Archive for the 'Chico Buarque – Francisco Buarque de Hollanda' Category

weapons of math destruction… é que o urubu tá querendo comer mas o boi não quer morrer

[seg] 26 de novembro de 2018

desde sábado estou assim… mas nesse domingo foi além… o que será que me dá… porque eu ando tão à flor da pele… talvez essa dificuldade de lidar com a ansiedade gerada pelas expectativas irreais… minha expectativas sobre esse eu que nunca será /a/tingido. ando a sentir-me como um bicho ferido… que facilmente ataca, que facilmente embarga… parece que choveu tristeza imensa dentro do meu peito e alagou tudo… na há cais de porto… nem lanterna dos afogados.

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«é necessário tecnologizar as ciências humanas, para ela não morrer socialmente, e é necessário humanizar as ciências exatas par a gente não morrer.»  via rodrigo mineiro.

«Não é preciso ter formação matemática para entender que uma decisão tomada por um algoritmo é injusta» Weapons of Math Destruction, de Cathy O’Neil

«Cathy O’Neil (Cambridge, 1972), doutora em matemática pela Universidade Harvard, trocou o mundo acadêmico pela análise de risco de investimento dos bancos. Achava que esses recursos eram neutros do ponto de vista ético, mas sua ideia não tardou a desmoronar. Percebeu como a matemática poderia ser “destrutiva” e empreendeu uma mudança radical: somou-se ao grupo de finanças alternativas do movimento Occupy Wall Street, que nasceu em 2011 em Nova York para protestar contra os abusos do poder financeiro, e começou sua luta para conscientizar sobre como o big data “aumenta” a desigualdade e “ameaça” a democracia. (…) A autora do livro Weapons of Math Destruction (“armas de destruição matemática”, um trocadilho com a expressão “armas de destruição em massa”, inédito no Brasil)».

“Os privilegiados são analisados por pessoas; as massas, por máquinas”

entrevista para El País/Ana Torres Menárguez

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e por sugestão/apresentação de gyo, baiano & novos caetanos (Chico Anysio, Arnaud Rodrigues e Renato Piau)

1. Vô batê pá tu 00:00 2. Nega 03:31 3. Cidadão da Mata 06:05 4. Urubu tá com raiva do Boi 09:45 5. Aldeia 12:52 6. Ciranda 15:17 7. Folia de Rei 17:47 8. Véio Zuza 21:36 9. Selva de feras 24:20 10. Tributo ao Regional 27:02 11. Dendalei 30:25

URUBU TÁ COM RAIVA DO BOI

“Legal… me amarro nesse som, tá sabendo?
O medo, a angústia, o sufoco, a neurose, a poluição
Os juros, o fim… nada de novo.
A gente de novo só tem os sete pecados industriais.
Diga Paulinho, diga…
Eu vou contigo Paulinho, diga”
Urubu tá com raiva do boi
E eu já sei que ele tem razão
É que o urubu tá querendo comer
Mas o boi não quer morrer
Não tem alimentação
Urubu tá com raiva do boi
E eu já sei que ele tem razão
É que o urubu tá querendo comer
Mas o boi não quer morrer
Não tem alimentação
O mosquito é engolido pelo sapo
O sapo a cobra lhe devora
Mas o urubu não pode devorar o boi:
Todo dia chora, todo dia chora.
Mas o urubu não pode devorar o boi:
Todo dia chora, todo dia chora.
“O norte, a morte, a falta de sorte…
Eu tô vivo, tá sabendo?
Vivo sem norte, vivo sem sorte, eu vivo…
Eu vivo, Paulinho.
Aí a gente encontra um cabra na rua e pergunta: ‘Tudo bem?’
E ele diz pá gente: ‘Tudo bem!’
Não é um barato, Paulinho?
É um barato…”
Urubu tá com raiva do boi
E eu já sei que ele tem razão
É que o urubu tá querendo comer
Mas o boi não quer morrer
Não tem alimentação
Urubu tá com raiva do boi
E eu já sei que ele tem razão
É que o urubu tá querendo comer
Mas o boi não quer morrer
Não tem alimentação
Gavião quer engolir a socó
Socó pega o peixe e dá o fora
Mas o urubu não pode devorar o boi
Todo dia chora, todo dia chora
Mas o urubu não pode devorar o boi
Todo dia chora, todo dia chora
“Nada a dizer… nada… ou quase nada…
O que tem é a fazer: tudo… ou quase tudo…
O homem, a obra divina…
Na rua, a obra do homem…
Cheiro de gás, o asfalto fervendo, o suor batendo
O suor batendo (4x)

Composição: Geraldo Nunes / Venâncio

 

***

«O fotógrafo canadense Edward Burtynsky é um mestre do sublime pós-industrial. Seu ponto de vista abrangente é, no mínimo, ambivalente. Seus tiros, mais recentemente tirados do ponto de vista mais legal possível de um helicóptero e às vezes de um satélite, são à primeira vista surrealistas e gloriosos, mas eles têm uma sinistra ressaca documental .(…) “Os cientistas fazem um trabalho muito terrível de contar histórias, enquanto os artistas têm a capacidade de levar o mundo e torná-lo acessível para todos“, argumenta Burtynsky . De acordo com seu novo livro Antropoceno , estima-se que atualmente sejam necessários 60 bilhões de toneladas de material anualmente (biomassa, combustíveis fósseis, minérios metálicos, minerais industriais e de construção) para alimentar o metabolismo global da humanidade. As imagens de Burtynsky oferecem uma visão perturbadora de como estamos consumindo a Terra em um ritmo alarmante – além de dar uma ideia da escala em que estamos despejando tudo de volta, em pilhas gigantescas, córregos e lagoas» por Cameron Laux/BBC

leia mais e veja as imagens em: http://www.bbc.com

***

 

kalu

[sáb] 6 de junho de 2015

sabe quando você demora para dormir porque tua cabeça está girando sem parar em muitos pensamentos… coisas que não deviam estar lá as três da manhã… algo do tipo que caminho seguir? como dizer as palavras? se sigo em silêncio ou se aceno?

***

e ai pela manhã, cedo, tu é acordado pelo toque do telefone. alguém te acordou e não foi teu despertador. você estragou tudo. você ferrou o dia… os planos, os compromissos. você se desencontrou de alguém. você dormiu demais no ponto. você perdeu. e desapontou… você furou algo que poderia ter sido bacana… certamente seria.

***

e então, de forma indolor, pragmática… já que não vou sair mais. e terei mesmo que pedir desculpas pessoalmente mais tarde. não vou ficar na fossa por cá não. vou é escrever este textinho, registrar isto. ter claro… que, as vezes, por querer ou não, eu sou esse cara que deixa as pessoas na mão… em furadas. mas sem me apenar… vou tirar para mim este dia, e por tudo em ordem… tudo que deixei de lado nestes tempos de greve. e tentar fazer desse dia algo mais pragmático e menos sonhador…

mesmo que minha cabeça insista em ficar girando e haja esse monte de coisas engasgadas aqui que precisam ser ditas…

***

tentei encontrar aquele trecho em que chico buarque canta humberto teixeira… para falar sobre as coisas tácitas, sobre nossas palavras ditas, não ditas, esperadas, e por serem ditas…

Kalu /// Composição: Humberto Teixeira // Kalu, Kalu / Tira o verde desses óios di riba d’eu / Não me tente se você já me esqueceu / Kalu, Kalu / Esse oiá despois do que se assucedeu / Com franqueza só não tendo coração / Fazê tar judiação / Você tá mangando di eu / Com franqueza só não tendo coração / Fazê tar judiação / Você tá mangando di eu /.

e lembrei desta canção aqui também: Que Nem Kalu.

ps: vou ali fora dar um giro no mundo… e quando voltar termino as notas que ficaram por publicar. e cada verbo encapsulado dentro de uma garrafa lançarei ao mar, desde esta ilha de única árvore, e seguirão, os verbos engarrafados rumo ao desconhecido… para o diálogo futuro com os seres de outros mares, doutras ilhas…

***

o sobre o diálogo gatuno {que tem me instigado um bocado}:

O GATO, poema de Mário Quintana

«O gato chega à porta do quarto onde escrevo.
Entrepara…hesita…avança…

Fita-me.
Fitamo-nos.

Olhos nos olhos…
Quase com terror!

Como duas criaturas incomunicáveis e solitárias
Que fossem feitas cada uma por um Deus diferente.»

