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dia 10/matilde campilho

[sáb] 15 de dezembro de 2018

Dia 10 – Matilde Campilho

https://www.youtube.com/watch?v=TJ1QMvAlzr0

É que por você eu dirigia meu automóvel de uma forma muito estapafúrdia. Meus pais sempre discutiam comigo porquê não chegava à hora de jantar. O garoto da loja de sorvete piscava-me o olho quando eu chegava sozinha no balcão, ele já sabia que você dobraria a próxima esquina.

Por você eu ficava sempre brigando com os pássaros, queria assobiar muito mais alto do que eles e, isso, não é nada esperto. Quem briga com bicho, perde!

Por você, eu também fui descobrir aquele projeto de mamífero emadeirado que ficava no ponto mais alto da aldeia e por causa disso eu soube que a luz incide de uma forma muito maravilhosa no rosto de Dona Manu. É que Dona Manu ficava lá sentada comigo todas as tardes do lado da estrutura. Era eu, Dona Manu e a Baleia. Todas as tardes de verão em Lisboa.

Não sei se te disse, mas durante nossos dias fez sempre Verão em Lisboa. Não sei se você reparou, mas sei que todos os marinheiros da vila ao lado repararam. Lembra quando subimos no barco para comer churrasco? Acho que esse foi o fim de tarde mais lindo do mundo. Como quase todos os dias do mundo, foram os mais maravilhosos com você.

As vezes ainda acho que vivo num filme, que é tudo uma cinematografia um pouco estapafúrdia. Um filme. Um filme em que não disseste sim. Um filme que escolheste outro tipo de disparos. Um filme em que julgaste que minha velocidade era a coisa mais idiota da galáxia. Sim, eu pegaria um avião só pra te beijar no dia dos seus anos. Sim, eu já te tinha dito. Era capaz de atravessar a cidade em bicicleta só para te ver dançar.

E não se iluda, nunca mais se iluda. Eu não sou herói, nada de campeonatos. Nunca atravessei nenhuma das chuvas pra te provar coisa alguma. Tudo que atravessei, toda aquela rapidez que te levava do claro ao escuro em quarenta e três segundos era só porque… desculpa, mas eu sempre achei que eras a pessoa mais bonita do mundo.

Sempre achei que a tua presença ao meu lado era quase imersiva. Não acho que sejas a Gisele Bündchen, não acho que sejas o Brad Pitt, não acho que sejas o menino Arthur Rambault, não acho que tu sejas os quantos quilômetros de um Austin Martin em uma estrada de Katimandu. Acho que tu és o teu nome. Teus olhos castanhos. Teu cabelo claro. Tua voz as vezes grave, as vezes doce. Tua incrível  mirada sobre o mundo dos negócios. E, tua bendita sensibilidade para a natureza, una, espiritual, familiar, de todas as coisas.

Desculpa gostar tanto de ti. Desculpa já nem sequer te inventar. Eu sei que teu rosto é o teu rosto. E isso ainda é muito equiparável a estabilidade de uma girafa sobre os trinta pratos numa fazenda. Acho que foi por ti que Santo Anselmo cuspiu flores.

Tu, o teu nome, a alegria no mundo. Acho que teu amor, que nasce e morre e nasce e morre e ressucita e assim alastra, é a maior de todas as bençãos possíveis no peito de um anjo roxo.

Perdoa este excesso de paixão. Talvez para ti seja mais difícil, mas eu prometi sempre dizer a verdade, toda gente sabe quem tu és para mim. Você. E, para você, meus parabéns pelos trinta anos de terra, pela parte que me toca, obrigada pelos vinte, foi, ainda é, uma aventura tremenda.

Um abraço forte

meu tio da américa

[seg] 10 de dezembro de 2018

peito em febre.

acordo cedo.

mate, chamego no cão, sofá e tevê.

aleatoriamente «mon oncle d’amérique». um filme francês de 1980, do gênero drama psicológico, dirigido por Alain Resnais. inspirado nas teorias do professor Henri Laborit, médico, biólogo e pesquisador do comportamento humano (behaviorista).

