Archive for the 'Antônio Abujamra' Category

leda m’and’eu!

2018, abril 3, terça-feira

não escrevo. não durmo. tenho sono.

meu resumo ainda não feito [e que talvez nem seja… e cada minuto que passa,  uma nova desistência, e vai se confirmando: não faço.] será algo assim:

dos trovadores da ocitânica, góticos [de godos… que absurdo, como é tão óbvio isso… em que mundo eu habitei até então], a literatura cortesã, lírica, em romance, até as cantigas de amigo e escárnio, passando pelos goliardos…

e eu rabisco coisas assim na lateral dos textos:

gorjeiam [do francês gorge] primaverais estes pássaros, e o amor não estaciona / tão pouco tem estação.

palavras… cortesão, vilanesco, dona… jogos de olhares, desejo de morte… tesão, queria tanto te comer. deslizar pela tua pele nua encharcada pelo meu suor. encaixar… gozar… me faz gozar em ti.

e busco referências… devia estudar. preciso estudar… um curso não se faz assim, correndo contra o tempo, fugindo dos textos… fatigado. toma um café comigo, me tira dessa zona… de cara sério, me deixa fugir… eis minha vilania.

pois estou a me enrolar no final das contas.

2h27. chega por hora… mas eis ainda uma alba de Nuno Fernandes Torneol.

«Seis Cantigas de Amigo»*1967 – “Leda M’and’eu” de Nuno F.Torneol, por José Mário Branco.

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nota incidental nessa bagaça: «Bwana Bwana / Me chama que eu vou / Sou tua mulher robô / Teleguiada pela paixonite… / Que não tem cura / Que não tem culpa / Pela volúpia / [..] Adeus sarjeta / Bwana me salvou / Não quero gorjeta / Faço tudo por amor…»

e o algorítimo… que algo… Jorge Ben Jor – Que pena… «Ela já não gosta mais de mim
Mas eu gosto dela mesmo assim / Que pena, que pena / Ela já não é mais a minha / pequena / Que pena, que pena…»

e aqui, Gal Costa e Caetano Veloso – Tá Combinado. «… E eu acredito num claro futuro / de música, ternura e aventura / Pro equilibrista em cima do muro… »

3h08

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e o sono? foi… e enquanto me observava ontem, indo para o trabalho no final da tarde, tentando captar o fluxo de pensamentos… e abismado, constatava, é quase irracional, eu como um desejo volumoso e incontrolável, indo, existindo, e isto não faz nenhum sentido. um silencioso estrondo a deriva, perdido…

«[..] Só não se esquece que eu também te amo Só não se esquece Não se endurece que eu também te amo Não se endurece Como se faz Pra ter o teu carinho Poder ganhar teu colo E ter felicidade? Não quero mais Viver assim sozinha Eu vou fugir de casa Você vai ter saudade.» Letra e música: Mallu Magalhães Voz: Gal Costa

3h23

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drummond

«Entre uvas meio verdes, / meu amor, não te atormentes. / Certos ácidos adoçam / a boca murcha dos velhos / e quando os dentes não mordem / e quando os braços não prendem / o amor faz uma cócega / o amor desenha uma curva / propõe uma geometria.»

3h36

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e outras notas: “Eu sei, mas não devia” de Marina Colasanti recitado por Antônio Abujamra no Provocações https://www.youtube.com/watch?v=ruN_LR60ZfQ

e porque o livrinho do freud tá ali me olhando…

CLARICE LISPECTOR: A VIDA É UM SOCO NO ESTÔMAGO | MARIA LÚCIA HOMEM

e a ruína da imagem narcísica do meu eu.

4h22.

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parei.

18h42

vestibular

2017, dezembro 11, segunda-feira

feito. agora é esperar… para ver se você não cagou a redação… se tirar 3,0 há chance. menos que isso, é corte.

Mude.
Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente,
observando com atenção os lugares por onde você passa.

Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia,
ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama. Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv, compre outros jornais, leia outros livros,
Viva outros romances!

Não faça do hábito um estilo de vida.

Ame a novidade.
Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. o novo lado,
o novo método, o novo sabor,
o novo jeito, o novo prazer,
o novo amor. a nova vida.

Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado, outra marca de sabonete, outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais,
de modos diferentes.

Troque de bolsa, de carteira, de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros,
outros teatros, visite novos museus.

Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego, uma nova ocupação,
um trabalho mais light, mais prazeroso,
mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.

Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento,
o dinamismo, a energia.

Só o que está morto não muda!

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Poema de Edson Marques.
Declamado por Antônio Abujamra.
Programa Provocações, TV Cultura.

 

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el valle de las leñas amarillas

2015, abril 29, quarta-feira

das coisas de ontem:

ouvindo muito moreno veloso, moreno e caetano. e como é bonita a relação entre eles. fiquei encantado. engraçado que esse negócio de relação pai/filho foi sempre algo que mexeu comigo, é um buraco aqui – de engasgar e até chorar vendo tv. acho que ainda não consegui me desvencilhar dessas frustrações que foi a vida de meus pais, enquanto seres humanos que nunca se realizaram individualmente e enquanto casal que nunca se amou. os filhos pagaram a conta, com as neuroses.

*

e das constatações o relógio biológico está invertido. a internet tem falhado todos os dias… e as professoras e os professores, lutadores organizados e em greve fizeram um grande ato pela manhã e ocuparam a assembleia legislativa.

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o do pertencer a família: meu velho, pai queria te dizer que há dias em que tu consegues ferrar a cabeça da gente. sei que tu tenta todos os dias, e se estamos desatentos e desarmados, este teu jeito abrupto e violento de fazer com que a gente se sinta pior que merda funciona… consegues nos atingir. e eu nem sei se tens consciência ou não de tua estupidez, mas já nem importa tanto. eu sou adulto e deveria já estar calejado, feito armadura, usando toda a minha racionalidade contra tua violência… mas as vezes escapa e tu atinge a gente em cheio. de ti conto na ponta dos dedos os gestos de atenção, mas já perdi a conta dos transtornos e do terrorismo psicológico diário.

e nestes dias de desatenção… quando a gente percebe já está ferrado… e ai eu sinto, todo aquele ódio e medo, e aquela vontade de morrer. e ai eu fico depois imaginando… por que há tanto ódio dentro de ti? por que precisas machucar tanto os outros? isto que você fazia diariamente com a gente, e até hoje ainda tenta, é o que sentes por dentro?

dias assim eu penso eu mandar tudo a merda. se não fosse minha filha, e toda essa situação enrolada, de regularização do nome, e da moradia, eu já teria ido embora faz tempo. e talvez eu nunca tivesse voltado. mas o fato é que estou aqui, no mesmo terreno, teu espaço. e brigar é só alimentar a estupidez. melhor é respirar fundo e se desfazer dessa dor. amanhã é outro dia e não irás mudar.

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planos para amanhã. acampar na alesc. sair de casa.

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e como antídoto para a dor: el valle de las leñas amarillas, drexler.

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nota: provocações; morreu ontem abujamra.