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meu sorriso amarelo… no problem

2019, março 21, quinta-feira

[status: rascunho – sem título 9 horas atrás | 126 palavras]

É como se houvessem 3.

O que escreve, vê de forma clara a situação toda e deseja levantar, olhar no espelho e dizer: você pode, você deve… vai realizar teus sonhos, teu amor, sê livre… não há nada de errado com você nesse mundo. Viva. Grite poesias…

O que se cala e vê o quê há de triste. Sente dor e raiva e tristeza o tempo todo, a vida toda… ele se cala, foge, se esconde e morre de medo. Ele sobrevive na morte cotidiana. Nas pequenas fugas e nos acovardamentos. Tudo é injusto e nada é certo. A maldade sempre está por perto e não faz sentido estar vivo [me recordo de clarisse, do renato… eu já citei esse música aqui… achei e li sobre o homem que plantava árvores e afinava silêncios].

O que é compulsivo. Antropofágico. Uma besta. O piloto automático dessa porra toda.

agora, 20:19. café na cafeira italiana – não pretendo dormir… preciso de coragem para sair amanhã, já que hoje, fiquei… e só acordei quando meus pais vieram ver o que se passa comigo e quando dora insistiu tanto para eu levantar… dei a eles um sorriso amarelo e nenhuma explicação… apenas fiquei ali pela tarde com eles… eles e dora, dora tem sido fundamental, com seu carinho incondicional. eu só precisava estar sem pressão. borrei tudo. esquecido mundo e estive pela tarde. e das tarefas práticas do dia: terminei de esticar o fio, que esperava desde janeiro, para as trepaderias (chuchu, maracuja e feijão) espalharem-se de vez sobre o telhado… conclui algo, em paz. me sinto menos ansioso… tenho feito exercícios positivos.

e por mais que o espinho na palma da mão esteja inflamado, e meu coração palpitando ainda… não tenho entrado em desespero nas últimas horas e pretendo agora, terminar de organizar minhas aulas [essa minha mania de controle…] e os diários. para, se der, ir trabalhar amanhã.

na trilha de fundo…

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e por falar em música… preciso de um fone de ouvido.

21:36 fone listo. chega em oito dias úteis (ou seja, até 3 de abril)

 

três dias

2019, março 20, quarta-feira

rascunhei isto hoje cedo:

a minha cama é como um buraco negro.
se o pranto estava embargado, feito represa em dia de chuva…
hoje desatou… eu choro, como há muito não chorava.

e tento parecer sério e firme para os de casa, mas eu não sou esse cara sério, taciturno… algo não vai bem. não sei dizer. eu apenas me fecho. e essa tela em branco é meu escape quando já não é mais possível ficar dando voltas e mais voltas nesta cabeça. que agonia.

eu sei tudo o que tenho que fazer, mas não consigo, não quero, não tenho gana.

***

agora

ñ fui pra escola e nem pra faculdade pelo terceiro dia consecutivo. eu nem consegui levantar da cama pela manhã. pelo final da tarde, quando estava exausto de tanto dar voltas mente adentro, juntei alguma força, me vesti de outono e contra o vento sul me pus a movimentar o corpo na tentativa de fazer a miríade de imagens silenciar. fui cortar grama, porque era algo que precisava ser feito e que eu ainda não havia feito. mas os papéis.. as aulas, as leituras… eu sei o que tenho que fazer, eu quero fazer… eu quero sair desse buraco que estou gravitando… eu só preciso esticar a mão, começar… ir.

sair desse modo compulsivo de autosabotagem.

***

pra amanhã.

eu preciso é tormar coragem e sair de casa amanhã. mesmo que eu leve um espinho cravado na palma da mão e esse aperto constante no peito. eu preciso sair.

preciso me comunicar.

«To be patient and awake
There are things to learn here, Kate
To forgive and to accept
Things that haven’t happened yet»

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o vencedor

2019, março 18, segunda-feira

20h52 preciso traduzir essa coisa toda que estou sentindo neste exato instante. Não estou feliz aqui. Tento resistir diariamente, mas o ambiente, as pessoas do ambiente tornam o ar irrespirável, tóxico. Olho pra minha filha e me parte, não poder dar um ambiente melhor, saudável, para ela. Sei que não sou responsável pela loucura dos outros, por seus traumas, medos, obsessões, por suas frustrações, mas não consigo não me deixar afetar… E isso me sufoca, essa gente me sufoca. E já não tenho fé em mim mesmo… É só dor, tristeza e mágoa. E me vejo reproduzindo um ambiente nocivo pra ela, tanto o quanto foi o de minha infância e adolescência. E eu não consigo ser melhor, ser mais isso que quase nunca tive. Eu me sinto exausto nesse mundo. Talvez seja dai que venha esse nó, essa dor aguda no peito, essa vontade incontrolável  de chorar, esse desejo de sumir… toda essa coisa de morte e de dor.

×××

De não conseguir ser além do que essa falta. E ainda assim me sentir responsável pela falta alheia. Que prepotência…  achar que as coisas giram em torno de você. E que vc consegue ser diferente, mais e melhor do que você acha que é… E que isto vai mudar o mundo e os outros.

E na primeira adversidade você se acha uma merda, e se cala sem conseguir lutar, se achando mais fraco, desprezível e insignificante que de fato é.

Ri disso, mas levanta… faz o que é possível, tenta ao menos respirar de forma a destravar o peito e desanuviar a mente. Resiste, vive, meu amigo, morre não.