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permanent reminder of a temporary feeling

[ter] 13 de novembro de 2018

«“Permanent reminder of a temporary feeling” de Jimmy Buffett, do album “Beach house on the moon”. / Island Records, 1999. // She was no marine back from the Philippines / She was their pride and joy, their incarnation. / Her parents viewed the chief / With shock and disbelief / Looking for some other explanation. The Indian, her back was poised for an attack. / She said ‘a tattoo is a badge of validation’. / But the truth of the matter is far more revealing. / It’s a permanent reminder of a temporary feeling. / Permanent reminder of a temporary feeling / Amnesic episodes that never go away. / It’s no complex momento, it’s no subtle revealing. / Just a permanent reminder of a temporary feeling. / Vegas in the rain, drunk on cheap champagne / He hears out of tune synthesized chapel bells / Painfully ringing. / Where’s his limo ride? Who’s this foreign bride? / Is this really Elvis spinning round the ceiling? / Permanent reminder of a temporary feeling, / Forgotten fabrications in the chapels of love. / What is this ring on his finger? Why is he kneeling? / She’s just a permanent reminder of a temporary feeling. Chromosomes and genes, / spawn these fateful scenes. / Evolution can be mean, there’s no ‘dumb ass’ vaccine. / Blame your DNA, you’re a victim of your fate. / It’s human nature to miscalculate. To make up for the fight they go out for the night. / Sex, drugs and rock ‘n’ roll seems like the easiest answer. / But a short nine months later, there’s no way of concealing, / That permanent reminder of a temporary feeling. / Permanent reminder of a temporary feeling / Amnesic episodes that never go away. / Complex momentos, not subtle revealings. / Just a permanent reminder of a temporary feeling.»

O ato de tatuar-se e sua relação com o eu / Sybele Macedo. – 2014.

«(…) os mal-estares da modernidade provinham de uma espécie de segurança que
tolerava uma liberdade pequena demais na busca da felicidade individual. Os malestares da pós-modernidade provêm de uma espécie de liberdade de procura do
prazer que tolera uma segurança individual pequena demais.» (p. 10) BAUMAN, Z. (1998). O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar

***

ganhei uma bala dalva, doce de coco em tabletes.

contei sete papagaios.

colhi um girassol.

fiz apenas uma refeição no dia.

hoje consegui respirar. foi um dia melhor.

manoel

são 4 anos sem manoel. mas ele sempre está presente!

