Archive for the 'Exercícios' Category

aqui existo de uma maneira longínqua

[qua] 30 de maio de 2018

4h23

meu rosto está desfigurado.
em carne viva.
infinitas escamas.
meu corpo arde.
tenho febre nos dedos.
ando suspenso.
tenho sonhos ao sol.
não os lembro.
vago imóvel pela madrugada.
abandono a poesia.
desnudo poemas.

e os pelos brancos me assaltam a cara

.
.
.
.
.
.

***

5h06 das notas mentais… acabei, terminei, editei a última postagem atrasada, pus em dia a série de poemas e poetas do #umpoetaumpoemapordia. e seria coisa inútil, se não fosse o prazer da descoberta poética…

«nos meus pensamentos sempre
as palavras lutam duas a duas pela verdade
palavras se metem dentro
de outras palavras querendo idéias
sou uma caixa de vários lados
com vários cantos
com duas sombras
uma escura que nasce da clara
outra clara que nasce da escura
a luz cintila e a sombra dorme
a sombra estatela-se e a luz ergue-se
nasce cada palavra dentro de outra palavra»
FERNANDO LEMOS

5h48 é o horário do segundo trem. hora que devo sair de casa. perícia médica. torcer para voltar antes das oito. e dormir o dia inteiro… ou viver.

23h13. e logo depois voltei, depois de perder uma hora esperando pelo busão que não veio… planos do dia zero a um para a falta de busão. reagendar compromissos e voltar a dormir, dormir mal. e na tarde, na volta do curativo, caminhei os três quilômetros (falta de busão, dois a zero?)… e tenho dor, mas rascunhei esse exercício abaixo:

fixação pelo verbo
oxidação do ferro
a água que invade
a gravidade deixa
a dança das conchas
entre a espuma e areia
o sol
o vento terral
a face
a tarde inteira
nada resiste

à necessidade da palavra
vagner boni, sambaqui, 30/05/2018

na distância do mundo

[sáb] 19 de maio de 2018

a personagem.

é nítida a sua negação. e como tem abandonado o corpo e a vida aos movimentos sem sentido, desconexos. é distante. talvez haja uma certa autopunição implícita, uma renúncia, ou algo do gênero. dos fatos: não responde aos contatos, e abandonou as rotinas básicas de cuidado para consigo e para com os demais; é recorrente a falta ao emprego, e não realiza o seu trabalho de forma eficaz. se enrola. está em fuga. permanece nos seus espaços de conforto. longe de qualquer contato mais profundo e humano.

acordei pensando nisto. na distância do mundo.

***

Kid Abelha – Nada Sei (Apnéia)

Nada sei dessa vida
Vivo sem saber
Nunca soube, nada saberei
Sigo sem saber…

Que lugar me pertence
Que eu possa abandonar
Que lugar me contém
Que possa me parar…

Sou errada, sou errante
Sempre na estrada
Sempre distante

Vou errando
Enquanto tempo me deixar
Errando
Enquanto o tempo me deixar…

Nada sei desse mar
Nado sem saber
De seus peixes, suas perdas
De seu não respirar…

Nesse mar, os segundos
Insistem em naufragar
Esse mar me seduz
Mas é só prá me afogar…

Sou errada, sou errante
Sempre na estrada
Sempre distante
Vou errando
Enquanto o tempo me deixar
Errando
Enquanto o tempo me deixar…

Sou errada, sou errante
Sempre na estrada
Sempre distante
Sou errada, sou errante
Sempre na estrada
Sempre distante
Vou errando
Enquanto o tempo
Me deixar passar
Errando
Enquanto o tempo me deixar…

Composição: George Israel / Paula Toller

 

frequência insuficiente

[seg] 23 de abril de 2018

notas do dia:

abandonei o semestre.

pontuei as atividades do estudantes e digitei notas no professor online -> agora só falta organizar o trabalho de recuperação paralela de nota.

***

pesquisas: http://blog.brasilacademico.com/2016/01/memoscorm-jogo-de-memoria-gratuito-para.html

***

Idioma Desconhecido

Produzido por: Ninguém Filmes Direção:José Marques de Carvalho Jr

Difícil Ser Funcionário, Poema de João Cabral de Melo Neto, e declamação de Patrícia Kalil

Difícil ser funcionário

João Cabral de Melo Neto

Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira.
Eu te telefono, Carlos
Pedindo conselho.

Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas,
E outros não-fazeres.

É a dor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores.

Eu nunca suspeitara
Tanta roupa preta;
Tão pouco essas palavras —
Funcionárias, sem amor.

Carlos, há uma máquina
Que nunca escreve cartas;
Há uma garrafa de tinta
Que nunca bebeu álcool.

E os arquivos, Carlos,
As caixas de papéis:
Túmulos para todos
Os tamanhos de meu corpo.

Não me sinto correto
De gravata de cor,
E na cabeça uma moça
Em forma de lembrança

Não encontro a palavra
Que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar…
Fazer seu nojo meu…

Carlos, dessa náusea
Como colher a flor?
Eu te telefono, Carlos,
Pedindo conselho.

O poema acima, escrito em 29-09-1943, revela a decisiva influência de Carlos Drummond de Andrade nas primeiras produções do autor. Inédito, foi extraído dos “Cadernos de Literatura Brasileira”, nº. 01, publicado pelo Instituto Moreira Salles em Março de 1996, pág.60.

***

[anotar aqui o poema feito hoje]

[anotação feita, terça-feira, 11h24]

exercício sobre o pulsar do corpo estelar // o sol encara o olhos nus / como é duro resistir / e não desatar-se / nesta irradiação / que alimenta e devora // e toda dor humana nesta terra / e tal empatia / e o dilema constante / e a utopia / nada podem / não acessam os códigos deste outro idioma.

[ps 1: e achei isto aqui abaixo… quando transcrevia/recriava o exercício acima]

Onde quer que você esteja
Em Marte ou Eldorado
Abra a janela e veja
O pulsar quase mudo
Abraço de anos-luz
Que nenhum sol aquece
E o oco escuro esquece

Composição: Augusto De Campos / Caetano Veloso

1ffdfc043db5d2afc5e6d1fddcff2829eca93d67

«Video realizado para la exposición de Augusto de Campos / Despoemas en Buenos Aires, 2014. Inspirado no videoclip de Paulo Barreto de 1984» Gonzalo Aguilar.

[ps 2: O que é um PULSAR]

%d blogueiros gostam disto: