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estrutura indiciária e a conversa infinita

2019, abril 7, domingo

06:24 a uma hora acordado (desde as 5h20)… estou listo e bebo o mate da manhã. ouço terno, no volume máximo, no meu fone bluetooth. o algoritimo tem me levado para músicas com letras bonitinhas, mas resolvi ficar no modo repetitivo…. culpa. lá fora o vento é lés-sudeste (ese) e chove.

pensei em por uma tranca em minha porta.

pensei em levantar e pontuar todas as atividades acumuladas dos alunos e deixar prontas as aulas da semana… ou fazer a lista de exercicio para a prova da semana que vem… mas estou aqui, rabiscando, ou mais precisamente, inserindo códigos, produzindo texto. mas quando não estamos produzindo texto? quando não estamos inventando narrativas? fricções-ficções… pequenas eou íntimas? ou públicas/coletivas?

sinto-me atraído por algumas pessoas, pela forma como elas expressam suas ideias, seu vocabulário, suas camadas… sinto tesão por isso, pelo texto, pelo intertexto, pelos indícios – por tudo isto entretecido.

foi atráves de um comentário aleatório sobre hidetaka miyazaki, sobre o indiciarismo que há nas suas narrativias ficcionais, de aparente pouca preocupação com a história, mas pelo contrário, ao narrar ficção como historiografia e tradução, denota um detalhamento (único na indústria) da forma de descortinar o enredo no ato mesmo do jogar.

e me pego lendo essas coisas [fascinantes] aqui:

Considera estas formas de documentação, pesquisas de campo feitas para interpretação posterior. Interpreta descrições de atos cotidianos ou ainda as próprias formas de descrição como elementos indiciários, mas, fundamentalmente, faz bom uso de sua bagagem cultural para inferir os fatos históricos e para levantar hipóteses. Suas interpretações abrem a possibilidade de permitir visões distintas de um mesmo assunto ou objeto, chegando a verdades e verossimilhanças diversas. Verdadeiro e verossímil ou provas e possibilidades se entrelaçam, permanecendo rigorosamente diferentes entre si. Constrói, dessa maneira, versões alternativas que se contrapõem as oficiais e chama a atenção para os problemas que isso pode acarretar. Assim, modestamente, afirma:

«Obrigado a contar com os limites de minha preparação, que me impediam de enfrentar integralmente o estudo da pintura de Piero, tratei de evitar tanto a distinção como o abraço disciplinar. A minha atitude era a de quem faz uma incursão em um campo não propriamente inimigo, mas certamente estrangeiro. Se me houvesse servido das pinturas de Piero como depoimento da vida religiosa do século XV, ou se me houvesse limitado a reconstruir o circulo dos comitentes arentinos, teria podido manter com a corporação dos historiadores de arte uma relação presumivelmente pacífica. Mas ter traçado uma imagem de Piero diferente da estabelecida – até na cronologia de algumas das suas obras maiores – parecerá provavelmente uma provocação. Não faltará, é de imaginar, algum Apeles que me convide a voltar aos sapatos próprios do meu ofício.» (GINZBURG, 1984:XXIII)

A existência de abertura para diferentes interpretações e pontos de vista é possível no momento atual, em que se privilegia a diferença, a diversidade, o específico, mas teria sido difícil fazê-lo no século passado ou na primeira metade deste, quando praticamente não havia interrelação entre os campos disciplinares e eram contempladas as verdades absolutas.
As incursões interdisciplinares não só são praticadas, como também incentivadas:

«Como princípio geral creio que as incursões deste tipo deveriam se multiplicar. A insatisfação ante as separações disciplinares, que se percebe artificiais, tende a traduzir-se na justaposição (como já se disse, mais auspiciada que praticada) dos resultados de disciplinas diversas. Muito mais úteis que esses encontros de cúpula, que deixam tudo como estava, seria o enfrentamento dos problemas concretos: por exemplo, o que é colocado aqui como datação e interpretação de obras isoladas. Só assim se poderá alcançar a discussão, os instrumentos, os âmbitos e as linguagens das disciplinas individuais: a primeira delas, claro está, é a investigação histórica» (GINZBURG, 1984:XXIII)