isto não é um poema

[sáb] 13 de outubro de 2018

Por Arnaldo Antunes

«isto não é um poema

desabafo
que não pude não
fazer e não pude fazer
de outra forma
que não fosse
assim
fatiando as frases
no espaço
aqui
hoje
eu vi
aterrorizado
um artista assassinado
Moa do Catendê,
mestre de capoeira,
autor do Badauê —
por conta de uma divergência política num bar
da Bahia
depois corri o dedo
sobre a tela e
vi e ouvi
arrepiado
Luiz Melodia
(também negro e compositor,
também com o cabelo rastafari,
como a vítima do post anterior)
cantando
“no coração do Brasil”
e repetindo muitas vezes
esse refrão
“no coração
do Brasil”
“no coração do Brasil”
que tento sentir
pulsar ainda
entre a luz de Luiz
e a treva
desse buraco vazio
que não pulsa mais no peito
de Moa do Catendê
e “não existe amor em SP”
ou “no coração do Brasil”
fraturado
nesses dias
brutos
de coturnos
chucros
a chutar a cara
de quem
ama
arte
cultura educacão
liberdade de expressão
diversidade
cidadania
solidariedade
democracia
mas não se dá
a mínima
o que importa é se subiu
a bolsa
caiu
o dólar
se todos vão prosseguir
seguindo
docilmente para o abismo
nessa insanidade coletiva
em que o Brasil nega
qualquer Brasil
possível
cega
qualquer futuro possível
e o ódio
o horror e o
ódio
e nada que se diga faz sentido
mais
para quê
expor na cara desses caras
a palavra explícita
(gravada em vídeo e repetida, repetida, repetida)
do seu “mito”
dizendo
“eu apoio a tortura”
“eu defendo a ditadura”
“eu vou fechar o congresso”
“não servem nem para procriar”
“não te estrupo porque você não merece”
“a gente vai varrer esses vagabundos daqui”
“o erro foi torturar e não matar”
“viadinho tem que apanhar”
etc etc etc etc etc
e tudo mais
que repete incansavelmente
há anos
ante câmeras e microfones
para quê mostrar de novo
e de novo
o mesmo nojo
se é justamente
por isso
que o idolatram?
e sempre haverá
os que vêm disfarçar
dizendo:
“estamos entre dois extremos”
“sim, mas veja a Venezuela”
“é para acabar com a corrupção”
“nós queremos segurança”
ou
“não é bem assim…”
enquanto constatamos cada vez mais
que sim,
é assim
mesmo, é assim
que é
mas
como li por aí:
“como explicar a lei Rouanet para quem
ainda não assimilou a lei Áurea?”
ou: como explicar a lei da gravidade
para quem ainda crê
que a terra é plana?
e querem defender sua ignorância com dentes
e garras
querem
matar atirar vingar
a quem?
em nome de quem?
(pátria, família, propriedade, segurança?)
se nessa seara não há direitos
nem respeito
ensino ou dignidade
só horror e
ódio, ódio
e horror
as palavras perdem a clareza
os valores perdem o valor
a vida perde o valor
Marielle
remorta remorrida rematada
por sua placa
rompida rasgada desonrada
pelas mãos truculentas de
brutamontes prepotentes
com suas camisetas estampadas
com a face do coiso
que redemonstra sua monstruosidade
quando vende
em seus próprios comícios
camisetas de outro
ultra-monstro
ustra

