Archive for the '16' Category

a metáfora do tubarão

[qua] 17 de outubro de 2018

há algumas notas para registrar… desses últimos dias.

mas só consigo dizer…

abordagens psicológicas e o big data… e lá vamos nós eleitores/consumidores para o abismo/matadouro.

«Qual é a melhor placa para eu fincar na areia?… A metáfora do tubarão no limite da ética».

preciso ler…

na fila:

ÉTICA E PÓSVERDADE de Christian Dunker, Cristovão Tezza, Julián Fuks, Marcia Tiburi e Vladimir Safatle

A ARQUEOLOGIA DO SABER de Michel Foucaul

Verdade e diferença no pensamento de Michel Foucault, por Cesar Candiotto

«Nos anos 1990, Woody Allen dizia que o mundo podia ser horrível, mas ainda era o único lugar onde se poderia comer um bife decente. Nos anos 2000, Cyfer, o personagem de Matrix que decide voltar para o mundo da ilusão, declara: “a ignorância é uma bênção”. Portanto, não deveríamos nos assustar quando o dicionário Oxford declara o termo “pós-verdade” a palavra do ano de 2016. Uma longa jornada filosófica e cultural foi necessária para que primeiro aposentássemos a noção de sujeito, depois nos apaixonássemos pelo Real, para finalmente chegar ao estado presente no qual a verdade é apenas mais uma participante do jogo, sem privilégios ou prerrogativas». A Pós-Verdade e seu tempo político  por Christian Dunker

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El sembrador de fuego

El sembrador de fuego / O semeador de fogo / The fire sower

«O pintor deste quadro – neste caso, podemos dizer – criou coragem de reconhecer a existência de um medo geral e profundo, e de expressá-la através da sua arte, assim como outros tiveram a ousadia (ou não conseguiram evitar) de escolher como tema o desejo consciente ou inconsciente de destruição, que também é geral, tornando, deste modo, visível a desagregação que termina no caos. Eles o fizeram com a “superioridade” da paixão herostrática¹, que não conhece nem o temor, nem o que virá depois. Mas, o medo é uma confissão de inferioridade em que a pessoa, assustada pelo caos, almeja uma realidade firme e palpável, a continuidade do já existente, e a satisfação da mente, a cultura. Quem tem medo está ciente de que a desagregação do nosso mundo é o resultado da insuficiência dele, e que a este mundo falta algo essencial, que poderia evitar o caos. Contra o estado fragmentário do passado, o mundo tem que contrapor o anseio de ser total e inteiro. Mas já que isto, aparentemente, não pode ser encontrado na atualidade, então também não há possibilidade de imaginar aquilo que integra as partes num todo. Tornamo-nos céticos, e os ideais quiméricos de melhorar o mundo estão em cotação baixa. Por esse motivo também não se acredita, ou só se acredita parcialmente, nas velhas fórmulas que acabaram fracassando. A ausência de imagens de…

1 [HERÓSTRATO destruiu, em 365 a.C., o templo de Ártemis, em Éfeso, para eternizar o seu nome]». em «Um Mito Moderno Sobre Coisas vistas no Céu» Carl Gustav Jung

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vento leste / garoa constante

rima istmo / estreito peito /

rema a eito / atravessa triste

a tarde estreita / dos continentes

ou oceanos / de gente deserta /

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«(…) 7. Farto também estou das tuas ideias claras e distintas a respeito de muitas outras coisas, e é só pra contrabalançar tua lucidez que confesso aqui minha confusão, mas não conclua daí qualquer sugestão de equilíbrio, menos ainda que eu esteja traindo uma suposta fé na “ordem”, afinal, vai longe o tempo em que eu mesmo acreditava no propalado arranjo universal (que uns colocam no começo da história, e outros, como você, colocam no fim dela), e hoje, se ponho o olho fora da janela, além do incontido arroto, ainda fico espantado com este mundo simulado que não perde essa mania de fingir que está de pé. (…) »«O ventre seco».  Raduan Nassar. In: Menina a caminho. Cia das Letras.

soma não zero

[dom] 16 de setembro de 2018

a chegada (2016), de denis villeneuve.

e a hipótese sapir-whorf

mas é só tristeza

[qui] 16 de agosto de 2018

parece cocaína mas é só tristeza, talvez tua cidade / muitos temores nascem do cansaço e da solidão / descompasso e desperdício / herdeiros são a glória da virtude que perdemos / há tempos tive um sonho / não me lembro, não me lembro // tua tristeza é tão exata / e hoje o dia é tão bonito / já estamos acostumados / a não termos mais nem isso / os sonhos vêm e os sonhos vão / o resto é imperfeito // disseste que se tua voz tivesse força igual / à imensa dor que sentes / teu grito acordaria não só a tua casa / mas a vizinhança inteira // e há tempos nem os santos têm ao certo a medida da maldade / há tempos são os jovens que adoecem / há tempos o encanto está ausente / e há ferrugem nos sorrisos / e só o acaso estende os braços / a quem procura abrigo e proteção // meu amor, disciplina é liberdade / compaixão é fortaleza / ter bondade é ter coragem / lá em casa tem um poço / mas a água é muito limpa // há tempos // legião urbana // composição: dado villa-lobos, marcelo bonfá e renato russo.

 

bora fazer uma lista do que é importante e porque eu não deveria reclamar…

mas também uma lista do que me faz mal…

e outra, das coisas que preciso mudar.

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das releituras:

este abaixo e outros trechos do artigo Estado e Indivíduo sob o Nacional-socialismoIn: Marcuse, Herbert. Tecnologia, guerra e fascismo, São Paulo: Editora UNESP, 1999

«Chegamos ao final de nossa pesquisa inicial. Procuramos mostrar que a sociedade nacional-socialista tende a ser tornar o governo direto dos grupos sociais mais poderosos que conquistaram ou aboliram todas as instituições legais e políticas que se interpunham entre seus interesses particulares e a comunidade. Seu regime, longe de suprimi-lo, emancipou o individuo humano em seus instintos e aspectos mais sinistros. O nacional-socialismo não é uma revolução absolutista, nem socialista, nem niilista. A Nova Ordem possui um conteúdo bastante afirmativo: organizar a forma mais agressiva e destrutiva de imperialismo que a era moderna jamais viu»

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