Archive for the 'Arte Plástica' Category

uhrpflanzen… mind’s mirror

2018, dezembro 17, segunda-feira

paulkleeuhrpflanzen_small

Uhrpflanzen, de Paul Klee

acordei pela manhã, mas voltei a dormir. meu corpo pedia cama, mais cama (esse universo que permite saltar no tempo). e a contagem regressiva começou… menos de doze horas para finalizar tudo. eu e o papel, eu e os papéis… mas antes de começar qualquer coisa… eu sou um personagem, e essa história é sobre a imagem da verdade, e sobre os olhos incompreensíveis de quem me olha, e de como olho o tempo, e os corpos no tempo… e como as imagens vão se sobrepondo, no limite… será que acredito no que você vê? o que há além de você?

tudo é sobre o limite, esse coisa presente.

colagens, imagens sobre imagens. pele sobre pele.

*

Documentário de Adriana L. Dutra

Wislawa Szymborska, no livro Um Amor Feliz Wislawa Szymborska, nolivro Um amor feliz, tradução de Regina Przybycien, edição da Companhia das Letras.)

*

«O erotismo é um dos aspectos da vida interior do homem. Nisso nos enganamos porque ele procura constantemente fora um objeto de desejo. Mas este objeto responde à interioridade do desejo. A escolha de um objeto depende sempre dos gostos pessoais do indivíduo: mesmo se ela recai sobre a mulher que a maioria teria escolhido, o que entra em jogo é freqüentemente um aspecto indizível, não uma qualidade objetiva dessa mulher, que talvez não tivesse, se ela não nos tocasse o ser interior, nada que nos forçasse a escolhe-la. Em resumo, mesmo estando de acordo com a maioria, a escolha humana difere da do animal: ela apela para essa mobilidade interior, infinitamente complexa, que é típica do homem. O animal tem ele próprio uma vida subjetiva, mas essa vida, parece, lhe é dada, como acontece com os objetos sem vida, de uma vez por todas. O erotismo do homem difere da sexualidade animal justamente no ponto em que ele põe a vida interior em questão. O erotismo é na consciência do homem aquilo que põe nele o ser em questão. A própria sexualidade animal introduz um desequilíbrio e este desequilíbrio ameaça a vida, mas o animal não o sabe. Nele nada se abre que se assemelhe com uma questão.
Seja como for, se o erotismo é a atividade sexual do homem, o é na medida em que ela difere da dos animais. A atividade sexual dos homens não é necessariamente erótica. Ela o é sempre que não for rudimentar, que não for simplesmente animal..» Bataille, Georges. O erotismo / Georges Bataille; tradução de Antonio Carlos Viana. — Porto Alegre : L&PM, 1987. 260 p

02C1-620

doubles en nous mesmes: ficções e experimentos…

2018, dezembro 9, domingo

pelas discussões dos últimos dias (sobre religião, humanidade, racionalidade, consciência, condição humana)…

começamos por aqui:

O PODER DA FICÇÃO NA SOCIEDADE

texto do vídeo abaixo disponível no excelente canal Casa do Saber

“Ficção: Poderosa Arma dos Homens” escrito por Claudia Feitosa-Santana baseado na seção sobre ficção do livro “Sapiens” de Yuval Noah Harari. Resumo: Quando o ponto de vista é compartilhado por todos nós, geralmente estamos falando de uma realidade objetiva como: água, floresta, baleia. Quando o ponto de vista é dificilmente compartilhado por todos, geralmente estamos falando de uma realidade subjetiva também conhecida como ficção. Quando uma realidade subjetiva é compartilhada por quase todo mundo, ela se parece com uma realidade objetiva. Dois exemplos: Deus e dinheiro, ficções aceitas pela maioria. Quanto mais gente acreditar numa realidade subjetiva, menos ela se parece com uma ficção. As ficções são extremamente necessárias para nossa organização em sociedade e nenhum outro animal no planeta tem a imaginação que nós temos: É difícil respeitar o direito alheio? Criamos a Lei. A vida nem sempre parece ter sentido? Criamos Deus. É difícil amar ao próximo como a si mesmo? Criamos a Religião. A vida é muito curta? Criamos a Vida Eterna e a Reencarnação. É difícil ter apenas um parceiro? Criamos o Casamento. As ficções partilhadas facilitam a cooperação. Dois evangélicos que não se conhecem podem juntos protestar contra o aborto e o casamento gay. Dois norte-americanos que nunca se viram vão para a guerra como irmãos em nome de sua nação. Dois funcionários de uma mesma corporação que não se conhecem são capazes de trabalhar num projeto juntos por meses e terminarem sem conhecer nada da vida pessoal um do outro. Realidade objetivas, fonte esgotável. Realidades subjetivas, fonte inesgotável de ficções. Nossas realidades subjetivas são muito mais poderosas que as objetivas e até mesmo a sobrevivência da água das florestas e das baleias depende da graça concedida por deuses, estados e corporações.