aquele que além de torturar
levava crianças para verem
suas mães torturadas

e esses mesmos
abomináveis
que, diante de uma claque vergonhosa,
se orgulham
de terem
rasgado as placas
com o o nome Marielle Franco
estão sim
agora
eleitos
satisfeitos
mas não saciados
de todo o sangue
de inocentes
que há de correr
só por serem
diferentes
excitando em outros
o desejo de exercer
seu obscuro
poder
de milícia polícia esquadrão da morte
e o anúncio da Rocinha metralhada
como solução
a barbaridade finalmente
institucionalizada
como diversão
o Brasil finalmente
sem coração
fora da ONU
e dos acordos internacionais pelo
meio-ambiente
sem controle
de sensatez ou mentalidade
sem limite humanitário
“não vai ter ong!”
“não vai ter ativismo!”
“não vai ter mimimi!”
bradam
cheios de si e de ódio
criminosos contra o crime
opressores pela família
amorais pela moral
apesar de todos
os alertas
da imprensa internacional
de esquerda, de centro, de direita
só não vê quem não quer
a tragédia anunciada
divulgada
não como boato
mas escancarada
-mente
enquanto
empoderados pelo discurso
de ódio
de horror e ódio
seus eleitores
já saem pelas ruas
dando tiros
e gritos
enxurradas de fakes
suásticas nazistas gravadas com canivete
na pele da menina
que usava “ele não” estampado na blusa
e a promessa de violência desmedida
se concretizando
antes mesmo de começar o segundo turno
e nem um centímetro de terra para os índios
e nem um pingo de direitos civis ou humanos
e a volta da censura e o ódio,
o ódio, o horror
e o ódio
pra encerrar de vez
o sonho de uma nação
que tem a chance
de dar ao mundo
sua contribuição
original
agora fadada a repetir o que de pior já houve
na história
sem história agora
sem Museu Nacional
nem cultura nem educação
abolir filosofia e arte
em seu lugar:
moral e cívica
escola militar
religião
geografia dos lucros e dividendos
massacre das minorias
horror e ódio
e ódio
e horror
crescente permanente enquanto dure
pois ninguém larga o osso assim tão fácil
depois de um golpe
que precisa parir outro golpe
ou autogolpe
alimentado por todas as fakes e facas
contra as costas de artistas
como Moa
mas na cabeça de quem apóia
tudo se justifica:
o fascismo
a tortura dos presos
o sumário julgamento sem juri
autorização dada à polícia
para matar
e o ódio aos pobres
as blitzes ostensivas
a guerra declarada
dos que aceitam assassinos para combater bandidos
se está tudo invertido mesmo
pobre elegendo milionário,
pelo avesso e ao contrário
então se autoriza a sórdida
barbárie
dos fortes contra os fracos
algo está muito doente
no Brasil
no descoração do Brasil
que mente, se omite, agride, regride
para avançar sem freios
em direção ao fascismo
seguindo a música hipnótica do
ódio,
horror e ódio
pregados em igrejas
em nome de Deus
e de Cristo
só desamor em nome de Cristo
violência e brutalidade em nome de Cristo
armas e tortura
e preconceito em nome de Cristo
de Deus e de Cristo
armar a população
para metralhar os adversários
os diferentes
os miseráveis
os favelados
os do outro lado
os que se manifestam
ou contestam
ou pensam de outra forma
ou se vestem
de outra cor ou tem
outra cor ou
qualquer pretexto
que se crie
para espalhar o ódio, o horror
e o ódio
do machismo ao estupro
da mentira ao linchamento
do homicídio ao genocídio
(“tinha que ter matado pelo menos trinta mil!”)
já sem democracia
palavra vazia
em boca
de quem compactua
(e não são poucos)
pensando ser
possível
alguma forma de
neutralidade
nesse momento
como Pilatos
lavando as mãos
a chamada mídia
tenta fazer média
ao dizer que os dois lados são igualmente
extremistas e perigosos
mas então
onde estavam nos últimos três mandatos
e meio
antes do pesadelo Temer?
estavam numa ditadura comunista
e não sabiam?
na verdade
todos sabem muito bem
que o extremismo
vem de um só
lado, que
quer se eleger para acabar
com eleições
e que o grande perigo é mesmo
esse jogo
de equivalências que,
na verdade
serve ao monstro
pois a omissão é missão impossível
neste agora
impossível
mascarar o sol
da ameaça
hostil e explícita
do nazismo
crescente
com a peneira furada
de um bom senso
mediano hipócrita indiferente
que sempre
vai dizer:
sim, mas a Venezuela…
como se não tivéssemos ouvido exatamente isso
em 64,
quando diziam:
— Sim, mas Cuba…
para justificar a ditadura militar
que tanto elogiam
hoje em dia
e que o atual
presidente
do nosso Supremo Tribunal Federal
decidiu
que agora vai chamar
de “movimento”
em vez de
“golpe militar”
para adoçar um pouco a boca
amarga
do sangue
impregnado
que não vai sumir assim
mudando a nomenclatura
desnomeando a já tão dita
“ditadura”
mas esse des-
-equilíbrio
ético
que diz
preferir uma autocracia
perfeita
a uma
defeituosa
democracia
esse
erro
que nenhum arrependimento será
capaz de reparar
quando for tarde
demais
ainda dá
para evitar
ainda
é tarde
de menos
para
conter
o ódio,
o horror e o ódio
ainda

dd
a

perdi a rematrícula

[sex] 13 de julho de 2018

só para registrar…

uma semana exaustiva. cansaço, dormindo no ônibus, dormindo no sofá, virando madrugada. eu no piloto automático… submerso na montanha de papéis e avaliações… produzindo notas… e no fechar da noite, da semana, do bimestre… numa sexta-feira treze…

no comentário da colega, depois do conselho de classe, no ponto do ônibus, sobre as disciplinas que ela vai cursar, e qual eu cursarei… descubro que perdi a data da rematrícula… e fiquei preso neste ponto, para dobrar a ansiedade… eu nem me liguei na data da rematrícula e perdi.

e agora?

