Archive for the 'Augusto de Campos – Augusto Luís Browne de Campos' Category

frequência insuficiente

[seg] 23 de abril de 2018

notas do dia:

abandonei o semestre.

pontuei as atividades dos estudantes e digitei notas no professor online -> agora só falta organizar o trabalho de recuperação paralela de nota.

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pesquisas: http://blog.brasilacademico.com/2016/01/memoscorm-jogo-de-memoria-gratuito-para.html

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Idioma Desconhecido

Produzido por: Ninguém Filmes Direção:José Marques de Carvalho Jr

Difícil Ser Funcionário, Poema de João Cabral de Melo Neto, e declamação de Patrícia Kalil

Difícil ser funcionário

João Cabral de Melo Neto

Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira.
Eu te telefono, Carlos
Pedindo conselho.

Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas,
E outros não-fazeres.

É a dor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores.

Eu nunca suspeitara
Tanta roupa preta;
Tão pouco essas palavras —
Funcionárias, sem amor.

Carlos, há uma máquina
Que nunca escreve cartas;
Há uma garrafa de tinta
Que nunca bebeu álcool.

E os arquivos, Carlos,
As caixas de papéis:
Túmulos para todos
Os tamanhos de meu corpo.

Não me sinto correto
De gravata de cor,
E na cabeça uma moça
Em forma de lembrança

Não encontro a palavra
Que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar…
Fazer seu nojo meu…

Carlos, dessa náusea
Como colher a flor?
Eu te telefono, Carlos,
Pedindo conselho.

O poema acima, escrito em 29-09-1943, revela a decisiva influência de Carlos Drummond de Andrade nas primeiras produções do autor. Inédito, foi extraído dos “Cadernos de Literatura Brasileira”, nº. 01, publicado pelo Instituto Moreira Salles em Março de 1996, pág.60.

***

[anotar aqui o poema feito hoje]

[anotação feita, terça-feira, 11h24]

exercício sobre o pulsar do corpo estelar // o sol encara os olhos nus / como é duro resistir / e não desatar-se / nesta irradiação / que alimenta e devora // e toda dor humana nesta terra / e tal empatia / e o dilema constante / e a utopia / nada podem / não acessam os códigos deste outro idioma.

[ps 1: e achei isto aqui abaixo… quando transcrevia/recriava o exercício acima]

Onde quer que você esteja
Em Marte ou Eldorado
Abra a janela e veja
O pulsar quase mudo
Abraço de anos-luz
Que nenhum sol aquece
E o oco escuro esquece

Composição: Augusto De Campos / Caetano Veloso

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«Video realizado para la exposición de Augusto de Campos / Despoemas en Buenos Aires, 2014. Inspirado no videoclip de Paulo Barreto de 1984» Gonzalo Aguilar.

[ps 2: O que é um PULSAR]

beats & olaria

[qua] 3 de janeiro de 2018

4h30 a primeira vitória no twilight struggle…

9h30 seu nei fez a fogueira…

10h30 as nuvens brincam no céu azul

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Nacos de nuvem
Vladímir Maiakóvski
Tradução de Augusto da Campos
No céu flutuavam trapos
de nuvem – quatro farrapos;
do primeiro ao terceiro – gente;
o quarto – um camelo errante.
A ele, levado pelo instinto,
no caminho junta-se um quinto.
Do seio azul do céu, pé-antepé,
se desgarra um elefante.
Um sexto salta – parece.
Susto: o grupo desaparece.
E em seu rasto agora se estafa
o sol – amarela girafa.
1917-1918

11h08 escrevendo aqui, colocando fotos no instagram… tomando mate.

14h00 carreguei 800 tijolos.

17h15 trilha da olaria, com meu pai.

nei trilha

23h49… publicando fotos e stories… no instagram… como as da trilha acima… e essas do poente… mas perdi o sol, porque na hora h… acabou a bateria, corri para carregar o mínimo e pegar um pouco da beleza do dia.

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23h59… tomei um antialérgico. meu nariz estava mais vermelho que um pimentão vermelho.

 

happy end… se o caso é chorar

[qua] 16 de dezembro de 2015

A boa lembrança de Mirian Carla Barbosa para o dia que o magistério catarinense foi destruído.

