Archive for the '20' Category

meia-vida radioativa… geleia de laranja.

[ter] 20 de novembro de 2018

[notas da madrugada… enquanto os cães latem e a minha ansiedade não passa]

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«Realismo crítico, relações sociais e defesa do socialismo

A Ilustração é a libertação do ser humano de uma tutela consentida. Tutela é a incapacidade de fazer uso de sua compreensão sem depender de outros. Consentida, quando suas causas devem-se, não à debilidade de razoamento, mas à falta de resolução e coragem para pensar por si mesmo. Sapere aude! Tem coragem para usar tua própria razão! Este é o lema da Ilustração. L.W. Beck

(…)

O reducionismo ontológico tem consequências especialmente daninhas quando é levado ao terreno do humano. Em perfeita consonância com o conceito empirista de ciência como uma resposta condutista aos estímulos de fatos dados, concebe-se a sociedade como um conjunto de indivíduos, motivados por certos desejos e associados mediante contrato, no melhor dos casos. A razão fica reduzida à habilidade de executar de maneira ótima ou satisfatória um cálculo e a liberdade consiste em seu exercício sem impedimentos. A associação permanente de fatos, que é a base do “novo realismo” – que é tão velho quanto o velho realismo empirista superficial – é, como disse Marx sobre o salário, “tão irracional como um logaritmo amarelo”. Concebida como uma associação permanente de fatos, a História fica congelada em seu eterno presente. História é o que já ocorreu ou acontece em outro lugar, mas não aqui e agora. Também podemos dizer dessa ilusão que é a associação permanente de fatos a mesma coisa que Marx disse a respeito do salário: “se a história não demorou muito tempo em chegar a descobrir seu próprio mistério (…) nada é mais fácil, por outro lado, que compreender o porquê e a necessidade desse fenômeno”. É a ideologia do mercado, da ordem estabelecida das coisas, do “não há alternativa”. Mas não podemos responder ao “não há alternativa” simplesmente com uma auto-afirmação satisfeita de nosso “grande movimento”. Precisamos de um trabalho intelectual sério, profundo, ajudados pelo realismo crítico, debruçado na prática política (orientada à transformação das relações sociais) para fazer do socialismo a razão de nossa época.» Por Roy Bhaskar (tradução: Grupo de Estudos em Antropologia Crítica – GEAC)

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em 2016 o repasse foi de R$ 25 milhões; 2017 de R$ 18 milhões; em 2018 foram R$ 9 milhões e, por fim, em 2019, R$ 4,5 milhões…

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You Have NO Choice – George Carlin

[nota da tarde… falta, médico, mia couto, receita de saccharomyces boulardii e casa]

dieta: banana, gelatina, sono.

pensando em fechar esse canal. desapegar…

às vezes você fecha os olhos…

[seg] 20 de agosto de 2018

às vezes você fecha os olhos…

e foi-se um minuto,

noutras, uma hora…

e em alguns momentos… o dia, o final de semana, o ano…

a década.

 

 

lagartear

[dom] 20 de maio de 2018

dia de pequenas coisas…

lagartear. admirar os pássaros. ouvir as meninas. correr com o cão. editar poemas. acordar tarde. comer horrores. me perder no tempo.

e fico olhando… esperando… quando vou dar o primeiro passo? e sair portão a fora, e ir… caminhar.

ao uso inadequado da língua

[sex] 20 de abril de 2018

ao uso inadequado da língua

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ñ sei. queria te escrever. dizer que te esqueci. que foi assim, de um momento para o outro, nunca nem vi, não mais passou pela cabeça, nada, nenhum borrão. mas isto é apenas um texto ficcional, uma carta de uma estranha para um estranho. não passa pela cabeça reescrever cada verso, como um diálogo de personagem de cera. mas sabe, hoje fiz uma besteira, falei coisa que não devia… talvez eu pudesse gravar, sabe, captar uma ideia alheia, escondido, e depois remontar, como se fosse tua voz nesse corpo estranho, ou minha, sei lá… 1h05

tempos atrás flertei com carla, éramos gatos. eu mais um rato que gato. não me deixei comer. aticei e corri, e me restou na estante um ferreira gullar.