é aguardar o ajuste para tentar algo. já estava cético, pelo ia zerado se conseguiria algo, e como conseguiria encaixar datas, mas agora… ficou foda. seria um pouco triste ficar neste ponto do caminho. um mês de hype, um mês de frequência… e morri na praia.

ps: sexta, sábado e domingo sem as doses diárias, porque não me organizei e perdi a hora para pegar a medicação. faltei a sessão de terapia dessa quinta-feira também.

lá vou eu me desmontando continuamente. me afundando… fiquei triste e cansado.

vontade de ficar quieto. sozinho. tchau.

garapuvu.blog

[dom] 13 de maio de 2018

«o sór derrama seus raio briante, por trais da serra, pintando o lindo cenário da manhã da minha terra» Abílio Victor, Nhô Bentico, poeta caipira de Itapetininga/SP

só para constar, tinha uma declamação do rolando boldrin aqui, antes. poema para mãe, mas deixei apenas a canção de zeca, abaixo

todo homem (tom veloso, zeca veloso, caetano veloso e moreno veloso) (composição: zeca veloso)

O sol, manhã de flor e sal / E areia no batom / Farol, saudades no varal / Vermelho, azul, marrom / Eu sou cordão umbilical / Pra mim nunca tá bom / E o sol queimando o meu jornal / Minha voz, minha luz, meu som / Todo homem precisa de uma mãe / Todo homem precisa de uma mãe / O céu, espuma de maçã / Barriga, dois irmãos / O meu cabelo negra lã / Nariz, e rosto, e mãos / O mel, a prata, o ouro e a rã / Cabeça e coração / E o céu se abre de manhã / Me abrigo em colo, em chão / Todo homem precisa de uma mãe / Todo homem precisa de uma mãe / Todo homem precisa de uma mãe / Todo homem precisa de uma mãe

 

***

em 1998 eu ouvia coisas assim:

Exaltasamba – Telegrama (Composição: Leandro Lehart)

Telegrama Exaltasamba / Composição: Leandro Lehart / Ah! Que saudade de você Estou a te esperar A dor ainda está no meu peito Ah! Nas ruas meu olharFica a te procurar A dor ainda está no meu peito… Ah! As marcas de batom Num casaco de vison Aquele beijo imaginar Beijo na boca de lingua Ah! Com os amigos vou jogar Bate papo e conversa fora Prá tentar me segurar… Me liga! Me manda um telegrama Uma carta de amor(De Amor!) Que eu vou até láEu vou! Que eu vou até lá Eu vou! Que eu vou até lá Eu vou! Que eu vou até lá…(2x)

***

agora, nesses últimos dez anos, ouço coisas assim:

(setlist de hoje, não nessa ordem, e apenas as que lembrei de anotar):

karina buhr – eu menti pra você (álbum completo)

01 – 00:00 “Eu Menti Pra Você” 02 – 04:28 “Vira Pó” 03 – 07:08 “Avião Aeroporto” 04 – 11:43 “Nassiria e Najaf” 05 – 14:58 “O Pé” 06 – 20:34 “Ciranda do Incentivo” 07 – 24:50 “Telekphonen” 08 – 27:52 “Mira Ira” 09 – 31:30 “Soldat” 10 – 33:25 “Esperança Cansa” 11 – 37:40 “Solo de Água Fervente” 12 – 41:29 “Bem Vindas” 13 – 45:19 “Plástico Bolha”

luedji luna – banho de folhas

gal costa – quando você olha pra ela (letra e música: mallu magalhães)

francisco, el hombre – triste, louca ou má

preciso do seu sorriso – mariana aydar/chico césar/mestrinho

lenine – todas elas juntas num só ser

chico césar – à primeira vista

chico césar – deus me proteja de mim

Deus me proteja de mim e da maldade de gente boa. Da bondade da pessoa ruim Deus me governe e guarde ilumine e zele assim Caminho se conhece andando, então vez em quando é bom se perder Perdido fica perguntando, vai só procurando e acha sem saber Perigo é se encontrar perdido, deixar sem ter sido, não olhar, não ver Bom mesmo é ter sexto sentido, sair distraído espalhar bem-querer (Deus me proteja de mim – Chico César)

***

estou baixando vídeos… aulas, debates etc. para logo mais cancelar a internet e fica off.