De: trabalhadoras da educação
Para: Sindicato governista

Você fala que sim / que me compreende / você fala que não / que não me entrega / que não me vende / que não me deixa / que não me larga. / Mas você deixa tudo deixou / você deixa mágoa deixou / você deixa frio deixou /  e me deixa na rua deixou.Você jura, jura, / jurou, / você me despreza / prezou, / você vira a esquina / esquinou / e me deixa à toa / tô, tô, to. /Você passa mal / toma Sonrisal / se engana, mas vai em frente / pra mim não tem jeito / não tem beijo final / e não vai ter happy end / e não vai ter happy end / e não vai ter happy. / Composição: (Tom Zé – Antonio Pádua) // Album: Se o Caso é Chorar // 1972

***

Senhor cidadão / senhor cidadão / Me diga, por quê / me diga por quê / você anda tão triste? / tão triste / Não pode ter nenhum amigo / senhor cidadão / na briga eterna do teu mundo / senhor cidadão / tem que ferir ou ser ferido / senhor cidadão / O cidadão, que vida amarga / que vida amarga. // Oh senhor cidadão, / eu quero saber, eu quero saber / com quantos quilos de medo, / com quantos quilos de medo / se faz uma tradição? // Oh senhor cidadão, / eu quero saber, eu quero saber / com quantas mortes no peito, / com quantas mortes no peito / se faz a seriedade? / /Senhor cidadão / senhor cidadão / eu e você / eu e você / temos coisas até parecidas / parecidas: / por exemplo, nossos dentes / senhor cidadão / da mesma cor, do mesmo barro / senhor cidadão / enquanto os meus guardam sorrisos / senhor cidadão / os teus não sabem senão morder / que vida amarga // Oh senhor cidadão, / eu quero saber, eu quero saber / com quantos quilos de medo, / com quantos quilos de medo / se faz uma tradição? / /Oh senhor cidadão, / eu quero saber, eu quero saber / se a tesoura do cabelo / se a tesoura do cabelo / também corta a crueldade / /Senhor cidadão / senhor cidadão / Me diga por que / me diga por que / Me diga por que / me diga porque Composição: (Tom Zé) – Poema / Senhor Cidadão // // Album: Se o Caso é Chorar // 1972

https://www.youtube.com/watch?v=zLTMM3r8wYI

Atrocaducapacaustiduplielastifeliferofugahistoriloqualubrimendimultipliorganiperiodiplastipublirapareciprorustisagasiimplitenaveloveravivaunivoracidade
city
cite

(CAMPOS, Augusto, 2000)

 ***
ps: vale a leitura da dissertação de demétrio panaroto, não se morre mais, cambada... sobre o tom zé.

o jardineiro e as leituras

[dom] 23 de março de 2014

Exausto, e quase catando milho… Transcrevo o que na manhã anotei no papel.

6:47 Acordo e a última imagem do sonho é tu, parada, na porta que acabo de abrir, e há uma criança ao seu lado.

7:03 Aqueço a água. o mate me aguarda.

7:16 O sol chegou, mas é lá do outro lado, no outro morro.

8:21 O sol me atingiu a nuca. enfim, o espaço de cá é dele.

8:30. Retomo, e concluo as 4 páginas que faltavam de Antes de nascer o mundo, de Mia Couto, que me aguardava desde 09/03. e entre leituras, como num instantâneo, brota no meu pensamento essa sensação de que estou retomando e concluindo o que deixei em aberto no ano passado. que me haja tempo nessa vida…

9:00 Retomo “Maiakovski: O Poeta Da Revolução”, livro de Aleksandr Mikhailov que abandonei na estante lá por outubro. Era o livro que eu lia nas segundas no busão, no caminho de ida e volta da escola, e como desliguei-me da escola… o livro ficou ali, esperando… enquanto eu lia os 10 dias que abalaram o mundo e o ano 1 da revolução, para entender um pouco mais o contexto do poeta e da revolução.

10:00. Escrevo tudo isto acima.

23:06. Transcrevo para cá, e vou encerrando este trecho… pensando porque a vida é tão rápida e tão lenta ao mesmo tempo… podei árvores, empilhei pedras e fiz tanta coisa hoje. E para fechar, busco o poema “Sobre isso” na rede e não acho. O livro que tenho de poemas de Maiakóvski, aquele dos irmãos de Campos e Boris Schnaiderman, não tem este poema. Encontro isto. E isto. E acho que é o cansaço por não ter parado durante o dia todo e ter bebido tão pouca água… Que chego estar irritado agora. Dormir é uma necessidade. O corpo exige.

e pra fechar… Literatura Russa.

código

[sex] 23 de março de 2012

hoje está assim: feriado de aniversário da cidade.

ontem me filiei ao sindicato e dei aula.

quarta fiz a tatoo. código de augusto de campos.  o pc pifou. e ainda dei aula e fechei a noite tomando umas geladas vendo os gols do vasco.

terça dei aula, fiz compras e dei mais aula. mais filme para eles.

segunda, foi feriado lá de são josé. folga para mim.

domingo teve churrasco em família.

sábado teve formatura da cunhada.

sexta teve aula. atividade.

quinta teve paralisação (me deram falta),  assembléia estadual e passeata com mais de 5 mil professores.

quarta teve aula: quanto vale ou é por quilo?

terça teve aula, visita ao lastro, e aula pela noite: capitalismo, uma história de amor.

segunda teve aula… as da manhã trabalhamos o 8 de março. e as da noite… sai empolgado.

domingo… foi muito tempo atrás.

sábado era 10 de março.