tempos atrás flertei com marx, selvagem… nunca li. é o menor dos dez tomos que ainda esperam minha resposta. não fichei, nem carta escrevi. me fiz de peso de porta. preciso dormir. 1h09

é preciso ter uma personagem. é impossível ler um texto que não é claro. eu não sei escrever, vê, isto é uma não escrita, pois não sei pensar nessa forma linear que eu acho que você têm. o que eu tenho é essa mistura de ideias, como se minha cabeça fosse um fosso de mil vozes indo para todas as direções narrativas… inarrativas¹, antinarrativas, o dito que não diz: esse antitexto… eu cuspo, eu expilo minhas entranhas aqui, letra por letra, na tua cara. se você sente o cheiro dessa carne podre, e desse sangue, e dessa merda toda, tudo certo… estou aqui e sou parte de ti.

se você está contando linhas, palavras, sacando sentidos… tentando entender porque estás ainda a ler… desiste não. tenho bom coração, apesar de tudo. 1h16

eu entrei em pânico. eu me desesperei. eu fugi de você. nunca apareci para aquele café, nem jogar conversa fora. eu não sei… eu me desesperei. 1h24

fiquei nu, ao seu lado. na espera teu corpo jogar-se sobre o meu, mas tinha medo de amanhã eu já não ser o mesmo. de ser absorvido, enredado, entranhado pelo teu corpo-ser-sexo. jogando sempre o jogo duro, ir até o limite do blefe. fazer você desistir. perder. não você. eu-você. você me disse em mais de uma vez, com mais de uma voz, e em mais de um corpo, você me disse: vem. as vezes eu fui, as vezes eu fui e fiquei. e de outras vezes, eu nunca voltei. fiquei ai, em algum dos teus corpos, como expressão de dor, e de ser imune, de ser bom, de ter amado como amam as crianças e também os amantes. fui muito besta nessa vida.

me guardei para todos os carnavais. só havia carnaval por você. 1h33

há um nome para isto, é eu sei, há um nome. 1h34.

mas eu vou deitar, e vou levantar e abrir esse editor de texto e ainda escrever mais uma porção de linhas porque eu preciso escrever uma porção de linhas e isto é porque é dessa forma, quase compulsiva. 1h36

nota de rodapé.

¹ inarrativas>

«pesquisar 1: lendas inarrativas, disponível em http://artedosdias.blogspot.com.br/»

«pesquisar 2: amendoeira, disponível em: http://www.narrativasvisuais.com»

 

***

I used to know where the bottom was
Somewhere far under the ocean waves
Up on a ledge I was looking down
It was far enough to keep me safe
But the ground was cracked open
Threw me in the ocean
Cast me out away at sea
And the waves are still breaking
Now that I awaken
No one’s left to answer me
My inside’s out, my left is right
My upside’s down, my black is white
I hold my breath, and close my eyes
And wait for dawn, but there’s no light
Nothing makes sense anymore, anymore
Nothing makes sense anymore, anymore
Nothing makes sense anymore, anymore
Nothing makes sense anymore, anymore
I used to sleep without waking up
In a dream I made from painted walls
I was a moment away from done
When the black spilled out across it all
And my eyes were made sober
World was turned over
Washing out the lines I’d seen
And my heart is still breaking
Now that I awaken
No one’s left to answer me
My inside’s out, my left is right
My upside’s down, my black is white
I hold my breath, and close my eyes
And wait for dawn, but there’s no light
I’m a call without an answer
I’m a shadow in the dark
Trying to put it back together
As I watch it fall apart
I’m a call without an answer
I’m a shadow in the dark
Trying to put it back together
As I watch it fall apart
My inside’s out, my left is right
My upside’s down, my black is white
I hold my breath, and close my eyes
And wait for dawn, but there’s no light
Nothing makes sense anymore, anymore
Nothing makes sense anymore, anymore
Nothing makes sense anymore, anymore
Nothing makes sense anymore, anymore
Compositores: Mike Shinoda

uma arquitetura de ruínas e o outono

[ter] 20 de março de 2018

ESTRAGON: «Sou assim. Ou esqueço em seguida, ou não esqueço nunca».

