Archive for the '29' Category

terra imóvel

[ter] 29 de maio de 2018

o dia amanhece, os pássaros cantam. eu vou dormir, em busca do silêncio da noite… não respondo ninguém. deixo os compromissos esperarem, as pessoas no vácuo. e quando a noite chega… acordo, levanto…

e da série #umpoemaumpoetapordia, pondo em dia…

O poema

I
Esclarecendo que o poema
é um duelo agudíssimo
quero eu dizer um dedo
agudíssimo claro
apontando ao coração do homem

falo
com uma agulha de sangue
a coser-me todo o corpo
à garganta e a esta terra imóvel
onde já a minha sombra
é um traço de alarme

II
Piso do poema
chão de areia

Digo na maneira
mais crua e mais
intensa
de medir o poema
pela medida inteira

o poema em milímetro
de madeira
ou apodrece o poema
ou se ateia

ou se despedaça
a mão ateia
ou cinco seis astros
se percorre
antes que o deserto
mate a fome.

Terra Imóvel (1964)

Luiza Neto Jorge 

“O Poema ensina a cair

O poema ensina a cair
sobre os vários solos
desde perder o chão repentino sob os pés
como se perde os sentidos numa
queda de amor, ao encontro
do cabo onde a terra abate e
a fecunda ausência excede

até à queda vinda
da lenta volúpia de cair,
quando a face atinge o solo
numa curva delgada e subtil
uma vénia a ninguém de especial
ou especialmente a nós numa homenagem
póstuma.

Luiza Neto Jorge 

«Como responder o que é a poesia?» Raquel Menezes

titônia

[seg] 30 de abril de 2018

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O girassol-mexicano também conhecido como mão-de-deus, titônia, boldo-japonês, flor do amazonas e margaridão amarelo

***

O Girassol / Ira! / Tento me erguer / Às próprias custas / E caio sempre nos seus braços / Um pobre diabo é o que sou / Um girassol sem sol / Um navio sem direção / Apenas a lembrança / Do seu sermão / Você é meu sol / Um metro e sessenta e cinco de sol / E quase o ano inteiro / Os dias foram noites / Noites para mim / Meu sorriso se foi / Minha canção também / Eu jurei por Deus / Não morrer por amor / E continuar a viver / Como eu sou um girassol / Você é meu sol / Eu tento me erguer / Às próprias custas / E caio sempre nos seus braços / Um pobre diabo é o que sou / Um girassol sem sol / Um navio sem direção / Apenas a lembrança / Do seu sermão / Morro de amor e vivo por aí / Nenhum santo tem pena de mim / Sou agora um frágil cristal / Um pobre diabo / Que não sabe esquecer / Que não sabe esquecer / Como eu sou um girassol / Você é meu sol / Composição: Edgard Scandurra

poema de helena lanari

[dom] 29 de abril de 2018

das aulas de literatura e poesia:

poema de helena lanari

Gosto de ouvir o português do Brasil
Onde as palavras recuperam sua substância total
Concretas como fruto nítidas como pássaros
Gosto de ouvir a palavra com suas sílabas todas
Sem perder sequer um quinto de vogal

Quando Helena Lanari dizia o «coqueiro»
O coqueiro ficava muito mais vegetal.

Sophia de Mello Breyner Andresen
In Geografia, 1.ª edição, Lisboa, Edições Ática, 1967
e pesquisando… encontro isto: Os versos falados de Sophia, por Eucanaã Ferraz 
***
e a série do dia: Poldark

Poldark – Demelza’s Song

I’d pluck a fair rose for my love / I’d pluck a red rose blowing / Love’s in my heart / A-trying so to prove / What your heart’s knowing. / I’d pluck a finger on a thorn / I’d pluck a finger bleeding / Red is my heart / Wounded and forlorn / And your heart needing. / I’d hold a finger to my tongue / I’d hold a finger waiting / My heart is sore / Until it joins in song / Wi’ your heart mating.

***

não fotografei o girassol. não sai de casa… almocei com meu pai, ele contou estórias de sua infância e adolescência. foi bonito. são raros os momentos… esses momentos. e como sempre… a tarde foi linda… olhando tudo aqui de cima, esse azul, esse mar, esses barcos, esse horizonte…  e poente, esse céu rosa e púrpura esvaecendo… indo do azul cobre até o indico… quase negro.

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