Roteiro: Henri LaboritJean Gruault

[PS leia a excelente crítica sobre o filme feita por Amanda Aouad Almeida do cinepipocacult]

meu-tio-da-america-03

«DOIS ANOS MAIS TARDE. QUINTA-FEIRA, 4 DE OUTUBRO DE 1979

Colocamos um rato numa gaiola… com dois compartimentos…  ou seja, um espaço separado|por uma divisória com uma porta… em que o chão está eletrificado, intermitentemente. E, antes que a eletricidade passe pelo chão, um sinal previne o animal… de que, em 4 segundos a corrente vai passar. A princípio ele não sabe… Percebe depressa, mas de início fica inquieto. Rapidamente vê a porta aberta e passa para a divisória ao lado. O mesmo volta a acontecer alguns segundos depois. Ele aprenderá também muito rapidamente… que pode evitar o pequeno choque elétrico nas patas… passando para o compartimento da gaiola, onde estava a princípio. Este animal, é submetido a esta experiência… durante uns 10 minutos por dia durante 7 dias seguidos… ao fim desse 7 dias… está em perfeitas condições.  Saúde perfeita. Pelo suave… pressão arterial normal. Ele evitou, através da fuga, a punição. Conseguiu prazer. E manteve o seu equilíbrio biológico.  O que é fácil para um  rato numa gaiola… é muito mais difícil para o Homem em sociedade. Certas necessidades foram criadas… por essa vida em sociedade, desde a infância. e raramente pode, para satisfazer essas necessidades… recorrer ao combate quando a fuga se revela ineficaz.  Quando dois indivíduos|têm objetivos diferentes… ou o mesmo objetivo… mas competem pelo mesmo objetivo… há um vencedor e um perdedor.  Se estabelecerá uma dominação… de um dos indivíduos sobre o outro. A procura da dominação num espaço a que chamamos… território… é a base fundamental… de todo o comportamento humano, embora não estejamos conscientes das motivações. Não há um instinto de propriedade, nem um instinto para dominar. Há apenas a aprendizagem, do sistema nervoso de um indivíduo… da necessidade de conservar à sua disposição um objeto ou um ser que seja desejado… invejado… por outro ser. Já dissemos que não|somos mais do que os outros. Uma criança selvagem, abandonada longe dos outros… nunca se tornará um homem. Nunca aprenderá a falar, ou a andar. Se comportará como um animalzinho. Através da linguagem, o Homem tem sido capaz de transmitir de geração em geração… toda a experiência que acumulou durante milhões de anos. Ele já não pode, há muito tempo, assegurar a sua sobrevivência por si próprio. Ele precisa de outros para poder viver. Ele não sabe fazer tudo, não é politecnista. (…) a sobrevivência do grupo está ligada… ao ensino desde criança… daquilo que é necessário para funcionar em sociedade. Ensinamos a não fazer cocô nas calças,|a fazer xixi na privada. Depois, rapidamente, ensinamos|como ele deve se comportar… para que a coesão do grupo possa existir. Ensinamos o que é belo, o que é bom… o que é mau, o que é feio. Dizemos o que deve fazer… e punimos ou recompensamos… independentemente da sua própria busca do prazer… punimos ou recompensamos… de modo que a sua ação… esteja conforme as necessidades de sobrevivência do grupo. Está quente… Cuidado! Vai se queimar. Vê como gira? Sente-se direito! Aperte a mão da senhora. – Repete comigo: “U.S: go home!”|- U.S. go home. Um, dois, segundo, três, quatro… tem quatro dedos!  Estamos começando a perceber como nosso sistema nervoso funciona. Só há uns 20 ou 30 anos… é que somos capazes de compreender. Como à partir de moléculas químicas que constituem a base… se estabelecem conexões nervosas, que serão programadas… }impregnadas, pelo condicionamento social. E tudo isso, num mecanismo inconsciente. Em outras palavras, os nossos impulsos e automatismos culturais… serão mascarados pela linguagem, pelo discurso lógico. “Morrer pelo país|é um destino tão grandioso… que legiões implorarão uma morte tão bela.” “A raça branca, a mais perfeita das raças humanas… habita sobretudo na Europa, na Ásia Ocidental… Norte de África e América.” Portanto…  15 francos por um primeiro lugar… 10 francos por um segundo… 5 francos por um terceiro… e a partir do quarto… um pontapé no traseiro! (…)  Assim, a linguagem ajuda a esconder a causa da dominância… para mascarar o mecanismo que estabelece essa dominância… e a convencer o indivíduo que, ao trabalhar para o coletivo social… realiza o seu próprio prazer. Embora geralmente não faça mais… do que manter posições hierárquicas… que se escondem por detrás de álibis linguísticos. Álibis fornecidos pela linguagem, que servem de desculpa.