***

os personagens vão esboroando-se.

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Across the universe // Words are flowing out like endless rain into a paper cup, / They slither while they pass, they slip away across the universe. / Pools of sorrow, waves of joy are drifting through my opened mind, / Possessing and caressing me. // Jai Guru Deva Om / Nothing’s gonna change my world, (4x) // Images of broken light which dance before me like a million eyes, / They call me on and on across the universe. / Thoughts meander like a restless wind inside a letter box, / They tumble blindly as they make their way across the universe. // Jai Guru Deva Om (…) // Sounds of laughter, shades of earth are ringing / Through my open ears inciting and inviting me. / Limitless, undying love, which shines around me like a million suns, / And calls me on and on across the universe. // Compositores: John Lennon / Paul Mccartney
***
Lista de referências do dia (aula de teoria literária 1):
O Estrangeiro – Albert Camus
O Narrador: Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov – Walter Benjamin
O Uso da Poesia e o Uso da Crítica – T. S. Eliot
O deserto dos tártaros – Dino Buzzati
Catatau – Paulo Leminski
Mimesis – Erich Auerbach
A Book of Nonsense –  Edward Lear
e daí…

«Nessas análises, a imagem do caos, uma força sem forma ou de forma indefinível¹⁷⁵, indescritível, me parece inevitável. Ela está instalada já na fragmentação e apenas reverbera na variedade de idiomas e na abundância de vozes.

*
(Reporters.)
—Que fila comprida, rajada,
Triste serpenteia em Blackwell ?
Carrere, Tweed Boss,
Pelo cós
Um do outro . . . justiça cruel !
==Cubano Codezo, Young Esquire,
Um com outro a negaceiar,
Protheus cabalisticos,
Mysticos
Da Hudson-Canal-Delaware !
—Norris, leis azues de Connecticut !
Clevelands, attorney-Cujás,
Em zebras mudados
Forçados,
Dois a dois, aos cem Barrabás !
*

Uma vez que o caos é o estilhaçamento de toda coerência e unidade, a escritura sousandradina se apresenta, portanto, um caos poético, que percebe o sem sentido do mundo e livra-se das limitações do significado. Trata-se de uma forma-informe que busca acomodar o caos contemporâneo sem violentá-lo, sem organizá-lo, enfim, sem engavetá-lo. Desse modo, podemos dizer que, se para Carl Schmitt “não existe nenhuma norma que seja aplicável ao caos”¹⁷⁶, o caos também determina uma impossibilidade da norma e da lei, principalmente, se pensarmos a língua como essa ordenação. Contudo, mesmo predominando esse caráter caótico e informe, não se pode olvidar a existência de uma regularidade métrica na forma de O Guesa. De maneira geral, o poema foi escrito sobre uma estrutura homogênea de quartetos decassílabos, rimas cruzadas (abab) ou enlaçadas (abba). Nos dois infernos, no entanto, na maioria das vezes (as exceções são abundantes), as estrofes são formadas por cinco versos com metros desiguais e rimas abccb, sendo o quarto verso sempre curto, como um eco, o que permite um efeito maior de deformação. Essa estrutura formal nos remete, naturalmente, à versificação fixa típica do limerick (ou limerique)¹⁷⁷, como já foi apontado por Luiza Lobo¹⁷⁸ e antes dela pelos irmãos Campos¹⁷⁹

(PATHFINDER meditando á queda do NIAGARA 🙂
—Oh ! quando este oceano de barbaros,
Qual esta cat’racta em roldão,
Assim desabar
A roubar . . .
Perdereis, Barão, até o ão !

O que se percebe, a partir disso, é uma tensão (principalmente neste segundo inferno) entre uma (quase) ordenação métrica do sistema retórico poético e um caos linguístico, uma desordem formal (um verdadeiro informe), que a todo tempo corrói a ordem¹⁸⁰. Um paradoxo no qual o poema se arma e que não se resolve. Como nos informa Agamben, “preciosismo métrico e trobar clus instauram na língua desníveis e polaridades que transformam a significação em um campo de tensões destinadas a continuarem insatisfeitas”¹⁸¹. Esses desníveis e polaridades, podemos pensar aqui, são mesmo o resultado do choque entre uma forma rígida e o absurdo da linguagem, enquanto incomunicabilidade, enquanto artificialidade, ou dos idiomas, enquanto insuficientes na tradução do real, enquanto exibem uma unidade que é sempre falsa.» In: Sousândrade-Guesa em “O Inferno de Wall Street”: poéticas políticas, de Ana Carolina Cernicchiaro

notas de rodapé:

¹⁷⁵ “Caos; massa bruta e informe, que não passava de um peso inerte, conjunto confuso das sementes das coisas”. OVÍDIO. As Metamorfoses. Trad. David Jardim Júnior. Rio de Janeiro: Ediouro, 1983.
¹⁷⁶ SCHMITT, Carl apud AGAMBEN, Giorgio. Homo Sacer. op. cit. p. 24.
¹⁷⁷ Dirce Waltrick do Amarante afirma que, no Brasil, “os limeriques teriam influenciado, segundo a crítica, escritores tão diferentes entre si como, por exemplo, na segunda metade do século XIX, o maranhense Joaquim de Sousa Andrade (ou Sousândrade, como se autodenominava) e, no século XX, Clarice Lispector”. AMARANTE, Dirce Waltrick. Sr. Lear Conhecê-lo é um prazer – O nonsense de Edward Lear. Tese (Doutorado). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006. p. 260. Uma pesquisa sobre a aproximação entre a forma dos limeriques e a versificação dos dois infernos sousandradinos merece ser melhor aprofundada, pois nos levaria a pensar outras importantes discussões, como a própria tradição do limerique no Brasil, mas deixo esse assunto para um futuro trabalho, aqui cabe pensar essa proximidade como uma ordenação em meio ao caos.
¹⁷⁸ “Provavelmente [Sousândrade] travou contato com o limerick na sua viagem à Inglaterra em 1856, e considerou este tipo de verso, irônico, popular, de tradição oral, usado para temas indecentes, ou então para cantigas infantis tradicionais, apropriado à crítica que encetava”. (LOBO, Luiza. Épica e Modernidade em Sousândrade. op. cit. p. 129).
¹⁷⁹ Cf. “Estilística Sousândradina (Aspectos Macroestéticos)”. In: “Sousândrade: O terremoto clandestino”. op. cit.
¹⁸⁰ Na análise que faz da desconstrução derridiana em “Mitologia do Caos no Romantismo e na Modernidade”, o professor da Universidade de Berlim, Winfried Menninghaus, explica que essa descoberta do caos na ordem é mesmo um projeto romântico: “a desconstrução derridiana descobre em todas as ordens aparentemente fechadas e oposições estáveis aspectos que lhes minam e finalmente apagam o controle. Nesse sentido, a desconstrução continua o projeto romântico de entremesclar toda identidade e todo sistema com tendências caótico-centrífugas”. MENNINGHAUS, Winfried. “Mitologia do Caos no Romantismo e na Modernidade”. Palestra feita pelo autor no Instituto de Estudos Avançados da USP em 8 de junho de 1994. In: Estudos Avançados. São Paulo, vol. 10, n. 27, maio/agosto de 1996.
¹⁸¹ AGAMBEN, Giorgio. Profanações. op. cit. p. 44.

é, o trem da vida tá rapidão.