a luz do céu de outono

[sex] 13 de abril de 2018

parte de mim não quer voltar. quer ficar aqui, insistir, lutar, mesmo que a cabeça pesada e o corpo cambaleante estejam endurecidos como a terra torrificada. e não haja sentido neste vagar desvairado dos pensamentos em pensamentos nesta mente que anseia. 1h24

[o texto das treze horas não foi salvo]

e neste ponto é impossível reconstruir o texto. perdi. mas era algo no limite do sono, de quando a gente está indo embora e o corpo ficando, aquele desencontro, o etéreo, a brisa que não esfria, que não sustenta a cabeça, e nem liberta o corpo dos destroços, do cansaço extremo, da fadiga. eu sei que não era isso, que havia outra ideia. mas os documentos não foram salvos. veio a vaga, e a onda andou. como a espuma, que pertence ao corpo, mesmo estranha a ele, mas pertence e perenemente retorna a sua condição aquática.

que dor perder o texto, a fala.

e você me convida para o silêncio.

vamos ao sol.

16h24

***

o vento lava meu rosto. o vento rasga a minha cara. a chuva que vem atinge meus ossos e músculos. me lava. e eu, homem do subsolo, espero logo mais lhe encontrar. queria esfriar por dentro. não ter essa febre por dentro. e não amar. nunca mais amar. não ser terra, subsolo, essa coisa vulcânica que provoca terremotos, que abala a terra alheia, que alimenta sementes, raízes e fungos. mais fácil, talvez, seria ser água ou gelo. queria cortar como corta o teu gelo.

17h15

dobro o papel, anoto fim da passagem i, inicio ii.

ela, humana, tem os olhos de outdoor, e tenta dormir. quanto mais quero olhá-la, e como uma mania infantil, foge o meu olhar. quanto mais quero, mais fujo o olhar. jeito atravessado, inverso. [——–] censuro palavras, imagens. queria estar entre tuas pálpebras cerradas, na imagem projetada. tolice, você, ela, tenta dormir, ou apenas esquece essa espera lotada, repleta de gente. ninguém vê. ninguém se olha. todo fogem ao olhar alheio. não somos nada, nem coletivo. somos o silêncio em desespero.

17h37

iii

somos o silêncio em desespero. hoje não quero estar em lugar algum, apenas sinto um fluxo vertiginoso, esse volume de sensações, de sentidos. não é necessário contar um estória, nem ser linear. encontrar um ponto focal, um nexo causal, nesse amontoado de emoções.

iv

há um excesso de azul, na tinta sobre o papel, no céu, no cabelo, na roupa desses outros passageiros, na noite, nos meus olhos, no reflexo do asfalto. no filtro da fotografia.

mas o engarrafamento vai tingindo a dor da espera de vermelho. às vezes, esquecemos que nossos corpos são vermelhos, rubi, mortais como o mercúrio.

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queria ser o alimento cru que teu corpo devora… tu, imensa flor, carnívora, engolindo-me, queria agora essa dor, essa gozo, essa morte. nada dessa espera, nesse mormaço, imagino meus pelos nos teus pelos, pele em pele. fricção, atrito, fluxo, língua, saliva, lábios, ácido e salgado, quente, teu gosto, me excita, escrevo, desenho em ti esse versos.

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18h24

v

pessoas insensíveis, formais demais.

18h30

vi

uma sexta-feira, treze, meias e tênis, molhados. e não há rua ou calçada. há apenas um volumoso fluxo de água… a chuva torrente transforma o caminho em rio. salto, quase mergulho por dentro da chuva… me equilibro sobre o meio fio. e encharco meus pés.

te desejo feliz aniversário. falas sobre o céu de outono e sua luz. votamos mais cedo. não consigo te expressar minha angústia. estou cansado… me sinto perdido, um bocado, e apenas cumprimos horário. meu trabalho não me encanta… não encanto ninguém, e sinto-me exausto. queria ter dado um abraço demorado, lento… silencioso, desses que levam a noite, ou uma vida. nos meus olhos vejo a chuva que embala a noite… a chuva dos meus olhos. a noite termina cedo.

21h30

por que ler os clássicos

[ter] 13 de março de 2018

notas para a aula de logo mais

«’Onde encontrar o tempo e a comodidade da mente para ler clássicos, esmagados que somos pela avalanche de papel impresso da atualidade?’