ODA AL GATO, poema de Pablo Neruda

«Los animales fueron
imperfectos,
largos de cola, tristes
de cabeza.
Poco a poco se fueron
componiendo,
haciéndose paisaje,
adquiriendo lunares, gracia, vuelo.
El gato,
sólo el gato
apareció completo
y orgulloso:
nació completamente terminado,
camina solo y sabe lo que quiere.

El hombre quiere ser pescado y pájaro,
la serpiente quisiera tener alas,
el perro es un león desorientado,
el ingeniero quiere ser poeta,
la mosca estudia para golondrina,
el poeta trata de imitar la mosca,
pero el gato
quiere ser sólo gato
y todo gato es gato
desde bigote a cola,
desde presentimiento a rata viva,
desde la noche hasta sus ojos de oro.

No hay unidad
como él,
no tienen
la luna ni la flor
tal contextura:
es una sola cosa
como el sol o el topacio,
y la elástica línea en su contorno
firme y sutil es como
la línea de la proa de una nave.
Sus ojos amarillos
dejaron una sola
ranura
para echar las monedas de la noche.

Oh pequeño
emperador sin orbe,
conquistador sin patria,
mínimo tigre de salón, nupcial
sultán del cielo
de las tejas eróticas,
el viento del amor
en la intemperie
reclamas
cuando pasas
y posas
cuatro pies delicados
en el suelo,
oliendo,
desconfiando
de todo lo terrestre,
porque todo
es inmundo
para el inmaculado pie del gato.

Oh fiera independiente
de la casa, arrogante
vestigio de la noche,
perezoso, gimnástico
y ajeno,
profundísimo gato,
policía secreta
de las habitaciones,
insignia
de un
desaparecido terciopelo,
seguramente no hay
enigma
en tu manera,
tal vez no eres misterio,
todo el mundo te sabe y perteneces
al habitante menos misterioso,
tal vez todos lo creen,
todos se creen dueños,
propietarios, tíos
de gatos, compañeros,
colegas,
discípulos o amigos
de su gato.

Yo no.
Yo no suscribo.
Yo no conozco al gato.
Todo lo sé, la vida y su archipiélago,
el mar y la ciudad incalculable,
la botánica,
el gineceo con sus extravíos,
el por y el menos de la matemática,
los embudos volcánicos del mundo,
la cáscara irreal del cocodrilo,
la bondad ignorada del bombero,
el atavismo azul del sacerdote,
pero no puedo descifrar un gato.
Mi razón resbaló en su indiferencia,
sus ojos tienen números de oro.»

***

e os próximos poemas?

nuvem negra e roja

[ter] 24 de dezembro de 2013

http://www.youtube.com/watch?v=RkzwNOTkGOs

http://www.youtube.com/watch?v=tT5htaK9DSQ ¹

http://www.youtube.com/watch?v=OTHsAeo66a0

http://www.youtube.com/watch?v=EkqXB8kumHY

[editado 29/01/2018] antes só haviam links… sem referências, nomes… categorias… e o ytb deu strike nos vídeos acima… lembro que dois eram… e os demais ???

Caetano Veloso – Transa 1972 Full Album¹

Djavan, Chico Buarque e Gal Costa – Nuvem Negra

aos alecrins

[qui] 7 de novembro de 2013

TEXTOS DO FIM. Garimpados e Fabricados lá pelas 6h30 do dia.

texto incidental o guardador de rebanhos (parte ix) / sou um guardador de rebanhos / o rebanho é os meus pensamentos / e os meus pensamentos são todos sensações. / penso com os olhos e com os ouvidos / E com as mãos e os pés / e com o nariz e a boca. // pensar uma flor é vê-la e cheirá-la / e comer um fruto é saber-lhe o sentido. / por isso quando num dia de calor / me sinto triste de gozá-lo tanto. / e me deito ao comprido na erva, / e fecho os olhos quentes, / sinto todo o meu corpo deitado na realidade, / sei a verdade e sou feliz. / alberto caeiro – heterônimo de fernando pessoa.

