Archive for the 'Bob Dylan – Robert Allen Zimmerman' Category

a aroeira tombou

2019, janeiro 25, sexta-feira

a aroeira tombou, pela chuva de ontem… mas ainda segue viva. dormi no sofá, com as portas e janelas abertas. o gato insistiu, e apesar do pouco espaço e de minha mania de rolar prá lá e prá cá… ele conquista um pedaço… acordo com eles aos meus pés. e há uma goteira no meu futuro quarto. a chuva é estrondosamente alta quando bate no telhado… certas pessoas são muito tóxicas… às vezes é melhor ficar sozinho. às vezes eu busco as melhores palavras, as mais precisas… noutras eu desisto da vida, apenas fico triste. sou triste…

mas eu ainda sou um cara de sorte. todos temos nossos escombros e ruínas… e nada é justo, e pouco é certo.

Oh! Sweet Nuthin’ / The Velvet Underground
Say a word for Jimmy Brown / He ain’t got nothing at all / Not a shirt right of his back / He ain’t got nothing at all / And say a word for Ginger Brown / Walks with his head down to the ground / Took the shoes right of his feet / To poor boy right out in the street / And this is what he said / Oh sweet nuthin’ / She ain’t got nothing at all / Oh sweet nutin’ / She ain’t got nothing at all / Say a word for Polly May / She can’t tell the night from the day / They threw her out in the street / But just like a cat she landed on her feet / And say a word for Joanna Love / She ain’t got nothing at all / Cause everyday she falls in love / And every night she falls when she does / She said / Oh sweet nuthin’ / You know she ain’t got nothing at all / Oh sweet nutin’ / She ain’t got nothing at all / Oh let me hear you! / Say a word for Jimmy Brown / He ain’t got nothing at all / Not a shirt right of his back / He ain’t got nothing at all / And say a word for Ginger Brown / Walks with his head down to the ground / Took the shoes right of his feet / To poor boy right out in the street / And this is what he said / Oh sweet nuthin’ / She ain’t got nothing at all / Oh sweet nutin’ / She ain’t got nothing at all / She ain’t got nothing at all / Oh sweet nutin’ / She ain’t got nothing at all / She ain’t got nothing at all / She ain’t got nothing at all / Compositor: Lou Reed

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ou how does it feel?

mas de qualquer jeito, nunca fomos de muita conversa… então não pense duas vezes, está tudo bem

2018, dezembro 31, segunda-feira
  • vai terminar o ano e não terminei de ler o livro. mas colo coisas:

Case sabia que em algum momento, havia começado a jogar um jogo consigo mesmo, um jogo muito antigo que não tinha nome, uma espécie de paciência final. (…) uma parte dele sabia que o arco de sua autodestruição estava ululantemente óbvio para seus clientes, que iam rareando, mas essa mesma parte se comprazia no conhecimento de que era apenas uma questão de tempo. e essa era a sua parte, que encarava a expectativa da morte com desprezo, que mais odiava pensar em Linda Lee.
Ele a conhecera numa noite de chuva num fliperama. (pág. 28) (…) a expressão no rosto dela, (…) o lábio superior igual àquela linha que as crianças desenham para representar um pássaro em movimento. (pág. 29)
(…) agora havia uma coisa nos olhos cinzentos dela que ele não conseguia ler, uma coisa que nunca vira ali antes. (pág. 31)

e há cabeça a cabeça, a corrida chino-yanque, pela tal computação quântica – e o cara da geografia pergunta/afirma:

  • Prolongamento das inovações e a administração dos ciclos longos?!!! e a teoria leninista da crise?!

procuro o poema, acho uma confeitaria… e priscilla campos me diz como degustar um bocado de matilde… vale a leitura, excelente publicação independente, vale a leitura integral do texto. tomo notas:

  • Linguagem oral e oscilação como impulso da escrita
  • Sándor Márai: “En la literatura, así como en la vida, sólo el silencio es sincero”
  • Poems e Today, de Frank O’Hara como o marco zero literário de Matilde?

Well it ain’t no use to sit and wonder why, babe
Ifin’ you don’t know by now
An’ it ain’t no use to sit and wonder why, babe
It’ll never do some how
When your rooster crows at the break a dawn
Look out your window and I’ll be gone
You’re the reason I’m trav’lin’ on
Don’t think twice, it’s all right
And it ain’t no use in a-turnin’ on your light, babe
The light I never knowed
An’ it ain’t no use in turnin’ on your light, babe
I’m on the dark side of the road
But I wish there was somethin’ you would do or say
To try and make me change my mind and stay
We never did too much talkin’ anyway
But don’t think twice, it’s all right
No it ain’t no use in callin’ out my name, gal
Like you never done before
And it ain’t no use in callin’ out my name, gal
I can’t hear ya any more
I’m a-thinkin’ and a-wond’rin’ wallkin’ way down the road
I once loved a woman, a child I am told
I give her my heart but she wanted my soul
But don’t think twice, it’s all right
So long honey babe
Where I’m bound, I can’t tell
Goodbye is too good a word, babe
So I just say fare thee well
I ain’t sayin’ you treated me unkind
You could have done better but I don’t mind
You just kinda wasted my precious time
But don’t think twice, it’s all right
e vou repetir essa canção até o sono chegar e eu conseguir dormir. pra acordar só ano que vem… ou não, pois é cedo e já tomei muito café.