[qua] 20 de dezembro de 2017

cassete… vontade de gritar. ando muito com vontade de gritar… de dentro do meu ser emana uma energia intensa… que até tenho me cuidar para não ir além de transpassar todos e tudo ao meu redor. sinto-me uma lua cheia, um sol em expansão. longe do que era soturno de poucos meses atrás… hoje, essa semana, esse mês, eu ando querendo tanto… que até me perco. respira… tudo vai dar certo, sossega… te acalma. a trilha é longa, basta ter a paciência para contemplar e a coragem para seguir.

então ‘bora cantar alto músicas bonitinhas (ou até as tristinhas), escrever… deixar o mundo transpassar teu ser.

***

ou vai lá fora mexer nas coisas… plantar, cavar… transportar areia e terra.

***

e da playlist aleatória… surge isso aqui:

Mil Razões // Se você chega / Tudo incendeia / Põe tudo em jogo / Tudo clareia oh-oh // O sal no afago / O tris de tristeza / O sexo fogo / Sem gentileza oh-oh // E o dia em que lhe vi chorar / Não que lembrar precise / Uma represa / Não tem reprise oh-oh // O cio macio que dói / E aonde você foi / A teimosia / A poesia // Posso lhe dar mais mil razões pra te querer / Coisas que eu já nem sei o nome / Posso compor mais cem canções de amor / Pra quê? Se quando eu canto você some // O doce instinto / Deus indeciso / Eu indefeso / No teu sorriso oh-oh // O gosto atípico / E o jeito sério / Teu rosto místico / Mais um mistério // E o brilho que de ti reluz / E a tanto sóis seduz / É realeza / Não tem deslize oh-oh // Pornôs, por nós dois nús / E os clássicos céus azuis / Os tantos “ui ui uis” / Os cantos doidos e doídos que pra cada céu que é seu eu já compus // Posso lhe dar mais mil razões pra te querer / Coisas que eu já nem sei o nome / Posso compor mais cem canções de amor / Pra quê? Se quando eu canto você some (x3) /// Composição: Tiago Iorc e Dani Black

***

e da conversa da tarde com agustina…

investigar melhor o https://www.wattpad.com/library

emancipate yourselves from mental slavery, none but ourselves can free our minds

[seg] 20 de novembro de 2017

20/11

O CANTO DOS ESCRAVOS – Clementina de Jesus, Doca, Geraldo Filme

Clementina de Jesus – Fui pedir às Almas Santas

Clementina de Jesus – Cangoma me chamou

Capítulo 4 Versículo 3 – Racionais Mcs

Miriam Makeba – Pata Pata

Ain’t Got No, I Got Life – Nina Simone

Emicida Feat: Rael – Obrigado, Darcy! (O Brasil que vai além)

metá metá – ora iê iê ô

Atotô – Kiko Dinucci & Juçara Marçal

Kiko Dinucci e Juçara Marçal – Machado de Xangô

Iansã – Maria Bethânia

Rappin’ Hood – Sou Negrão part. Leci Brandão

Thaide e DJ Hum – Sr. Tempo Bom

Rincon Sapiência – Ponta de Lança (Verso Livre)

Criolo – Sucrilhos

Nina Simone – Mississippi Goddam

z450ua

[qui] 20 de julho de 2017

chegou… depois de 80 dias sem pc, enfim uma máquina nova.

chega com ela um certo ar renovado… uma vontade de pedagogicamente propor coisas mais interessantes e diferentes. pesquisando a aplicabilidade de jogos… projetos… fruto das reflexões dessa semana de formação, e ai eu preciso pontuar dois aspectos… ou três. sozinho, normalmente eu me afundo na obscuridade, meu lado lunar. acompanhado de pessoas luminosas, com ideias bacanas e libertadoras… meu sol brota lá de dentro e eu fico irradiante… neste sentido, após o meu mergulho do primeiro bimestre, na parte mais sombria, nesse segundo… a existência na escola b, de um diretor inspirador, com fala inspiradoras e uma coerência ética, e algumas e alguns estudantes, até mais que o corpo docente… e na escola a, de uma nova professora de história, que vai na contramão dos demais… me sinto instigado.