C

e pelo acaso, encontrar «experimenter» ou «o experimento de milgram», filme dirigido por Michael Almereyda (2015).

não peguei o começo e nem o final do filme, mas os poucos minutos que vi, despertou o desejo de vê-lo todo, e pesquisar mais sobre…

«Stanley Milgram (1933 – 1984) foi um psicólogo norte-americano  graduado da Universidade de Yale que conduziu a experiência dos pequemos mundos (a fonte do conceito dos seis graus de separação) e a Experiência de Milgram sobre a obediência à autoridade».

abaixo, uma citação do filme [01:06:04,059 –> 01:07:12,794]:

«Mas a obediência, a submissão, era mais comum. Eles dizem: “Não farei isso. Não farei mais isso.” Mas então, o que Montaigne dizia? “Somos duplos em nós mesmos. Não acreditamos no que acreditamos, e não podemos nos livrar do que condenamos.” Outro de meus experimentos. Hank, um estudante da graduação, era o chamado “cristal de massa”, olhando para um ponto fixo no espaço, olhando para “algo” não inexistente. Quando você aumenta as pessoas que olham para o alto, o número de pessoas que param e olham aumenta exponencialmente. Enquanto isso, Obediência à Autoridade foi traduzido para oito idiomas e indicado para um prêmio nacional.»

«Mais nous sommes, je ne sçay comment, doubles en nous mesmes, qui faict que ce que nous croyons, nous ne le croyons pas, et ne nous pouvons deffaire de ce que nous condammons.»  Idem, p. 619.

«Somos duplos em nós mesmos. Não acreditamos no que acreditamos, e não podemos nos livrar do que condenamos».

download

chaoscontrol

Einige Kreise [several circles] / Schwarze Linien I [Black Lines]

Kandinsky – Chaos/Control

Da obediência ao consentimento: reflexões sobre o experimento de Milgram à luz das instituições modernas, por Sandra Leal de Melo Dahia

1086925

A vida só pode ser compreendida para trás, mas tem que ser vivida para a frente.” Søren Kierkegaard

 

part of the machine, autopsicografia e outras notas aleatórias

2018, dezembro 7, sexta-feira

decidi não mais escrever. como se eu tivesse qualquer certeza. oscilo. talvez a solidão seja tão vasta que se eu não tomar nota por cá, talvez eu me perca neste emaranhado de melancolia e desrazão. estou muito confuso. e oscilo. no trabalho jane repara na minha magreza. sequei nos últimos meses… pedem dicas e segredos… tergiverso… fujo… minha nova compulsão… é apenas efeito colateral da medicação. quando me olho no espelho, lembro que samanta brinca toda vez que me vê nas terças ou quarta-feiras… diz ela que cada vez é maior minha cara de maluco. eu sei… a pele, as olheiras, o cabelo desgrenhado, o aspecto cansado… pois não há vontade de nada… eu apenas saio, quando consigo sair, e meu corpo vai estando… eu oscilo. nessa quinta-feira estive entre a raiva, o desespero e uma vontade de derramar meu pranto por nada, eu não me controlo bem por estes dias. no máximo eu tento dizer coisas com as minhas camisetas, coisas como, «quero que este canto torto feito faca corte a carne de vocês», ou «deixe me ir, preciso andar…» ou ainda, «O poeta é um fingidor. Finge tão completamente. Que chega a fingir que é dor. A dor que deveras sente».

***

registro coisas escritas por estes dias:

exercício pela manhã

pela manhã
os barcos guardam o mar,
as nuvens o sol,
e um cão
os escombros.

30/10/2018 Sambaqui->Vargem Pequena

exercício pela tarde

capturar o movimento da palavra
no mergulho da ave,
na revoada, no bando,
no ninho repleto,
e nos teus olhos abertos
no instante preciso.

há qualquer coisa de pássaro nas palavras
um pena, uma asa,
eu preso(,)
(em) você passarinho.

06/12/2018 Sambaqui->Santo Antônio de Lisboa

***

notas sobre coisas aleatórias destes dias

#1 Bô Jornal -> http://bojornal.pt/

#2 Part of the machine, de Michael Marczewski

 

#3 Roteiro sentimental para o trabalho de campo

«Estejam abertos ao imprevisto, o que Malinowski (1997) chama de o imponderável da vida social, aquilo que escapa ao nosso planejamento, nos faz mudar de rota e acaba sendo revelador. Como na vida, não tentem direcionar demais o curso das águas, deixem a vida nos levar e tentem aproveitar os momentos de incerteza para perguntar aos nativos o que está acontecendo! Dificilmente o antropólogo escapa da pecha de chato, inconveniente ou louco. Chato porque pergunta sobre tudo, como a criança nas idades dos por quês. Inconveniente porque força as pessoas a se questionarem sobre o que é tido como naturalizado. E, louco, justamente, porque parece desconhecer as verdades inquestionáveis.
Não tenham medo do ridículo, espelhem-se no ofício dos palhaços que riem da sua própria miséria e, ao saberem-se ridículos, enfrentando sua vergonha, cumprem seu papel» PIRES, FLÁVIA FERREIRA. Roteiro sentimental para o trabalho de campo. In: cadernos de campo, São Paulo, n. 20, p. 143-148, 2011