***

texto dois que deveria ser o um. pensei em tanta coisa, mas uns goles de vinho me tiraram a certeza da palavra escrita, e sobrou apenas um pensamento passado, uma madruga perdida e um amanhecer mais inspirado. já escrevi aqui inúmeras vezes avaliações sobre este momento que vivo – os dilemas, as limitações, as contradições, as referências, os desencontros, as dores, a certeza sobre estar certo e ao mesmo tempo a profunda angústia de estar errado, da imobilidade em que me encontro. momento que  manifesta uma necessidade de auto-proteção, mesmo que seja em relação à projeções superdimensionadas, fruto de minhas neuroses e carências, enfim, desta dificuldade de lidar com afetividade – e irônico nisto tudo é que trato disto numa boa no plano da análise, tenho consciência de como se processa, quais suas origens e seus desdobramentos… mas –  contraditoriamente, este mesmo momento manifesta-se como uma certa prisão, como um viciado melodramático não consigo romper o ciclo vicioso do cotidiano que me leva à um exílio, um auto-exílio, que só não é total porque conservadoramente e comunalmente nesta família, onde todos moram sozinhos em suas casas, mas no mesmo pedaço de terra. O fato de ter izabel vivendo tão perto e passar quase todos os dias algumas horas com ela, e ter me vestido desta «paternidade», que me ensina bastante, e me dá, de certa forma, um chão, já que por ela tenho feito algumas concessões… é por ela, mas também é por mim, já que projeto nessa relação, o outro modelo concreto de relação parental pai-filho que vivi, a minha própria com meu velho, e percebo que apesar de ser tão idêntico nas limitações, eu consigo romper este profundos grilhões repressivos, e  mesmo não sendo o super-homem, e ainda causando dores por minhas faltas, sou um «pai» mais aberto e franco, talvez não o pai que eu gostaria de ter, mas o que consigo ser neste meu mar de neuroses… eu não deveria editar todo este texto, como estou fazendo agora, e quem já 0 leu, se um dia voltar a ler, perceberá, mas quem é que lê isto por cá? mas em síntese: por não saber lidar com certas situações e sentimentos, ou mesmo por não conseguir lidar com eles e com a projeção que eles trazem, é que nestes últimos três anos recuei, estabeleci um projeto mínimo, sobreviver, acompanhar izabel crescer, concluir meu teto… e recuando politicamente, socialmente, afetivamente de todas as possibilidades de enfrentamento, transformação e superação destas minhas velhas debilidades, destas minhas amputações ‘invisíveis’. e talvez não seja o melhor caminho a seguir, mas quase tudo vai conspirando para esse recuo, o salário baixo, a incerteza de trabalho, as contas, a falta de vontade de trabalhar ou de voltar a estudar ou militar social e politicamente… quase tudo ao meu redor parece incerto.

no peito há gentes e a dor e a dor pela dor do peito causar dor no peito destas gentes. mas nesta semana deu uma vontade de subir para respirar, sair do silêncio, mexer os músculos, olhar para toda essa quantidade de dor e começar a desfaze-la… e tomará que eu consiga avançar para além desta semana, avante, contra os moinhos de vento…

***

texto um que é o dois. perguntas aos alecrins. alecrim, alecrim, tu és uma planta bela e cheirosa. e aqui em casa és já dois pés. e sendo dois, vocês hão de crescer e me alimentar em chás e pratos diversos. alecrins… o que cês me dizem quando tudo parece estar à deriva, desde minha aparente profissão à república francesa, alastrando-se pelas águas radio-atômicas de fucuxima. seriam muitos derivados e derivativos para toda essa estória? a sociologia explica, interpreta, compreende como todo o sistema funciona, mas não me anima… é carlitos, falta ação. tu me diria: e esse cara aí sobre o muro, o que mira? o que sente? qual o gosto que leva na boca? que vermelho é este entre estes dentes carcomidos e ausentes? e nos olhos? e na cabeça? e esse doce-amargo das raras aulas semanais? do civilizatório mínimo trabalho alienado? do produtivo máximo não-trabalho? do esperar as vidas passarem?