Nessa segunda situação… a porta entre os dois compartimentos está fechada. O rato não pode fugir. Vai, portanto, passar por uma punição que não pode escapar. Esta punição vai provocar nele um comportamento de inibição. Ele aprende que qualquer ação é inútil, que não pode fugir nem lutar. Inibe-se. Esta inibição, acompanhada no Homem, pelo que chamamos de angústia… é também acompanhada, no seu organismo, por profundas perturbações biológicas. Se um micróbio está presente no ambiente… embora, normalmente,  as defesas funcionassem… estão inibidas, e ele pega uma infecção. Se há uma célula cancerosa, que, normalmente, seria destruída… vai produzir um câncer. E todas essas desordens biológicas desencadeiam… aquilo que chamamos de doenças da “civilização”, ou psicossomáticas. As úlceras no estômago, a pressão alta… a insonia, a fadiga… o mau-estar.

Na terceira situação… o rato não pode fugir. Irá receber a mesma punição… mas será confrontado com outro rato… que será seu adversário. Nesse caso, ele vai lutar. Este combate é absolutamente inútil… não permitirá evitar a punição. Mas ele vai agir. O sistema nervoso é feito para agir. Este rato não vai apresentar qualquer problema patológico… como os que vimos no caso anterior. Vai ficar em excelentes condições… embora tenha recebido a mesma punição. Mas, no caso do Homem… as leis da sociedade|normalmente proíbem… essa violência defensiva. O operário que vê diariamente… o encarregado que odeia… não pode lhe partir a cara. Acabaria na prisão. Não pode fugir, ficaria sem trabalho. E, todos os dias da semana, todas as semanas do mês… todos os meses, às vezes, durante anos… está impedido de agir. O Homem tem diversas  maneiras de lutar… contra este impedimento da ação. Pode recorrer à agressividade. A agressividade nunca é gratuita. É sempre uma resposta… ao impedimento da ação. No aliviamos, numa explosão agressiva… que raramente compensa, mas que, no funcionamento do sistema nervoso, é perfeitamente explicável.

(…) Assim, como dizíamos… uma pessoa, numa situação em que a ação é impedida…  se esta se prolonga, vai afetar a saúde… as perturbações biológicas consequentes… não causarão apenas… o aparecimento de doenças infecciosas… mas também o comportamento a que chamamos de “doenças mentais”. Quando a agressividade não se exprime contra os outros… pode ainda exprimir-se contra si próprio, de duas maneiras: somatizando, ou seja, dirigindo a agressividade sobre o estômago, deixando um buraco… uma úlcera… ou para o coração e as artérias, causando hipertensão arterial… por vezes, mesmo lesões agudas… que conduzem a doenças cardíacas brutais…. enfartes, hemorragias cerebrais; ou desenvolvendo alergias ou crises de asma. A outra forma de orientar a agressividade… contra si próprio, de uma forma ainda mais eficaz… é o suicídio!  Quando não podemos dirigir a agressividade para os outros… podemos ainda ser agressivos com nós mesmos.»