Em: Ginzburg e o paradigma indiciário, por Nelci Tinem e Lucia Borges

também: Da filosofia à busca de um espaço outro: uma ligação entre Foucault e Blanchot, pp. 55 – 77 (por CAMILLA MUNIZ);

O conceito da experiência histórica e a narrativa historiográfica, dissertação de Fernando Nicolazzi

A poesia tem uma forma: o romance tem uma forma; a procura, aquela em que está em jovo o movimento de toda procura, parece ignorar que não a tem ou, o que é pior, recusa ponderar aquela que toma emprestada da tradição. “pensar” aqui, equivale a falar sem saber em que língua se fala nem que retórica se utiliza, sem sequer pressentir a significação que a forma dessa linguagem e dessa retórica põe no lugar daquela cujo ‘pensamento’ pretenderia estabelecer. Acontece de utilizarmos palavras erutidas, conceitos forjado em decorrência de um saber especial, e isso é legítimo. Mas o modelo pelo quel se manifesta o que está em questão na procura, continua sendo, geralmente, o de uma exposição. A dissertação escolar e universitária é o modelo. ” Maurice Blanchot

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«But the story is hazy. You, like young Miyazaki, must fill in the blanks with your imagination, co-authoring the narrative as you trudge the streets…» Interview – Bloodborne creator Hidetaka Miyazaki: ‘I didn’t have a dream. I wasn’t ambitious‘, por .

9h10. ainda chove. li fragmentos… mas preciso voltar para a rotina das tarefas docentes (obrigatórias), das tarefas discentes (obrigatórias), das leituras complementares sugeridas… e só depois…

ps: mas antes de ir, deixo a letra do terno

Culpa
(Tim Bernardes)

Parece que eu fico o tempo todo culpado
Com culpa eu não sei do que
Quem vai me desculpar se eu não fiz nada de errado
Que mais que eu posso fazer?

Será que as coisas que eu faço
E penso que não tem problema
Na verdade são pecado
E é por isso que eu me sinto tão culpado?

Ou será que a sociedade
Diz que é para eu ser contente
e quando eu fico meio triste, ou até meio chateado
Eu fico mais, pois acho que eu sou culpado?

uh, uh, uh, uh, culpa!
ah, ah, ah, culpa!
ah, ah, ah, culpa!

Desculpa qualquer coisa
Minha culpa, minha culpa
Culpa minha de pedir perdão

Culpa de fazer sucesso
Culpa de ser um fracasso
Culpa sua
Culpa de cristão

Será que as coisas que eu faço
E penso que não tem problema
Na verdade são pecado
E é por isso que eu me sinto tão culpado?

Ou será que a sociedade
Diz que é para eu ser contente
e quando eu fico meio triste, ou até meio chateado
Eu fico mais, pois acho que eu sou culpado?

uh, uh, uh, uh, culpa!
ah, ah, ah, culpa!
ah, ah, ah, culpa!

e mais dessa boníssima banda, nesse gostossímo programa:

O Terno no Cultura Livre

Setlist: 0:24 – Culpa 6:27 – Deixa Fugir 14:25 – Não Espero Mais 20:51 – Melhor do Que Parece

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2019, fevereiro 7, quinta-feira

notas:

meu black ganhou um elogio… da solange adão.

e tivemos uma puta vídeoaula sobre ODAs… sqn

e a turma do bem, ops, turma do caminho do bem

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e é nóix nas capirotagem no google class…

e trouxe os bulbos de bela da noite amarelas… a mirabilis jalapa… que a dona lurdes, me deu ontem.

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e agora correr de volta… que a janela de almoço já passou da hora.

está el que respeta la montañita y está el que no respeta nada

2019, janeiro 7, segunda-feira

amanhã é faxina… e mudança. hoje, foi dia de insônia… e de dormir pela manhã e acordar ao meio dia com os gatos

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foi dia também de sair de casa e pagar as contas e comprar o necessário.

e de receber a visita da sobrinha, que agora aderiu ao mate.

e lembrei disto:

«Está el que respeta la montañita y está el que no respeta nada»

*

hoje:

é dia de encaixotar as coisas…

é dia de iniciar tratamento…

e de estudar um pouco: esquizoanálise x terapias dominantes.