a passagem das horas – “trago dentro do meu coração, / como num cofre que se não pode fechar de cheio, / todos os lugares onde estive, / todos os portos a que cheguei, / todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias, / ou de tombadilhos, sonhando, / e tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero. // (…) // viajei por mais terras do que aquelas em que toquei… / vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos… / experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti, / porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir / e a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz. // a certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me, / penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge, / desta estrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso, / desta turbulência tranquila de sensações desencontradas, / desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada, / deste desassossego no fundo de todos os cálices, / desta angústia no fundo de todos os prazeres, / desta saciedade antecipada na asa de todas as chávenas, / (…). // não sei se a vida é pouco ou demais para mim. / não sei se sinto de mais ou de menos, não sei / se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência, / consanguinidade com o mistério das coisas, choque / aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos, / ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz. // seja o que for, era melhor não ter nascido, / porque, de tão interessante que é a todos os momentos, / a vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger, / a dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair / para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas, / e ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos, / entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs, / e tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso, / com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida. // cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços, / é preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas… / por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro, / tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca… / que há de ser de mim? que há de ser de mim? // correram o bobo a chicote do palácio, sem razão, / fizeram o mendigo levantar-se do degrau onde caíra. / bateram na criança abandonada e tiraram-lhe o pão das mãos. / oh mágoa imensa do mundo, o que falta é agir… / tão decadente, tão decadente, tão decadente… / só estou bem quando ouço música, e nem então. (…) // como um bálsamo que não consola senão pela ideia de que é um bálsamo, / a tarde de hoje e de todos os dias pouco a pouco, monótona, cai. // (…) assim fico, fico… eu sou o que sempre quer partir, / e fica sempre, fica sempre, fica sempre, / até à morte fica, mesmo que parta, fica, fica, fica… / torna-me humano, ó noite, torna-me fraterno e solícito. / só humanitariamente é que se pode viver. / só amando os homens, as ações, a banalidade dos trabalhos, / só assim – ai de mim! -, só assim se pode viver. / só assim, o noite, e eu nunca poderei ser assim! // vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo, / mas tudo ou sobrou ou foi pouco – não sei qual – e eu sofri. / vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos, / e fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse. / amei e odiei como toda gente, / mas para toda a gente isso foi normal e instintivo, / e para mim foi sempre a exceção, o choque, a válvula, o espasmo. // (…) sinto na minha cabeça a velocidade de giro da terra, / e todos os países e todas as pessoas giram dentro de mim, / centrífuga ânsia, raiva de ir por os ares até aos astros / bate pancadas de encontro ao interior do meu crânio, / põe-me alfinetes vendados por toda a consciência do meu corpo, / faz-me levantar-me mil vezes e dirigir-me para Abstrato, / para inencontrável, Ali sem restrições nenhumas, / a Meta invisível — todos os pontos onde eu não estou — e ao mesmo tempo… // (…) // (…) eu, sinto que ficou fora do que imaginei tudo o que quis, / que embora eu quisesse tudo, tudo me faltou. // (…) // meu ser elástico, mola, agulha, trepidação /// álvaro de campos, in “poemas”. heterônimo de fernando pessoa.

________________________________________ //————————-

TEXTOS DO MEIO. Garimpados e fabricados lá pelas 18h30 do dia.

Lista do dia.

Fiz um texto e não consegui publicar. tendo passado doze horas fico pensado se devo publica-lo (e que se publique) já que  “a medida em que havíamos atingido nosso fim principal: ver claro em nós mesmos.

Ouço sem parar Secos & Molhados. Por que? Porque Izabel insiste em ouvi-lo. Porque troquei uma Tevê um aparelho de som. Porque assim posso desafinar e mexer o corpo desorganizadamente. As tardes são assim…

Coisas pesquisadas por agora: http://www.protecto.com.br/artigos/reparo3.htm ; http://www.unama.br/novoportal/ensino/graduacao/cursos/engenhariacivil/attachments/article/125/corrosao_concreto_armado.pdf ; http://www.texsa.com.br/Livro%2007.htm ;

______

TEXTOS DE DEPOIS DO FIM… Lá pelas 22h00. Tanto mar, porque o alecrim além do gosto e do cheiro é sonoro e pode ser trabalhado num contexto histórico-sociológico, pá.  “(…) // Sei que há léguas a nos separar / Tanto mar, tanto mar / Sei também quanto é preciso, pá / Navegar, navegar //(…)”

intertextual

[dom] 9 de junho de 2013

último ponto:
o pensamento é mais rápido que meus músculos.
e o pensado é morto,
o que vive é o pensado
sobre o pensado.
e a natura se refaz
mesmo diante da morte mais atroz.