***

plano da tarde:

matear na praia, com a minha mãe e minha filha.

e tirar fotos

***

MATILDE CAMPILHO

Matilde Campilho
Escute lá
isto é um poema
não fala de amor
não fala de cachecóis
azuis sobre os ombros
do cantor que suspende
os calcanhares
na berma do rochedo
Não fala do rolex
nem da bandeirola
da federação uruguaia
de esgrima
Não fala do lago drenado
na floresta americana
Não diz nada sobre
a confeitaria fedorenta
que recebe os notívagos
para o café da manhã
quando o dia já virou
Isto é um poema
não fala de comoções
na missa das sete
nem fala da percentagem
de mulheres que se espantam
com a imagem do marido
aparando a barba no ocaso
Não fala de tratores quebrados
na floresta americana
não fala da ideia de norte
na cidade dos revolucionários
Não fala de choro
não fala de virgens confusas
não fala de publicitários
de cotovelos gastos
Nem de manadas de cervos
Escute só
isto é um poema
não vai alinhar conceitos
do tipo liberdade igualdade e fé
Não vai ajeitar o cabelo
da menina que trabalha
com afinco na caixa registadora
do supermercado
Não vai melhorar
Não vai melhorar
isto é um poema
escute só
não fala de amor
não fala de santos
não fala de Deus
e nem fala do lavrador
que dedicou 38 anos
a descobrir uma visão
quase mística
do homem que canta
e atravessa
a estrada nacional 117
para chegar a casa
ou a algum lugar
próximo de casa.

PEDRA EXPLODIDA 
NA MÃO DO MONGE

Matilde Campilho

Penso em astronautas
não penso em árvores chinesas
penso na contagem dos cabelos
não penso em punhais
disfarçados de arma desportiva
Penso em camisas vermelhas
em minha camisa vermelha
com um pequeno buraco
na zona lombar
Penso no êxodo
dos vendedores de picolé
nas migrações pendulares
penso em garrafas vazias
penso em tanques de guerra
penso em jabuticaba & acarajé
Penso no rosto e nos braços
da cantora de Santo Amaro
penso em pipas e em meninos
soltando pipas.

The ABC of Love, Léonce Perret, 1923.

[ps… no final do dia… a surpresa… mesmo eu tendo jogado a toalha e não feito uma das avaliações da disciplina… passei em teoria literária… no limite. estou devendo um semestre para meus colegas de grupo, principalmente o carlos, por terem deixado meu nome no trabalho, mesmo eu não tendo respondido nenhuma questão. ou a cláudia, prof, que arrendondou minha nota pra cima pelo meu desenvolvimento na metade final do semestre… mas enfim, não importa, o que importa é que alguém me salvou nesse jornada de cursar mais um semestre de teoria literária… ]

foco rapaz… faça por você e pelos outros… o que os outros tem feito por você.

 

atenção ao sábado

[seg] 10 de dezembro de 2018

certo, eu sei… já é segunda-feira. mas é que preciso registrar agora…

quem em sã consciência é picado por uma vespa as duas e meia da manhã enquanto toma banho, logo antes de ir dormir?

que dor horrível que estou sentido agora… e bem no peito esquerdo.

e como hoje é aniversário de clarice (… e antes que eu comece a passar mal, lá vai um trecho que fala dessa sensação, ou similar, que sinto agora:

ATENÇÃO AO SÁBADO

Acho que sábado é a rosa da semana; sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém despeja um balde de água no terraço; sábado ao vento é a rosa da semana; sábado de manhã, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido: outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas.

No sábado é que as formigas subiam pela pedra.

Foi num sábado que vi um homem sentado na sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca e pirão; nós já tínhamos tomado banho.

De tarde a campainha inaugurava ao vento a matinê de cinema: ao vento sábado era a rosa de nossa semana.