seres extraños

2018, março 27, terça-feira

«Você vai encher os vazios com as suas peraltagens.
E algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos.»
.
— Manoel de Barros, no livro “Poesia completa”. São Paulo: Leya, 2010

hoje pensei tantas coisas… no pouco tempo em que me mantive acordado. ontem, enquanto ela falava, eu mentalizava que aquilo era o tema da aula, não era diretamente para mim, e que a minha escolha por começar a minha fala daquela forma incompreensível foi só o acaso, fruto de uma leitura equivocada do momento… de ter tentado improvisar e não ter seguido o script que eu mesmo havia preparado… mas cada fala dela era um puta soco, porque fazia sentido, eu estava me enxergando no texto, minha nudez ali… senti-me como se tivesse levando uma surra e estava nu e ensanguentado bem na frente de todos aqueles calouros, e isto ficou martelando minha cabeça… o que (e para quem, e por que e se) estou tentando provar?… qual é o meu lugar? sei que é assim quase o tempo todo… nos envolvimentos amorosos, no trabalho, na primeira e nessa segunda graduação… por que existo?

há uma vontade enorme de quedar por cá, mas isto aqui não tem peso literário. são apenas recortes, de um sujeito obscuro e fantasioso. e por falar em sujeito, um aluno, ex-aluno, hoje, fazendo cinema, me convidou para participar do filme que o grupo dele está preparando em uma disciplina, para contar alguma história minha… ser um sujeito, um dos sujeitos no filme. e bem na verdade, é o segundo convite que recebo, via ex-alunos. e alguns alunos me fazem olhar de forma diferente para mim mesmo… principalmente estes que encontro depois de um tempo, distantes do território escolar… já seguindo suas vidas noutros campos, e posso redimensionar o impacto [mútuo] causado. no fim, todo os humanos valem, e como humano, eu valho algo, muitas vezes mais do que imagino. mas o que valho? por que outros percebem coisas em mim que eu insisto em não perceber. quase sempre vejo a parte obscura… essa que dialogo todo instante… essa que está aqui… e me faz neste instante um pouco suicida, não letal (neste momento), mas moral… pensando seriamente em não ir pra aula amanhã, em dar um foda-se em tudo… e nem fiz nada que deveria ter feito (obrigatórias, ou mínimas… eram quatro: corrigir os trabalhos dos alunos, preparar o roteiro das aulas de amanhã; ler o texto para teoria literária e fazer o exercício de linguística)…eu não fiz nada. estou cansado… e ainda há toda uma quarta-feira e uma quinta-feira pela frente. e ainda sobre o quanto valho, me recordo dos papos da outra semana… no bar, eu com um puta tesão, mas me segurando… contendo meus demônios, porque o sexo, o prazer é libertador… mas eu sou uma caixa de pandora… melhor estar só, deixar fluir, seguir, aparentemente, calmo. não me machucar e nem machucar ninguém. e isto é uma das vantagens da solidão… mas como é bom expressar isto, na mesa… não abertamente esse lance do sexo, mas falar sobre outros sentimentos, como estar só, de ter medo de ir afrente nas relações (amorosas e outras), medo de voltar atrás, de ser contraditório e imperfeito, de ser frágil, ansioso…

ir se desnudando na mesa do bar é gostoso. queria beber agora, alguém?

queria sentir qual é o meu aroma?

e antes de ir dormir… porque estou cansado demais e para lembrar depois… e  estudar um pouco mais… e quem sabe aprender

***

bora montar a trilha sonora do dia:

Y empezar a ver mejor que están buscando esos seres extraños

Caetano Veloso – Um ComunistaCaetano Veloso – Milagres Do PovoBomba Estereo – Pa’ RespirarBomba Estéreo – El Alma y el CuerpoCaetano Veloso – TigresaBob Dylan – Mr Tambourine ManPerotá Chingó – Seres ExtrañosPerota Chingo – El tiempo está despuésPerota chingo – Ando Ganas;

***

um sítio de livros e um cartão… minha obsessão:

Os Meios de Comunicação Como Extensões do Homem – Marshall McLuhan
Lógica do Sentido – Col. Estudos 35 – Gilles Deleuze
Mimesis – Col. Estudos 002 – Erich Auerbach
Cinematógrafo de Letras – Literatura , Técnica e Modernização no Brasil – Flora Süssekind
A Amiga Genial – Série Napolitana – Elena Ferrante
História de Quem Foge e Quem Fica – Elena Ferrante
Cosmos – Carl Sagan

 

***

ps: alguns notas que estavam nos rascunho

12h00 nota #1. ressaca, física e moral. estou desorientado.

tenho que sair já. tenho um monte de coisas por fazer. se não der… não deu bicho. take easy.

faltei hoje.

coletei isto – de Rupi Kaur

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e o oráculo (vênus na casa doze) está dizendo para eu sumir… e me amar.

e outra citação para fechar [ou iniciar] a jornada

«No soy pobre, soy sobrio, liviano de equipaje, vivir con lo justo para que las cosas no me roben la libertad.» Pepe Mujica