inspiração na madrugada (a sierguéi iessiênin)

[qua] 3 de dezembro de 2008

A SIERGUÉI IESSIÊNIN

Você partiu,
como se diz,
para o outro mundo.
Vácuo. . .
Você sobe,
entremeado às estrelas.
Nem álcool,
nem moedas.
Sóbrio.
Vôo sem fundo.
Não, lessiênin,
não posso
fazer troça, –
Na boca
uma lasca amarga
não a mofa.
Olho –
sangue nas mãos frouxas,
você sacode
o invólucro
dos ossos.
Sim,
se você tivesse
um patrono no “Posto”
(1)

ganharia
um conteúdo
bem diverso:
todo dia
uma quota
de cem versos,
longos
e lerdos,
como Dorônin
(2).
Remédio?
Para mim,
despautério:
mais cedo ainda
você estaria nessa corda.
Melhor
morrer de vodca
que de tédio !
Não revelam
as razões
desse impulso
nem o nó,
nem a navalha aberta.
Pare,
basta !
Você perdeu o senso? –
Deixar
que a cal
mortal
Ihe cubra o rosto?
Você,
com todo esse talento
para o impossível;
hábil
como poucos.
Por quê?
Para quê?
Perplexidade.
– É o vinho!
– a crítica esbraveja.
Tese:
refratário à sociedade.
Corolário:
muito vinho e cerveja.

Sim,
se você trocasse
a boêmia
pela classe;
A classe agiria em você,
e Ihe daria um norte.

E a classe
por acaso
mata a sede com xarope?
Ela sabe beber –
nada tem de abstêmia.
Talvez,
se houvesse tinta
no “Inglaterra”
(3);
você
não cortaria
os pulsos.
Os plagiários felizes
pedem: bis!
Já todo
um pelotão
em auto-execução.
Para que
aumentar
o rol de suicidas?
Antes
aumentar
a produção de tinta!
Agora
para sempre
tua boca
está cerrada.
Difícil
e inútil
excogitar enigmas.
O povo,
o inventa-línguas,
perdeu
o canoro
contramestre de noitadas.

E levam
versos velhos
ao velório,
sucata
de extintas exéquias.
Rimas gastas
empalam
os despojos, –
é assim
que se honra
um poeta?
-Não
te ergueram ainda um monumento –
onde
o som do bronze
ou o grave granito? –
E já vão
empilhando
no jazigo
dedicatórias e ex-votos:
excremento.
Teu nome
escorrido no muco,
teus versos,
Sóbinov(4) os babuja,
voz quérula
sob bétulas murchas –
“Nem palavra, amigo,
nem so-o-luço”.
Ah,
que eu saberia dar um fim
a esse
Leonid Loengrim!
(5)
Saltaria
– escândalo estridente:
– Chega
de tremores de voz!
Assobios
nos ouvidos
dessa gente,
ao diabo
com suas mães e avós!
Para que toda
essa corja explodisse
inflando
os escuros
redingotes,
e Kógan
(6)
atropelado
fugisse,
espetando
os transeuntes
nos bigodes.
Por enquanto
há escória
de sobra.
0 tempo é escasso –
mãos à obra.
Primeiro
é preciso
transformar a vida,
para cantá-la –
em seguida.
Os tempos estão duros
para o artista:
Mas,
dizei-me,
anêmicos e anões,
os grandes,
onde,
em que ocasião,
escolheram
uma estrada
batida?

General
da força humana
– Verbo –
marche!
Que o tempo
cuspa balas
para trás,
e o vento
no passado
só desfaça
um maço de cabelos.
Para o júbilo
o planeta
está imaturo.
É preciso
arrancar alegria
ao futuro.
Nesta vida
morrer não é difícil.
O difícil
é a vida e seu ofício.

(Tradução de Haroldo de Campos)

———————————————————————-
1. Alusão à revista Na Postu (De Sentinela), órgão da RAPP (Associação Russa dos Escritores Proletários), cujos colaboradores se mostravam muito zelosos em atacar os escritores que lhes pareciam transgredir a moral proletária.

2. Referências ao poeta soviético I.I. Dorônin (n. em 1900).

3. Hotel em que Iessiênin se suicidou.

4. O famoso cantor L.V. Sóbinov (1872-1934) foi um dos participantes
da homenagem à memória de Iessiênin, que teve lugar no Teatro de Arte de Moscou, em 18 de janeiro de 1926, quando interpretou uma canção de Tchaikóvski.

5. O papel de Loengrim, da ópera deste nome, de Wagner, constituiu um dos grandes êxitos da carreira artística de Leonid Sóbinov.

6. O crítico P.S. Kógan (1872-1932), representante da crítica mais dogmática, com quem Maiakóvski manteve freqüentes polêmicas.

publicado no livro: “Maiakóvski – Poemas”
traduzido por Boris Schnaiderman,
Augusto de Campos e Haroldo de Campos
Editora Perspectiva

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