Se chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada, não é?

No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esforço metálico a semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e, antes do vento espantado poder recomeçar, vejo que é sábado de tarde.

Tem sido sábado, mas já não me perguntam mais.

Mas já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã.

Domingo de manhã também é a rosa da semana.

Não é propriamente rosa que eu quero dizer.

LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer. São Paulo: Siciliano, 1992

extraído deste blogue interessante trecos & trapos

does time work differently in different languages?

[qua] 10 de outubro de 2018

Prelúdio da gota d’água de chopin

Chopin Prelude Op.28 No.15 (Horowitz)

**

Coca-Cola no deserto

**

Debateboca

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Does time work differently in different languages? – Hopi Time

Relearn the Linguistic World in “Arrival”: An Interview with Jessica Coon

maré astronômica

[sex] 10 de agosto de 2018

andei 5km.

e certas derrotas… podem ser pequenas vitórias.

ir é melhor que ficar.

 

ocean’s eight

[dom] 10 de junho de 2018

adaptação. e é como se esse cara aqui, não fosse o cara de dez anos atrás. em alguns momentos pareço mais o cara de vinte anos atrás… é hora de crescer.

mas mesmo com uma dificuldade monstra para sair… encontrando mil desculpas em off para não mover-se… rompemos (eu e meus medos) a barreira da inércia e vamos ao cinema, com a filha, e só porque é a filha…

mas me sinto num safári… me sinto deslocado em ambientes com multidões…

e a dor me persegue… dificuldade de respirar, atravessa-me da escapula ao peito… como se houvesse um dor percorrendo o corpo. sano uma parte, ela escorre para outra parte do corpo.

 

canción para el viento, la lluvia y luchia

[qui] 10 de maio de 2018

esse é um álbum que não sai dos meus favoritos… e ultimamente tem me dado uma paz. coloco o fone de ouvido, toco a música e coloco na função repetição infinita… fecho os meus olhos e esqueço todo o resto do mundo…

sou violão, pássaros, chuva, e as vozes dessas mulheres maravilhosas…

canción para el viento, la lluvia y luchia

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1. 0:00 – LA COPLA / VALS DE LA QUEBRADA (Julia Ortiz / Dolores Aguirre) La Copla (excepto fragmento de Copla del noroeste) 2. 5:21 – LA COMPLICIDAD / JAH RASTAFARI (Cultura Profética / Shimshai) 3. 10:57 – ETERNO RETORNO (Juana Aguirre) 4. 15:31 – CANCIÓN PARA EL VIENTO, LA LLUVIA Y LUCHIA (Dolores Aguirre) 5. 21:43 – ALMA NÃO TEM COR (André Abujamra) (versión en español de Mariana Debenedetti) 6. 25:47 – INÉS (Dolores Aguirre) 7. 29:36 – RÍE CHINITO (Dolores Aguirre) 8. 34:44 – SERES EXTRAÑOS (Nicolás Quiroga) 9. 39:29 – CANTO A SAN BENITO (Berta Pereyra) por Berta Pereyra y Pollo Piriz 10. 40:02 – AMERITA CONFIAR (Augusto Fernández) 11 44:38 – INCA YUYO (Julia Ortiz) (excepto fragmento de “Enjambre” de Sebastián Benitez) 12. 49:09 – SANACIÓN CON CUENCOS (Jaime Rojas Casetti y Marcelo González Vásquez) en Casa Sol, Buin. 13. 49:58 – OTINIHC EIR (Dolores Aguirre) 14. 55:32 – OH, CHUVA (Luis Carlinhos) grabado en vivo en Porto Alegre, mayo 2013 Músicos Diego Cotelo, Guitarra, coros Dolores Aguirre, Voz, Guitarra Julia Ortiz, Voz, Caja Coplera, Accesorios Martin Dacosta, Percusión, coros

 

