Archive for the '20' Category

okê aro

2019, janeiro 20, domingo

 

m000478590Eu vi chover, eu vi relampear
Mas mesmo assim o céu estava azul
Samborê, pemba, é folha de jurema
Oxóssi reina de norte a sul

Oxóssi, filho de Iemanjá
Divindade do clã de Ogum
É Ibualama, é Inlé
Que Oxum levou pro rio
E nasceu Logunedé

Sua natureza é da lua
Na lua Oxóssi é Odé
Odé, Odé, Odé, Odé
Rei de Keto, caboclo da mata, Odé, Odé
Odé, Odé, Odé, Odé
Rei de Keto, caboclo da mata, Odé, Odé

Quinta-feira é seu ossé
Axoxó, feijão preto, camarão, amendoim
Azul e verde suas cores
Calça branca rendada
Saia curta enfeitada
Ojá e couraça prateada
Na mão, ofá, iluquerê
Okê, arô, Oxóssi, okê, okê
A jurema é a árvore sagrada
Okê, arô, Oxóssi, okê, okê

Na Bahia é São Jorge
No Rio, São Sebastião
Oxóssi é quem manda
Nas bandas do meu coração

Oxóssi Odé ,Nem Ouro Nem Prata – Livia Queiroz

 

conselho final: quase lá…

2018, dezembro 20, quinta-feira

acordei mal. suando frio… com mal estar… e faltei pela manhã.

e neste interim… descobri que o zóiudo, o gato, só porque ontem ele cassou uma sibynomorphus mikanii (e me trouxe de presente?!)… hoje ele achou que conseguiria pegar uma micrurus corallinus. situação tensa, mas tudo terminou bem.

pela tarde… descobri que vou reencontrar um monte de gente que eu não esperava no segundo ano matutino… pois o conselho da manhã, com baixo quórum¹, aprovou, eta.

«the fact tha almost everyone else praises shakespeare to the skies – a unanimity wittgenstein had experienced both in his native vienna, with its passionate theatrical cult of shakespearean drama and dramatic poesy, and in england of his exile – was immaterial. the truth is not a matter of majority opinion, even of near-unanimity. on the contrary. as wittgentein writes in 1946:

when, for instance, i hear the expression of admiration for shakespeare by distinguished men in the course of several centuries, i can never rid myself of the suspicion that praising him has been the convetional thing to do.

much of this adulation, adds wittgenstein, has been expended ‘without understanding and for the wrong reasons by a thousand professors of literature’. the grievous inference here being tha there can hardly be less qualified or more intellectually venal judges.» George Steiner. No Passion Spent: Essays 1978-1995. London: Faber & Faber.

mas enfim… rotinas e rituais… e pela tarde, que foi boa, porque o enjoo passou… e teve até café e panetone… fora algumas discussões que poderiam ser mais encaminhativas, com menos pessoalidade por parte de uns e outros e mais senso coletivo… mas enfim, a coisa pública é um processo que se aprende fazendo… e para pontuar… de todas as escolas em que trabalhei, essa é que tem os melhores conselhos, sem sombra de dúvida.

e pela noite, que foi curta, foi tudo de boa… como a troca de poucas pessoas deixa o ambiente mais fluido e leve… e enfim, conselhos finalizados… e com uma tempestade para fechar o dia, acabou o ano letivo. acaboôôôôôôôôôuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

e no busão pra casa, a primeira conversa com o prof de física… que é do pará, ele me contava sobre marujada de bragança, de sua terra natal:

Vou fazer uma canção em louvor ao santo preto
Canta, povo bragantino: bendito, oh! bendito.
Quando chegar dezembro
Qual é o santo que está no andor?
É são Benedito com Nosso Senhor.
Marujada de São Benedito
em louvor ao protetor
vem vestindo azul ou vermelho carmim na festa
no barracão dança xote, mazurca e chorado
nos duzentos anos de louvação
mas fico mesmo encantado
quando dança retumbão
(Marujada de São Benedito, do grupo Arraial do Pavulagem
https://www.youtube.com/watch?v=NvDl1DX8Dto

¹ paroxítona terminada em |-um|, leva acento. vem da palavra latina, quorum, |dos quais| genitivo plural do pronome relativo qui, quae, quod |o qual, quem, que | é um substantivo masculino. significa: número mínimo de pessoas, por meio legal, necessário para abrir sessões, votações, etc., em assembleias. vem da expressão «quorum vos unum esse volemus» que pode ser traduzida «dos quais queremos que vós sejais um»

deus te preteje

2018, dezembro 19, quarta-feira

«Preto, pobre, jogador e então músico. Ele poderia ser um clichê, mas preferiu estancar o sangue e reinventar-se. Assim, se refez e mostrou outra forma possível de se fazer artista».

Deus te preteje curumim
Mim fala língua de pingüim
Nem sim nem não nem nin nem são
Mim fala língua macarrão
Deus te preteje teu irmão
Mim fala língua de crivão
Crivão que vem do carabono
Onde é que tá o meu cambono
Onde é que tá o meu cambono
‘Ce deu tanta martelada
Que eu não fala portugás
Se mi fala inventada numa frágua
Num zá trás
Gil Vicente é mi ferreiro
Puruquê me fez primeiro
Mi chamando Furunando
Ele foi inventando
Mi sá negro de crivão
Hoje Gigante Negão!
Itamar Assumpção

***

«Experiência e expressão em Itamar Assumpção», por Ivan de Bruyn Ferraz

«Deus te preteje: a identidade e sentimento na música de Itamar Assumpção», por Lúcia Helena Oliveira Silva* e Wilton Carlos Lima Silva**

«ASSUMPÇÃO, Itamar. Pretobrás – Por Que Que Eu não Pensei Nisso antes? O Livro de Canções e Histórias de Itamar Assumpção» São Paulo: Ediouro, 2006. (organizadores, Luiz Chagas e Mônica Tarantino ; transcrições, Clara Bastos)

«Clara Crocodilo” e “Nego Dito”: dois perigosos marginais?», por Walter Garcia