Archive for the 'Bob Dylan – Robert Allen Zimmerman' Category

mas de qualquer jeito, nunca fomos de muita conversa… então não pense duas vezes, está tudo bem

2018, dezembro 31, segunda-feira
  • vai terminar o ano e não terminei de ler o livro. mas colo coisas:

Case sabia que em algum momento, havia começado a jogar um jogo consigo mesmo, um jogo muito antigo que não tinha nome, uma espécie de paciência final. (…) uma parte dele sabia que o arco de sua autodestruição estava ululantemente óbvio para seus clientes, que iam rareando, mas essa mesma parte se comprazia no conhecimento de que era apenas uma questão de tempo. e essa era a sua parte, que encarava a expectativa da morte com desprezo, que mais odiava pensar em Linda Lee.
Ele a conhecera numa noite de chuva num fliperama. (pág. 28) (…) a expressão no rosto dela, (…) o lábio superior igual àquela linha que as crianças desenham para representar um pássaro em movimento. (pág. 29)
(…) agora havia uma coisa nos olhos cinzentos dela que ele não conseguia ler, uma coisa que nunca vira ali antes. (pág. 31)

e há cabeça a cabeça, a corrida chino-yanque, pela tal computação quântica – e o cara da geografia pergunta/afirma:

  • Prolongamento das inovações e a administração dos ciclos longos?!!! e a teoria leninista da crise?!

procuro o poema, acho uma confeitaria… e priscilla campos me diz como degustar um bocado de matilde… vale a leitura, excelente publicação independente, vale a leitura integral do texto. tomo notas:

  • Linguagem oral e oscilação como impulso da escrita
  • Sándor Márai: “En la literatura, así como en la vida, sólo el silencio es sincero”
  • Poems e Today, de Frank O’Hara como o marco zero literário de Matilde?

Well it ain’t no use to sit and wonder why, babe
Ifin’ you don’t know by now
An’ it ain’t no use to sit and wonder why, babe
It’ll never do some how
When your rooster crows at the break a dawn
Look out your window and I’ll be gone
You’re the reason I’m trav’lin’ on
Don’t think twice, it’s all right
And it ain’t no use in a-turnin’ on your light, babe
The light I never knowed
An’ it ain’t no use in turnin’ on your light, babe
I’m on the dark side of the road
But I wish there was somethin’ you would do or say
To try and make me change my mind and stay
We never did too much talkin’ anyway
But don’t think twice, it’s all right
No it ain’t no use in callin’ out my name, gal
Like you never done before
And it ain’t no use in callin’ out my name, gal
I can’t hear ya any more
I’m a-thinkin’ and a-wond’rin’ wallkin’ way down the road
I once loved a woman, a child I am told
I give her my heart but she wanted my soul
But don’t think twice, it’s all right
So long honey babe
Where I’m bound, I can’t tell
Goodbye is too good a word, babe
So I just say fare thee well
I ain’t sayin’ you treated me unkind
You could have done better but I don’t mind
You just kinda wasted my precious time
But don’t think twice, it’s all right
e vou repetir essa canção até o sono chegar e eu conseguir dormir. pra acordar só ano que vem… ou não, pois é cedo e já tomei muito café.

seres extraños

2018, março 27, terça-feira

«Você vai encher os vazios com as suas peraltagens.
E algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos.»
.
— Manoel de Barros, no livro “Poesia completa”. São Paulo: Leya, 2010

hoje pensei tantas coisas… no pouco tempo em que me mantive acordado. ontem, enquanto ela falava, eu mentalizava que aquilo era o tema da aula, não era diretamente para mim, e que a minha escolha por começar a minha fala daquela forma incompreensível foi só o acaso, fruto de uma leitura equivocada do momento… de ter tentado improvisar e não ter seguido o script que eu mesmo havia preparado… mas cada fala dela era um puta soco, porque fazia sentido, eu estava me enxergando no texto, minha nudez ali… senti-me como se tivesse levando uma surra e estava nu e ensanguentado bem na frente de todos aqueles calouros, e isto ficou martelando minha cabeça… o que (e para quem, e por que e se) estou tentando provar?… qual é o meu lugar? sei que é assim quase o tempo todo… nos envolvimentos amorosos, no trabalho, na primeira e nessa segunda graduação… por que existo?

há uma vontade enorme de quedar por cá, mas isto aqui não tem peso literário. são apenas recortes, de um sujeito obscuro e fantasioso. e por falar em sujeito, um aluno, ex-aluno, hoje, fazendo cinema, me convidou para participar do filme que o grupo dele está preparando em uma disciplina, para contar alguma história minha… ser um sujeito, um dos sujeitos no filme. e bem na verdade, é o segundo convite que recebo, via ex-alunos. e alguns alunos me fazem olhar de forma diferente para mim mesmo… principalmente estes que encontro depois de um tempo, distantes do território escolar… já seguindo suas vidas noutros campos, e posso redimensionar o impacto [mútuo] causado. no fim, todo os humanos valem, e como humano, eu valho algo, muitas vezes mais do que imagino. mas o que valho? por que outros percebem coisas em mim que eu insisto em não perceber. quase sempre vejo a parte obscura… essa que dialogo todo instante… essa que está aqui… e me faz neste instante um pouco suicida, não letal (neste momento), mas moral… pensando seriamente em não ir pra aula amanhã, em dar um foda-se em tudo… e nem fiz nada que deveria ter feito (obrigatórias, ou mínimas… eram quatro: corrigir os trabalhos dos alunos, preparar o roteiro das aulas de amanhã; ler o texto para teoria literária e fazer o exercício de linguística)…eu não fiz nada. estou cansado… e ainda há toda uma quarta-feira e uma quinta-feira pela frente. e ainda sobre o quanto valho, me recordo dos papos da outra semana… no bar, eu com um puta tesão, mas me segurando… contendo meus demônios, porque o sexo, o prazer é libertador… mas eu sou uma caixa de pandora… melhor estar só, deixar fluir, seguir, aparentemente, calmo. não me machucar e nem machucar ninguém. e isto é uma das vantagens da solidão… mas como é bom expressar isto, na mesa… não abertamente esse lance do sexo, mas falar sobre outros sentimentos, como estar só, de ter medo de ir afrente nas relações (amorosas e outras), medo de voltar atrás, de ser contraditório e imperfeito, de ser frágil, ansioso…