***

Cultura Profética – Por que cantamos 

Artista: Cultura Profética Disco: Canción de Alerta (1998) Track: 5 / 12

Mario Benedetti – Por qué cantamos

Mario Benedetti lee su poema “Por qué cantamos”, aparecido en el libro Cotidianas, de 1979

POEMA; ¿Por qué cantamos? de Mario Benedetti

Si cada hora viene con su muerte
si el tiempo es una cueva de ladrones
los aires ya no son los buenos aires
la vida es nada más que un blanco móvil

usted preguntará por qué cantamos

si nuestros bravos quedan sin abrazo
la patria se nos muere de tristeza
y el corazón del hombre se hace añicos
antes aún que explote la vergüenza

usted preguntará por qué cantamos

si estamos lejos como un horizonte
si allá quedaron árboles y cielo
si cada noche es siempre alguna ausencia
y cada despertar un desencuentro

usted preguntará por que cantamos

cantamos por qué el río está sonando
y cuando suena el río / suena el río
cantamos porque el cruel no tiene nombre
y en cambio tiene nombre su destino

cantamos por el niño y porque todo
y porque algún futuro y porque el pueblo
cantamos porque los sobrevivientes
y nuestros muertos quieren que cantemos

cantamos porque el grito no es bastante
y no es bastante el llanto ni la bronca
cantamos porque creemos en la gente
y porque venceremos la derrota

cantamos porque el sol nos reconoce
y porque el campo huele a primavera
y porque en este tallo en aquel fruto
cada pregunta tiene su respuesta

cantamos porque llueve sobre el surco
y somos militantes de la vida
y porque no podemos ni queremos
dejar que la canción se haga ceniza.

ma (間)

[ter] 10 de abril de 2018

aqui há dois movimentos. o primeiro é do homem do subsolo/ridículo/que acabou de voltar do mundo e ainda agitado. coleta impressões…

como o self em dostoiévski – notas soltas

pressupondo o dialogo com o outro espectral, esse outro que parece estar sempre presente. analisando as relações que mantenho com o mundo, as relações que não mantenho. entre o narcismo e autoflagelação. expondo meu ridículo, mas incapaz de não me expor…

uma ontologia do ser… o quê constitui o ser? será que o ser não é um ser em si? mas um ser para o outro? um ser em convivência com os demais? 

ego/self/eu em dostoiévski tem caráter contraditório. o eu que se afirma contra os demais. é um eu com vários hífens… eu-(para o )outro, eu-(em função do )outro, o eu-nós.

a voracidade competitiva/destrutiva de nossa sociedade e os momentos de fratura do eu superando-se a si próprio, passando de um aforismo bonito de pitágoras, do amigo como um segundo eu (meu espelho, meu eco) para outro aforismo de søren kierkegaard, para o amigo como o primeiro tu (aquele que se coloca com dignidade própria, mas em relação comigo, de ir)

***

e que cara é esse… que não vai pra aula e fica vendo aula pelo youtube. esse cara sou eu.

***

e para constar… na penúltima aula de segunda-feira, noite, um aluno, chamou-me de x9,  e que assim eu não iria longe.