#pesquisar jogos

#pesquisar zinejornais

#pesquisar filmes

#montar planos de aulas/projetos

cuidar da mãe. importante tbm.

 

de jeux et novalistés

[sáb] 20 de maio de 2017

Há rachaduras. Há frestas. Há risos. Há brechas.

Entre O fato e o fado, há os dados…

O tempo, o corpo e a queda. E na memória do futuro, apenas palavras dispersas. Não há sentido.

Perdido. Nenhum poema vai sair. Ando a pensar sobre a ansiedade. E a tristeza cotidiana. E neste exílio. E a dificuldade em escrever (concreta e metafórica…) me encerra aqui, do outro lado da tela.

 

das coisas que pensei ontem, ou… sobre o médico e o monstro.

[qui] 20 de abril de 2017

sabe quando você começa
a entrar para dentro de si
como se tentesse encontrar
o fundo da caverna
e você se pega indo
até onde já não há mais luz natural
e a única coisa que alumia
é essa luzinha interior.

o caminho da escuridão é perigoso.do

é preciso respirar fundo, para não entrar em desespero.

***
transgressões.
a coisa mais dificil pra mim é a transgressão
sou cheio de cicatrizes pelos cortes da adestração
cada ato de ruptura, cada ato de fuga,
cada ato de subversão, cada ato de confrontação
vem acompanhado de um dor bestial¹
a dor do bicho domado,
do homem feito menos homem
do humano disciplinado, coisificado…

hoje faltei aos compromissos. precisava muito de mim.
as notas, o estado, os outros, essa vida de bosta que se foda.

**

de hoje:
velhos pensamentos….
é preciso acreditar no que você está fazendo
porque só assim os outros acreditarão.

isso eu pensei ano passado. essas 40 horas em sala me cansam. 20 até vai. mas quarenta… mas com vinte não pago as contas, não me aposento…

mas calma… talvez este não seja o único caminho.

veja essas inflamações no seu corpo. uma fortuna para pagar, risco de morte… é, o tédio mata. o estresse mata aos poucos e pode matar de uma hora para outra. e você como uma mula de carga desiste do amor, da vida, dos sonhos… desiste de arriscar-se e encontrar todas as confusões de sentimentos. você se resigna a cumprir uma função, a dar o melhor que tens nessa função, mas sempre falta algo de ti ali… você se acostuma demais com pouco.

**

lá, quando criança, ou garoto, quantas vezes você pensou na morte. na sua morte… quantas vezes você desejou. você quase foi algumas vezes… e depois mais velhos, quantas vezes você voltou nesse caminho. não é uma opção lógica. mas talvez a falta de ferramentas para lidar com situações. de tempos em tempos me vejo nesses buracos, sem saber lidar… racionalmente sei, mas emocionalmente preso não sei sair e fazer o que a razão diz que deve ser feito. é tipo o pânico que tenho de cobra, e que outras pessoas tem… se você dominar as ferramentas e técnicas, se você lidar corretamente com a situação, tudo é inofensivo. mas se você entra em pânico… ratos se tornam elefantes. coisas simples se arrastam e se tornam monstruosamente incompreensíveis e inatingíveis.

eu preciso de terapia. preciso voltar. sozinho tá foda. ando querendo fugir dia desses…

**

pensamento a. ficar só me deixaria imune ao sofrimento (o tempo todo ando idealizando o mundo e a mim mesmo) pensamento b. falácia (a concretude do mundo, os outros e seus sentimentos, as relações, tudo continua ali, como um vendaval soprando sobre o teu castelo de cartas), e é preciso lidar com o sofrimento como algo inevitável. ele continua ali, com ou sem companhias. ele é parte significativa de você. vocé o médico e você é o monstro

**

¹ sou eu literalmente, ou simbolicamente, arrancando parte de mim – desse homem manso. mas as podas são necessárias para brotar coisa nova.

 

 

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