ir se desnudando na mesa do bar é gostoso. queria beber agora, alguém?

queria sentir qual é o meu aroma?

e antes de ir dormir… porque estou cansado demais e para lembrar depois… e  estudar um pouco mais… e quem sabe aprender

***

bora montar a trilha sonora do dia:

Y empezar a ver mejor que están buscando esos seres extraños

Caetano Veloso – Um ComunistaCaetano Veloso – Milagres Do PovoBomba Estereo – Pa’ RespirarBomba Estéreo – El Alma y el CuerpoCaetano Veloso – TigresaBob Dylan – Mr Tambourine ManPerotá Chingó – Seres ExtrañosPerota Chingo – El tiempo está despuésPerota chingo – Ando Ganas;

***

um sítio de livros e um cartão… minha obsessão:

Os Meios de Comunicação Como Extensões do Homem – Marshall McLuhan
Lógica do Sentido – Col. Estudos 35 – Gilles Deleuze
Mimesis – Col. Estudos 002 – Erich Auerbach
Cinematógrafo de Letras – Literatura , Técnica e Modernização no Brasil – Flora Süssekind
A Amiga Genial – Série Napolitana – Elena Ferrante
História de Quem Foge e Quem Fica – Elena Ferrante
Cosmos – Carl Sagan

 

***

ps: alguns notas que estavam nos rascunho

12h00 nota #1. ressaca, física e moral. estou desorientado.

tenho que sair já. tenho um monte de coisas por fazer. se não der… não deu bicho. take easy.

faltei hoje.

coletei isto – de Rupi Kaur

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e o oráculo (vênus na casa doze) está dizendo para eu sumir… e me amar.

e outra citação para fechar [ou iniciar] a jornada

«No soy pobre, soy sobrio, liviano de equipaje, vivir con lo justo para que las cosas no me roben la libertad.» Pepe Mujica

 

 

 

mas o que é mesmo gramática?

2018, março 4, domingo

21 páginas para estudos gramaticais + 60 páginas para literatura portuguesa 1.

e um pacote imenso de ansiedade e procrastinação.

mas homem, saia daqui e vá lá fichar os textos… para logo mais, amanhã cedo, debater em sala.

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It’s All Over Now, Baby Blue / Compositor: Bob Dylan / You must leave now, take what you need, you think will last / But whatever you wish to keep, you better grab it fast / Yonder stands your orphan with his gun / Crying like a fire in the sun / Look out the saints are comin’ through / And it’s all over now, baby blue / The highway is for gamblers, better use your sense / Take what you have gathered from coincidence / The empty-handed painter from your streets / Is drawing crazy patterns on your sheets / This sky, too, is folding under you / And it’s all over now, baby blue / All your seasick sailors, they are rowing home / All your reindeer armies, are all going home / The lover who just walked out your door / Has taken all his blankets from the floor / The carpet, too, is moving under you / And it’s all over now, baby blue / Leave your stepping stones behind, something calls for you / Forget the dead you’ve left, they will not follow you / The vagabond who’s rapping at your door / Is standing in the clothes that you once wore / Strike another match, go start anew / And it’s all over now, baby blue

“It’s all over now, Babe Blue”- Bob Dylan – Negro Amor (versão: Cetano Veloso e Péricles Cavalcanti) / Vá, se mande, junte tudo que você puder levar / Ande, tudo que parece seu é bom que agarre já / Seu filho feio e louco ficou só / Chorando feito fogo à luz do sol / Os alquimistas já estão no corredor / E não tem mais nada, negro amor / A estrada é pra você e o jogo é a indecência / Junte tudo que você conseguiu por coincidência / E o pintor de rua que anda só / Desenha maluquice em seu lençol / Sob seus pés o céu também rachou / E não tem mais nada, negro amor / E não tem mais nada, negro amor / Seus marinheiros mareados abandonam o mar / Seus guerreiros desarmados não vão mais lutar / Seu namorado já vai dando o fora / Levando os cobertores? E agora? / Até o tapete sem você voou / E não tem mais nada, negro amor / E não tem mais nada, negro amor / As pedras do caminho deixe para trás / Esqueça os mortos eles não levantam mais / O vagabundo esmola pela rua / Vestindo a mesma roupa que foi sua / Risque outro fósforo, outra vida, outra luz, outra cor / E não tem mais nada, negro amor

***