***

…Caen
los hombres resignados
ciegamente, de hora en hora, como agua de una peña arrojada
a otra peña, a través de los años,
en lo incierto, hacia abajo.
Nota (texto): Alejandra Pizarnik. Prosa completa. Editorial Lumen.
2h58
***
e o segundo movimento é do homem… que ganhou o dia, nos seus intervalos…
queria falar mais sobre a folheada nos livros…
na sexta-feira foi do macluhan (meio como mensagem/da sociedade oral da enciclopédia tribal – conhecimento operacional de homero e hesíodo passando pela sociedade escrita, com alfabeto fonético, com conhecimento classificado, para a nossa sociedade da configuração, do teatro do absurda, da filosofia existencial, os antiambientes) [preciso ler e fichar… voltar a fichar livros…]
no sábado… flora (a epígrafe, hammett de win wanders) [buscar filme… ],
na segunda… deleuze (de lewis carroll aos estóicos, e a primeira séries de paradoxos, em platão [que viagem esse livro… ótimo].
e hoje na terça.. auerbach (mimesis e cicatriz de ulisses)…
***
e pelo segundo dia (já que matei as aulas), faço o almoço e almoço na companhia de minha filha. desde sábado tenho feito minhas próprias refeições… isto só me avisa o quanto preciso voltar a morar sozinho. vamos ver as coisas pelo lado positivo. autonomia.
***
Ma (?), é uma palavra japonesa que pode significa “intervalo”, “espaço”, “tempo” ou “distância entre duas partes estruturais”
o conceito foi extraído do seguinte vídeo: Hayao Miyazaki: A Importância do Vazio, do  canal EntrePlanos (que já mencionei anteriormente). o vídeo é do ano passado e eu já havia visto, mas vale o link pois o algorítimo, por estar vendo este outro canal aqui, Meteoro Brasil (HAYAO MIYAZAKI, OBSERVADOR), que aliás, é muito bom.
***

e antes de voltar para casa…

comprei um fernet
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Un fernet con coca,
para viver
e ajudar na digestão das avaliações,
dessa vida docente!

***
ps: não corrigi nada. nem digitei nada. apenas bebi.

virando sapo já…

[qua] 10 de janeiro de 2018

chuva.
chuva intensa
muita chuva
chuva o dia inteiro
chuva que não acaba
chuva que alaga
que nos ilha

***

anotações soltas que outras pessoas publicaram…

«Liberdade – essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda!» Cecília Meireles

«Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será e virá a ser
E ao mesmo tempo esse desejo de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não têm ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante.
E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.» Vinícius de Moraes. Excerto do poema «O Haver»

art. 206 e outros apontamentos avulsos sobre música e cinema.

[ter] 10 de outubro de 2017

das notas do dia…

#1 consciência de si… é preciso, de vez em quando fugir.

mudei [ou mantive – depende do ponto de vista] os planos, ou mesmo, adequei-os, as necessidades do dia. como o horário não mudou essa semana, como era esperado, eu mesmo mudei e faltei. dia de ato, dia de ruptura… de desobediência.

#2 conexões aleatórias e sem sentido.

me enrolo. me atraso. não me faço poema.” relendo essa frase hoje, me lançou direto para essa música aqui >> Saulo Fernandes e Paulinho Moska – Não Precisa Mudar

#3 ainda aguardando a valorização…

Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
IV – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V – valorização dos profissionais do ensino, garantido, na forma da lei, plano de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, assegurado regime jurídico único para todas as instituições mantidas pela União;
V – valorização dos profissionais do ensino, garantidos, na forma da lei, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
V – valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
VI – gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII – garantia de padrão de qualidade.
VIII – piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

 #4 trilha de fundo…

Liniker – Fim de Festa (Itamar Assumpção)

Ivan Lins – Deixa eu dizer ( Modo Livre, 1974).

Fim de Festa – Naná Vasconcelos e Itamar Assumpção

esse último vídeo com edição de Carol Mira, com fragmentos dos seguintes filmes:

Filmes em ordem de aparição: “Regen” – Joris Ivens (1929) “Limite” – Mario Peixoto (1931) “Emak-bakia” – Man Ray (1926) “La coquille et le clergyman” – Germaine Dulac (1926) “At land” – Maya Deren (1944) “Sunrise” – Murnau (1927) “L’Etoile de Mer” – Man Ray (1928) “Romance Sentimentale” – Aleksandrov e Eisenstein (1930)

#5 outras coisas…

Joris Ivens -> A chuva – Joris Ivens (Holanda – 1929); Joris Ivens – De Brug (The Bridge, 1928); Limite Mário Peixoto(Brasil – 1931); Não me Incomode ou Emak Bakia – Man Ray (1926)… O resto deixo pra quinta-feira…

 

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