***

Os clássicos são livros que exercem uma influência particular quando se impõem como inesquecíveis e também quando se ocultam nas dobras da memória, mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual.

Por isso, deveria existir um tempo na vida adulta dedicado a revisitar as leituras mais importantes da juventude. Se os livros permaneceram os mesmos (mas também eles mudam, à luz de uma perspectiva histórica diferente), nós com certeza mudamos, e o encontro é um acontecimento totalmente novo.

7. Os clássicos são aqueles livros que chegam até nós trazendo consigo as marcas das leituras que precederam a nossa e atrás de si os traços que deixaram na cultura ou nas culturas que atravessaram (ou mais simplesmente na linguagem ou nos costumes)

***

Para poder ler os clássicos, temos de definir ‘de onde’ eles estão sendo lidos, caso contrário tanto o livro quanto o leitor se perdem numa nuvem atemporal.

***

Só nos resta inventar para cada um de nós uma biblioteca ideal de nossos clássicos; e diria que ela deveria incluir uma metade de livros que já lemos e que contaram para nós, e outra de livros que pretendemos ler e pressupomos possam vir a contar. Separando uma seção a ser preenchida pelas surpresas, as descobertas ocasionais»

el olvido esta lleno de memoria

[qua] 13 de dezembro de 2017

6h08 notas de um dia já muito longo. desde as três finalizando diários e abrindo processos no silêncio da madrugada. e já amanhece, os pássaros denunciam isto. falta agora… neste exato instante… 108, 109, 110, 111, 112, 101, 102 e 103, sendo que as cinco primeiras são para hoje. e as três últimas para amanhã cedo.

8h50 chego na escola. não entro em sala. ajuda na conversão do vídeo de apresentação da escola ao familiares…

10h30 grazi me desafia para o resta 1. e antes do meio dia, conseguimos, numa boa parceria restar um. mari também contribui.

14h20 helen toca drexler… como seu texto é lindo, me encanta essa uruguaya… ela me fala coisas… fico até sem jeito. ela gosta de poesia também… e fala sobre sartre e beauvoir…

15h00 vamos para o gramado, sentamos em roda… conversamos…

16h30 confraternizamos. engordei uns 10 kg. cachorro quente, bolo e fanta uva.

19h10 os alunos interessaram-se com o resta um. jogamos xadrez…

21h19 volto pra casa… exausto.

22h30 chego em casa.

ainda há coisas para digitar. leio meus poemas… o cansaço me deixou meio triste. que porra de dia intenso… longo… divertido… amigável… sedutor… instigante… e no final um pouco tenso.

23h30 notas da conversa com diogo.

villa_grimaldi_cintillo notas de pontos para se visitar: http://villagrimaldi.cl/museo/

notas de leitura: O esquecimento está cheio de memória, de Mario Benedetti

***

e fechei as turmas da escola 1. agora faltam 3 turmas da escola 2. e hoje… talvez eu tenha mais clareza do meu futuro…

 

 

absens

[seg] 13 de novembro de 2017

dia cheio… acordei com uma planejamento. não fiz nada… mas trabalhei o dia inteiro na construção da casa… e pela noite, não fui para escola, porque não pus em dia, durante o dia, as tarefas necessárias para a noite, e porque estava exausto.

mas a casa vai ficando com cara de casa…

vou fazer uma lista das vezes que faltei e registrei aqui este ano:

2017/10/16/ *  2017/08/22/  *  2017/04/28/  *  2017/04/20/  *  2017/03/13/

há mais faltas… algumas compensadas, outras não registradas.

isto fica feliz em ser útil

[qua] 13 de setembro de 2017

ao acordar cedo… o homem bicentenário. 

