeza.
Professor magrinha e recreio alegre começou a aula da tarde um bigode de arame espetado no grande professor Seu Carvalho.
No silêncio tic tac da sala de jantar informei a mamãe que não havia Deus porque Deus era a natureza. Nunca mais vi o seu Carvalho que foi para o Inferno.» Oswald de Andrade, Memórias sentimentais de João Miramar, 2016 [1924], p. 23.

***

o tempo voa

[seg] 5 de fevereiro de 2018

3h31 falta de sono e azia. ansiedade alta.

6h00 despertador programado.

6h44 um mate e um bolo de milho. e pensando sobre os odores da manhã. e me toma de assalto uma avalanche de manhãs doutrora. as manhãs que foram boas e marcantes… estágios de vivência em fraiburgo, acampamentos na lagoinha do leste, casas no sambaqui. eu já sofri um bocado… mas também já fui feliz um dia.

7h03 O Tempo Voa // Composição: Kledir Ramil / Kleiton Ramil // O relógio move o tempo / E faz bater meu coração / Num compasso diferente / A cada nova estação / Mas aí, por um momento / Sempre vem um pensamento / Que me leva a outro lugar / Saio do tempo presente / E viajo simplesmente / Só de relembrar // Nós deixamos na metade / Muita coisa por fazer / E às vezes dá vontade / De voltar pra resolver / É que quando estamos juntos / Qualquer coisa vale muito / Se é que dá pra me entender / Tudo isso na verdade / Se chama felicidade / E não é fácil de esquecer // Voa, o tempo voa / Voa, meu amor / E eu não tô falando a toa / É que muita coisa boa / Vai ficando para traz // Voa, o tempo voa / Voa, meu amor / E se Deus nos abençoa / Sei que muita coisa boa / Ainda vai rolar.

 

14h52 alguém disse a frase a seguir, e rimos… para não chorar. mas nos revoltamos… “o vídeo é tão novo que voo ainda tem acento. ¹

15h38 um rascunho da brincadeira

professor é adubo / e sementeira / é sombreiro / professor como água que nutre a floresta inteira. / professor que evapotranspira / alimenta as nuvens / professor que nutre a floresta que virá / e a que morre / professor é como galho que apoia o tronco alheio / da árvore velha / da árvore nova / professor nuvem-floresta…

20h29 parte do céu é rosa. o mar é lindo. boa noite.

nota de rodapé

  1. Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990. «Fruto de um longo trabalho da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa, os representantes oficiais dos então sete países de língua oficial portuguesa (além do Brasil e de Portugal, também Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe) assinaram em 1990 o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, ratificado também, depois da sua independência em 2004, por Timor-Leste. O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990) entrou em vigor no início de 2009 no Brasil e em 13 de maio de 2009 em Portugal. Em ambos os países foi estabelecido um período de transição» Disponível em: http://www.portaldalinguaportuguesa.org/acordo.php?acordo&version=1990

mão na massa

[sex] 5 de janeiro de 2018

notas mentais do dia

#1 o meu pai é silêncio. enquanto eu faço um mapa… ele dá voltas e voltas e não comunica o emaranhado dos seus pensamentos ¹ e repete dez vezes a mesma coisa e no fim chega na mesma conclusão que eu cheguei, antes de começar… um mapa simples e a gente não se perdia mais.

e é preciso paciência, e uma dose enorme de humor.

#2 e a betoneira chegou. e o cimento chegou. e hoje foi dia de acordar cedo e trabalhar. paredes e cômodos desenhados… assentei tijolos. exausto…

#3 dormir cedo hoje. porque pela tarde… o cansaço estava monstro e o sono bateu. 1 litro de café…

nota de rodapé

¹ ok, eu também pego-me, às vezes, dando voltas sem chegar a lugar nenhum… feito barata tonta. é… de longe as vezes é mais fácil visualizar o caminho, mas quando tua cabeça é um problema… é errar, e errar e errar…

trilha sonora de fundo:

JOAQUÍN SABINA – NOS SOBRAN LOS MOTIVOS

 

if you get to hear me now

[ter] 5 de dezembro de 2017
da rotina… coisas inúmeras por fazer. terminar o jogo. montar/avaliar os zines das turmas / digitar notas no sistema… solicitar processos… mas até lá… acordo mais tarde, tomo meu mate em paz… alimento a dora, a sorvete e o chip. e fico de bobeira na frente do computador.
***
I know you’ll get stronger / When you get older, oh / Just don’t shrug your shoulders / When you get older, oh / Things aren’t easy / So just believe me now / If you can keep it cool now / And never make a sound / All the lights will guide the way / If you get to hear me now / All the fears will fade away / If you get to hear me now / If you get to hear me now / If you get to hear me now / Leave excuses aside / Speak out your mind, oh / And don’t let it slide / You’re not always right, no / Things aren’t easy / So just believe me now / Don’t learn the hard way / Just let me show you how / If you get to hear me now / If you get to hear me now… // Compositores: Marcos Zeeba / Alok Petrillo / Bruno Martini
e um pouco de coisa clássica…
O ariá raiô / Obá obá obá / Mas que nada / Sai da minha frente / Eu quero passar / Pois o samba está animado / O que eu quero é sambar / Esse samba / Que é misto de maracatu / É samba de preto velho / Samba de preto tú / Mas que nada / Um samba como este tão legal / Você não vai querer / Que eu chegue no final / O ariá raiô / Obá obá obá // Composição: Jorge Ben Jor
e outra…
Umbabarauma, ponta de lança africano / Umbabarauma homem-gol / Umbabarauma homem-gol / Umbabarauma homem-gol / Umbabarauma homem-gol / Joga bola, joga bola / Jogador / Joga bola, joga bola / Corocondô / Pula, cai, levanta,mete gol, vibra / Abre espaço, chuta e agradece / Olha que a cidade / Toda ficou vazia / Nessa tarde de domingo / Só para lhe vê joga / Umbabarauma homem-gol / Umbabarauma homem-gol / Umbabarauma homem-gol / Umbabarauma homem-gol / Joga bola, jogador / Joga bola, corocondô / Joga bola, jogador / Joga bola, corocondô / Rere, rere, rere jogador / Rere, rere, rere corocondô / Rere, rere, rere jogador / Rere, rere, rere corocondô / Tererê, tererê, tererê, tererê / Tererê homem gol / Tererê, tererê, tererê, tererê / Tererê homem gol / Umbabarauma quero vê você joga / Umbabarauma quero vê você marca / Umbabarauma quero vê você joga / Umbabarauma quero vê você marca / Arê rê, arê rê, arê rê, babá / Arê rê, arê rê, arê rê, babá / Arê rê, arê rê, arê rê, babá / Arê rê, arê rê, arê rê, babá / Ponta de lança africano, que vê / Quero vê a rede balançar / A galera quer sorrir, a galera que cantar / A galera tá feliz ela quer comemorar / Umbabarauma homem-gol / Umbabarauma homem-gol / Umbabarauma homem-gol / Umbabarauma homem-gol / Era eu, era meu mano / Era meu mano, mais eu / Pobre e louco no bangue / Como bom deus deu / E de mangue a mangue / Pra junta 10 conto / Torto e tonto de fome / Foi sempre assim! / Nada mais que um jogo / Eu sei, eu sei sim / Aqui morumbi, a fé é que me move / Meu camisa 9, treino bem vai joga / Salvador da final salve nosso natal / Que a vida em si, tal uma merda / Só pro milagre / Um leão com cabeça de bagre / Sobre o assédio do crime / Sem gosta de ninguém / Me time é quem me inspira / Por falta de alguém / Onde como ele estiver / Tente se puder / Corajoso no domingo, chuvoso a pé / Só que é, é rato de estádio / Sabia no rádio já dizia / “estamos em minoria!” / Quem achou? quem diria? / Sonhei com este dia / São quase 10 anos sem grita, campeão / São paulo tá vazio 100 mil morumbi / Olímpico adversário acorde vai se tri / Atenção brasil, atenção / Que a bola vem quase sem pretensão / Aos 27 o silêncio que antecede a explosão / Criolo rei tem a sorte, vida e morte no clássico sim / Momento mágico pra mim sofredor / Passo curto pelo meio, vem pela intermediária / Que alcança o meio esquerdo vai a linha de fundo / A bola, bate rasteira cruza a pequena área aos pés / Pro nosso herói o sentido de tudo! / É gol / Umbabarauma homem-gol / Umbabarauma homem-gol / Umbabarauma homem-gol / Umbabarauma homem-gol //  Composição: Jorge Ben Jor e Racionais MC
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