Archive for the 'Eduardo Galeano – Eduardo Hughes Galeano' Category

ojalá podamos tener el coraje de estar solos y la valentía de arriesgarnos a estar juntos

2019, abril 13, sábado

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You’ve got to get yourself together
You’ve got stuck in a moment and you can’t get out of it
Don’t say that later will be better now
You’re stuck in a moment and you can’t get out of it

(…)

And if the night runs over
And if the day won’t last
And if your way should falter
Along the stony pass
It’s just a moment
This time will pass
Compositores: Adam Clayton / Dave Evans / Larry Mullen / Paul Hewson
***
Ojalá podamos tener el coraje de estar solos y la valentía de arriesgarnos a estar juntos
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***
dia de short treks

o poema da página 186 e algumas notas alheias de uma aula de 2006/2

2018, novembro 5, segunda-feira

«Que terra de comer,
Mas não coma já.

Ainda se mova,
para o ofício e a posse.

E veja alguns sítios
antigos, outros inéditos.

Sinta frio, calor, cansaço:
para um momento; continue.

Descubra em seu movimento as
forças não sabidas, contatos.

O prazer de estender-se; o de
enrolar-se, ficar inerte.

Prazer de balanço, prazer de voo.

Prazer de ouvir música;
Sobre o papel para que uma mão deslize.

Irredutível prazer dos olhos;
certas cores: como se desfazem, como aderem;
alguns objetos, diferentes a nova luz.

Que ainda sinta cheiro de fruta,
de terra na chuva, que pegue,
que imagine e grave, que lembre.

O tempo de conhecer mais algumas pessoas,
de aprender como viver, de ajudá-las.

De ver passar este conto: o vento
balançando a folha; a sombra
da árvore, parada um instante
alongando-se com o sol, e desfazendo-se
numa sombra maior, de estrada sem trânsito.

E de olhar esta folha, se cai.
Na queda retê-la. Tão seca, tão morna.

Tem um certo cheiro, particular entre mil.
Um desenho, que se produzirá ao infinito,
e cada folha é uma diferente.

E cada instante é diferente, e cada
homem é diferente, e somos todos iguais.
No mesmo ventre o escuro inicial, na mesma terra
o silêncio global, mas não seja logo.

Antes dele outros silêncios penetrem,
outras solidões derrubem ou acalentem
meu peito; ficar parado em frente desta estatua: é um torso
de mil anos, recebe minha visita, prolonga
para trás meu sopro, igual a mim
na calma, não importa o mármore, completa-me.

O tempo de saber que alguns erros caíram, e a raiz
da vida ficou mais forte e os naufrágios
não cortaram essa ligação subterrânea entre homens e coisas:
que os objetos continuam, e a trepidação incessante
não desfigurou o rosto dos homens;
que somos todos irmãos, insisto.

Em minha falta de recursos para dominar o fim,
entretanto me sinta grande, tamanho de criança, tamanho de torre,
tamanho da hora, que se vai acumulando século após século e causa vertigem,
tamanho de qualquer João, pois somos todos irmãos.

E a tristeza de deixar os irmãos me faça desejar
partida menos imediata. Ah, podeis rir também,
não da dissolução, mas do fato de alguém resistir-lhe,
de outros virem depois, de todos sermos irmãos,
no ódio, no amor, na incompreensão e no sublime
cotidiano, tudo, mas tudo é nosso irmão.

O tempo de despedir-me e contar
que não espero outra luz além da que nos envolveu
dia após dia, noite em seguida a noite, fraco pavio,
pequena ampola fulgurante, facho, lanterna, faísca,
estrelas reunidas, fogo na mata, sol no mar,
mas que essa luz basta, a vida é bastante, que o tempo
é boa medida, irmãos, vivamos o tempo.

A doença não me intimide, que ela não possa
chegar até aquele ponto do homem onde tudo se explica.
Uma parte de mim sofre, outra pede amor,
outra viaja, outra discute, uma última trabalha,
sou todas as comunicações, como posso ser triste?

A tristeza não me liquide, mas venha também
na noite de chuva, na estrada lamacenta, no bar fechando-se,
que lute lealmente com sua presa,
e reconheça o dia entrando em explosões de confiança, esquecimento, amor,
ao fim da batalha perdida.

Este tempo, e não outro, sature a sala, banhe os livros,
nos bolsos, nos pratos se insinue: com sórdido ou potente clarão.
E todo o mel dos domingos se tire;
o diamante dos sábados, a rosa
de terça, a luz de quinta, a mágica
de horas matinais, que nós mesmos elegemos
para nossa pessoal despesa, essa parte secreta
de cada um de nós, no tempo.

E que a hora esperada não seja vil, manchada de medo,
submissão ou cálculo. Bem sei, um elemento de dor
rói sua base. Será rígida, sinistra, deserta,
mas não a quero negando as outras horas nem as palavras
ditas antes com voz firme, os pensamentos
maduramente pensados, os atos
que atrás de si deixaram situações.
Que o riso sem boca não a aterrorize
e a sombra da cama calcária não a encha de súplicas,
dedos torcidos, lívido
suor de remorso.