«01:58:57,412 –> 01:59:03,503
Como pode ver, presidente,
não sou mais imortal.
01:59:05,380 –> 01:59:07,966
Tomou providências para morrer?
01:59:08,175 –> 01:59:10,678
De certa forma, sim.
01:59:11,804 –> 01:59:15,433
Estou envelhecendo,
e meu corpo…
01:59:15,642 –> 01:59:17,978
…está se deteriorando.
01:59:18,186 –> 01:59:23,860
Como o de vocês,
vai parar de funcionar.
01:59:25,570 –> 01:59:30,534
Na condição de robô,
poderia ter vivido para sempre.
01:59:32,119 –> 01:59:38,001
Mas digo a todos vocês que
prefiro morrer como homem..
01:59:38,210 –> 01:59:42,548
…a viver eternamente
como máquina.
01:59:45,635 –> 01:59:48,472
Por que quer fazer isso?
01:59:49,598 –> 01:59:52,018
Para ser reconhecido…
01:59:52,226 –> 01:59:55,313
…por quem sou e pelo que sou…
01:59:55,522 –> 01:59:58,942
…nada mais, nada menos.
01:59:59,109 –> 02:00:02,196
Não é por fama
nem aprovação…
02:00:03,239 –> 02:00:07,035
…mas pela simples verdade
de tal reconhecimento.
02:00:07,244 –> 02:00:11,373
Foi o impulso elementar
de minha existência.
02:00:11,582 –> 02:00:15,461
Devo alcançar isso vivendo…
02:00:15,670 –> 02:00:19,007
…ou morrendo com dignidade.»

e não são nem cinco horas da manhã.

e antes das seis eu viro uma máquina… corrigir… corrigir… manhã alternada entre aulas e avaliações. corrigir… recuperar o não produzido.

tarde… aulas e avaliações. e o estresse do louco que resolve fechar uma baseado na minha aula… que merda.

noite… aulas e avaliações. ufa. fechou.

***

«Actum nihil dicitur cum aliquid superest ad agendum – Nada se diz “feito” quando resta alguma coisa a se fazer.»

a morte do garapuvu e outras coisas da semana passada

[seg] 13 de março de 2017

e eis que vem a tempestade e faz com que eu sai do lugar.

essa semana foi meio a toque de caixa: depois do meu estresse na segunda… acho que eu joguei a tolha pro resto da semana, cansei de tudo e todos.

terça-feira, fiz um exercício para colocar na roda o debate sobre as entidades democráticas… o calcanhar de aquiles, porque teoria sem prática não funciona… e tem um monte dessas pessoinhas que sacam isto.

na quarta-feira, matei assembleia e matei o pré-acordo feito de pegar as aulas do professor marcos. não fui pra lugar nenhum pela tarde, apenas caminhei com minha mãe, conversamos sobre coisas da vida, tivemos um pouco de paz. e pela noite foi a melhor aula do ano, tema: 8 de março, ou as coisas são o que são porque são naturais/normais ou são socialmente construídas, historicamente estruturadas, cultural e ideologicamente significadas… logo podem ser combatidas, construídas, destruídas… nada é natural.

quinta-feira… foi o dia da espera. 1 aula pela tarde. 1 aula pela noite. e nas duas ultimas assembleia escolar. essa foi boicotada pela direção ao dispensar os estudantes… e até por mim, ao não construir com os pais.

sexta-feira… na sequência de passar atividades e não dar aula expositiva, intuido que é nesses dias que eu mais me estresso, e eu não queria me estressar… já tinha atingido minha cota máxima na segunda-feira. quatro aulas pela tarde e cinco aulas pela noite. passou rápido.

sábado… um filme, NISE. e fiz babaganoush, e passei o dia de boa… me enrolando.

domingo… eu tinha que estudar, preparar as aulas dos terceiros, que é pra segunda-feira cedo, no mínimo. e o que fiz… nada até a tempestade chegar, destelhar minha casa e me obrigar a fazer uma faxina. e a tristeza maior foi que caiu um galho do ingazeiro e o garapuvu foi partido ao meio. morreu meu garapuvu. senti um dor no peito.

segunda-feira… uma da madrugada. organizar o juri simulado, preparar lista de exercício… daqui a 6 horas saio de casa. em 7 estou em sala… mas em compensação 10h30 da manhã já estou liberado. plano do dia: dormir pela tarde. preparar material para tirar líderes de turma, exceto os terceiros.

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