primeiro ponto:
vocês não foram tão justos e sensatos quão imaginam.
suas loucuras, suas frustações, seus medos e suas limitações
foram a marca em tudo o que tentaram.

e a marca é isto ai mesmo:
não exatamente o que é correto ou necessário,
é o que é possível.

quando vislumbrei isto,
e percebi que era hora de escapar desta ilusão,
não para um mundo sem ilusão,
mas digamos, para outra ilusão,
e outra, e outra, todas um tanto mais libertadora
que esta que vocês inventaram para tentar me convencer.

E foi neste instante que percebi
que de lançamento eu já partia
todo errado [ver chico, ver carlos].

e viver sob esta culpa primordial
– que nem era minha de fato
e tampouco deveria ser culpa,
posto que era produto de determinantes
e sobredeterminante de caráter histórico-social [ver marx] –
enfim, viver sob aquela culpa não era viver,
era padecer – ser moribundamente.

deste ponto em diante
todas aquelas pequenas
transgressões já não eram defeitos,
eram feitos… eu me desculpará.
e errar era possível e tão necessário.

outro ponto:
“sai para caminhar com eu pai,
conversamos sobre coisas da vida,
tivemos um momento de paz”

entrepontos:
“o mundo esta repleto de loucuras”

pedaço de mim

[sáb] 4 de maio de 2013

os cães ladram… e os carros noturnos passam – faltei ao cine varilux.

mas num era isto, não foi este o fato que motivou abrir essa página agora e começar a datilografar estes caracteres. tão pouco foi o fato de ter rido bastante ontem, sexta-feira. e ter brincado um pouco, tido conversas sociológicas, e ter feito passeios… é, o tempo passou tranquilo, leve – como se eu fosse criança em dia de férias.

até ouvi antigas palavras de sérgio ferro.

e por acaso, agora, zapeando… caio nisto aqui: http://www.ascaniommm.com/. e ouço essas palavras que me encantam… quais são:

consciência arquitetônica” e “consciência de abrigo” – pesquisa-las preciso, pois a ideia que veio com elas, de o arquiteto, e todos nós, termos uma consciência arquitetônica vinculada a esta consciência do que é abrigo.

PROJETO: “disciplina é liberdade” – organizar meus horários livres para estudar coisas necessárias à docência [para ir pouco-a-pouco deixando de ser professor e tornar-me um educador] e coisas necessárias à existência deste poeta [que anda tão afastado me mim].

PÓSPROJETOoucousasqueanotoaaquiparanãoesquecerqueprecisofazeroucontinuarfazendo. voltar à acadêmica para alguma letra ou arte é algo vital que preciso fazer. literatura, como disse o escritor, exige disciplina – preciso treinar isto. e para atingir esse plano de voo é necessário paciência e as pessoas me escreveram bastante nesta última semana e eu não respondi quase ninguém, será que respondo?

e ouço chico.

minha camarada do mpla

[sáb] 27 de abril de 2013

ontem, sexta, ir na escola da filha, fazer deveres, brincar. hoje, sábado, ser pai e tio. fiz castelo de areia enorme, brinquei. foi um puta dia hoje. os sábados de izabel têm sido bons! temos passeado, temos lido, estamos a escrever um livrinho, ensino-lhe(s) sobre minha ateisse, sobre ser elefante ou borboleta, sobre como chorar ou rir até doer a barriga, a peidar, a ser ogrete, e aprendo tudo isto e mais – aprende a perder o medo.

sei que minha vida no quesito relacionamento está meio fechado para balanço, e tenho dedicado todos os meus esforços nessa relação de ser pai. as vezes bate um sozinhez, e questionamentos porque estar só, nesse auto-exílio, longe de todos os movimentos políticos e amorosos. mas sei de minhas dificuldades, de minhas limitações, e há um dois anos tomei a decisão de estar só por um tempo. esperar ela, a filha, e nossa relação, sempre tão delicada e tumultuosa, crescer um pouco, e nesta linha dar uma ordem nas coisas da casa, já que nesse caminho decidi fixar pouso, e depois de tanta terapia aceitei ser filho de quem sou e ser como sou, agora é arrumar a casa, cuidar de minha saúde, no meu amadurecimento profissional… foquei nestes pontos, fechar todo o resto para balanço e lidar com o mínimo para ver se dou conta.