E a matéria se veja acabar: adeus composição
que um dia se chamou Carlos Drummond de Andrade.
Adeus, minha presença, meu olhar e minas veias grossas,
meus sulcos no travesseiro, minha sombra no muro,
sinal meu no rosto, olhos míopes, objetos de uso pessoal, ideia de justiça, revolta e sono, adeus,
vida aos outros legada.

drummond - assina

Os últimos dias. In: ANDRADE, Carlos Drummond de. A rosa do povo. 5a ed. Rio de Janeiro: Record, 1988. p. 186-190.

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[madrugada]

Fui reler o poema da página 186. Descubro que ele foi arrancado. O único que falta, mas eis que encontra essa anotação no meio do livro. De uma aula de 2006. Ps: a letra não é minha. Será q o ser humano que deixou essa folha levou o poema?

[tarde]

gripado. febre ainda. dor pelo corpo inteiro. vontade de nada. enrolando… tem tarefa para hoje. oito horas ainda. ops… é para dia sete, ou seja, tempo restante: 2 dias 6 horas.

[noite]

matar aula. não tem aula, nem da cláudia, nem da roberta. fiquei em casa. chá de avenca, com assa-peixe e e folha de ameixa amarela (nêspera), para aliviar.

pessoas cinzas normais

2018, outubro 28, domingo

2h39 comecei o dia bombardeando comentários nas linhas do tempo #elenão. é dia de eleição.

«… e a minha alucinação é suportar o dia-a-dia. e meu delírio é a experiência com coisas reais… »

Eu não estou interessado / Em nenhuma teoria / Em nenhuma fantasia / Nem no algo mais / Nem em tinta pro meu rosto / Ou oba oba, ou melodia / Para acompanhar bocejos / Sonhos matinais // Eu não estou interessado / Em nenhuma teoria / Nem nessas coisas do oriente / Romances astrais / A minha alucinação / É suportar o dia-a-dia / E meu delírio / É a experiência / Com coisas reais // Um preto, um pobre / Uma estudante / Uma mulher sozinha / Blue jeans e motocicletas / Pessoas cinzas normais / Garotas dentro da noite / Revólver: cheira cachorro / Os humilhados do parque // Com os seus jornais / Carneiros, mesa, trabalho / Meu corpo que cai do oitavo andar / E a solidão das pessoas / Dessas capitais / A violência da noite / O movimento do tráfego / Um rapaz delicado e alegre /Que canta e requebra / É demais! // Cravos, espinhas no rosto / Rock, Hot Dog / Play it cool, baby / Doze Jovens Coloridos / Dois Policiais / Cumprindo o seu duro dever / E defendendo o seu amor / E nossa vida / Cumprindo o seu duro dever / E defendendo o seu amor / E nossa vida // Mas eu não estou interessado / Em nenhuma teoria / Em nenhuma fantasia / Nem no algo mais / Longe o profeta do terror / Que a laranja mecânica anuncia / Amar e mudar as coisas / Me interessa mais / Amar e mudar as coisas / Amar e mudar as coisas / Me interessa mais // Um preto, um pobre / Uma estudante / Uma mulher sozinha / Blue jeans e motocicletas / Pessoas cinzas normais / Garotas dentro da noite / Revólver: cheira cachorro / Os humilhados do parque / Com os seus jornais // Carneiros, mesa, trabalho / Meu corpo que cai do oitavo andar / E a solidão das pessoas / Dessas capitais / A violência da noite / O movimento do tráfego / Um rapaz delicado e alegre / Que canta e requebra / É demais! // Cravos, espinhas no rosto / Rock, Hot Dog / Play it cool, baby / Doze Jovens Coloridos / Dois Policiais / Cumprindo o seu duro dever / E defendendo o seu amor / E nossa vida / Cumprindo o seu duro dever / E defendendo o seu amor / E nossa vida // Mas eu não estou interessado / Em nenhuma teoria / Em nenhuma fantasia / Nem no algo mais / Longe o profeta do terror / Que a laranja mecânica anuncia / Amar e mudar as coisas / Me interessa mais / Amar e mudar as coisas / Amar e mudar as coisas / Me interessa mais /// Alucinação // Composição: Belchior

***
votei, voltei e editei…
19h30 agora é respirar fundo… e resistir ao turbilhão. a resistência continua…

«Um sistema de desvinculo: Boi sozinho se lambe melhor.., O próximo, o outro, não é seu irmão, nem seu amante. O outro é um competidor, um inimigo, um obstáculo a ser vencido ou uma coisa a ser usada. O sistema, que não dá de comer, tampouco dá de amar: condena muitos à fome de pão e muitos mais à fome de abraços.» O livro dos abraços / Eduardo Galeano; tradução de Eric Nepomuceno. – 9. ed. – Porto Alegre: L&PM, 2002. 270p