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há tantas coisas horríveis no homem! já por muito tempo a terra foi um hospício!

2019, abril 5, sexta-feira

04:44 ontem… o ego racionalizava as pulsões do id… primeiro era não ir, depois era ficar, ai veio o desejo de não entrar… fazer um bate-volta… e depois era voltar antes da hora… de estar só e em silêncio. mas o supergo ditava… isto é indecente, inapropriado, imoral… injusto, antiético… não será essa dor estranha no ouvido e na omoplata, nem esse vício em isolar-se… que vão te privar dessa experiência que é se aventurar… sair já é se aventurar.

troque

mas me rebelei pela noite. e agora cedo… nariz entupido, ouvido zumbindo… coluna doendo… o corpo sonolento… e peito apertado… e essa difuldade de sentar e alinhar as linhas de hoje… necessárias. 05:26

o homem gengibre… ouvido e nariz, gengibre para a otite e para a renite. unguento e repouso.

***

excerto do texto: O NASCIMENTO DA FALTA E DA CULPA, por  RAFAEL TRINDADE. Leia na íntegra no excelente sítio: https://razaoinadequada.com

«Há tantas coisas horríveis no homem!… Já por muito tempo a terra foi um hospício!…» – Nietzsche, Genealogia da Moral, Segunda dissertação, §23

Por outro lado – como se mostra afável, como se mostra afetuoso o mundo, tão logo fazemos como todo mundo e nos ‘deixamos levar’ como todo mundo!” – Nietzsche, Genealogia da Moral, Segunda dissertação, §24

Mas não! Queremos seguir outros caminhos! O filósofo de Sils Maria nos oferece essa possibilidade. Aliás, a filosofia de Nietzsche é um convite a deixar o terreno da má consciência e da culpa! Estamos cansados de nos comportar como dóceis ovelhinhas! Estamos exaustos de sermos calculáveis e previsíveis! Nosso primeiro passo é para trás, no sentido de suspender estes reflexos de submissão que tomaram conta de nós. Estamos fartos de nossa própria mansidão e benevolência! Estamos com os joelhos esfolados de tanto nos ajoelhar e pedir perdão por pecados que desconhecemos! Estamos exauridos pelas acusações de imperfeição e blasfêmias! Estamos cansado… simplesmente cansados… queremos viver de outra maneira.

«Teríamos contra nós precisamente os homens bons; e também, é claro, os cômodos, o conciliados, os vãos, os sentimentais, os cansados…» – Nietzsche, Genealogia da Moral, Segunda dissertação, §24

12:18 e já está claro o que farei pela tarde. ou melhor, o que não farei.

2:20 (exausto e sereno)

2019, março 5, terça-feira

depois de uma dia bonito e insano, assustadoramente insano… como foi essa segunda-feira de carnaval… e que narrarei quando acordar…

enfim chego em casa, agora, exausto, fisicamente exausto, mas sereno, espiritualmente… sereníssimo.

que dia bonito que foi essa segunda.

e meu pé dói muito, e minhas pernas ardem em brasa, mas minha mente é zen.

será que perdi a manhã esperando o técnico da vivo?!?

2019, fevereiro 5, terça-feira
Jardim de fazenda com girassóis, c. 1912

Farm Garden with Sunflower, 1912

O Nome dos Gatos

«O Livro dos Gatos» de T. S. Eliot

«Dar nome aos gatos é um assunto traiçoeiro,
E não um jogo que entretenha os indolentes;
Pode julgar-me louco como o chapeleiro,
Mas a um gato se dá TRÊS NOMES DIFERENTES.
Primeiro, o nome por que o chamam diariamente,
Como Pedro, Augusto, Belarmino ou Tomás
Como Victor ou Jonas, Jorge ou Clemente
– Enfim nomes discretos e bastante usuais.
Há mesmo os que supomos soar com som mais brando,
Uns para damas, outro para cavalheiros,
Como Platão, Admetus, Electra, Demétrio
Mas são todos discretos e assaz corriqueiros
Mas a um gato cabe dar um nome especial
Um que lhe seja próprio e menos correntio:
Se não como manter a cauda em vertical,
Distender os bigodes e afagar o brio?
Dos nomes desta espécie é bem restrito o quorum,
Como Quaxo, Munkunstrap ou Coricopato,
Como Bombalurina, ou mesmo Jellylorum…
Nomes que nunca pertencem a mais de um gato.
Mas, acima e além, há um nome que ainda resta,
Este de que jamais ninguém cogitaria,
O nome que nenhuma ciência exata atesta
SOMENTE O GATO SABE, mas nunca o pronuncia.
Se um gato surpreenderes com ar meditabundo,
Saibas a origem do deleite que o consome:
Sua mente se entrega ao êxtase profundo
De pensar, de pensar, de pensar em seu nome:
Seu inefável afável
Inefanefável
Abismal, inviolável e singelo Nome.»
Trad: Ivan Junqueira

Do álbum: será que perdi a manhã enquanto esperava?!? vivo.