mas talvez seja só medo de mergulhar profundo e embaralhar tudo – como era bom mergulhar e embaralhar tudo, e como doía, às vezes – entregar-se e partir-se, desaprender, voltar a dar-se e fugir, e mergulhar e perder-se. momentos belos vividos… momentos de amadurecimento, que me permitem ser o homem bom, que tenho aprendido a ser, sempre nesse devir cotidiano.

e aprender a ser pai tem sido tão profundo quanto aprender a ser militante/amante foi anos antes! mas que bom seria aprender a ser aprendendo sendo ser tudo isto e mais! poeta, artista, militante, amado-amante, pai, filho, irmão, educador, humano.

e hoje ouvi isto: «morena, bichinha danada, minha camarada do MPLA», com clara e chico.

«Morena de Angola, por Clara Nunes. Composição de Chico Buarque»

terráqueos

[sáb] 28 de maio de 2011

hoje não quis sair da casa. mas saiu. e não quis voltar para casa. mas voltou. força do hábito. e quis te’vê. te ve[r] não há. então comeu. quis escrever. e não sabia o quê.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

…………………………………………………………………………………………. então ouviu:

O que será (À flor da pele)

Composição – Chico Buarque

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

us and them

[ter] 24 de maio de 2011

23:42 começo este post.

23:31 qual é a pior repressão? a ignorância. [roda viva com ney matogrosso]

17:26 que fila!

21:09 faço anotações.

21:20 repasso o dia neste instante numa sequencia de planos pictóricos e odores e sabores. e só faltou um bom e demorado abraço. daqueles sabe!?

23:45 a rosa e chico, na itapema fm.

12:25 se descansarmos à sombra o sol não arderá tanto. e com seis anos meninas e meninos não têm muita diferença assim – ou têm? ela derreteu ao sol, mas não tirou a camiseta.

17:55 que bom é chegar atrasado quando estamos uma hora adiantados. enganos são importantes. e posso ler algumas páginas de victor serge ao som desta água corrente.

21:06 o onibus ao acaso partiu. não vi gabi mais. sobrou só esse gosto de mais nessa parada de estação.

15:30 fazer deveres com izabel. e ela aprendeu como se escreve paulo.

12:03 semana passada havia um certo gosto de «deixa prá lá ou será que é possível?». hoje acordei com essa sensação de que tudo é possível e que eu vou fazer.

20:52 imerso em pensamento profundos. e livres. patrik 1.5 é um belíssimo filme.

20:48 os créditos sobem e tenho cá uma lágrima querendo desabar e um engasgo na garganta.

00:01 us and them – pink floyd.

tacete

[seg] 4 de abril de 2011

Mas duas pessoas não se equilibram muito tempo lado a lado, cada qual com seu silêncio; um dos silêncios acaba sugando o outro, e foi quando me voltei para ela, que de mim não se apercebia. Segui observando seu silêncio, decerto mais profundo que o meu, e de algum modo mais silencioso. E assim permanecemos outra meia hora, ela dentro de si e eu imerso no silêncio dela, tentando ler seus pensamentos depressa, antes que virassem palavras. Budapeste, Chico Buarque

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e vai incompleto o post porque tudo que eu havia escrito evaporou num clique.

[mas volto e completo um pouco mais já que dizia eu sobre chico, e as necessárias re-leituras, e os caminhos, e as redes, e os mergulhos – mas no fim era algo mais ou menos desta natura… o que me resta agora é dizer o que vi desde este concreto pensado que me fez ir por bela e humana curiosidade nas escritas verdes. esta, sem saber, pela sua mão levou-me até o silêncio que fala e cospe na tua cara! e assim… percebei que (o teu, ou) o meu silêncio é desbocado]. e mais ou menos tudo encaixou-se profundamente neste meu mergulho… imergi mais e mais “vendo distanciar-se lá acima a superfície…”

 

nota de rodapé: os peixinhos acima eram em flash… descontinuado…

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tips! 魚が泳ぐブログパーツ『Fish』を背景にしてみた

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abowman

 

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