Archive for the 'Chico Buarque – Francisco Buarque de Hollanda' Category

nuvem negra e roja

2013, dezembro 24, terça-feira

http://www.youtube.com/watch?v=RkzwNOTkGOs

http://www.youtube.com/watch?v=tT5htaK9DSQ ¹

http://www.youtube.com/watch?v=OTHsAeo66a0

http://www.youtube.com/watch?v=EkqXB8kumHY

[editado 29/01/2018] antes só haviam links… sem referências, nomes… categorias… e o ytb deu strike nos vídeos acima… lembro que dois eram… e os demais ???

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Caetano Veloso – Transa 1972 Full Album¹

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Djavan, Chico Buarque e Gal Costa – Nuvem Negra

aos alecrins

2013, novembro 7, quinta-feira

TEXTOS DO FIM. Garimpados e Fabricados lá pelas 6h30 do dia.

texto incidental o guardador de rebanhos (parte ix) / sou um guardador de rebanhos / o rebanho é os meus pensamentos / e os meus pensamentos são todos sensações. / penso com os olhos e com os ouvidos / E com as mãos e os pés / e com o nariz e a boca. // pensar uma flor é vê-la e cheirá-la / e comer um fruto é saber-lhe o sentido. / por isso quando num dia de calor / me sinto triste de gozá-lo tanto. / e me deito ao comprido na erva, / e fecho os olhos quentes, / sinto todo o meu corpo deitado na realidade, / sei a verdade e sou feliz. / alberto caeiro – heterônimo de fernando pessoa.

***

texto dois que deveria ser o um. pensei em tanta coisa, mas uns goles de vinho me tiraram a certeza da palavra escrita, e sobrou apenas um pensamento passado, uma madruga perdida e um amanhecer mais inspirado. já escrevi aqui inúmeras vezes avaliações sobre este momento que vivo – os dilemas, as limitações, as contradições, as referências, os desencontros, as dores, a certeza sobre estar certo e ao mesmo tempo a profunda angústia de estar errado, da imobilidade em que me encontro. momento que  manifesta uma necessidade de auto-proteção, mesmo que seja em relação à projeções superdimensionadas, fruto de minhas neuroses e carências, enfim, desta dificuldade de lidar com afetividade – e irônico nisto tudo é que trato disto numa boa no plano da análise, tenho consciência de como se processa, quais suas origens e seus desdobramentos… mas –  contraditoriamente, este mesmo momento manifesta-se como uma certa prisão, como um viciado melodramático não consigo romper o ciclo vicioso do cotidiano que me leva à um exílio, um auto-exílio, que só não é total porque conservadoramente e comunalmente nesta família, onde todos moram sozinhos em suas casas, mas no mesmo pedaço de terra. O fato de ter izabel vivendo tão perto e passar quase todos os dias algumas horas com ela, e ter me vestido desta «paternidade», que me ensina bastante, e me dá, de certa forma, um chão, já que por ela tenho feito algumas concessões… é por ela, mas também é por mim, já que projeto nessa relação, o outro modelo concreto de relação parental pai-filho que vivi, a minha própria com meu velho, e percebo que apesar de ser tão idêntico nas limitações, eu consigo romper este profundos grilhões repressivos, e  mesmo não sendo o super-homem, e ainda causando dores por minhas faltas, sou um «pai» mais aberto e franco, talvez não o pai que eu gostaria de ter, mas o que consigo ser neste meu mar de neuroses… eu não deveria editar todo este texto, como estou fazendo agora, e quem já 0 leu, se um dia voltar a ler, perceberá, mas quem é que lê isto por cá? mas em síntese: por não saber lidar com certas situações e sentimentos, ou mesmo por não conseguir lidar com eles e com a projeção que eles trazem, é que nestes últimos três anos recuei, estabeleci um projeto mínimo, sobreviver, acompanhar izabel crescer, concluir meu teto… e recuando politicamente, socialmente, afetivamente de todas as possibilidades de enfrentamento, transformação e superação destas minhas velhas debilidades, destas minhas amputações ‘invisíveis’. e talvez não seja o melhor caminho a seguir, mas quase tudo vai conspirando para esse recuo, o salário baixo, a incerteza de trabalho, as contas, a falta de vontade de trabalhar ou de voltar a estudar ou militar social e politicamente… quase tudo ao meu redor parece incerto.

no peito há gentes e a dor e a dor pela dor do peito causar dor no peito destas gentes. mas nesta semana deu uma vontade de subir para respirar, sair do silêncio, mexer os músculos, olhar para toda essa quantidade de dor e começar a desfaze-la… e tomará que eu consiga avançar para além desta semana, avante, contra os moinhos de vento…

***

texto um que é o dois. perguntas aos alecrins. alecrim, alecrim, tu és uma planta bela e cheirosa. e aqui em casa és já dois pés. e sendo dois, vocês hão de crescer e me alimentar em chás e pratos diversos. alecrins… o que cês me dizem quando tudo parece estar à deriva, desde minha aparente profissão à república francesa, alastrando-se pelas águas radio-atômicas de fucuxima. seriam muitos derivados e derivativos para toda essa estória? a sociologia explica, interpreta, compreende como todo o sistema funciona, mas não me anima… é carlitos, falta ação. tu me diria: e esse cara aí sobre o muro, o que mira? o que sente? qual o gosto que leva na boca? que vermelho é este entre estes dentes carcomidos e ausentes? e nos olhos? e na cabeça? e esse doce-amargo das raras aulas semanais? do civilizatório mínimo trabalho alienado? do produtivo máximo não-trabalho? do esperar as vidas passarem?

a passagem das horas – “trago dentro do meu coração, / como num cofre que se não pode fechar de cheio, / todos os lugares onde estive, / todos os portos a que cheguei, / todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias, / ou de tombadilhos, sonhando, / e tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero. // (…) // viajei por mais terras do que aquelas em que toquei… / vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos… / experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti, / porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir / e a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz. // a certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me, / penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge, / desta estrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso, / desta turbulência tranquila de sensações desencontradas, / desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada, / deste desassossego no fundo de todos os cálices, / desta angústia no fundo de todos os prazeres, / desta saciedade antecipada na asa de todas as chávenas, / (…). // não sei se a vida é pouco ou demais para mim. / não sei se sinto de mais ou de menos, não sei / se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência, / consanguinidade com o mistério das coisas, choque / aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos, / ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz. // seja o que for, era melhor não ter nascido, / porque, de tão interessante que é a todos os momentos, / a vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger, / a dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair / para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas, / e ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos, / entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs, / e tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso, / com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida. // cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços, / é preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas… / por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro, / tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca… / que há de ser de mim? que há de ser de mim? // correram o bobo a chicote do palácio, sem razão, / fizeram o mendigo levantar-se do degrau onde caíra. / bateram na criança abandonada e tiraram-lhe o pão das mãos. / oh mágoa imensa do mundo, o que falta é agir… / tão decadente, tão decadente, tão decadente… / só estou bem quando ouço música, e nem então. (…) // como um bálsamo que não consola senão pela ideia de que é um bálsamo, / a tarde de hoje e de todos os dias pouco a pouco, monótona, cai. // (…) assim fico, fico… eu sou o que sempre quer partir, / e fica sempre, fica sempre, fica sempre, / até à morte fica, mesmo que parta, fica, fica, fica… / torna-me humano, ó noite, torna-me fraterno e solícito. / só humanitariamente é que se pode viver. / só amando os homens, as ações, a banalidade dos trabalhos, / só assim – ai de mim! -, só assim se pode viver. / só assim, o noite, e eu nunca poderei ser assim! // vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo, / mas tudo ou sobrou ou foi pouco – não sei qual – e eu sofri. / vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos, / e fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse. / amei e odiei como toda gente, / mas para toda a gente isso foi normal e instintivo, / e para mim foi sempre a exceção, o choque, a válvula, o espasmo. // (…) sinto na minha cabeça a velocidade de giro da terra, / e todos os países e todas as pessoas giram dentro de mim, / centrífuga ânsia, raiva de ir por os ares até aos astros / bate pancadas de encontro ao interior do meu crânio, / põe-me alfinetes vendados por toda a consciência do meu corpo, / faz-me levantar-me mil vezes e dirigir-me para Abstrato, / para inencontrável, Ali sem restrições nenhumas, / a Meta invisível — todos os pontos onde eu não estou — e ao mesmo tempo… // (…) // (…) eu, sinto que ficou fora do que imaginei tudo o que quis, / que embora eu quisesse tudo, tudo me faltou. // (…) // meu ser elástico, mola, agulha, trepidação /// álvaro de campos, in “poemas”. heterônimo de fernando pessoa.

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TEXTOS DO MEIO. Garimpados e fabricados lá pelas 18h30 do dia.

Lista do dia.

Fiz um texto e não consegui publicar. tendo passado doze horas fico pensado se devo publica-lo (e que se publique) já que  “a medida em que havíamos atingido nosso fim principal: ver claro em nós mesmos.

Ouço sem parar Secos & Molhados. Por que? Porque Izabel insiste em ouvi-lo. Porque troquei uma Tevê um aparelho de som. Porque assim posso desafinar e mexer o corpo desorganizadamente. As tardes são assim…

Coisas pesquisadas por agora: http://www.protecto.com.br/artigos/reparo3.htm ; http://www.unama.br/novoportal/ensino/graduacao/cursos/engenhariacivil/attachments/article/125/corrosao_concreto_armado.pdf ; http://www.texsa.com.br/Livro%2007.htm ;

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TEXTOS DE DEPOIS DO FIM… Lá pelas 22h00. Tanto mar, porque o alecrim além do gosto e do cheiro é sonoro e pode ser trabalhado num contexto histórico-sociológico, pá.  “(…) // Sei que há léguas a nos separar / Tanto mar, tanto mar / Sei também quanto é preciso, pá / Navegar, navegar //(…)”

intertextual

2013, junho 9, domingo

último ponto:
o pensamento é mais rápido que meus músculos.
e o pensado é morto,
o que vive é o pensado
sobre o pensado.
e a natura se refaz
mesmo diante da morte mais atroz.

primeiro ponto:
vocês não foram tão justos e sensatos quão imaginam.
suas loucuras, suas frustações, seus medos e suas limitações
foram a marca em tudo o que tentaram.

e a marca é isto ai mesmo:
não exatamente o que é correto ou necessário,
é o que é possível.

quando vislumbrei isto,
e percebi que era hora de escapar desta ilusão,
não para um mundo sem ilusão,
mas digamos, para outra ilusão,
e outra, e outra, todas um tanto mais libertadora
que esta que vocês inventaram para tentar me convencer.

E foi neste instante que percebi
que de lançamento eu já partia
todo errado [ver chico, ver carlos].

e viver sob esta culpa primordial
– que nem era minha de fato
e tampouco deveria ser culpa,
posto que era produto de determinantes
e sobredeterminante de caráter histórico-social [ver marx] –
enfim, viver sob aquela culpa não era viver,
era padecer – ser moribundamente.

deste ponto em diante
todas aquelas pequenas
transgressões já não eram defeitos,
eram feitos… eu me desculpará.
e errar era possível e tão necessário.

outro ponto:
“sai para caminhar com eu pai,
conversamos sobre coisas da vida,
tivemos um momento de paz”

entrepontos:
“o mundo esta repleto de loucuras”